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1960/1970: 8 cantores (quase) esquecidos

por em 21/05/2015
P
or Marcos Lauro
Se há uma geração incompreendida e quase esquecida na música brasileira é a que fez sucesso entre o fim dos anos 1960 e fim dos anos 1970. Eles são colocados na categoria “brega”, o que, pra muita gente, é uma característica que desvaloriza o artista e tira a relevância da sua obra. Mas o som, em muitos casos, é rock, com influência direta da Jovem Guarda (e da sonoridade do rock italiano e francês). Grupos de rock progressivo também serviam como inspiração. Não que eles não tenham experimentado o sucesso. A série Discobertas lançou um box com 8 discos do Antônio Marcos, dividido em dois volumes. E ali encontramos diversos hits. Aliás, ouvindo os CDs pela ordem de lançamento (1967 – 1976), é possível identificar a mudança de sonoridade de Antônio Marcos. A ida de Roberto Carlos para a música romântica, em definitivo, em 1972, foi decisiva para o fim da Jovem Guarda. E aí sem o “Rei”, tais nomes não conseguiram manter o movimento em pé, mesmo com o sucesso popular absoluto que faziam. O sertanejo começava a ganhar espaço para nunca mais sair da cena. O primeiro disco do box de Antônio Marcos ainda é totalmente Jovem Guarda. No segundo, a sonoridade já muda um pouco – o rock mais energético cede espaço para as músicas românticas. E depois disso, o cantor encara até uma fase que pode ser considerada gospel, com músicas como “O Homem de Nazaré”. Destacamos 8 nomes dessa geração quase esquecida da música brasileira: Antonio Marcos antonio-marcos Compositor de mão cheia, abastecia não só os seus discos como os dos colegas da mesma geração. Chegou a fazer parte da Jovem Guarda com o grupo Os Iguais e seu primeiro grande sucesso solo foi uma composição de Roberto e Erasmo: “Tenho Um Amor Melhor Que O Seu”. Já de outra fase da carreira, “Quem Dá Mais” é profética: Antônio Marcos vive em 1996, num mundo dominado por computadores e de pessoas sem fé, que mal se falam. Ele, um homem “antigo”, é vendido num leilão. Num trecho do refrão, ele pergunta: “Quem dá mais por um louco que discorda do computador?”. A música é de 1977. Claudio Fontana claudiofontana Autor de sucessos na voz de Wanderley Cardoso, nome que, efetivamente, fez parte da Jovem Guarda, Claudio Fontana arrebentou com "Adeus Ingrata", de 1970. Evaldo Braga evaldo-braga Evaldo Braga foi vendido como “ídolo negro” num período em que Simonal já não dava mais as cartas – estava sendo perseguido pela imprensa e por outros artistas devido a sua suposta colaboração com o regime militar. Braga tem apenas dois discos, deixou pelo menos u hit arrebatador ("Sorria, Sorria") e morreu tragicamente aos 27 anos de idade. Paulo Sergio Paulo Sérgio Chegou a ser cotado como o substituto de Roberto Carlos na Jovem Guarda. “A Última Canção” é de 1967. Outro que morreu precocemente, aos 36 anos. Marcio José marcio-joseO Telefone Chora”, seu maior hit, é uma versão de “Le Téléphone Pleure”, do francês Claude François. Afinal, não é Jovem Guarda se não tiver boas versões. Dessa lista, Marcio José é o nome que tem menos informações na internet – e, quando tem, são desencontradas. Nilton Cesar nilton-cesar Outro que ia na cola de Roberto Carlos – perceba o tecladão à lá Lafayette (o tecladista “oficial” da Jovem Guarda) em “A Namorada Que Sonhei”, sucesso de 1969. Fernando Mendes fernando-mende O Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira coloca Fernando Mendes no mesmo grupo que Sidney Magal, Gilliard e Martinha. Pela popularidade, que chegou forte até os anos 1980, pode até ser. Mas sua música é profunda, com temas nada festivos. Com Fernando Mendes não tem cigana Sandra Rosa Madalena e muito menos pulgas e percevejos. Aqui, o lance é “Cadeira de Rodas”. Eduardo Araújo eduardo-araujo Com o fim da Jovem Guarda, Eduardo Araújo foi um dos que se arriscou na black music e nas africanidades. Imagine você que depois de descer a rua Augusta a 120 por hora e não usar espelho para se pentear, Eduardo Araújo foi cair nas rodas de capoeira. A música “Capoeira” é de 1976.
