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Anelis Assumpção fala sobre Peter Tosh; cantora faz tributo hoje

por em 07/08/2015
(fot
o: Júlia Braga) Por Rodrigo Amaral da Rocha A cantora Anelis Assumpção apresenta nesta sexta-feira (07/08), no Sesc Santana (São Paulo), um show dedicado ao antológico disco de reggae Legalize It, de Peter Tosh. Lançado em 1975, este é o primeiro lançamento da carreira solo de Tosh, depois de deixar a banda The Wailers, fundada por ele, Bob Marley e Bunny Wailer. O show faz parte do projeto 75 Rotações, idealizado por Ramiro Zwetsch, em que artistas interpretam o repertório de discos lançados há 40 anos. Anelis tem a responsabilidade de dar a cara a esse disco junto com a banda formada por Criz Scabello (Guitarra), Mau (baixo) e Bruno Buarque (bateria). “É o primeiro disco dele fora do Wailers. Não é o disco mais importante musicalmente pra mim, mas marca o que Tosh viria a ser como artista”, conta a cantora, por dentro da mensagem politizada do músico. Como surgiu a ideia de cantar Legalize It, do Peter Tosh? Foi o Ramiro que me chamou. Ele já me conhece, acompanha meu trabalho e sabe dessa minha relação com o reggae e a música negra. Metade da minha banda é formada pelos meninos de um grupo de dub chamado Rockers Control, então eu já estava interessada nessa sonoridade. Qual foi o seu primeiro contato com o Legalize It? Cara, acho que conheci esse disco quando ainda era pequena, das coisas que eu ouvia em casa. Meu pai [Itamar Assumpção] tinha uma ligação muito forte com o reggae. Mas suspeito que minha ficha caiu quando eu tinha uns 14, 15 anos, que foi quando o Planet Hemp se lançou. Eles abriram a porta para o assunto da legalização aqui no Brasil, que é o assunto do disco do Tosh. Daí eu comecei a ir atrás das raízes, de onde tinha surgido essa ideia. E você se liga nesse assunto da legalização? Eu sempre me liguei né, meu pai era um usuário ativo – ativo, digo de estar sempre fumando, não como ativista – e eu fui educada muito bem em relação a isso. A questão da descriminalização é ultrapassada aqui no Brasil, já tinha que ter virado a página, assim como o aborto. E o fato de a maioria das pessoas querer a maioridade penal dificulta esse diálogo. Seria muita audácia minha pegar esse disco para interpretar e não ser ligada ao assunto. Meu pai tomou muito tapa na cara de policial por causa de baseado. Ele teve um câncer, morreu de câncer, e o que melhorava radicalmente os efeitos da quimioterapia era fumar maconha. Falar de maconha não é sobre ficar maluco, ver estrelinha. Mas não é um interesse do Estado, porque tem muita gente ganhando dinheiro com o tráfico de droga. A maconha é uma planta, como é a coca, ou a cana, que vira o álcool. A gente vive num dos momentos mais difíceis da sociedade, dos mais babacas e mais caretas. E é engraçado que o disco do Peter Tosh falava disso há 40 anos, enquanto existia a ditadura no Brasil... Tem uma música que parece até que foi escrita hoje. Fala sobre a brutalidade da polícia, sobre a associação com a marginalidade. E ele fez isso há 40 anos, dentro de uma ilha. A capa do disco é ele no meio de uma plantação de maconha, vai você fazer isso hoje, não passa nem na gráfica. Você falou do seu pai, e já que o assunto é cover... Você já pensou em fazer um registro só de músicas do Itamar? Passa pela minha cabeça, sim. Às vezes tenho vontade de fazer uma coisa só com músicas inéditas ou só com regravações.  Deixo a ideia vir, eu curto ela um pouco, daqui a pouco ela vai embora. Quando eu sentir essa necessidade de gravar eu faço. E eu estou sempre cantando ele em shows, sempre procuro homenagear. Se você pudesse escolher alguém pra interpretar algum disco seu, quem seria? A Erykah Badu. Que audaciosinha... [caption id="attachment_39116" align="aligncenter" width="363"] Júlia Braga[/caption] Anelis Assumpção canta Legalize It @ Sesc Santana Data: 7 de agosto (sexta-feira) Horário: 21h Local: Sesc Santana Endereço: Avenida Luiz Dumont Villares, 579, Santana Ingressos: R$ 12 a R$ 40
