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7 motivos para idolatrar Bob Dylan

O americano se tornou o primeiro artista da música a ganhar um Nobel de Literatura

por Marcos Lauro em 13/10/2016

Na manhã dessa quinta-feira (13/10), a Academia Sueca anunciou o resultado do Nobel de Literatura. A surpresa: o vencedor é um músico. Bob Dylan foi premiado, segundo a entidade que realiza o Nobel, “por criar novas expressões poéticas dentro da tradição da canção americana”.

BOB DYLAN NA LISTA DE ARTISTAS MAIS COMPLETOS

A decisão já criou polêmica por conta de inúmeros escritores de sucesso que estariam “na fila” para receber o prêmio. Com isso, a Academia encara Dylan como um cronista além do seu status de compositor. Vale lembrar que o Nobel é um prêmio pelo conjunto da obra e não por obras específicas.

Polêmicas à parte, é inegável a importância e a relevância de Bob Dylan como artista. Se você ainda não conhece sua obra (ou quer conhecer mais), veja 7 motivos para idolatrar Bob Dylan:

Bob Dylan influenciou os Beatles

 

Os Beatles já nasceram como um fenômeno pop desde o primeiro compacto, “Love Me Do”, de 1962. Mas, em relação às letras, a banda era bem bobinha – o próprio Paul McCartney já disse diversas vezes que a preocupação naquele momento era apenas fazer rimas, independente se a letra faria muito sentido ou não. Isso mudou na noite de 28 de agosto de 1964, quando, em sua viagem pelos Estados Unidos, o quarteto de Liverpool conheceu pessoalmente Bob Dylan – e este os apresentou a maconha. Nesse encontro, Paul e John Lennon, impressionados com as letras de Dylan, descobriram que era possível contar histórias em suas músicas e não apenas rimar. Era possível falar sobre personagens, fatos, datas... o que bem entendessem. Esse encontro transformou a música pop e levou o estilo de composição de Bob Dylan para o topo das paradas – pelas mãos dos Beatles. “Passei a noite toda correndo para lá e para cá, tentando achar papel e caneta porque, quando voltei para o quarto, descobri o sentido da vida. Queria contar ao meu pessoal como era aquilo”, contou Paul em sua biografia, Many Years From Now. Esse encontro teve efeito também em Bob Dylan, como você pode ler na imagem seguinte.

Reprodução

Balançou a música folk quando adotou a guitarra elétrica

 

Quase um ano depois do encontro com os Beatles, Bob Dylan, também impactado, resolveu mudar um pouco o rumo das coisas (e essa mudança é considerada hoje um dos momentos mais importantes do rock). Animado com as distorções dos Beatles, Bob Dylan resolveu trocar o seu violão por uma guitarra elétrica. Essa simples atitude o fez ser vaiado em 1965 no Newport Folk Festival por fãs que não entenderam o novo som, mas, ao mesmo tempo, abriu os olhos de diversos outros artistas, que passaram a buscar aquele som. Nesse evento foi tocada pela primeira vez a música “Like A Rolling Stone”, que tem a ver com a próxima imagem...

Divulgação

É idolatrado pelos Rolling Stones

 

O nome da banda Rolling Stones não vem de “Like A Rolling Stone” – até porque a fundação da banda é anterior ao lançamento da música. Mas caiu como uma luva. O Dylan elétrico serviu como inspiração direta para Keith Richard, Mick Jagger e companhia e o auge da idolatria do grupo foi a regravação dessa mesma música – com direito a turnê em conjunto em 1994, quando Dylan abriu alguns shows dos Rolling Stones e, neles, voltava  ao palco para tocar essa canção com seus pupilos. A música ainda foi regravada por outros grandes nomes do rock como Jimi Hendrix, David Bowie e Green Day.

Reprodução

Conta histórias como poucos

 

O perfil cronista de Bob Dylan, motivo que impressionou os Beatles, é um dos grandes responsáveis por esse prêmio Nobel de Literatura. Dylan consegue contar histórias e levar o ouvinte para aquele cenário, com detalhes pouco vistos. Um exemplo:

O boxeador canadense Rubin "Hurricane" Carter foi condenado injustamente por assassinato em 1966. Depois de alguns anos, Hurricane enviou sua autobiografia para Dylan, que leu e teve a certeza da sua inocência. O cantor o visitou na prisão em 1975 e lançou o compacto “Hurricane” no final do mesmo ano (com a faixa “Hurricane II” no lado b). Na letra da música de oito minutos e 33 segundos, toda a história é contada: a decisão injusta, os atos de racismo praticados contra o boxeador e todas as pessoas citadas são reais.

