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Alesso: “Só tento criar algo que acho que vá durar”

por em 21/01/2015

Por Steve Baltin

O DJ e produtor sueco Alesso fechou o ano de 2014 em alta, conquistando o seu primeiro hit no Billboard Hot 100 com “Heroes (We Could Be)”, uma parceria com a conterrânea Tove Lo. Ele espera manter o ritmo neste ano com seu álbum de estreia, que será lançado “em março ou abril”, disse.

Dois dias depois de ser a atração principal de um show esgotado no Shrine Auditorium, em Los Angeles, Alesso esteve com a Billboard no escritório da Dash Radio, em Hollywood, para discutir o álbum, a influência que o rock tem no seu trabalho e a sua admiração por Chris Martin.

 

Quando você para e escuta a sua música, que influências você identifica?

Sou bastante influenciado pelos anos 80. O rock também me inspira muito. Eu era um grande fã do Red Hot Chili Peppers, Keane e Coldplay, então acho que me inspiro nesses sons, na verdade.

Quão avançado está o álbum? Está praticamente pronto. Só estou trabalhando em uma ou duas músicas. Não estou 100% feliz com a parte vocal. Depois tem um pouco de mixagem, masterização de áudio. É praticamente isso.

Há momentos em que você escuta o disco e consegue ouvir trechos em que você permaneceu fiel a si mesmo?

Tem uma faixa que provavelmente se tornará o meu próximo single. Eu fiz a música um ano e meio atrás, a parte instrumental, não vocal, e eu acho que ainda soa nova. Acho que é porque quando a fiz estava pensando em criar algo que fosse atemporal, que tivesse uma combinação de guitarra elétrica e acústica. Tento não criar algo que seja popular no momento. Só tento criar algo que eu acho que vá durar.

Quão gratificante é ter multidões reagindo às músicas um ano depois de lançadas?

É a melhor sensação do mundo. Quando você tem uma visão de uma música e ela se concretiza, saber que as pessoas respondem a ela como você queria, é tudo.

Pode dar um ou dois exemplos de músicas de outros artistas que cause isso em você? “Magic”, do Coldplay. Acho essa música inacreditável porque é uma jornada, a faixa inteira é tão sincera. Fico arrepiado só de pensar nela. Quanto mais você a escuta, melhor ela fica. E, perto do final, você se sente no céu. É tão poderosa e acho isso muito raro hoje. É por isso que eu amo tanto o trabalho do Chris Martin, porque você pode realmente perceber que ele não pensa, ele simplesmente vai atrás do que parece certo e eu adoro isso. Isso não acontece muito esses dias. Muitas das músicas no rádio são bastante estruturadas, o que é OK.

Isso é muito diplomático da sua parte. Eu acho que tem que existir mais espontaneidade na música.

É, verdade. Não estou no mercado há muito tempo, mas acho que é bem diferente do que já foi, como o rádio era antes e o que é agora.

 

Eu me lembro de Daniel Lanois me contanto sobre seus “acidentes felizes”, aqueles momentos que vêm de erros e que, às vezes, quando as coisas são muito produzidas, muito perfeitas e muito estruturadas, você os perde.

Foi o que eu fiz com “Heroes”. Quando Tove Lo estava fazendo a demo do vocal, nós ficamos tipo: “Isso é ótimo”. Depois, ela começou a polir e dissemos: “Espera aí, para. Nós precisamos voltar, a demo foi a melhor versão”. Então, a gente voltou para a primeira demo, só porque a gente não queria que fosse muito limpo. Queríamos ter a sensação de onde tudo começou.

