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Arquivo Billboard: leia a entrevista de Caetano Veloso, que completa 72 anos hoje

por em 07/08/2014
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evista publicada na edição da Billboard Brasil de fevereiro de 2014.   O PRÓXIMO DIA Ao lançar registro da turnê de Abraçaço e fechar ciclo, Caetano Veloso não descarta continuar com a jovem banda Cê e fala sobre Roberto Carlos, Bowie e black blocs Por José Flávio Júnior Já se vão oito anos desde que Caetano Veloso cantou “você nem vai me reconhecer quando eu passar por você”. Primeira frase da música “Outro” e do álbum , ela oferecia esta possível leitura: o cantor e compositor estaria iniciando novo momento estético. Numa carreira cheia de mutações sonoras, o movimento até soava bastante natural. Ainda assim, nos primeiros shows da turnê do disco, era possível avistar no público alguns incomodados com a barulheira de “Odeio” ou com o solo de “Rocks”, pontos altos do repertório, que evidenciavam a presença da banda Cê: Pedro Sá na guitarra, Ricardo Dias Gomes no baixo e nos teclados, e Marcelo Callado na bateria. Zii E Zie e Abraçaço expandiram as experiências com sons mais afeitos ao universo indie, e fecharam uma trilogia. Mas ela ainda não virou passado. Nas lojas desde janeiro, o DVD e CD Multishow Ao Vivo Abraçaço permite ao fã seguir desfrutando essa fase inspirada. Em 31 de maio, o show chegará ao festival catalão Primavera Sound, hoje o evento que exerce maior fascínio entre alternativos e interessados em novidades. Com justiça, o nome do artista de 71 anos aparece em letras garrafais no pôster de divulgação, mais destacado do que os de Mogwai, Television, HAIM, Superchunk, John Grant, e outros queridinhos da cena. A entrevista a seguir foi concedida um dia antes de o Primavera revelar sua grade e virar um dos assuntos mais comentados nas redes sociais. Caetano respondeu às perguntas por e-mail, como prefere fazer. Para quem milita no jornalismo, essa forma de entrevista quase nunca é a mais adequada. Mas, com Caetano Veloso, vale a pena. Foi o meu terceiro contato com ele assim e, como de praxe, todas as perguntas voltaram respondidas decentemente. Confesso que me esforcei para ver se ele pulava alguma, especialmente aquela sobre a situação do Fluminense no Campeonato Brasileiro. Ele não tinha uma opinião sobre o tema, mas disse que procuraria saber. Aliás, o questionário passa pela confusão das biografias não autorizadas, os black blocs, David Bowie, e ainda a relação com plateia e imprensa estrangeiras.   O DVD/CD Multishow Ao Vivo Abraçaço encerra a parceria com a  banda Cê? O trio estará em seu próximo trabalho de inéditas? Que irá  por qual caminho sonoro? Abraçaço encerra um ciclo. O que vou fazer em seguida ainda não sei. Tenho ainda que fazer o show do Abraçaço em vários países do  hemisfério norte. Assim, não penso no que farei depois. Mas não me  vejo tocando sem Pedro Sá, Ricardo Dias Gomes ou Marcelo Callado. Você desistiu de gravar um álbum recuperando o cancioneiro urbano baiano dos anos 80/90 (pré-axé e axé music)? Nunca sai de minha cabeça o sonho de gravar uma antologia da axé music. Só não sei quando poderei separar um tempo para isso. Quão importante foi a trinca Cê, Zii E Zie e Abraçaço para que você penetrasse nos Estados Unidos, especialmente em cidades universitárias, com baixa imigração brasileira? Shows nos Estados Unidos nesse tipo de cidade acontecem desde, pelo menos, Livro (1997). , Zii E Zie e Abraçaço são discos muito brasileiros, do ponto de vista do consumo. Na Europa, não tiveram repercussão boa. E, nos Estados Unidos, nunca receberam elogios críticos por parte de publicações indie, como o site Pitchfork, que disse coisas muito