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Anelis Assumpção fala sobre Peter Tosh; cantora faz tributo hoje

por em 07/08/2015
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o: Júlia Braga) Por Rodrigo Amaral da Rocha A cantora Anelis Assumpção apresenta nesta sexta-feira (07/08), no Sesc Santana (São Paulo), um show dedicado ao antológico disco de reggae Legalize It, de Peter Tosh. Lançado em 1975, este é o primeiro lançamento da carreira solo de Tosh, depois de deixar a banda The Wailers, fundada por ele, Bob Marley e Bunny Wailer. O show faz parte do projeto 75 Rotações, idealizado por Ramiro Zwetsch, em que artistas interpretam o repertório de discos lançados há 40 anos. Anelis tem a responsabilidade de dar a cara a esse disco junto com a banda formada por Criz Scabello (Guitarra), Mau (baixo) e Bruno Buarque (bateria). “É o primeiro disco dele fora do Wailers. Não é o disco mais importante musicalmente pra mim, mas marca o que Tosh viria a ser como artista”, conta a cantora, por dentro da mensagem politizada do músico. Como surgiu a ideia de cantar Legalize It, do Peter Tosh? Foi o Ramiro que me chamou. Ele já me conhece, acompanha meu trabalho e sabe dessa minha relação com o reggae e a música negra. Metade da minha banda é formada pelos meninos de um grupo de dub chamado Rockers Control, então eu já estava interessada nessa sonoridade. Qual foi o seu primeiro contato com o Legalize It? Cara, acho que conheci esse disco quando ainda era pequena, das coisas que eu ouvia em casa. Meu pai [Itamar Assumpção] tinha uma ligação muito forte com o reggae. Mas suspeito que minha ficha caiu quando eu tinha uns 14, 15 anos, que foi quando o Planet Hemp se lançou. Eles abriram a porta para o assunto da legalização aqui no Brasil, que é o assunto do disco do Tosh. Daí eu comecei a ir atrás das raízes, de onde tinha surgido essa ideia. E você se liga nesse assunto da legalização? Eu sempre me liguei né, meu pai era um usuário ativo – ativo, digo de estar sempre fumando, não como ativista – e eu fui educada muito bem em relação a isso. A questão da descriminalização é ultrapassada aqui no Brasil, já tinha que ter virado a página, assim como o aborto. E o fato de a maioria das pessoas querer a maioridade penal dificulta esse diálogo. Seria muita audácia minha pegar esse disco para interpretar e não ser ligada ao assunto. Meu pai tomou muito tapa na cara de policial por causa de baseado. Ele teve um câncer, morreu de câncer, e o que melhorava radicalmente os efeitos da quimioterapia era fumar maconha. Falar de maconha não é sobre ficar maluco, ver estrelinha. Mas não é um interesse do Estado, porque tem muita gente ganhando dinheiro com o tráfico de droga. A maconha é uma planta, como é a coca, ou a cana, que vira o álcool. A gente vive num dos momentos mais difíceis da sociedade, dos mais babacas e mais caretas. E é engraçado que o disco do Peter Tosh falava disso há 40 anos, enquanto existia a ditadura no Brasil... Tem uma música que parece até que foi escrita hoje. Fala sobre a brutalidade da polícia, sobre a associação com a marginalidade. E ele fez isso há 40 anos, dentro de uma ilha. A capa do disco é ele no meio de uma plantação de maconha, vai você fazer isso hoje, não passa nem na gráfica. Você falou do seu pai, e já que o assunto é cover... Você já pensou em fazer um registro só de músicas do Itamar? Passa pela minha cabeça, sim. Às vezes tenho vontade de fazer uma coisa só com músicas inéditas ou só com regravações.  Deixo a ideia vir, eu curto ela um pouco, daqui a pouco ela vai embora. Quando eu sentir essa necessidade de gravar eu faço. E eu estou sempre cantando ele em shows, sempre procuro homenagear. Se você pudesse escolher alguém pra interpretar algum disco seu, quem seria? A Erykah Badu. Que audaciosinha... [caption id="attachment_39116" align="aligncenter" width="363"] Júlia Braga[/caption] Anelis Assumpção canta Legalize It @ Sesc Santana Data: 7 de agosto (sexta-feira) Horário: 21h Local: Sesc Santana Endereço: Avenida Luiz Dumont Villares, 579, Santana Ingressos: R$ 12 a R$ 40