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Arnaldo Antunes lança o plural já é

por em 23/09/2015
P
or Marcos Lauro
O cantor e compositor Arnaldo Antunes está de trabalho novo. O álbum já é tem 15 faixas e um som plural, diversificado. Afinal, se Arnaldo já transitou entre o rock e a MPB, nada mais justo do que juntar tudo isso num disco que tem, além desses dois gêneros, reggae e até xaxado (na divertida “Põe Fé Que Já É”, que abre o disco). A Billboard Brasil foi até a casa do músico, em Pinheiros, São Paulo, para saber mais sobre já é. https://open.spotify.com/album/6TTGPvob2ORuP8ZjFo7e04 O disco já começa com um xaxado [“Pôe Fé Que Já É”], desses que dão vontade de bater o pé. Como ele surgiu? Surgiu espontaneamente no camarim de um show em Fernando de Noronha. A gente estava ali tocando, puxaram a levada e ficamos nela. A música ficou inacabada e, quando comecei a pensar no disco, eu me lembrei dela, dei uma fechada na letra e coloquei o refrão. O que trouxe o xaxado foi essa coisa de a letra ter uma divisão bem rápida, lembra Jackson do Pandeiro. “Pôe Fé Que Já É” é uma filosofia de vida? É a filosofia da canção. Acho que nada é assim, absoluto. O refrão é positivo, para as pessoas cantarem, se identificarem ou não, mas é uma mensagem bacana pra fazer acontecer. É uma música toda alegre, né? Tem duas músicas do disco que falam essa expressão “já é”, que eu acho bacana. É um “demorou”, né? Eu gosto. O refrão dela rolou depois de um tempo da canção já feita. Na faixa seguinte, “Antes”, eu notei uma coisa meio faroeste... rolou essa referência mesmo? Tem a ver, né? Um pouco [Ennio] Morricone [compositor de temas clássicos dos filmes de faroeste]. Foi no estúdio, na hora pintou essa referência. Mas foi algo natural, não foi pensado pra isso. Ela tem uma curiosidade, que é uma canção de praticamente um acorde só. Tem uma levada um pouco de mantra. O disco é bastante plural, tem muitas sonoridades diferentes. Como você busca isso? Acho que o desafio hoje é achar uma identidade dentro dessa diversidade que existe. É uma crise de gêneros, não tem mais aqueles compartimentos. Então eu me sinto livre... Mas isso desde a época dos Titãs, né? A gente fazia reggae, rock, tinha influência de música popular. Então eu cresci nesse ambiente em que esse trânsito é espontâneo, natural. O desafio é achar esse sotaque pessoal no meio disso tudo. Mas você já foi mais identificado com o rock, nos Titãs, e depois com a MPB, com a história dos Tribalistas. O disco é uma soma disso tudo? Acho que tem um pouco de tudo isso sim. Tem os rocks (“O Meteorologista” e “Na Fissura”), os sambas (“Saudade Farta” e “Só Solidão”), “Põe Fé Que Já É” é meio um xaxado, dois reggaes (“Estrelas Cadentes” e “Óbitos”)... Enfim, é um disco que tem um pouco disso tudo que eu gosto e que venho fazendo. Mas os meus discos geralmente são assim. Com exceção do Iê, Iê, Iê, que é um disco de gênero, tem um conceito em cima de um tipo de som. Mas os outros têm essa variedade. Na música “Peraí, Repara” tem a Marisa Monte e o Carlinhos Brown. Qual a diferença em tê-los participando do seu disco e não ser um trabalho dos Tribalistas? Ah, isso já aconteceu outras vezes. É uma música minha, da Marisa e do Dadi Carvalho. A gente compôs em Paraty, nas férias. Como eu gravei o disco no Rio de Janeiro, a gente se encontrava. O Carlinhos um dia foi visitar a gente no estúdio, nem estava programado. Pintaram algumas ideias e ele nem levou instrumento. Ele pegava o que tinha na mão, fez percussão de boca e tal, tudo meio no improviso. Coincidência mesmo, mas muito feliz. Tudo o que ele faz soa bonito, adequado, dá suingue pra música e tal. A música já tinha a base pronta, mas ele deu um toque. E mesmo a Marisa cantar não era programado. Os Tribalistas como grupo não existe mais e nem tem chances de voltar? A gente, como três artistas que dialogam e fazem músicas juntos, tá sempre ativo. Mas não tem planos de fazer um Tribalistas 2. A gente pode fazer outras coisas... Assim como a gente tá fazendo. A gente compõe e outros intérpretes gravam. Às vezes pode rolar um show e tal, mas como Tribalistas, não. Você é um cara que é respeitado por músicos de todas as gerações. No programa Grêmio Recreativo [MTV, 2011], você cantou com caras como Hyldon e Marcelo Jeneci, que hoje ainda toca com você. Você sente isso, que consegue se dar bem com caras de diversas épocas? Sim, eu acho que a coisa da afinidade artística independe da idade e da geração. Quem está trabalhando bem convive com quem também está, independentemente da idade. O programa tinha essa intenção