boas sobre Livro e mesmo sobre A Foreign Sound. Os shows com [o violoncelista] Jaquinho Morelenbaum e percussão foram muito mais facilmente exportáveis Talvez seja errado afirmar que estes três álbuns rejuvenesceram seu público, pois sempre existiu gente jovem em sua audiência. Mas você sente que, no Brasil, foi abraçado por um jovem mais antenado e alternativo, que desdenhava da sua obra? Sim. Um pouco. Você sente algum prazer especial quando reforça uma expressão na linguagem popular, a exemplo de “abraçaço”? Uso as gírias da hora desde “Superbacana” [canção lançada no álbum Caetano Veloso, de 1968]. Houve Transa, Bicho, Jóia, para só ficar nos títulos de álbuns. Gosto disso, pessoalmente. Mas nunca me orgulhei propriamente: às vezes, parece uma mania tola. Mas, como eu gosto, faço. Quando você encerrou sua coluna sobre Lou Reed no jornal O Globo pedindo perdão, esse perdão era exclusivamente para Roberto Carlos ou era também para as pessoas que você decepcionou com as posições defendidas na questão das biografias não autorizadas? Roberto lhe perdoou? As outras pessoas vão lhe perdoar? Para Roberto Carlos. Faz muitos anos, quando agredi publicamente Roberto por causa do telegrama que ele mandou a José Sarney aplaudindo a proibição de Je Vous Salue, Marie [filme de Jean-Luc Godard, lançado em 1985] no Brasil, ele me perdoou sem que eu tivesse pedido perdão. Agora, nem escrevi nada ofensivo a Roberto. Suponho que ele tenha atendido meu pedido. Eu o adoro. As outras pessoas deveriam ter lido minhas colunas e entendido o que penso. Se não o fizeram, e só leram as matérias demagógicas da imprensa histérica, elas é que deveriam me pedir perdão. Mas não precisa. Encerramos 2013 com David Bowie em todas as listas de melhores álbuns com The Next Day. É certo afirmar que você não se impressionou com o trabalho de Bowie quando o conheceu, nos anos 1970? Hoje, qual juízo faz da obra do inglês? Acha curioso quando comparam a postura camaleônica dele com a sua? Acho gozado. Quando o produtor Ralph Mace me convidou para colaborar com aquele artista novo que ele achava que tinha muito a ver comigo, fui ver o show na Roundhouse [casa de espetáculos londrina] e não gostei. Disse isso a Ralph e os planos dele de me fazer viver com Bowie e Angela [modelo então casada com o inglês] na cottage deles foram desativados. Depois, voltei para o Brasil e vi a sequência de fases por que passou David, sem gostar de nada. Achava-o muito arrumadinho e estilizado, frio, meio brega passando por chique. Mas eu estava muito por fora. Quando voltei do exílio, virava o dial do rádio do carro se tocasse uma música cantada em inglês. Enquanto a garotada brasileira ouvia mais e mais música inglesa e americana, eu fugia dos cinco olhos: queria ouvir música brasileira e língua portuguesa. Depois, Bowie veio com aqueles ternos e aranhas de cristal gigantes e Let’s Dance, que eu achava horrível. Mas claro que, com o passar do tempo, aprendi a importância do trabalho dele. Eu era muito sixties, Bowie, muito seventies. [O antropólogo] Hermano Vianna me fez ouvir com atenção Low (1977), e eu me rendi. Comprei o The Next Day e ouvi todo. Com carinho e reconhecimento, mas sem entusiasmo. Nos últimos tempos, você cultivou o hábito de se retirar na Bahia neste período que antecede o Carnaval. Por que você não está de férias neste ano? Ir para a Bahia durante o verão não é hábito cultivado nos últimos tempos. Faço isso desde que vim morar no Rio, deixando a Bahia (para onde fui quando voltei do exílio). Isso foi em 1974. Este ano, estou na Bahia desde o final de dezembro. Vou a São Paulo gravar uma faixa com Tom Zé, que não pode ser gravada em outro período, e fazer um programa de TV para divulgar o DVD do Abraçaço. Os