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A volta de Robertinho de Recife e sua guitarra envenenada

por em 20/06/2015
Por Lucas Borges Teixeira
Uma guitarra envenenada irá rasgar as ruas do centro de São Paulo na tarde deste domingo (21/06). Robertinho de Recife é uma das atrações do Palco Rio Branco, na Virada Cultural, às 16h. Depois de 24 anos sem lançar um disco solo, o pernambucano apresentou, ao final do ano passado, o Metal Mania - Back for More, uma continuação do seu famoso projeto de heavy metal, lançado em 1984. Em entrevista à Billboard Brasil, Robertinho conta a experiência de quase morte que o inspirou a produzir o disco e voltar aos palcos depois de tanto tempo como produtor. Ele fala da nova fase e explica por que não irá tocar “Baby Doll De Nylon”. Veja a seguir a entrevista completa com um dos maiores guitarristas do Brasil: Tudo bem, Robertinho? Tudo bem? Deixa eu sair daqui. Tô numa oficina de guitarra, tá dando um eco quando eu falo contigo. Tá querendo trocar a sua, consertando, qual é? É uma remodelação. Tô envenenando, tipo carro de corrida: a gente fica dando aqueles ajustes... Você lançou o Metal Mania - Back for More, uma espécie de número 2 do seu projeto de 1984. Como surgiu essa história? Eu passei por uns problemas de saúde. No ano passado, eu tinha quebrado o braço, depois veio um infarto por cima. Foi muito perigoso, eu estava com as artérias principais todas comprometidas. O médico falou “olha, bicho, pelos aparelhos aqui, você tá morto.” Isso foi precisamente em março. Na UTI, eu pensei: “não sei se vou pro inferno ou pra casa, mas quero voltar a tocar”. Só tinha duas opções: inferno ou casa? Acho que eu fiz tanto absurdo que não sei se vou ser perdoado, não [risos]. Mas voltou pra casa. É. Na UTI, foi um período muito interessante. Eu comecei a pensar em um espetáculo. Saí e a gente começou a ensaiar. Chamei o antigo pessoal do Metal Mania, mas eles tavam comprometidos. Então, peguei uma galera nova e comecei a ensaiar para ver no que dava e me surpreendi muito com o resultado. Um amigo veio visitar o meu estúdio e pegou a gravação, depois de dois dias me ligou: “Cara, não sai do meu carro esse negócio, vou lançar isso aí.” Eu, particularmente, nunca iria procurar uma gravadora. Como sou produtor desde os tempos que parei com a carreira solo, me sinto na pele dos caras. É ruim isso: você entra numa comissão julgadora, depois não te atendem mais. Só acreditei realmente quando chegou lá em casa o contrato. Isso lá pro final do ano passado? Foi. Exatamente em dezembro. O disco tá apenas em download. Eu nunca fui artista de CD, sou do tempo do vinil [risos]. Então tem só vinil e download? A tendência é que vai ser descontinuada a produção de CD. Os próprios computadores hoje não estão vindo mais com drive de CD. Eu falei pra eles: “bicho, eu não gosto de CD, não. Aquela caixa quebra…” O acesso ao download é rápido e não tem restrições físicas. Você ficou 24 anos sem lançar um disco seu, ficou só produzindo. Não teve vontade de voltar a gravar nesse tempo? No Rapsódia Rock (1990), eu fiz um projeto com uma orquestra sinfônica, com o George Martin, produtor dos Beatles. Aquilo tinha sido um momento maravilhoso. Eu não podia voltar pra tocar em um barzinho… Não sou cara de barzinho. Com todo respeito, mas eu me recuso porque ninguém vai conseguir ficar lá com o barulho que eu faço, os copos vão quebrar [risos]. Aí preferi ficar no estúdio. Mesmo por que a veia criativa na produção tem vazão, em cada disco eu posso criar diferentes estilos. Por exemplo, nos trabalhos do Zé Ramalho, o artista que eu mais produzi, considero discos meus, embora sejam dele. A gente trabalha em conjunto. Agora que você volta com um disco seu, por que o metal? Era um gênero mais popular nos anos 80 do que é hoje, não? Olha, eu sempre fui pioneiro nas coisas. No tempo que eu fiz heavy metal, não era popular. Tanto que foi a minha fase mais pobre. Tudo que eu ganhei anteriormente, investi ali. Não tinha tantos lugares para tocar. A razão de eu fazer é que o heavy metal é onde eu posso me divertir mais, entende? É uma música que é feita pela e para a guitarra. Um metal sem guitarra não vai prestar. Enfim, o metal foi escolhido porque eu só poderia retratar aquela fase pesada com o peso do rock. E como você vê o rock nacional contemporâneo? Eu não vou citar nomes, mesmo por que tenho muitos amigos e gosto de muitas coisas. Mas tem uma produção de metal no Brasil maravilhosa. Agora, eles tocam naquele