 

Deve ser bastante recompensador ter seguido seus instintos e ter conseguido um grande hit. Definitivamente, eu sempre fui assim. Preciso ter 100% de certeza. Por isso não lancei tantas coisas, porque sempre fui muito implicante e aprendo coisas novas todo dia. Mas, com certeza, quando nós revisamos aquela faixa, fiquei bastante feliz com o resultado, porque tinha uma versão em que eu falava: “Sim, está ótima”. Mas daí a escutamos algumas vezes e pensei: “Tem algo aí. Não é 100%, é 90%.” Então, trabalhamos em uma grande parte do vocal, que estava muito polido, e o fizemos mais cru.

 

Você gostaria de trabalhar mais com a Tove Lo, tipo fazer um álbum juntos, talvez?

Sim, pude ver que quando toquei algumas músicas para ela, ela respondeu da mesma forma. Nós temos a mesma visão. Ficamos conversando e tocando músicas de outras pessoas, tocando algumas coisas minhas que ainda não foram lançadas e ela respondeu exatamente da mesma maneira. Por isso nós fizemos outra gravação com ela no álbum, que é completamente diferente de “Heroes”. Eu não me referiria a ela como uma música dançante, porque falamos: “Vamos fazer uma música que nos faça sentir. Eu quero chorar quando ouvir essa música. Realmente quero fazer a maior parte desse registo criando um mundo ao redor da voz e dos acordes”. Como “Magic”, é a mesma coisa. Fica maior e maior, cria essa atmosfera e te leva para outro lugar. A gente queria provar que a música realmente pode te levar a esses lugares sem a ajuda de drogas e álcool.

Tem alguma música no seu álbum ou no álbum de outro artista que tenha esse efeito em você?

Acho que alguns discos te trazem lembranças. Existem alguns que são difíceis de escutar porque os identifico com momentos duros da minha vida. Creio que quando se trata das minhas músicas, acho que só agora tive a coragem para escrever sobre coisas que passei. Acho que dessa vez eu realmente tive a coragem de ir com tudo neste álbum. Então, você o escuta e todas as letras estão lá, contando o que eu passei, o que eu penso, o que importa ou o que tem um grande impacto na minha vida. Então, sim, é praticamente eu me descrevendo e contando histórias.

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Alesso: “Só tento criar algo que acho que vá durar”

por em 21/01/2015

Por Steve Baltin

O DJ e produtor sueco Alesso fechou o ano de 2014 em alta, conquistando o seu primeiro hit no Billboard Hot 100 com “Heroes (We Could Be)”, uma parceria com a conterrânea Tove Lo. Ele espera manter o ritmo neste ano com seu álbum de estreia, que será lançado “em março ou abril”, disse.

Dois dias depois de ser a atração principal de um show esgotado no Shrine Auditorium, em Los Angeles, Alesso esteve com a Billboard no escritório da Dash Radio, em Hollywood, para discutir o álbum, a influência que o rock tem no seu trabalho e a sua admiração por Chris Martin.

 

Quando você para e escuta a sua música, que influências você identifica?

Sou bastante influenciado pelos anos 80. O rock também me inspira muito. Eu era um grande fã do Red Hot Chili Peppers, Keane e Coldplay, então acho que me inspiro nesses sons, na verdade.

Quão avançado está o álbum? Está praticamente pronto. Só estou trabalhando em uma ou duas músicas. Não estou 100% feliz com a parte vocal. Depois tem um pouco de mixagem, masterização de áudio. É praticamente isso.

Há momentos em que você escuta o disco e consegue ouvir trechos em que você permaneceu fiel a si mesmo?

Tem uma faixa que provavelmente se tornará o meu próximo single. Eu fiz a música um ano e meio atrás, a parte instrumental, não vocal, e eu acho que ainda soa nova. Acho que é porque quando a fiz estava pensando em criar algo que fosse atemporal, que tivesse uma combinação de guitarra elétrica e acústica. Tento não criar algo que seja popular no momento. Só tento criar algo que eu acho que vá durar.

Quão gratificante é ter multidões reagindo às músicas um ano depois de lançadas?

É a melhor sensação do mundo. Quando você tem uma visão de uma música e ela se concretiza, saber que as pessoas respondem a ela como você queria, é tudo.

