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Aerosmith mostra sinais da idade, mas entrega empolgação de sempre em São Paulo

A beira dos 70 anos, Tyler e sua turma não tem mais o mesmo pique, mas a vibe do show ainda é a mesma

Aerosmith

Aerosmith - 15/10/2016 - Allianz Parque (São Paulo - SP)

Ir a um show do Aerosmith é fácil. Até os ouvidos menos atentos à banda americana conhecem grande parte de seu show, que chegou pela sexta vez em São Paulo neste sábado (15). Com 46 anos de história, o grupo liderado por Steven Tyler e Joe Perry não precisou fazer muito esforço para que a grande maioria dos 45 mil presentes no Allianz Parque entoassem "Cryin" ou "Livin' on the Edge".

A banda subiu ao palco pontualmente às 21h. Com seus lenços, chapéus e tradicionais roupas extravagantes, Tyler abriu a noite com “Draw The Line”. Quando tirou o casaco de lantejoulas, seus braços pintados revelaram “amar” escrito em azul no direito e “rock ‘n roll” no esquerdo.

O forte começo logo deu lugar às baladinhas “Crying”, “Love In Na Elevator” e “Crazy”. Com a presença de palco que lhe é peculiar, a banda deu uma esquentada no clima romântico com "Rats in the Cellar", “Dude (Looks Like a Lady)” e "Monkey on My Back". Tyler ainda consegue atingir notas impressionantes para os seus 68 anos e Perry não perde por um segundo o controle da guitarra, embora fique claro que a idade está começando a cobrar a conta para ambos.

Mas falar das rugas ou da diminuição das corridas do vocalista no palco não só é chover no molhado como tentar ignorar o processo natural da vida. À beira dos 70 anos, não é razoável que se espere do Aerosmith uma performance compatível com o auge dos anos 1980.

São outros tempos e isso fica claro quando Tyler, antes de cantar "Pink", fala que ela serve para lembrá-los um pouco dos anos 1970. A música, clara referência à cocaína, parece improvável poder ter sido composta atualmente, em tempos em que até as bandas de rock querem deixar suas imagens longe do uso de drogas (no máximo, aquela maconha orgânica, legalizada). O mesmo serve para a excêntrica guitarra de Perry, que ostenta uma mulher com decote e peitos quase a mostra.

Embora extremamente econômico na produção (fumaça e papéis picados foram deixados só para o bis), os telões de imagem quase HD mostravam até as gotas de suor no rosto de Tyler - os tiozões dos anos 1970 brilhando na tecnologia do século 21.

Tecnologia esta que hoje toma qualquer grande espetáculo. Se "Crazy" e "I Don't Want to Miss a Thing" foram as baladas mais cantadas da noite, foram também as mais assediadas por gravações em smartphones, seja em envios de áudio para o grupo dos amigos seja para frustradas tentativas de Live no Facebook. Por outro lado, se, de perto, os celulares e seus flashes incomodam, de longe é inegável que o espetáculo fique mais bonito. Os tradicionais isqueiros foram substituídos pelos aparelhos eletrônicos e, embora estes não tenham o charme do fogo, que a nostalgia traz, o efeito é o mesmo ao ver as pequenas luzes balançando pelo estádio.

No bis, “Dream On” foi o auge da noite, com a conhecida dobradinha de Tyler no piano e Perry na guitarra, em cima dele. “Sweet Emotion” fechou a apresentação com um tom mais leve, o que leva a questionar se a ordem das duas últimas não deveria ter sido trocada.

Em meio aos adeptos da selfie, alguns fãs mais experientes reclamavam do exagero no uso dos aparelhos. Mas está tudo bem. Conflito de gerações não só fundou o rock como o alimenta há mais de 50 anos. Billboard Brasil acompanhou uma criança de menos de dez anos que, com um boné surrado da banda, cantava "Walk This Way" feliz nas costas do pai.

Talvez a mensagem desenhada nos braços de Tyler tenha um significado além do intencional: não há por que tanta rigidez. Uma família com filhos pequenos, jovens fumando a velha erva prensada e senhores contemporâneos à banda: todos no mesmo espaço, todos sob a mesma vibe.

É a prova de que música, feita com a intensidade da banda que dominou o palco por incansáveis 120 minutos, vai muito além de uma comunhão bem executada de instrumentos. Se falta pique aos veteranos, a vibe ainda era a mesma. É, sim, o same old song and dance. Que mal há nisso?