shows no Circo Voador serão nos dias 14 e 15 de fevereiro (aliás, é por isso que estou dando entrevistas). Antes disso, estarei na Bahia, como de costume. E depois, também, acho. Durante as manifestações de junho, você demonstrou interesse nos black blocs e no coletivo Fora do Eixo, esse último notabilizado pela “rebeldia chapa branca”, sempre pró-PT. Você, que provavelmente estará do lado de Marina Silva (e Eduardo Campos) mais uma vez nas eleições presidenciais deste ano, está preparado para ver essa turma fazendo campanha para Dilma Rousseff, como fizeram abertamente para Fernando Haddad e demais candidatos petistas nas últimas eleições municipais? Sempre acompanhei as campanhas petistas com simpatia. Contra Fernando Collor, votei em Lula. Na eleição em que este se tornou presidente pela primeira vez, também. Fui entusiasta do PT desde sua fundação. Mas sou independente. O Fora do Eixo me atraiu pelo experimentalismo, não pela adesão ao PT. Quanto aos black blocs, é impossível não se interessar por eles, mesmo que seja para reprovar. Aliás, é o que faz toda a imprensa: dá demasiada atenção ao grupo para reprovar veementemente. Eu não aprovo tudo o que eles fazem, nem disse que aprovava. Mas conheço muita gente que foi às manifestações e sei que não é simples assim separar os pacíficos dos que quebram agências bancárias. Você acha que o Fluminense deveria pagar a série B no Campeonato Brasileiro? Tenho um filho tricolor, como meu pai, e dois flamenguistas, como eu. O mais novo, Tom, é o único que realmente se interessa por futebol. Na verdade, ele torce, joga e comenta apaixonadamente. Só por causa dele é que presto atenção hoje em dia nesse esporte. E ele é um dos flamenguistas. O que é tricolor tem menos interesse por futebol do que eu tinha antes de Tom crescer. Não sei direito o que significa “pagar a série B”. Vou perguntar a Tom.
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Arquivo Billboard: leia a entrevista de Caetano Veloso, que completa 72 anos hoje

por em 07/08/2014
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evista publicada na edição da Billboard Brasil de fevereiro de 2014.   O PRÓXIMO DIA Ao lançar registro da turnê de Abraçaço e fechar ciclo, Caetano Veloso não descarta continuar com a jovem banda Cê e fala sobre Roberto Carlos, Bowie e black blocs Por José Flávio Júnior Já se vão oito anos desde que Caetano Veloso cantou “você nem vai me reconhecer quando eu passar por você”. Primeira frase da música “Outro” e do álbum , ela oferecia esta possível leitura: o cantor e compositor estaria iniciando novo momento estético. Numa carreira cheia de mutações sonoras, o movimento até soava bastante natural. Ainda assim, nos primeiros shows da turnê do disco, era possível avistar no público alguns incomodados com a barulheira de “Odeio” ou com o solo de “Rocks”, pontos altos do repertório, que evidenciavam a presença da banda Cê: Pedro Sá na guitarra, Ricardo Dias Gomes no baixo e nos teclados, e Marcelo Callado na bateria. Zii E Zie e Abraçaço expandiram as experiências com sons mais afeitos ao universo indie, e fecharam uma trilogia. Mas ela ainda não virou passado. Nas lojas desde janeiro, o DVD e CD Multishow Ao Vivo Abraçaço permite ao fã seguir desfrutando essa fase inspirada. Em 31 de maio, o show chegará ao festival catalão Primavera Sound, hoje o evento que exerce maior fascínio entre alternativos e interessados em novidades. Com justiça, o nome do artista de 71 anos aparece em letras garrafais no pôster de divulgação, mais destacado do que os de Mogwai, Television, HAIM, Superchunk, John Grant, e outros queridinhos da cena. A entrevista a seguir foi concedida um dia antes de o Primavera revelar sua grade e virar um dos assuntos mais