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Felipe Cordeiro consolida a carreira com um terceiro disco

por em 09/04/2013
F
elipe Cordeiro consolida a carreira com um terceiro disco que expande a música do Pará, Por José Flávio Júnior
U m disco de música tropical densa e criativa. É assim que o paraense Felipe Cordeiro define seu terceiro álbum, Se Apaixone Pela Loucura Do Seu Amor, lançado no começo de novembro. Prestes a completar 30 anos de idade, o cantor e compositor deixou um pouco de lado os conceitos que norteavam o antecessor Kitsch Pop Cult (2011), e focou nas canções. Ainda que não seja mais a novidade do verão para quem acompanha a movimentação além do mainstream, Felipe continua sendo requisitado para pensar a rica cena do Pará. Aqui, ele também compartilha os ensinamentos de Carlos Eduardo Miranda e Kamal Kassin (que produziram o CD), analisa o momento de Manoel Cordeiro, seu pai (e guitarrista responsável por discos de Beto Barbosa e outros sucessos da lambada), e declara seu amor por São Paulo, cidade que o acolheu. MUDANÇA ESTÉTICA “O Se Apaixone tem diferenças significativas em relação ao Kitsch Pop Cult, embora metade do disco seja uma sequência natural. Ele se distancia quando nega conscientemente a música eletrônica. Conceitualmente, o outro disco era inspirado pelo tecnobrega. Agora, a gente montou uma banda para tocar no disco inteiro, algo bastante orgânico. Ele chega a ser virtuoso na parte instrumental, embora seja um disco pop. E simples. São canções que falam do universo do amor, o que é um desafio. Ou você cai numa coisa muito piegas ou faz algo sem verdade. Tentei ser criativo, escapar do óbvio, mas sem malabarismos.” TRADIÇÃO BREGUEIRA “O brega do Pará tem uma história longínqua. Ele se transformou muito ao longo dos anos. Tem muitos tipos, muitos caminhos, diferentemente do brega do resto do país, que gira em torno da Jovem Guarda e da pós-Jovem Guarda: Odair José, Fernando Mendes, José Augusto, que, aliás, andei ouvindo muito. No Pará, teve essa coisa da dança, o brega foi acelerando, criando códigos próprios de sonoridade, temas, comportamentos, até chegar no tecnobrega. Criou-se uma tradição bregueira bastante forte. Mas mesmo o tecnobrega tem a ver com esse brega do resto do país. “Alta Voltagem” é um desses bregas mais clássicos. Só que, em estúdio, fomos por outro caminho. Ficou meio Guilherme Arantes encontra Los Hermanos.” MIRANDA/KASSIN “A primeira coisa que o Kassin e o Miranda me disseram foi: ‘Esquece que tem de ser brega, que tem de ser lambada, que carimbó se toca assim ou assado’. No Pará, existem muitas regras. A gente achou melhor ficar à vontade, tocar da forma que soasse legal, sem preocupação com gêneros. Partíamos de alguns lugares, e íamos embora.” MESTRE ALÍPIO “Problema Seu” tem essa alma do Alípio Martins (1944-1997). Ela é muito direta, mas tem uma sacada ali. O Alípio era mestre nisso, de jogar com o simplório. Dentro de algo quase burro, nasce uma sacada.” PARÁ NA MODA “Percebo que os formadores de opinião, os artistas, cada um tem uma expectativa sobre a nova música paraense. Essas expectativas, por vezes, se chocam. Como o auê dessa cena foi alavancado, de certa forma, pelo tecnobrega, houve quem pensasse que ela se tornaria uma coisa tão forte comercialmente quanto a axé music. Por outro lado, teve gente dizendo que o tecnobrega e todo o resto seriam uma espécie de vanguarda estética dentro da cultura brasileira. Já eu acho que há pouco espaço para um movimento organizado, a exemplo da tropicália, do mangue beat. A música no Pará sempre foi profícua. O tempo deve mostrar que nem tudo é tão consistente. Uma boa parte da imprensa que coloca a cena lá para cima, a trata como moda, no sentido ruim do termo. Sou avesso a isso. Gosto de pensar que temos grandes compositores e músicos, como em qualquer outro lugar. Acho que o Pará tem uma idiossincrasia bem interessante, mas não idolatro isso. Tenho medo de que vire panfl etagem. Mas vivo me surpreendendo com as coisas do Pará. O último a me emocionar foi o Jaloo.” CORAÇÃO PAULISTANO “Eu amo São Paulo. Já tinha morado na cidade antes de ser músico. Não me mudei só por causa da carreira. Claro que o trabalho me move, mas me sinto em casa por lá. Musicalmente também. Gosto dos interlocutores, acho a cidade inspiradora em sua intensidade.” PAPAI CORDEIRO “Ele está vivendo um momento único na carreira. Até então, papai tinha uma vastíssima produção, mas só a classe o conhecia. A partir do instante em que começamos a tocar juntos, vários projetos começaram a surgir. Estou ajudando a fazer vídeos e discos que contem a história dele. A banda Manoel Cordeiro e os Desumanos nasceu desta vontade de mostrar todas as suas maluquices. Ele está num processo de reposicionamento depois de coroa. E o Kassin disse que esta é a melhor banda em que ele já tocou.” *materia publicada na edição 46 da Billboard Brasil, em novembro de 2013.
