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70% dos músicos afirmam sofrer de ansiedade e depressão

Estudo realizado no Reino Unido pretende entender os motivos do alto índice para gerar transformação

por Redação em 18/10/2017

Após o suicídio do líder do Linkin Park, Chester Bennington, mais e mais artistas passaram a falar sobre a necessidade de tirar o estigma sobre a saúde mental e ter ajuda psicológica quando eles mais precisarem. Porém, sabe-se muito pouco sobre a magnitude do problema e falar sobre o assunto é diferente de instigar uma mudança real. Como quantificamos o peso dos problemas de saúde mental na indústria musical e, mais criticamente, como podemos transformar esses dados em ações?

Help Musicians UK (HMUK), maior instituição de caridade do Reino Unido de música independente, tenta responder essa pergunta com a segunda edição de seu estudo sobre saúde mental Can Music Make You Sick? (A Música Pode Te Deixar Doente?, em tradução livre), lançado nesta segunda-feira (16/10). Com a participação de mais de 2.200 músicos, o estudo é o maior deste tipo até hoje, e analisa a prevalência de dificuldades com a saúde mental na música e as pressões que existem para todos que trabalham nessa indústria.

chesterbennington

Enquanto o título do estudo é provocante, ele traz luz ao tenso relacionamento entre a arte e a prática dela: artistas podem encontrar conforto e cura no processo criativo, mas as condições de trabalho de conquistar uma carreira na música podem ser muito traumáticas.

Na primeira parte do estudo, publicada em novembro de 2016, o chocante número de 71% dos participantes acreditava sofrer de ataques de pânico e altos níveis de ansiedade, enquanto 69% afirmava sofrer de depressão. Mais preocupante ainda, 57% dos participantes que disseram sofrer com a saúde mental não receberam tratamento e 53% reportaram que era difícil encontrar ajuda.

A parte dois traz uma perspectiva qualitativa aos números, trazendo entrevistas com 26 músicos independentes para tentar entender as pressões profissionais e pessoais que eles enfrentam. Do impacto psicológico de não conseguir alcançar as expectativas para conquistar um contrato com gravadora, aos eternos ciclos de validação e críticas nas redes sociais, tendo que trabalhar em diferentes empregos como freelancer para pagar as contas, mal conseguir se separar do trabalho, tudo isso valendo como possíveis gatilhos para ansiedade, depressão e outros problemas de saúde mental que se somam ao passar do tempo.

Historicamente, aceitar esse tipo de pressão como normal tem sido uma das maiores barreiras contra o progresso da saúde mental na indústria musical. “Já ouvi muitas conversas no passado em que a maior preocupação era como fazer com que os artistas sobrevivam do estilo de vida regado a sexo, drogas e rock’n’roll”, disse Christina Brown, diretora de assuntos externos do HMUK. “Apesar de esse estilo de vida existir, se nós, como indústria, incentivarmos esse lifestyle, nós claramente não estamos cuidando da saúde e bem-estar daqueles que trabalham com música da forma que deveríamos”.

Para aqueles que trabalham no HMUK, não adianta culpar alguém. Isso é ineficaz. “Como uma voz independente na periferia da indústria, não estamos aqui para apontar culpados. Acreditamos que podemos ser o catalisador para juntar os pontos entre todas as organizações na indústria musical para construir algo sustentável e significativo”.

A instituição já investiu US$ 132 mil na campanha Music Minds Matter, criada em julho deste ano com o objetivo de criar um serviço que funcione 24 horas por dia para dar apoio aos músicos que sofrem com problemas de saúde mental.

Para o CEO da HMUK, Richard Robinson, parte da transição de apenas falar sobre o assunto para realmente passar a fazer algo sobre a situação é olhar além do 1% formado pelos grandes artistas. “Se você pensar em uma turnê do Coldplay, existem centenas de pessoas trabalhando nos bastidores daquela produção. Eles são tão suscetíveis quanto os integrantes da banda de sofrerem de fadiga, ansiedade e qualquer outro problema com a saúde mental, mas não recebem o mesmo crédito porque não fazem parte deste 1% que as conversas sobre o assunto costumam focar. Estamos tentando dar o mesmo apoio para Adele e para sua estilista”.

