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Amy, a menina que só queria cantar

Documentário sobre Amy Winehouse chega ao Brasil

por Marcos Lauro em 24/09/2015

Demorou, mas o documentário Amy, do diretor Asif Kapadia, chega ao Brasil nesta semana. Hoje (24/09), o MIS recebe a pré-estreia e, dos dias 26 a 29/09, o filme será exibido nas salas do Cinemark. É pouco. Muito pouco para uma obra que conta uma história intensa, relevante e tão recente – faz apenas quatro anos que Amy tornou-se uma lenda da música.

DOCUMENTÁRIO AMY TEM PRÉ-ESTREIA GRÁTIS EM SÃO PAULO

O ouro do filme está nas imagens de arquivo que mostram o comecinho da carreira da cantora, feitas pelo seu primeiro empresário, Nick Shymansky, que também narra esse importante período. Ali percebemos a Amy que queria apenas cantar. Já tinha alguns problemas com sua personalidade (a bulimia vem desde a adolescência), mas, como ainda não era famosa, conseguia manter uma vida relativamente normal. Na tela, Amy e Nick se mostram muito próximos e ele acabou virando um porto seguro para ela.

Amy tinha uma personalidade extremamente dependente – dos homens, da música, das drogas, inicialmente nessa ordem e depois tudo isso ao mesmo tempo. O filme tenta usar como justificativa a ausência de pai. Amy sempre buscou uma referência masculina que lhe desse suporte – a faixa “Stronger Than Me” é um recado para um ex-namorado: “Você deveria ser mais forte do que eu”.

AMY É O SEGUNDO MAIOR DOCUMENTÁRIO DA HISTÓRIA DO REINO UNIDO

Assim como no filme Senna, o diretor usa imagens de arquivo em quase 100% do tempo. As entrevistas aparecem sobre as imagens e funcionam como narrações. Isso, em conjunto com a trilha sonora (composta pelo brasileiro Antonio Pinto), dá um tom extremamente emocional ao longa – como se a história em si já não bastasse. Por isso, desde a estreia em julho, na Inglaterra, é comum ler relatos de gente chorando durante as sessões. Mas existe ao menos uma cena em que, de fato, aquele cisco insistente cai no olho. É ali em que está a essência de Amy Winehouse.

2008, cerimônia do Grammy. Amy não viajou para os Estados Unidos e participou, remotamente, da Inglaterra, com sua banda. Ela já era a Amy de “Rehab”, já estava no topo, já havia passado por problemas com drogas, mas agia com a mesma ingenuidade do começo da carreira. E, nessa cena marcante, ela aguarda pelo resultado de Melhor Gravação do Ano. Quando ouve o anúncio da vencedora, “Amy Winehouse, “Rehab’”, ela desmonta. Ela olhava para o telão, que mostrava as imagens do Staples Center, e não acreditava. Ela tremia. Ela ficou muda, paralisada, olhando para aquilo como se não estivesse acontecendo. Depois de uns quatro ou cinco segundos, daqueles que parecem uma eternidade, ela se vira para a banda, corre ao encontro deles e comemora. Singelo, inocente e tocante. É a menina Amy Winehouse, só que no topo do mundo. E ela já sabia que não suportaria todo esse sucesso – como ela mesma fala numa entrevista reproduzida no filme.

5 DEPOIMENTOS DE PESSOAS QUE CONVIVERAM COM AMY WINEHOUSE

É comum ouvirmos críticas a atual geração do pop, no sentido de uma suposta falta de relevância ou até de talento, já que hoje temos softwares que transformam qualquer cantor de karaokê em estrelas. Mas o filme mostra como Amy foi relevante e genial. “Ela tem que ser colocada no mesmo patamar de Ella Fitzgerald e Billie Holiday”, diz Tony Benett. No começo, jazz era a influência, depois veio a soul music e, para o terceiro disco, Amy já havia composto alguns raps. Que pena que ela não teve tempo.