  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
RANKING COMPLETO
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Felipe Cordeiro consolida a carreira com um terceiro disco

por em 09/04/2013
F
elipe Cordeiro consolida a carreira com um terceiro disco que expande a música do Pará, Por José Flávio Júnior
U m disco de música tropical densa e criativa. É assim que o paraense Felipe Cordeiro define seu terceiro álbum, Se Apaixone Pela Loucura Do Seu Amor, lançado no começo de novembro. Prestes a completar 30 anos de idade, o cantor e compositor deixou um pouco de lado os conceitos que norteavam o antecessor Kitsch Pop Cult (2011), e focou nas canções. Ainda que não seja mais a novidade do verão para quem acompanha a movimentação além do mainstream, Felipe continua sendo requisitado para pensar a rica cena do Pará. Aqui, ele também compartilha os ensinamentos de Carlos Eduardo Miranda e Kamal Kassin (que produziram o CD), analisa o momento de Manoel Cordeiro, seu pai (e guitarrista responsável por discos de Beto Barbosa e outros sucessos da lambada), e declara seu amor por São Paulo, cidade que o acolheu. MUDANÇA ESTÉTICA “O Se Apaixone tem diferenças significativas em relação ao Kitsch Pop Cult, embora metade do disco seja uma sequência natural. Ele se distancia quando nega conscientemente a música eletrônica. Conceitualmente, o outro disco era inspirado pelo tecnobrega. Agora, a gente montou uma banda para tocar no disco inteiro, algo bastante orgânico. Ele chega a ser virtuoso na parte instrumental, embora seja um disco pop. E simples. São canções que falam do universo do amor, o que é um desafio. Ou você cai numa coisa muito piegas ou faz algo sem verdade. Tentei ser criativo, escapar do óbvio, mas sem malabarismos.” TRADIÇÃO BREGUEIRA “O brega do Pará tem uma história longínqua. Ele se transformou muito ao longo dos anos. Tem muitos tipos, muitos caminhos, diferentemente do brega do resto do país, que gira em torno da Jovem Guarda e da pós-Jovem Guarda: Odair José, Fernando Mendes, José Augusto, que, aliás, andei ouvindo muito. No Pará, teve essa coisa da dança, o brega foi acelerando, criando códigos próprios de sonoridade, temas, comportamentos, até chegar no tecnobrega. Criou-se uma tradição bregueira bastante forte. Mas mesmo o tecnobrega tem a ver com esse brega do resto do país. “Alta Voltagem” é um desses bregas mais clássicos. Só que, em estúdio, fomos por outro caminho. Ficou meio Guilherme Arantes encontra Los Hermanos.” MIRANDA/KASSIN “A primeira coisa que o Kassin e o Miranda me disseram foi: ‘Esquece que tem de ser brega, que tem de ser lambada, que carimbó se toca assim ou assado’. No Pará, existem muitas regras. A gente achou melhor ficar à vontade, tocar da forma que soasse legal, sem preocupação com gêneros. Partíamos de alguns lugares, e íamos embora.” MESTRE ALÍPIO “Problema Seu” tem essa alma do Alípio Martins (1944-1997). Ela é muito direta, mas tem uma sacada ali. O Alípio era mestre nisso, de jogar com o simplório. Dentro de algo quase burro, nasce uma sacada.” PARÁ NA MODA “Percebo que os formadores de opinião, os artistas, cada um tem uma expectativa sobre a nova música paraense. Essas expectativas, por vezes, se chocam. Como o auê dessa cena foi alavancado, de certa forma, pelo tecnobrega, houve quem pensasse que ela se tornaria uma coisa tão forte comercialmente quanto a axé music. Por outro lado, teve gente dizendo que o tecnobrega e todo o resto seriam uma espécie de vanguarda estética dentro da cultura brasileira. Já eu acho que há pouco espaço para um movimento organizado, a exemplo da tropicália, do mangue beat. A música no Pará sempre foi profícua. O tempo deve mostrar que nem tudo é tão consistente. Uma boa parte da imprensa que coloca a cena lá para cima, a trata como moda, no sentido ruim do termo. Sou avesso a isso. Gosto de pensar que temos grandes compositores e músicos, como em qualquer outro lugar. Acho que o Pará tem uma idiossincrasia bem interessante, mas não idolatro isso. Tenho medo de que vire panfl etagem. Mas vivo me surpreendendo com as coisas do Pará. O último a me emocionar foi o Jaloo.” CORAÇÃO PAULISTANO “Eu amo São Paulo. Já tinha morado na cidade antes de ser músico. Não me mudei só por causa da carreira. Claro que o trabalho me move, mas me sinto em casa por lá. Musicalmente também. Gosto dos interlocutores, acho a cidade inspiradora em sua intensidade.” PAPAI CORDEIRO “Ele está vivendo um momento único na carreira. Até então, papai tinha uma vastíssima produção, mas só a classe o conhecia. A partir do instante em que começamos a tocar juntos, vários projetos começaram a surgir. Estou ajudando a fazer vídeos e discos que contem a história dele. A banda Manoel Cordeiro e os Desumanos nasceu desta vontade de mostrar todas as suas maluquices. Ele está num processo de reposicionamento depois de coroa. E o Kassin disse que esta é a melhor banda em que ele já tocou.” *materia publicada na edição 46 da Billboard Brasil, em novembro de 2013.