 

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5
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Após o suicídio do líder do Linkin Park, Chester Bennington, mais e mais artistas passaram a falar sobre a necessidade de tirar o estigma sobre a saúde mental e ter ajuda psicológica quando eles mais precisarem. Porém, sabe-se muito pouco sobre a magnitude do problema e falar sobre o assunto é diferente de instigar uma mudança real. Como quantificamos o peso dos problemas de saúde mental na indústria musical e, mais criticamente, como podemos transformar esses dados em ações?

Help Musicians UK (HMUK), maior instituição de caridade do Reino Unido de música independente, tenta responder essa pergunta com a segunda edição de seu estudo sobre saúde mental Can Music Make You Sick? (A Música Pode Te Deixar Doente?, em tradução livre), lançado nesta segunda-feira (16/10). Com a participação de mais de 2.200 músicos, o estudo é o maior deste tipo até hoje, e analisa a prevalência de dificuldades com a saúde mental na música e as pressões que existem para todos que trabalham nessa indústria.

chesterbennington

Enquanto o título do estudo é provocante, ele traz luz ao tenso relacionamento entre a arte e a prática dela: artistas podem encontrar conforto e cura no processo criativo, mas as condições de trabalho de conquistar uma carreira na música podem ser muito traumáticas.

Na primeira parte do estudo, publicada em novembro de 2016, o chocante número de 71% dos participantes acreditava sofrer de ataques de pânico e altos níveis de ansiedade, enquanto 69% afirmava sofrer de depressão. Mais preocupante ainda, 57% dos participantes que disseram sofrer com a saúde mental não receberam tratamento e 53% reportaram que era difícil encontrar ajuda.

A parte dois traz uma perspectiva qualitativa aos números, trazendo entrevistas com 26 músicos independentes para tentar entender as pressões profissionais e pessoais que eles enfrentam. Do impacto psicológico de não conseguir alcançar as expectativas para conquistar um contrato com gravadora, aos eternos ciclos de validação e críticas nas redes sociais, tendo que trabalhar em diferentes empregos como freelancer para pagar as contas, mal conseguir se separar do trabalho, tudo isso valendo como possíveis gatilhos para ansiedade, depressão e outros problemas de saúde mental que se somam ao passar do tempo.

Historicamente, aceitar esse tipo de pressão como normal tem sido uma das maiores barreiras contra o progresso da saúde mental na indústria musical. “Já ouvi muitas conversas no passado em que a maior preocupação era como fazer com que os artistas sobrevivam do estilo de vida regado a sexo, drogas e rock’n’roll”, disse Christina Brown, diretora de assuntos externos do HMUK. “Apesar de esse estilo de vida existir, se nós, como indústria, incentivarmos esse lifestyle, nós claramente não estamos cuidando da saúde e bem-estar daqueles que trabalham com música da forma que deveríamos”.

Para aqueles que trabalham no HMUK, não adianta culpar alguém. Isso é ineficaz. “Como uma voz independente na periferia da indústria, não estamos aqui para apontar culpados. Acreditamos que podemos ser o catalisador para juntar os pontos entre todas as organizações na indústria musical para construir algo sustentável e significativo”.

A instituição já investiu US$ 132 mil na campanha Music Minds Matter, criada em julho deste ano com o objetivo de criar um serviço que funcione 24 horas por dia para dar apoio aos músicos que sofrem com problemas de saúde mental.

Para o CEO da HMUK, Richard Robinson, parte da transição de apenas falar sobre o assunto para realmente passar a fazer algo sobre a situação é olhar além do 1% formado pelos grandes artistas. “Se você pensar em uma turnê do Coldplay, existem centenas de pessoas trabalhando nos bastidores daquela produção. Eles são tão suscetíveis quanto os integrantes da banda de sofrerem de fadiga, ansiedade e qualquer outro problema com a saúde mental, mas não recebem o mesmo crédito porque não fazem parte deste 1% que as conversas sobre o assunto costumam focar. Estamos tentando dar o mesmo apoio para Adele e para sua estilista”.