comentados nas redes sociais. Caetano respondeu às perguntas por e-mail, como prefere fazer. Para quem milita no jornalismo, essa forma de entrevista quase nunca é a mais adequada. Mas, com Caetano Veloso, vale a pena. Foi o meu terceiro contato com ele assim e, como de praxe, todas as perguntas voltaram respondidas decentemente. Confesso que me esforcei para ver se ele pulava alguma, especialmente aquela sobre a situação do Fluminense no Campeonato Brasileiro. Ele não tinha uma opinião sobre o tema, mas disse que procuraria saber. Aliás, o questionário passa pela confusão das biografias não autorizadas, os black blocs, David Bowie, e ainda a relação com plateia e imprensa estrangeiras.   O DVD/CD Multishow Ao Vivo Abraçaço encerra a parceria com a  banda Cê? O trio estará em seu próximo trabalho de inéditas? Que irá  por qual caminho sonoro? Abraçaço encerra um ciclo. O que vou fazer em seguida ainda não sei. Tenho ainda que fazer o show do Abraçaço em vários países do  hemisfério norte. Assim, não penso no que farei depois. Mas não me  vejo tocando sem Pedro Sá, Ricardo Dias Gomes ou Marcelo Callado. Você desistiu de gravar um álbum recuperando o cancioneiro urbano baiano dos anos 80/90 (pré-axé e axé music)? Nunca sai de minha cabeça o sonho de gravar uma antologia da axé music. Só não sei quando poderei separar um tempo para isso. Quão importante foi a trinca Cê, Zii E Zie e Abraçaço para que você penetrasse nos Estados Unidos, especialmente em cidades universitárias, com baixa imigração brasileira? Shows nos Estados Unidos nesse tipo de cidade acontecem desde, pelo menos, Livro (1997). , Zii E Zie e Abraçaço são discos muito brasileiros, do ponto de vista do consumo. Na Europa, não tiveram repercussão boa. E, nos Estados Unidos, nunca receberam elogios críticos por parte de publicações indie, como o site Pitchfork, que disse coisas muito boas sobre Livro e mesmo sobre A Foreign Sound. Os shows com [o violoncelista] Jaquinho Morelenbaum e percussão foram muito mais facilmente exportáveis Talvez seja errado afirmar que estes três álbuns rejuvenesceram seu público, pois sempre existiu gente jovem em sua audiência. Mas você sente que, no Brasil, foi abraçado por um jovem mais antenado e alternativo, que desdenhava da sua obra? Sim. Um pouco. Você sente algum prazer especial quando reforça uma expressão na linguagem popular, a exemplo de “abraçaço”? Uso as gírias da hora desde “Superbacana” [canção lançada no álbum Caetano Veloso, de 1968]. Houve Transa, Bicho, Jóia, para só ficar nos títulos de álbuns. Gosto disso, pessoalmente. Mas nunca me orgulhei propriamente: às vezes, parece uma mania tola. Mas, como eu gosto, faço. Quando você encerrou sua coluna sobre Lou Reed no jornal O Globo pedindo perdão, esse perdão era exclusivamente para Roberto Carlos ou era também para as pessoas que você decepcionou com as posições defendidas na questão das biografias não autorizadas? Roberto lhe perdoou? As outras pessoas vão lhe perdoar? Para Roberto Carlos. Faz muitos anos, quando agredi publicamente Roberto por causa do telegrama que ele mandou a José Sarney aplaudindo a proibição de Je Vous Salue, Marie [filme de Jean-Luc Godard, lançado em 1985] no Brasil, ele me perdoou sem que eu tivesse pedido perdão. Agora, nem escrevi nada ofensivo a Roberto. Suponho que ele tenha atendido meu pedido. Eu o adoro. As outras pessoas deveriam ter lido minhas colunas e entendido o que penso. Se não o fizeram, e só leram as matérias demagógicas da imprensa histérica, elas é que deveriam me pedir perdão. Mas não precisa. Encerramos 2013 com David Bowie em todas as listas de melhores álbuns com The Next Day. É certo afirmar que você não se impressionou com o trabalho de Bowie quando o conheceu, nos