E que pena que os homens da sua vida – empresário (s), pai e namorado (s) – não souberam cuidar da menina que Amy nunca deixou de ser.

Serviço:
Amy
26 a 29/09
Rede Cinemark
Ingressos em: ingresso.com.

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DOCUMENTÁRIO AMY TEM PRÉ-ESTREIA GRÁTIS EM SÃO PAULO

O ouro do filme está nas imagens de arquivo que mostram o comecinho da carreira da cantora, feitas pelo seu primeiro empresário, Nick Shymansky, que também narra esse importante período. Ali percebemos a Amy que queria apenas cantar. Já tinha alguns problemas com sua personalidade (a bulimia vem desde a adolescência), mas, como ainda não era famosa, conseguia manter uma vida relativamente normal. Na tela, Amy e Nick se mostram muito próximos e ele acabou virando um porto seguro para ela.

Amy tinha uma personalidade extremamente dependente – dos homens, da música, das drogas, inicialmente nessa ordem e depois tudo isso ao mesmo tempo. O filme tenta usar como justificativa a ausência de pai. Amy sempre buscou uma referência masculina que lhe desse suporte – a faixa “Stronger Than Me” é um recado para um ex-namorado: “Você deveria ser mais forte do que eu”.

AMY É O SEGUNDO MAIOR DOCUMENTÁRIO DA HISTÓRIA DO REINO UNIDO

Assim como no filme Senna, o diretor usa imagens de arquivo em quase 100% do tempo. As entrevistas aparecem sobre as imagens e funcionam como narrações. Isso, em conjunto com a trilha sonora (composta pelo brasileiro Antonio Pinto), dá um tom extremamente emocional ao longa – como se a história em si já não bastasse. Por isso, desde a estreia em julho, na Inglaterra, é comum ler relatos de gente chorando durante as sessões. Mas existe ao menos uma cena em que, de fato, aquele cisco insistente cai no olho. É ali em que está a essência de Amy Winehouse.

2008, cerimônia do Grammy. Amy não viajou para os Estados Unidos e participou, remotamente, da Inglaterra, com sua banda. Ela já era a Amy de “Rehab”, já estava no topo, já havia passado por problemas com drogas, mas agia com a mesma ingenuidade do começo da carreira. E, nessa cena marcante, ela aguarda pelo resultado de Melhor Gravação do Ano. Quando ouve o anúncio da vencedora, “Amy Winehouse, “Rehab’”, ela desmonta. Ela olhava para o telão, que mostrava as imagens do Staples Center, e não acreditava. Ela tremia. Ela ficou muda, paralisada, olhando para aquilo como se não estivesse acontecendo. Depois de uns quatro ou cinco segundos, daqueles que parecem uma eternidade, ela se vira para a banda, corre ao encontro deles e comemora. Singelo, inocente e tocante. É a menina Amy Winehouse, só que no topo do mundo. E ela já sabia que não suportaria todo esse sucesso – como ela mesma fala numa entrevista reproduzida no filme.

5 DEPOIMENTOS DE PESSOAS QUE CONVIVERAM COM AMY WINEHOUSE

É comum ouvirmos críticas a atual geração do pop, no sentido de uma suposta falta de relevância ou até de talento, já que hoje temos softwares que transformam qualquer cantor de karaokê em estrelas. Mas o filme mostra como Amy foi relevante e genial. “Ela tem que ser colocada no mesmo patamar de Ella Fitzgerald e Billie Holiday”, diz Tony Benett. No começo, jazz era a influência, depois veio a soul music e, para o terceiro disco, Amy já havia composto alguns raps. Que pena que ela não teve tempo.

E que pena que os homens da sua vida – empresário (s), pai e namorado (s) – não souberam cuidar da menina que Amy nunca deixou de ser.

Serviço:
Amy
26 a 29/09
Rede Cinemark
Ingressos em: ingresso.com.