mesmo, de juntar pessoas de histórias e idades diferentes. Então eu recebi Elza Soares, Hyldon, Caetano, Jorge Mautner... Enfim, pessoas mais velhas. Da minha geração teve Frejat, Liminha, alguns dos Titãs. E mais jovens: Marcelo Jeneci, Curumin, Tulipa Ruiz... E o interessante era esse link mesmo, por meio da afinidade. E também gerou sementes, porque acabei virando parceiro do Hyldon e da Céu, fizemos uma música juntos. Luiz Melodia esteve no programa e depois fizemos shows. Sementes de coisas que estão por aí. Sempre que você vai em rádios as pessoas dizem que você podia ser locutor. Mas na música você não usava tanto sua voz natural e nesse disco ela aparece bastante. Você buscou isso? Eu acho que venho usando cada vez mais esse registro mais natural da minha voz, gradativamente. Nos Titãs, até pelo peso da banda, eu cantava berrado, em tons altos, pra ter volume de voz. Mas na carreira solo eu já venho exercitando. Nesse disco tem bastante mesmo, em “Dança”, “As Estrelas Sabem”, “Só Solidão”. “Óbitos” é um reggae que tem uma letra forte, crítica. Como ela surgiu? A ideia era fazer um reggae bem tradicional mesmo. O Péricles Cavalcanti, meu parceiro nela, mandou a melodia e eu adorei. Deu esse desejo de fazer uma letra que apontasse alguma coisa pra esse universo do reggae. E aí veio essa coisa de falar das pessoas que matam indiretamente. Eles não pegam em armas, só em canetas e papéis. Mas matam mais com suas leis do que atiradores cruéis. E a gente está num momento político delicado. Você observa, se preocupa? Claro. A gente vive uma época de muita intolerância. Não só no Brasil, mas no mundo. Os fundamentalismos todos aparecendo, a gente sente pequenas guerras eclodindo, principalmente no Oriente Médio e África, é preocupante. No Brasil, a gente sente que a política está mais preocupada em fazer conchavos do que pensar no país e na população. Virou uma briga do poder pelo poder. E acho que as pessoas têm que parar um pouco de fazer isso e pensar no país. E pra isso precisa haver entendimentos em torno de ideais e não de interesses partidários. Serviço: Arnaldo Antunes – lançamento do álbum já é Sesc Pompeia – Choperia 24, 25 e 26/09 – 21h30 27/09 – 19h30 Mais informações: www.sescsp.org.br
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Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
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Arnaldo Antunes lança o plural já é

por em 23/09/2015
P
or Marcos Lauro
O cantor e compositor Arnaldo Antunes está de trabalho novo. O álbum já é tem 15 faixas e um som plural, diversificado. Afinal, se Arnaldo já transitou entre o rock e a MPB, nada mais justo do que juntar tudo isso num disco que tem, além desses dois gêneros, reggae e até xaxado (na divertida “Põe Fé Que Já É”, que abre o disco). A Billboard Brasil foi até a casa do músico, em Pinheiros, São Paulo, para saber mais sobre já é. https://open.spotify.com/album/6TTGPvob2ORuP8ZjFo7e04 O disco já começa com um xaxado [“Pôe Fé Que Já É”], desses que dão vontade de bater o pé. Como ele surgiu? Surgiu espontaneamente no camarim de um show em Fernando de Noronha. A gente estava ali tocando, puxaram a levada e ficamos nela. A música ficou inacabada e, quando comecei a pensar no disco, eu me lembrei dela, dei uma fechada na letra e coloquei o refrão. O que trouxe o xaxado foi essa coisa de a letra ter uma divisão bem rápida, lembra Jackson do Pandeiro. “Pôe Fé Que Já É” é uma filosofia de vida? É a filosofia da canção. Acho que nada é assim, absoluto. O refrão é positivo, para as pessoas cantarem, se identificarem ou não, mas é uma mensagem bacana pra fazer acontecer. É uma música toda alegre, né? Tem duas músicas do disco que falam essa expressão “já é”, que eu acho bacana. É um “demorou”, né? Eu gosto. O refrão dela rolou depois de um tempo da canção já feita. Na faixa seguinte, “Antes”, eu notei uma coisa meio faroeste... rolou essa referência mesmo? Tem a ver, né? Um pouco [Ennio] Morricone [compositor de temas clássicos dos filmes de faroeste]. Foi no estúdio, na hora pintou essa referência. Mas foi algo natural, não foi pensado pra isso. Ela tem uma curiosidade, que é uma canção de praticamente um acorde só. Tem uma levada um pouco de mantra. O disco é bastante plural, tem muitas sonoridades diferentes. Como você busca isso? Acho que o desafio hoje é achar uma identidade dentro dessa diversidade que existe. É uma crise de gêneros, não tem mais aqueles compartimentos. Então eu me sinto livre... Mas isso desde a época dos Titãs, né? A gente fazia reggae, rock, tinha influência de música