anos 1970? Hoje, qual juízo faz da obra do inglês? Acha curioso quando comparam a postura camaleônica dele com a sua? Acho gozado. Quando o produtor Ralph Mace me convidou para colaborar com aquele artista novo que ele achava que tinha muito a ver comigo, fui ver o show na Roundhouse [casa de espetáculos londrina] e não gostei. Disse isso a Ralph e os planos dele de me fazer viver com Bowie e Angela [modelo então casada com o inglês] na cottage deles foram desativados. Depois, voltei para o Brasil e vi a sequência de fases por que passou David, sem gostar de nada. Achava-o muito arrumadinho e estilizado, frio, meio brega passando por chique. Mas eu estava muito por fora. Quando voltei do exílio, virava o dial do rádio do carro se tocasse uma música cantada em inglês. Enquanto a garotada brasileira ouvia mais e mais música inglesa e americana, eu fugia dos cinco olhos: queria ouvir música brasileira e língua portuguesa. Depois, Bowie veio com aqueles ternos e aranhas de cristal gigantes e Let’s Dance, que eu achava horrível. Mas claro que, com o passar do tempo, aprendi a importância do trabalho dele. Eu era muito sixties, Bowie, muito seventies. [O antropólogo] Hermano Vianna me fez ouvir com atenção Low (1977), e eu me rendi. Comprei o The Next Day e ouvi todo. Com carinho e reconhecimento, mas sem entusiasmo. Nos últimos tempos, você cultivou o hábito de se retirar na Bahia neste período que antecede o Carnaval. Por que você não está de férias neste ano? Ir para a Bahia durante o verão não é hábito cultivado nos últimos tempos. Faço isso desde que vim morar no Rio, deixando a Bahia (para onde fui quando voltei do exílio). Isso foi em 1974. Este ano, estou na Bahia desde o final de dezembro. Vou a São Paulo gravar uma faixa com Tom Zé, que não pode ser gravada em outro período, e fazer um programa de TV para divulgar o DVD do Abraçaço. Os shows no Circo Voador serão nos dias 14 e 15 de fevereiro (aliás, é por isso que estou dando entrevistas). Antes disso, estarei na Bahia, como de costume. E depois, também, acho. Durante as manifestações de junho, você demonstrou interesse nos black blocs e no coletivo Fora do Eixo, esse último notabilizado pela “rebeldia chapa branca”, sempre pró-PT. Você, que provavelmente estará do lado de Marina Silva (e Eduardo Campos) mais uma vez nas eleições presidenciais deste ano, está preparado para ver essa turma fazendo campanha para Dilma Rousseff, como fizeram abertamente para Fernando Haddad e demais candidatos petistas nas últimas eleições municipais? Sempre acompanhei as campanhas petistas com simpatia. Contra Fernando Collor, votei em Lula. Na eleição em que este se tornou presidente pela primeira vez, também. Fui entusiasta do PT desde sua fundação. Mas sou independente. O Fora do Eixo me atraiu pelo experimentalismo, não pela adesão ao PT. Quanto aos black blocs, é impossível não se interessar por eles, mesmo que seja para reprovar. Aliás, é o que faz toda a imprensa: dá demasiada atenção ao grupo para reprovar veementemente. Eu não aprovo tudo o que eles fazem, nem disse que aprovava. Mas conheço muita gente que foi às manifestações e sei que não é simples assim separar os pacíficos dos que quebram agências bancárias. Você acha que o Fluminense deveria pagar a série B no Campeonato Brasileiro? Tenho um filho tricolor, como meu pai, e dois flamenguistas, como eu. O mais novo, Tom, é o único que realmente se interessa por futebol. Na verdade, ele torce, joga e comenta apaixonadamente. Só por causa dele é que presto atenção hoje em dia nesse esporte. E ele é um dos flamenguistas. O que é tricolor tem menos interesse por futebol do que eu tinha antes de Tom crescer. Não sei direito o que significa “pagar a série B”. Vou perguntar a Tom.