 

Reprodução

Único artista a ter Nobel, Oscar, Grammy e Globo de Ouro

 

Na extensa carreira de Bob Dylan podemos contabilizar, além deste Nobel de Literatura, 12 Grammy, um Oscar e um Globo de Ouro (os dois pela canção “Thing Have Changed”, da trilha do filme Garotos Incríveis). Além dessa combinação única, ainda sobram um Pulitzer pelo conjunto da obra e um Príncipe das Astúrias, prêmio espanhol para os destaque do mundo das artes.

Divulgação

Tem um dos clipes mais icônicos da cultura pop

 

Muito antes da cultura de gravar clipes, “Subterranean Homesick Blues” ganhou um vídeo promocional que entrou para a história com um dos vídeos musicais mais famosos de todos os tempos. Ele foi filmado em 1965 como parte do documentário Don’t Look Back, que mostrava sua turnês pela Inglaterra. O jovem Dylan está num beco atrás do Hotel Savoy, em Londres, segurando placas que trazem palavras cantadas na música. Um dos que ajudou a confeccionar as placas foi o poeta beat Allen Ginsberg, que aparece atrás de Dylan. Ginsberg, junto com Jack Kerouac, era uma das grandes influências de Dylan e, nessa música, o compositor tenta se aproximar do estilo da escrita dos dois poetas. O clipe ganhou dezenas de paródias – de INXS a Weird Al Yankovic – e, até hoje, se você vir alguém segurando placas com a letra da música num clipe, pode ter certeza: tem dedo de Bob Dylan ali.

E mais Beatles: John Lennon disse em algumas entrevistas que era uma pessoa muito triste por não ter conseguido compor nada parecido com “Subterranean Homesick Blues”.

 

Reprodução

Não tem medo de se reinventar

 

Para quem já foi vaiado por ter trocado o violão por guitarra, mudar os arranjos das suas músicas é apenas um detalhe. Ir a um show do Bob Dylan, mesmo para o fã mais ferrenho, é algo difícil. Dylan sempre muda a forma de tocar as músicas, inclusive dos clássicos e músicas mais conhecidas. Ou seja: muitas vezes só se reconhece a música quando o próprio começa a cantar a letra.

Ouça essa versão e tente reconhecer “Blowin’ In The Wind” desde o começo:

 

Divulgação

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O americano se tornou o primeiro artista da música a ganhar um Nobel de Literatura

por Marcos Lauro em 13/10/2016

Na manhã dessa quinta-feira (13/10), a Academia Sueca anunciou o resultado do Nobel de Literatura. A surpresa: o vencedor é um músico. Bob Dylan foi premiado, segundo a entidade que realiza o Nobel, “por criar novas expressões poéticas dentro da tradição da canção americana”.

BOB DYLAN NA LISTA DE ARTISTAS MAIS COMPLETOS

A decisão já criou polêmica por conta de inúmeros escritores de sucesso que estariam “na fila” para receber o prêmio. Com isso, a Academia encara Dylan como um cronista além do seu status de compositor. Vale lembrar que o Nobel é um prêmio pelo conjunto da obra e não por obras específicas.

Polêmicas à parte, é inegável a importância e a relevância de Bob Dylan como artista. Se você ainda não conhece sua obra (ou quer conhecer mais), veja 7 motivos para idolatrar Bob Dylan:

Bob Dylan influenciou os Beatles

 

Os Beatles já nasceram como um fenômeno pop desde o primeiro compacto, “Love Me Do”, de 1962. Mas, em relação às letras, a banda era bem bobinha – o próprio Paul McCartney já disse diversas vezes que a preocupação naquele momento era apenas fazer rimas, independente se a letra faria muito sentido ou não. Isso mudou na noite de 28 de agosto de 1964, quando, em sua viagem pelos Estados Unidos, o quarteto de Liverpool conheceu pessoalmente Bob Dylan – e este os apresentou a maconha. Nesse encontro, Paul e John Lennon, impressionados com as letras de Dylan, descobriram que era possível contar histórias em suas músicas e não apenas rimar. Era possível falar sobre personagens, fatos, datas... o que bem entendessem. Esse encontro transformou a música pop e levou o estilo de composição de Bob Dylan para o topo das paradas – pelas mãos dos Beatles. “Passei a noite toda correndo para lá e para cá, tentando achar papel e caneta porque, quando voltei para o quarto, descobri o sentido da vida. Queria contar ao meu pessoal como era aquilo”, contou Paul em sua biografia, Many Years From Now. Esse encontro teve efeito também em Bob Dylan, como você pode ler na imagem seguinte.

