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Alceu Valença revive anos 70 em espetáculo digno de estádio

Resenha: Músico pernambucano apresenta Vivo! Revivo! em São Paulo com animação característica

Alceu Valença - 18 de novembro - Sesc Pinheiros (São Paulo)

No começo de sua carreira, nos anos 1970, Alceu Valença, que mais tarde ficaria mais conhecido por seus frevos e forrós, apostava em sons experimentais, uma fusão da psicodelia inglesa com a cultura do sertão nordestino. De lá nasceram alguns de seus mais aclamados discos. Em 2016, o músico pernambucano decidiu relembrar a época no projeto Vivo! Revivo!, em que toca músicas dos três álbuns de 1974 a 1977.

Alceu subiu ao palco do Sesc Pinheiros, em São Paulo, às quase 21h30, como anuncia a introdução circense, mesma com que abre o disco Vivo! (1976). Embora o espetáculo não apresente nenhuma música nova, os arranjos repaginados fazem com que o show inteiro pareça inédito.

Isso fica claro desde o começo. "Agalopado", "Anjo De Fogo" e "Veneno", do folclórico Espelho Cristalino (1977), ganharam versões mais fortes, guitarradas, sem perder a intertextualidade: a flauta ainda está lá, predominante. O mesmo acontece com a faixa-título. Composta em cima de uma antiga cantiga de roda alagoana, "Espelho Cristalino" sente mais o peso da guitarra, mas o triângulo ainda dá a passo.

Vestido com uma camisa que usava em shows nos anos 1970 ("minha irmã Delminha que guardou"), Alceu contou histórias das composições, como de praxe. "Mensageira Dos Anjos", de Molhado De Suor (1974), por exemplo, foi composta depois que ele viu um anjo em uma igreja em Pernambuco. "Até hoje não sei se foi sonho ou se foi realidade", relatou, bem-humorado, antes de tocá-la.

"Punhal De Prata" ganhou versão voz e violão. Ambos frenéticos, com o artista sozinho no palco. "Pontos Cardeais" inaugura a parte do Vivo!. O disco ao vivo, possivelmente o mais reconhecido de sua obra, traz outro tom à apresentação, mais psicodélico, interpretado. "O Casamento Da Raposa Com O Rouxinol", por sua vez, acabou com uma guitarra ainda mais trabalhada por Paulo Rafael, parceiro de Alceu nos discos da década de 1970.

Os 40 anos que separam as gravações originais da revisita não afetaram Alceu Valença. Um pouco menos magro, a voz continua tão boa quanto os cabelos longos: segurou "Edipiana N°1" e "Papagaio Do Futuro" como se ainda tivesse 20 e poucos. Animado e falante, Alceu Valença brinca com o público até enquanto bebe água.

"Sol E Chuva" fecha o Revivo! como fecha o Vivo!. "O tempo, na minha cabeça, não existe", explicou o músico no início da apresentação. Depois de 14 músicas, a mensagem faz mais sentido. Alceu dá aula ao revisitar sua obra sem se perder em saudosismo.

Com uma banda para fã de rock algum botar defeito e a musicalidade do que há de mais tradicional da música nordestina, este é um show para ser visto em um grande estádio. Por melhor que seja o teatro, Vivo! Revivo! combina mesmo é com multidão.

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Alceu Valença revive anos 70 em espetáculo digno de estádio

Resenha: Músico pernambucano apresenta Vivo! Revivo! em São Paulo com animação característica

por Lucas Borges Teixeira em 18/11/2016

Alceu Valença - 18 de novembro - Sesc Pinheiros (São Paulo)

No começo de sua carreira, nos anos 1970, Alceu Valença, que mais tarde ficaria mais conhecido por seus frevos e forrós, apostava em sons experimentais, uma fusão da psicodelia inglesa com a cultura do sertão nordestino. De lá nasceram alguns de seus mais aclamados discos. Em 2016, o músico pernambucano decidiu relembrar a época no projeto Vivo! Revivo!, em que toca músicas dos três álbuns de 1974 a 1977.

Alceu subiu ao palco do Sesc Pinheiros, em São Paulo, às quase 21h30, como anuncia a introdução circense, mesma com que abre o disco Vivo! (1976). Embora o espetáculo não apresente nenhuma música nova, os arranjos repaginados fazem com que o show inteiro pareça inédito.

Isso fica claro desde o começo. "Agalopado", "Anjo De Fogo" e "Veneno", do folclórico Espelho Cristalino (1977), ganharam versões mais fortes, guitarradas, sem perder a intertextualidade: a flauta ainda está lá, predominante. O mesmo acontece com a faixa-título. Composta em cima de uma antiga cantiga de roda alagoana, "Espelho Cristalino" sente mais o peso da guitarra, mas o triângulo ainda dá a passo.

Vestido com uma camisa que usava em shows nos anos 1970 ("minha irmã Delminha que guardou"), Alceu contou histórias das composições, como de praxe. "Mensageira Dos Anjos", de Molhado De Suor (1974), por exemplo, foi composta depois que ele viu um anjo em uma igreja em Pernambuco. "Até hoje não sei se foi sonho ou se foi realidade", relatou, bem-humorado, antes de tocá-la.

"Punhal De Prata" ganhou versão voz e violão. Ambos frenéticos, com o artista sozinho no palco. "Pontos Cardeais" inaugura a parte do Vivo!. O disco ao vivo, possivelmente o mais reconhecido de sua obra, traz outro tom à apresentação, mais psicodélico, interpretado. "O Casamento Da Raposa Com O Rouxinol", por sua vez, acabou com uma guitarra ainda mais trabalhada por Paulo Rafael, parceiro de Alceu nos discos da década de 1970.

Os 40 anos que separam as gravações originais da revisita não afetaram Alceu Valença. Um pouco menos magro, a voz continua tão boa quanto os cabelos longos: segurou "Edipiana N°1" e "Papagaio Do Futuro" como se ainda tivesse 20 e poucos. Animado e falante, Alceu Valença brinca com o público até enquanto bebe água.

"Sol E Chuva" fecha o Revivo! como fecha o Vivo!. "O tempo, na minha cabeça, não existe", explicou o músico no início da apresentação. Depois de 14 músicas, a mensagem faz mais sentido. Alceu dá aula ao revisitar sua obra sem se perder em saudosismo.

Com uma banda para fã de rock algum botar defeito e a musicalidade do que há de mais tradicional da música nordestina, este é um show para ser visto em um grande estádio. Por melhor que seja o teatro, Vivo! Revivo! combina mesmo é com multidão.