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“Amy deveria ter sido tratada como uma viciada comum e não como uma celebridade”, diz Dr. Drew

por em 21/02/2016

Amy, documentário indicado ao Oscar, analisa com honestidade um talento incrível que também sofria de uma doença crônica comum. “Embora a voz de Amy Winehouse fosse indiscutivelmente original, não havia nada incomum em seu vício. Como tantos outros viciados que vivem sob os holofotes, Amy precisava de tratamento. É muito fácil colocar celebridades em um pedestal e acreditar que o problema é decorrente das circunstâncias especiais criadas pela fama. Ou acreditar que, por causa disso, o tratamento também tem que ser especial”, escreveu Dr. Drew  Pinsky em um artigo publicado no The Hollywood Reporter. O médico, especializado no tratamento de drogas e considerado uma personalidade do rádio e da televisão americana, continuou: “Após anos de experiência, aprendi que, na realidade, a verdade é exatamente o oposto”.

De acordo com o Dr. Drew, ao contrário do que muitos acreditam, a fama não era o problema de Amy – a sua doença era. “Este documentário maravilhoso e arrasador narra as oportunidades perdidas de tratamentos adequados para uma mulher jovem no auge de uma grave doença psiquiátrica. Muitos viciados costumam ter experiências e traumas durante a infância. No caso de Amy, o divórcio de seus pais, os sentimentos de abandono paternal e a falta de limites de seus cuidadores primários resultou na dificuldade de emoções, particularmente emoções negativas. Novamente, como tantos que procuram alívio nas drogas, medicamentos ou na bebida, o vício é a solução que acaba tornando-se o problema.”

No texto publicado, o Dr. Drew explicou que não há atalhos para a recuperação. Que é um processo que leva tempo. “O problema mais comum que eu acho que sabota a recuperação de um paciente famoso é o desejo de voltar a trabalhar prematuramente. O paciente ama o seu trabalho, ele é responsável por gerar um monte de dinheiro para um grupo de pessoas, então há uma pressão enorme pra voltar. Músicos, em especial, costumam contratar ‘companhias sóbrias’ para voltar às suas turnês e continuar trabalhando. Isso raramente acaba bem. Na verdade, o que o paciente deve fazer é desistir, receber os cuidados que necessita e se concentrar na recuperação pelo tempo que for preciso. Infelizmente, a celebridade, é muitas vezes, parte de um círculo que está relutante em confrontá-la por medo de ser expulso desse acesso privilegiado. E ainda há as celebridades que procuram cuidadores ou tratamentos ‘especiais’. Insisto em que, na realidade, o que um artista viciado precisa é de um tratamento padrão. E ele é padrão por um motivo: é o melhor.”

A recuperação é, segundo o especialista, um processo difícil de ser conduzido na frente dos paparazzi, e fica ainda pior quando manchetes de tabloides escrevem coisas que deixam o artista envergonhado. Mas o mais impactante é uma família e uma comunidade que não exigem – ou pelo menos não encorajam -  firmemente os cuidados médicos apropriados para um paciente com bulimia, um transtorno de humor, severo vício em drogas, convulsões generalizadas, autoflagelo e sexo. O fato é que essa celebridade provavelmente poderia ter sido tratada com eficácia. “Passei boa parte dos últimos 30 anos tentando fazer com que as pessoas entendessem que a dependência é uma doença cerebral. Não se trata de uma falta de autocontrole. O vício grave é uma doença fatal com um prognóstico mais pessimista que a maioria dos cânceres. A própria doença afeta a capacidade de julgar as situações e estabelecer prioridades. Amy oferece o retrato mais claro e mais poderoso dos efeitos da dependência que eu já vi num filme. Peço que vocês vejam Amy e ajudem a desestigmatizar esta doença.”

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“Amy deveria ter sido tratada como uma viciada comum e não como uma celebridade”, diz Dr. Drew

por em 21/02/2016

Amy, documentário indicado ao Oscar, analisa com honestidade um talento incrível que também sofria de uma doença crônica comum. “Embora a voz de Amy Winehouse fosse indiscutivelmente original, não havia nada incomum em seu vício. Como tantos outros viciados que vivem sob os holofotes, Amy precisava de tratamento. É muito fácil colocar celebridades em um pedestal e acreditar que o problema é decorrente das circunstâncias especiais criadas pela fama. Ou acreditar que, por causa disso, o tratamento também tem que ser especial”, escreveu Dr. Drew  Pinsky em um artigo publicado no The Hollywood Reporter. O médico, especializado no tratamento de drogas e considerado uma personalidade do rádio e da televisão americana, continuou: “Após anos de experiência, aprendi que, na realidade, a verdade é exatamente o oposto”.

De acordo com o Dr. Drew, ao contrário do que muitos acreditam, a fama não era o problema de Amy – a sua doença era. “Este documentário maravilhoso e arrasador narra as oportunidades perdidas de tratamentos adequados para uma mulher jovem no auge de uma grave doença psiquiátrica. Muitos viciados costumam ter experiências e traumas durante a infância. No caso de Amy, o divórcio de seus pais, os sentimentos de abandono paternal e a falta de limites de seus cuidadores primários resultou na dificuldade de emoções, particularmente emoções negativas. Novamente, como tantos que procuram alívio nas drogas, medicamentos ou na bebida, o vício é a solução que acaba tornando-se o problema.”

No texto publicado, o Dr. Drew explicou que não há atalhos para a recuperação. Que é um processo que leva tempo. “O problema mais comum que eu acho que sabota a recuperação de um paciente famoso é o desejo de voltar a trabalhar prematuramente. O paciente ama o seu trabalho, ele é responsável por gerar um monte de dinheiro para um grupo de pessoas, então há uma pressão enorme pra voltar. Músicos, em especial, costumam contratar ‘companhias sóbrias’ para voltar às suas turnês e continuar trabalhando. Isso raramente acaba bem. Na verdade, o que o paciente deve fazer é desistir, receber os cuidados que necessita e se concentrar na recuperação pelo tempo que for preciso. Infelizmente, a celebridade, é muitas vezes, parte de um círculo que está relutante em confrontá-la por medo de ser expulso desse acesso privilegiado. E ainda há as celebridades que procuram cuidadores ou tratamentos ‘especiais’. Insisto em que, na realidade, o que um artista viciado precisa é de um tratamento padrão. E ele é padrão por um motivo: é o melhor.”

A recuperação é, segundo o especialista, um processo difícil de ser conduzido na frente dos paparazzi, e fica ainda pior quando manchetes de tabloides escrevem coisas que deixam o artista envergonhado. Mas o mais impactante é uma família e uma comunidade que não exigem – ou pelo menos não encorajam -  firmemente os cuidados médicos apropriados para um paciente com bulimia, um transtorno de humor, severo vício em drogas, convulsões generalizadas, autoflagelo e sexo. O fato é que essa celebridade provavelmente poderia ter sido tratada com eficácia. “Passei boa parte dos últimos 30 anos tentando fazer com que as pessoas entendessem que a dependência é uma doença cerebral. Não se trata de uma falta de autocontrole. O vício grave é uma doença fatal com um prognóstico mais pessimista que a maioria dos cânceres. A própria doença afeta a capacidade de julgar as situações e estabelecer prioridades. Amy oferece o retrato mais claro e mais poderoso dos efeitos da dependência que eu já vi num filme. Peço que vocês vejam Amy e ajudem a desestigmatizar esta doença.”