problema de divulgação, estrutura… Tem público? De mês em mês vem banda de metal aqui pro Brasil, teve o Monsters of Rock, com dois dias, cheio de gente de peso. Muita música que, nos anos 1970/1980, era considerada brega toca em festas hoje, às vezes para jovens que nem eram nascidos. Você pretende conquistar esse público? Olha, cara, eu não vou fazer divisão de pessoas. Claro que eu tô esperando um pessoal do metal. Não vou tocar algumas músicas minhas que fizeram bastante sucesso, como “Baby Doll De Nylon”. Mesmo porque a minha fase não é tão feliz assim. Ali é outra fase. Eu sou homem de fases: essa é do metal. Você trabalhou com muita gente, tanto daqui quanto de fora. Com quem você mais gostou de trabalhar? Zé Ramalho, ele é um querido. Não quero desmerecer ninguém, mas pela empatia que nós temos e pelo respeito que ele tem trabalhando comigo. Somos compadres, ele é padrinho do meu filho. Eu consigo falar coisas que ninguém consegue pro Zé e ele consegue falar coisas que ninguém consegue pra mim. E tem alguém com quem você gostaria de trabalhar, mas ainda não rolou?  Olha, prefiro que as pessoas me escolham. Ninguém mesmo? Como produtor, não sei bem dizer. Prefiro o Zé Ramalho, mais um monte de disco [risos]. Acho que ele também. Esse é o barato da produção. Já produzi mais de 320 discos. Você produziu recentemente o show ao vivo do Zé com o Fagner, né? Foi legal? Para o DVD deles. Foi legal, mas não considero uma produção, foi mais um acompanhamento porque eles fizeram a coisa do jeito que queriam. Procurei não interferir nada, só acompanhar. Claro que na finalização eu trabalhei ativamente, pra arrumar a casa. Mas é aquela coisa: quando você tem dois artistas como eles, você tem que deixar rolar pra ficar sem manipulação. Não tinha nada pra ser criado. Nem deu tempo também, foram três dias de ensaio. Este está sendo um ano de palco, então? É um ano de tocar? Quero fazer um show que atenda às expectativas das pessoas que esperavam pelo meu retorno. Quero apresentar a mesma coisa que está no disco. Só que eu nunca fui de copiar, cada apresentação eu tento fazer alguma coisa diferente.
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Gusttavo LIma
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Saudade
Eduardo Costa
3
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
Aquela Pessoa
Henrique & Juliano
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A volta de Robertinho de Recife e sua guitarra envenenada

por em 20/06/2015
Por Lucas Borges Teixeira
Uma guitarra envenenada irá rasgar as ruas do centro de São Paulo na tarde deste domingo (21/06). Robertinho de Recife é uma das atrações do Palco Rio Branco, na Virada Cultural, às 16h. Depois de 24 anos sem lançar um disco solo, o pernambucano apresentou, ao final do ano passado, o Metal Mania - Back for More, uma continuação do seu famoso projeto de heavy metal, lançado em 1984. Em entrevista à Billboard Brasil, Robertinho conta a experiência de quase morte que o inspirou a produzir o disco e voltar aos palcos depois de tanto tempo como produtor. Ele fala da nova fase e explica por que não irá tocar “Baby Doll De Nylon”. Veja a seguir a entrevista completa com um dos maiores guitarristas do Brasil: Tudo bem, Robertinho? Tudo bem? Deixa eu sair daqui. Tô numa oficina de guitarra, tá dando um eco quando eu falo contigo. Tá querendo trocar a sua, consertando, qual é? É uma remodelação. Tô envenenando, tipo carro de corrida: a gente fica dando aqueles ajustes... Você lançou o Metal Mania - Back for More, uma espécie de número 2 do seu projeto de 1984. Como surgiu essa história? Eu passei por uns problemas de saúde. No ano passado, eu tinha quebrado o braço, depois veio um infarto por cima. Foi muito perigoso, eu estava com as artérias principais todas comprometidas. O médico falou “olha, bicho, pelos aparelhos aqui, você tá morto.” Isso foi precisamente em março. Na UTI, eu pensei: “não sei se vou pro inferno ou pra casa, mas quero voltar a tocar”. Só tinha duas opções: inferno ou casa? Acho que eu fiz tanto absurdo que não sei se vou ser perdoado, não [risos]. Mas voltou pra casa. É. Na UTI, foi um período muito interessante. Eu comecei a pensar em um espetáculo. Saí e a gente começou a ensaiar. Chamei o antigo pessoal do Metal Mania, mas eles tavam comprometidos. Então, peguei uma galera nova e comecei a ensaiar para ver no que dava e me surpreendi muito com o resultado. Um amigo veio visitar o meu estúdio e pegou a gravação, depois de dois