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Aerosmith mostra sinais da idade, mas entrega empolgação de sempre em São Paulo

A beira dos 70 anos, Tyler e sua turma não tem mais o mesmo pique, mas a vibe do show ainda é a mesma

por Lucas Borges Teixeira em 16/10/2016

Aerosmith

Aerosmith - 15/10/2016 - Allianz Parque (São Paulo - SP)

Ir a um show do Aerosmith é fácil. Até os ouvidos menos atentos à banda americana conhecem grande parte de seu show, que chegou pela sexta vez em São Paulo neste sábado (15). Com 46 anos de história, o grupo liderado por Steven Tyler e Joe Perry não precisou fazer muito esforço para que a grande maioria dos 45 mil presentes no Allianz Parque entoassem "Cryin" ou "Livin' on the Edge".

A banda subiu ao palco pontualmente às 21h. Com seus lenços, chapéus e tradicionais roupas extravagantes, Tyler abriu a noite com “Draw The Line”. Quando tirou o casaco de lantejoulas, seus braços pintados revelaram “amar” escrito em azul no direito e “rock ‘n roll” no esquerdo.

O forte começo logo deu lugar às baladinhas “Crying”, “Love In Na Elevator” e “Crazy”. Com a presença de palco que lhe é peculiar, a banda deu uma esquentada no clima romântico com "Rats in the Cellar", “Dude (Looks Like a Lady)” e "Monkey on My Back". Tyler ainda consegue atingir notas impressionantes para os seus 68 anos e Perry não perde por um segundo o controle da guitarra, embora fique claro que a idade está começando a cobrar a conta para ambos.

Mas falar das rugas ou da diminuição das corridas do vocalista no palco não só é chover no molhado como tentar ignorar o processo natural da vida. À beira dos 70 anos, não é razoável que se espere do Aerosmith uma performance compatível com o auge dos anos 1980.

São outros tempos e isso fica claro quando Tyler, antes de cantar "Pink", fala que ela serve para lembrá-los um pouco dos anos 1970. A música, clara referência à cocaína, parece improvável poder ter sido composta atualmente, em tempos em que até as bandas de rock querem deixar suas imagens longe do uso de drogas (no máximo, aquela maconha orgânica, legalizada). O mesmo serve para a excêntrica guitarra de Perry, que ostenta uma mulher com decote e peitos quase a mostra.

Embora extremamente econômico na produção (fumaça e papéis picados foram deixados só para o bis), os telões de imagem quase HD mostravam até as gotas de suor no rosto de Tyler - os tiozões dos anos 1970 brilhando na tecnologia do século 21.

Tecnologia esta que hoje toma qualquer grande espetáculo. Se "Crazy" e "I Don't Want to Miss a Thing" foram as baladas mais cantadas da noite, foram também as mais assediadas por gravações em smartphones, seja em envios de áudio para o grupo dos amigos seja para frustradas tentativas de Live no Facebook. Por outro lado, se, de perto, os celulares e seus flashes incomodam, de longe é inegável que o espetáculo fique mais bonito. Os tradicionais isqueiros foram substituídos pelos aparelhos eletrônicos e, embora estes não tenham o charme do fogo, que a nostalgia traz, o efeito é o mesmo ao ver as pequenas luzes balançando pelo estádio.

No bis, “Dream On” foi o auge da noite, com a conhecida dobradinha de Tyler no piano e Perry na guitarra, em cima dele. “Sweet Emotion” fechou a apresentação com um tom mais leve, o que leva a questionar se a ordem das duas últimas não deveria ter sido trocada.

Em meio aos adeptos da selfie, alguns fãs mais experientes reclamavam do exagero no uso dos aparelhos. Mas está tudo bem. Conflito de gerações não só fundou o rock como o alimenta há mais de 50 anos. Billboard Brasil acompanhou uma criança de menos de dez anos que, com um boné surrado da banda, cantava "Walk This Way" feliz nas costas do pai.

Talvez a mensagem desenhada nos braços de Tyler tenha um significado além do intencional: não há por que tanta rigidez. Uma família com filhos pequenos, jovens fumando a velha erva prensada e senhores contemporâneos à banda: todos no mesmo espaço, todos sob a mesma vibe.

É a prova de que música, feita com a intensidade da banda que dominou o palco por incansáveis 120 minutos, vai muito além de uma comunhão bem executada de instrumentos. Se falta pique aos veteranos, a vibe ainda era a mesma. É, sim, o same old song and dance. Que mal há nisso?