Reprodução

Balançou a música folk quando adotou a guitarra elétrica

 

Quase um ano depois do encontro com os Beatles, Bob Dylan, também impactado, resolveu mudar um pouco o rumo das coisas (e essa mudança é considerada hoje um dos momentos mais importantes do rock). Animado com as distorções dos Beatles, Bob Dylan resolveu trocar o seu violão por uma guitarra elétrica. Essa simples atitude o fez ser vaiado em 1965 no Newport Folk Festival por fãs que não entenderam o novo som, mas, ao mesmo tempo, abriu os olhos de diversos outros artistas, que passaram a buscar aquele som. Nesse evento foi tocada pela primeira vez a música “Like A Rolling Stone”, que tem a ver com a próxima imagem...

Divulgação

É idolatrado pelos Rolling Stones

 

O nome da banda Rolling Stones não vem de “Like A Rolling Stone” – até porque a fundação da banda é anterior ao lançamento da música. Mas caiu como uma luva. O Dylan elétrico serviu como inspiração direta para Keith Richard, Mick Jagger e companhia e o auge da idolatria do grupo foi a regravação dessa mesma música – com direito a turnê em conjunto em 1994, quando Dylan abriu alguns shows dos Rolling Stones e, neles, voltava  ao palco para tocar essa canção com seus pupilos. A música ainda foi regravada por outros grandes nomes do rock como Jimi Hendrix, David Bowie e Green Day.

Reprodução

Conta histórias como poucos

 

O perfil cronista de Bob Dylan, motivo que impressionou os Beatles, é um dos grandes responsáveis por esse prêmio Nobel de Literatura. Dylan consegue contar histórias e levar o ouvinte para aquele cenário, com detalhes pouco vistos. Um exemplo:

O boxeador canadense Rubin "Hurricane" Carter foi condenado injustamente por assassinato em 1966. Depois de alguns anos, Hurricane enviou sua autobiografia para Dylan, que leu e teve a certeza da sua inocência. O cantor o visitou na prisão em 1975 e lançou o compacto “Hurricane” no final do mesmo ano (com a faixa “Hurricane II” no lado b). Na letra da música de oito minutos e 33 segundos, toda a história é contada: a decisão injusta, os atos de racismo praticados contra o boxeador e todas as pessoas citadas são reais.

 

Reprodução

Único artista a ter Nobel, Oscar, Grammy e Globo de Ouro

 

Na extensa carreira de Bob Dylan podemos contabilizar, além deste Nobel de Literatura, 12 Grammy, um Oscar e um Globo de Ouro (os dois pela canção “Thing Have Changed”, da trilha do filme Garotos Incríveis). Além dessa combinação única, ainda sobram um Pulitzer pelo conjunto da obra e um Príncipe das Astúrias, prêmio espanhol para os destaque do mundo das artes.

Divulgação

Tem um dos clipes mais icônicos da cultura pop

 

Muito antes da cultura de gravar clipes, “Subterranean Homesick Blues” ganhou um vídeo promocional que entrou para a história com um dos vídeos musicais mais famosos de todos os tempos. Ele foi filmado em 1965 como parte do documentário Don’t Look Back, que mostrava sua turnês pela Inglaterra. O jovem Dylan está num beco atrás do Hotel Savoy, em Londres, segurando placas que trazem palavras cantadas na música. Um dos que ajudou a confeccionar as placas foi o poeta beat Allen Ginsberg, que aparece atrás de Dylan. Ginsberg, junto com Jack Kerouac, era uma das grandes influências de Dylan e, nessa música, o compositor tenta se aproximar do estilo da escrita dos dois poetas. O clipe ganhou dezenas de paródias – de INXS a Weird Al Yankovic – e, até hoje, se você vir alguém segurando placas com a letra da música num clipe, pode ter certeza: tem dedo de Bob Dylan ali.

E mais Beatles: John Lennon disse em algumas entrevistas que era uma pessoa muito triste por não ter conseguido compor nada parecido com “Subterranean Homesick Blues”.

 

Reprodução

Não tem medo de se reinventar

 

Para quem já foi vaiado por ter trocado o violão por guitarra, mudar os arranjos das suas músicas é apenas um detalhe. Ir a um show do Bob Dylan, mesmo para o fã mais ferrenho, é algo difícil. Dylan sempre muda a forma de tocar as músicas, inclusive dos clássicos e músicas mais conhecidas. Ou seja: muitas vezes só se reconhece a música quando o próprio começa a cantar a letra.

Ouça essa versão e tente reconhecer “Blowin’ In The Wind” desde o começo:

 

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