dias me ligou: “Cara, não sai do meu carro esse negócio, vou lançar isso aí.” Eu, particularmente, nunca iria procurar uma gravadora. Como sou produtor desde os tempos que parei com a carreira solo, me sinto na pele dos caras. É ruim isso: você entra numa comissão julgadora, depois não te atendem mais. Só acreditei realmente quando chegou lá em casa o contrato. Isso lá pro final do ano passado? Foi. Exatamente em dezembro. O disco tá apenas em download. Eu nunca fui artista de CD, sou do tempo do vinil [risos]. Então tem só vinil e download? A tendência é que vai ser descontinuada a produção de CD. Os próprios computadores hoje não estão vindo mais com drive de CD. Eu falei pra eles: “bicho, eu não gosto de CD, não. Aquela caixa quebra…” O acesso ao download é rápido e não tem restrições físicas. Você ficou 24 anos sem lançar um disco seu, ficou só produzindo. Não teve vontade de voltar a gravar nesse tempo? No Rapsódia Rock (1990), eu fiz um projeto com uma orquestra sinfônica, com o George Martin, produtor dos Beatles. Aquilo tinha sido um momento maravilhoso. Eu não podia voltar pra tocar em um barzinho… Não sou cara de barzinho. Com todo respeito, mas eu me recuso porque ninguém vai conseguir ficar lá com o barulho que eu faço, os copos vão quebrar [risos]. Aí preferi ficar no estúdio. Mesmo por que a veia criativa na produção tem vazão, em cada disco eu posso criar diferentes estilos. Por exemplo, nos trabalhos do Zé Ramalho, o artista que eu mais produzi, considero discos meus, embora sejam dele. A gente trabalha em conjunto. Agora que você volta com um disco seu, por que o metal? Era um gênero mais popular nos anos 80 do que é hoje, não? Olha, eu sempre fui pioneiro nas coisas. No tempo que eu fiz heavy metal, não era popular. Tanto que foi a minha fase mais pobre. Tudo que eu ganhei anteriormente, investi ali. Não tinha tantos lugares para tocar. A razão de eu fazer é que o heavy metal é onde eu posso me divertir mais, entende? É uma música que é feita pela e para a guitarra. Um metal sem guitarra não vai prestar. Enfim, o metal foi escolhido porque eu só poderia retratar aquela fase pesada com o peso do rock. E como você vê o rock nacional contemporâneo? Eu não vou citar nomes, mesmo por que tenho muitos amigos e gosto de muitas coisas. Mas tem uma produção de metal no Brasil maravilhosa. Agora, eles tocam naquele problema de divulgação, estrutura… Tem público? De mês em mês vem banda de metal aqui pro Brasil, teve o Monsters of Rock, com dois dias, cheio de gente de peso. Muita música que, nos anos 1970/1980, era considerada brega toca em festas hoje, às vezes para jovens que nem eram nascidos. Você pretende conquistar esse público? Olha, cara, eu não vou fazer divisão de pessoas. Claro que eu tô esperando um pessoal do metal. Não vou tocar algumas músicas minhas que fizeram bastante sucesso, como “Baby Doll De Nylon”. Mesmo porque a minha fase não é tão feliz assim. Ali é outra fase. Eu sou homem de fases: essa é do metal. Você trabalhou com muita gente, tanto daqui quanto de fora. Com quem você mais gostou de trabalhar? Zé Ramalho, ele é um querido. Não quero desmerecer ninguém, mas pela empatia que nós temos e pelo respeito que ele tem trabalhando comigo. Somos compadres, ele é padrinho do meu filho. Eu consigo falar coisas que ninguém consegue pro Zé e ele consegue falar coisas que ninguém consegue pra mim. E tem alguém com quem você gostaria de trabalhar, mas ainda não rolou?  Olha, prefiro que as pessoas me escolham. Ninguém mesmo? Como produtor, não sei bem dizer. Prefiro o Zé Ramalho, mais um monte de disco [risos]. Acho que ele também. Esse é o barato da produção. Já produzi mais de 320 discos. Você produziu recentemente o show ao vivo do Zé com o Fagner, né? Foi legal? Para o DVD deles. Foi legal, mas não considero uma produção, foi mais um acompanhamento porque eles fizeram a coisa do jeito que queriam. Procurei não interferir nada, só acompanhar. Claro que na finalização eu trabalhei ativamente, pra arrumar a casa. Mas é aquela coisa: quando você tem dois artistas como eles, você tem que deixar rolar pra ficar sem manipulação. Não tinha nada pra ser criado. Nem deu tempo também, foram três dias de ensaio. Este está sendo um ano de palco, então? É um ano de tocar? Quero fazer um show que atenda às expectativas das pessoas que esperavam pelo meu retorno. Quero apresentar a mesma coisa que está no disco. Só que eu nunca fui de copiar, cada apresentação eu tento fazer alguma coisa diferente.