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1960/1970: 8 cantores (quase) esquecidos

por em 21/05/2015
P
or Marcos Lauro
Se há uma geração incompreendida e quase esquecida na música brasileira é a que fez sucesso entre o fim dos anos 1960 e fim dos anos 1970. Eles são colocados na categoria “brega”, o que, pra muita gente, é uma característica que desvaloriza o artista e tira a relevância da sua obra. Mas o som, em muitos casos, é rock, com influência direta da Jovem Guarda (e da sonoridade do rock italiano e francês). Grupos de rock progressivo também serviam como inspiração. Não que eles não tenham experimentado o sucesso. A série Discobertas lançou um box com 8 discos do Antônio Marcos, dividido em dois volumes. E ali encontramos diversos hits. Aliás, ouvindo os CDs pela ordem de lançamento (1967 – 1976), é possível identificar a mudança de sonoridade de Antônio Marcos. A ida de Roberto Carlos para a música romântica, em definitivo, em 1972, foi decisiva para o fim da Jovem Guarda. E aí sem o “Rei”, tais nomes não conseguiram manter o movimento em pé, mesmo com o sucesso popular absoluto que faziam. O sertanejo começava a ganhar espaço para nunca mais sair da cena. O primeiro disco do box de Antônio Marcos ainda é totalmente Jovem Guarda. No segundo, a sonoridade já muda um pouco – o rock mais energético cede espaço para as músicas românticas. E depois disso, o cantor encara até uma fase que pode ser considerada gospel, com músicas como “O Homem de Nazaré”. Destacamos 8 nomes dessa geração quase esquecida da música brasileira: Antonio Marcos antonio-marcos Compositor de mão cheia, abastecia não só os seus discos como os dos colegas da mesma geração. Chegou a fazer parte da Jovem Guarda com o grupo Os Iguais e seu primeiro grande sucesso solo foi uma composição de Roberto e Erasmo: “Tenho Um Amor Melhor Que O Seu”. Já de outra fase da carreira, “Quem Dá Mais” é profética: Antônio Marcos vive em 1996, num mundo dominado por computadores e de pessoas sem fé, que mal se falam. Ele, um homem “antigo”, é vendido num leilão. Num trecho do refrão, ele pergunta: “Quem dá mais por um louco que discorda do computador?”. A música é de 1977. Claudio Fontana claudiofontana Autor de sucessos na voz de Wanderley Cardoso, nome que, efetivamente, fez parte da Jovem Guarda, Claudio Fontana arrebentou com "Adeus Ingrata", de 1970. Evaldo Braga evaldo-braga Evaldo Braga foi vendido como “ídolo negro” num período em que Simonal já não dava mais as cartas – estava sendo perseguido pela imprensa e por outros artistas devido a sua suposta colaboração com o regime militar. Braga tem apenas dois discos, deixou pelo menos u hit arrebatador ("Sorria, Sorria") e morreu tragicamente aos 27 anos de idade. Paulo Sergio Paulo Sérgio Chegou a ser cotado como o substituto de Roberto Carlos na Jovem Guarda. “A Última Canção” é de 1967. Outro que morreu precocemente, aos 36 anos. Marcio José marcio-joseO Telefone Chora”, seu maior hit, é uma versão de “Le Téléphone Pleure”, do francês Claude François. Afinal, não é Jovem Guarda se não tiver boas versões. Dessa lista, Marcio José é o nome que tem menos informações na internet – e, quando tem, são desencontradas. Nilton Cesar nilton-cesar Outro que ia na cola de Roberto Carlos – perceba o tecladão à lá Lafayette (o tecladista “oficial” da Jovem Guarda) em “A Namorada Que Sonhei”, sucesso de 1969. Fernando Mendes fernando-mende O Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira coloca Fernando Mendes no mesmo grupo que Sidney Magal, Gilliard e Martinha. Pela popularidade, que chegou forte até os anos 1980, pode até ser. Mas sua música é profunda, com temas nada festivos. Com Fernando Mendes não tem cigana Sandra Rosa Madalena e muito menos pulgas e percevejos. Aqui, o lance é “Cadeira de Rodas”. Eduardo Araújo eduardo-araujo Com o fim da Jovem Guarda, Eduardo Araújo foi um dos que se arriscou na black music e nas africanidades. Imagine você que depois de descer a rua Augusta a 120 por hora e não usar espelho para se pentear, Eduardo Araújo foi cair nas rodas de capoeira. A música “Capoeira” é de 1976.