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52 anos depois do primeiro álbum, The Who estreia em solo brasileiro

Banda encerrou a primeira noite do festival São Paulo Trip

por Marcos Lauro em 22/09/2017

Por qual artista você esperaria 52 anos para ver um único show? Para alguns que compareceram ao Alllianz Parque nessa quinta-feira (21/09), a resposta parecia clara: The Who. Isso porque a média de idade do público condizia com gente que conhece o grupo desde o seu primeiro álbum, My Generation, de 1965. Senhores, em sua maioria sozinhos ou em grupos de amigos. Outros, com suas senhoras. Mas todos esperando a dupla original Roger Daltrey e Pete Townsend. “O The Who tá chegando!”, exclamava um desses senhores, ansioso, por volta das 21h10 – 20 minutos antes do horário previsto para o show.

Antes do Who aparecer, um vídeo contava histórias sobre a banda e dava alguns avisos como “não fumar perto do palco, Roger é alérgico” – depois de uma certa idade, o rock troca a rebeldia por patologias. Normal. Mas no primeiro acorde de “I Can’t Explain”, música que abriu o show, a rebeldia chutou as patologias e os fãs puderam ver Daltrey com seu microfone que dá voltas no ar e Townsend com seu movimento também característico de braço direito, que faz um arco completo até tocar a guitarra. Os senhores voltaram a ser moços.

thewho-02Fotos: Divulgação

Pete reforça que esse é o primeiro show do grupo na América Latina e, consequentemente, no Brasil e solta “I Can See For Miles”, como se já não tivessem passado pelo palco alguns outros hits como “Who Are You” e “The Kids Are Alright”. No show dá pra notar bem as fases distintas da banda, que começou na cena mod britânica, de garotos bem vestidos sobre suas motinhos, e seguiu por caminhos mais experimentais e de sons apoteóticos.

Entre as faixas menos conhecidas do grande público (mas acompanhadas com vigor pelos senhores), o destaque no show foi para a instrumental “The Rock”, do álbum Quadrophenia (1973). No telão, imagens de diversos momentos importantes da história recente, como Guerra do Vietnam, o conflito entre União Soviética e Iran, o protesto na Praça da Paz Celestial, a queda do muro de Berlim e a derrubada das torres gêmeas. Nascido em 1964, o The Who viu tudo isso acontecer e, entre idas e vindas e perdas de integrantes, transformou tudo isso em arte. Nesse momento, o público pôde ter a história passando por seus olhos, seja no telão (história geral) ou no palco (história do rock).

thewho-03

Outra cena emblemática: na última música antes do bis, “Won't Get Fooled Again”, Townsend desliza de joelhos em frente à bateria pouco antes de Daltrey soltar o grito primal que marca essa faixa. The Who voltava a 1971, ano de lançamento dessa música. Meio sem jeito e sem demonstrar se voltariam para um bis, a banda deixa o palco e volta em seguida para “5:15” e “Substitute”, que fecha o show de duas horas. Pete grita “vão para casa!” para a plateia que não demonstra vontade de sair do estádio. Afinal, eles esperaram por 52 anos...

O Festival São Paulo Trip segue no Allianz Parque no sábado (23/09) com Bon Jovi e The Kills, no domingo (24/09) com Aerosmith e Def Leppard e na terça (26/09) com Guns N' Roses, Alice Cooper e Tyler Bryant & The Shakedown.

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por Marcos Lauro em 22/09/2017

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Antes do Who aparecer, um vídeo contava histórias sobre a banda e dava alguns avisos como “não fumar perto do palco, Roger é alérgico” – depois de uma certa idade, o rock troca a rebeldia por patologias. Normal. Mas no primeiro acorde de “I Can’t Explain”, música que abriu o show, a rebeldia chutou as patologias e os fãs puderam ver Daltrey com seu microfone que dá voltas no ar e Townsend com seu movimento também característico de braço direito, que faz um arco completo até tocar a guitarra. Os senhores voltaram a ser moços.

thewho-02Fotos: Divulgação

Pete reforça que esse é o primeiro show do grupo na América Latina e, consequentemente, no Brasil e solta “I Can See For Miles”, como se já não tivessem passado pelo palco alguns outros hits como “Who Are You” e “The Kids Are Alright”. No show dá pra notar bem as fases distintas da banda, que começou na cena mod britânica, de garotos bem vestidos sobre suas motinhos, e seguiu por caminhos mais experimentais e de sons apoteóticos.

Entre as faixas menos conhecidas do grande público (mas acompanhadas com vigor pelos senhores), o destaque no show foi para a instrumental “The Rock”, do álbum Quadrophenia (1973). No telão, imagens de diversos momentos importantes da história recente, como Guerra do Vietnam, o conflito entre União Soviética e Iran, o protesto na Praça da Paz Celestial, a queda do muro de Berlim e a derrubada das torres gêmeas. Nascido em 1964, o The Who viu tudo isso acontecer e, entre idas e vindas e perdas de integrantes, transformou tudo isso em arte. Nesse momento, o público pôde ter a história passando por seus olhos, seja no telão (história geral) ou no palco (história do rock).

thewho-03

Outra cena emblemática: na última música antes do bis, “Won't Get Fooled Again”, Townsend desliza de joelhos em frente à bateria pouco antes de Daltrey soltar o grito primal que marca essa faixa. The Who voltava a 1971, ano de lançamento dessa música. Meio sem jeito e sem demonstrar se voltariam para um bis, a banda deixa o palco e volta em seguida para “5:15” e “Substitute”, que fecha o show de duas horas. Pete grita “vão para casa!” para a plateia que não demonstra vontade de sair do estádio. Afinal, eles esperaram por 52 anos...

O Festival São Paulo Trip segue no Allianz Parque no sábado (23/09) com Bon Jovi e The Kills, no domingo (24/09) com Aerosmith e Def Leppard e na terça (26/09) com Guns N' Roses, Alice Cooper e Tyler Bryant & The Shakedown.