Pode dar um ou dois exemplos de músicas de outros artistas que cause isso em você? “Magic”, do Coldplay. Acho essa música inacreditável porque é uma jornada, a faixa inteira é tão sincera. Fico arrepiado só de pensar nela. Quanto mais você a escuta, melhor ela fica. E, perto do final, você se sente no céu. É tão poderosa e acho isso muito raro hoje. É por isso que eu amo tanto o trabalho do Chris Martin, porque você pode realmente perceber que ele não pensa, ele simplesmente vai atrás do que parece certo e eu adoro isso. Isso não acontece muito esses dias. Muitas das músicas no rádio são bastante estruturadas, o que é OK.

Isso é muito diplomático da sua parte. Eu acho que tem que existir mais espontaneidade na música.

É, verdade. Não estou no mercado há muito tempo, mas acho que é bem diferente do que já foi, como o rádio era antes e o que é agora.

 

Eu me lembro de Daniel Lanois me contanto sobre seus “acidentes felizes”, aqueles momentos que vêm de erros e que, às vezes, quando as coisas são muito produzidas, muito perfeitas e muito estruturadas, você os perde.

Foi o que eu fiz com “Heroes”. Quando Tove Lo estava fazendo a demo do vocal, nós ficamos tipo: “Isso é ótimo”. Depois, ela começou a polir e dissemos: “Espera aí, para. Nós precisamos voltar, a demo foi a melhor versão”. Então, a gente voltou para a primeira demo, só porque a gente não queria que fosse muito limpo. Queríamos ter a sensação de onde tudo começou.

 

Deve ser bastante recompensador ter seguido seus instintos e ter conseguido um grande hit. Definitivamente, eu sempre fui assim. Preciso ter 100% de certeza. Por isso não lancei tantas coisas, porque sempre fui muito implicante e aprendo coisas novas todo dia. Mas, com certeza, quando nós revisamos aquela faixa, fiquei bastante feliz com o resultado, porque tinha uma versão em que eu falava: “Sim, está ótima”. Mas daí a escutamos algumas vezes e pensei: “Tem algo aí. Não é 100%, é 90%.” Então, trabalhamos em uma grande parte do vocal, que estava muito polido, e o fizemos mais cru.

 

Você gostaria de trabalhar mais com a Tove Lo, tipo fazer um álbum juntos, talvez?

Sim, pude ver que quando toquei algumas músicas para ela, ela respondeu da mesma forma. Nós temos a mesma visão. Ficamos conversando e tocando músicas de outras pessoas, tocando algumas coisas minhas que ainda não foram lançadas e ela respondeu exatamente da mesma maneira. Por isso nós fizemos outra gravação com ela no álbum, que é completamente diferente de “Heroes”. Eu não me referiria a ela como uma música dançante, porque falamos: “Vamos fazer uma música que nos faça sentir. Eu quero chorar quando ouvir essa música. Realmente quero fazer a maior parte desse registo criando um mundo ao redor da voz e dos acordes”. Como “Magic”, é a mesma coisa. Fica maior e maior, cria essa atmosfera e te leva para outro lugar. A gente queria provar que a música realmente pode te levar a esses lugares sem a ajuda de drogas e álcool.

Tem alguma música no seu álbum ou no álbum de outro artista que tenha esse efeito em você?

Acho que alguns discos te trazem lembranças. Existem alguns que são difíceis de escutar porque os identifico com momentos duros da minha vida. Creio que quando se trata das minhas músicas, acho que só agora tive a coragem para escrever sobre coisas que passei. Acho que dessa vez eu realmente tive a coragem de ir com tudo neste álbum. Então, você o escuta e todas as letras estão lá, contando o que eu passei, o que eu penso, o que importa ou o que tem um grande impacto na minha vida. Então, sim, é praticamente eu me descrevendo e contando histórias.