popular. Então eu cresci nesse ambiente em que esse trânsito é espontâneo, natural. O desafio é achar esse sotaque pessoal no meio disso tudo. Mas você já foi mais identificado com o rock, nos Titãs, e depois com a MPB, com a história dos Tribalistas. O disco é uma soma disso tudo? Acho que tem um pouco de tudo isso sim. Tem os rocks (“O Meteorologista” e “Na Fissura”), os sambas (“Saudade Farta” e “Só Solidão”), “Põe Fé Que Já É” é meio um xaxado, dois reggaes (“Estrelas Cadentes” e “Óbitos”)... Enfim, é um disco que tem um pouco disso tudo que eu gosto e que venho fazendo. Mas os meus discos geralmente são assim. Com exceção do Iê, Iê, Iê, que é um disco de gênero, tem um conceito em cima de um tipo de som. Mas os outros têm essa variedade. Na música “Peraí, Repara” tem a Marisa Monte e o Carlinhos Brown. Qual a diferença em tê-los participando do seu disco e não ser um trabalho dos Tribalistas? Ah, isso já aconteceu outras vezes. É uma música minha, da Marisa e do Dadi Carvalho. A gente compôs em Paraty, nas férias. Como eu gravei o disco no Rio de Janeiro, a gente se encontrava. O Carlinhos um dia foi visitar a gente no estúdio, nem estava programado. Pintaram algumas ideias e ele nem levou instrumento. Ele pegava o que tinha na mão, fez percussão de boca e tal, tudo meio no improviso. Coincidência mesmo, mas muito feliz. Tudo o que ele faz soa bonito, adequado, dá suingue pra música e tal. A música já tinha a base pronta, mas ele deu um toque. E mesmo a Marisa cantar não era programado. Os Tribalistas como grupo não existe mais e nem tem chances de voltar? A gente, como três artistas que dialogam e fazem músicas juntos, tá sempre ativo. Mas não tem planos de fazer um Tribalistas 2. A gente pode fazer outras coisas... Assim como a gente tá fazendo. A gente compõe e outros intérpretes gravam. Às vezes pode rolar um show e tal, mas como Tribalistas, não. Você é um cara que é respeitado por músicos de todas as gerações. No programa Grêmio Recreativo [MTV, 2011], você cantou com caras como Hyldon e Marcelo Jeneci, que hoje ainda toca com você. Você sente isso, que consegue se dar bem com caras de diversas épocas? Sim, eu acho que a coisa da afinidade artística independe da idade e da geração. Quem está trabalhando bem convive com quem também está, independentemente da idade. O programa tinha essa intenção mesmo, de juntar pessoas de histórias e idades diferentes. Então eu recebi Elza Soares, Hyldon, Caetano, Jorge Mautner... Enfim, pessoas mais velhas. Da minha geração teve Frejat, Liminha, alguns dos Titãs. E mais jovens: Marcelo Jeneci, Curumin, Tulipa Ruiz... E o interessante era esse link mesmo, por meio da afinidade. E também gerou sementes, porque acabei virando parceiro do Hyldon e da Céu, fizemos uma música juntos. Luiz Melodia esteve no programa e depois fizemos shows. Sementes de coisas que estão por aí. Sempre que você vai em rádios as pessoas dizem que você podia ser locutor. Mas na música você não usava tanto sua voz natural e nesse disco ela aparece bastante. Você buscou isso? Eu acho que venho usando cada vez mais esse registro mais natural da minha voz, gradativamente. Nos Titãs, até pelo peso da banda, eu cantava berrado, em tons altos, pra ter volume de voz. Mas na carreira solo eu já venho exercitando. Nesse disco tem bastante mesmo, em “Dança”, “As Estrelas Sabem”, “Só Solidão”. “Óbitos” é um reggae que tem uma letra forte, crítica. Como ela surgiu? A ideia era fazer um reggae bem tradicional mesmo. O Péricles Cavalcanti, meu parceiro nela, mandou a melodia e eu adorei. Deu esse desejo de fazer uma letra que apontasse alguma coisa pra esse universo do reggae. E aí veio essa coisa de falar das pessoas que matam indiretamente. Eles não pegam em armas, só em canetas e papéis. Mas matam mais com suas leis do que atiradores cruéis. E a gente está num momento político delicado. Você observa, se preocupa? Claro. A gente vive uma época de muita intolerância. Não só no Brasil, mas no mundo. Os fundamentalismos todos aparecendo, a gente sente pequenas guerras eclodindo, principalmente no Oriente Médio e África, é preocupante. No Brasil, a gente sente que a política está mais preocupada em fazer conchavos do que pensar no país e na população. Virou uma briga do poder pelo poder. E acho que as pessoas têm que parar um pouco de fazer isso e pensar no país. E pra isso precisa haver entendimentos em torno de ideais e não de interesses partidários. Serviço: Arnaldo Antunes – lançamento do álbum já é Sesc Pompeia – Choperia 24, 25 e 26/09 – 21h30 27/09 – 19h30 Mais informações: www.sescsp.org.br