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Artistas que odeiam seus hits

Você pensa que não cansa tocar a mesma música em todos os shows da sua vida?

por Marcos Lauro em 26/10/2017

Vida de artista não é fácil. Se é difícil compor ou gravar aquele hit certeiro que vai pagar suas contas pelos próximos anos, mais difícil ainda é se livrar dele depois.

Alguns artistas simplesmente rompem com seus hits e simplesmente se recusam a toca-los – ou, quando o fazem, deixam nítida a má vontade. Afinal, não deve ser tão divertido ter que tocar a mesma música em todos os shows.

Lembramos 15 artistas que não se dão muito bem com suas músicas de sucesso:

Obs.: Seriam 16 com o caso dos irmãos Gallagher contra “Wonderwall”, sucesso do Oasis. Mas como eles odeiam tudo e todos, resolvemos excluir para não citar algo tão óbvio.

Miley Cyrus – “Wrecking Ball”
A cantora tem uma relação de amor e ódio com “Wrecking Ball” – o ódio, no caso, mais direcionado ao clipe, em que aparece nua. Em maio, ao participar do programa Zach Sang Show, ela teve que escolher, numa brincadeira, uma música do seu repertório com quem gostaria de se casar e uma que gostaria de matar. “Wrecking Ball” foi para a segunda opção. "Eu sempre serei a garota nua em uma bola de demolição", disse, sobre uma das cenas do clipe.

Divulgação

Los Hermanos – “Anna Júlia”
“Anna Julia” foi o grande hit do álbum de estreia dos Los Hermanos. Aquele clima de Carnaval hardcore, que marca o disco, bastou e o grupo quis mudar radicalmente no segundo trabalho. Para isso, era necessário romper com o repertório anterior, incluindo aí o grande sucesso (que teve direito a clipe com a atriz Mariana Ximenes, lembra?). E foi isso que a banda fez, se recusando a tocar a música nos shows – mais recentemente, na turnê comemorativa de 15 anos, a banda surpreendeu os fãs e tocou a música ao vivo.

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Legião Urbana – “Pais e Filhos”
Renato Russo tinha uma aversão natural a apresentações ao vivo – tanto é que a Legião, num determinado momento da carreira, parou de fazer shows. O caso de “Pais e Filhos” não era aversão à música em sim, mas como as pessoas reagiam a ela nos shows. Em 1994, no Programa Livre, o compositor explicou a sua opinião ao ver que a plateia pedia “Pais e Filhos” de uma forma muito, digamos, animada e efusiva: “Vocês sabem que essa música é sobre suicídio, né? Essa música é séria, me desgasta pra caralho quando a gente toca e as pessoas não percebem. É uma música bonita, mas existe um clima em torno de algumas músicas da gente que me assusta. É como ‘Índios’, eu não aguentaria ouvir duas vezes seguidas”.

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Tim Maia – “O Caminho do Bem”
Em 1974, Tim Maia tinha um álbum pronto, que seguia os preceitos funk-soul dos anteriores. Mas o que seria o quinto álbum do tijucano, foi radicalmente transformado após a conversão dele à seita Cultura Racional. As músicas que já estavam prontas foram transformadas em verdadeiros hinos de adoração e divulgação da filosofia racional. O disco saiu dividido em dois volumes: Tim Maia Racional, Vol. 1 (1975) e Tim Maia Racional, Vol. 2 (1976). Mas a crença não durou muito: logo após o segundo volume, Tim Maia se desencantou com o universo em desencanto e renegou esse trabalho até o fim da vida. “O Caminho do Bem” foi um hit tardio desse trabalho por ter feito parte da trilha sonora do filme Cidade de Deus, que estourou em todo o mundo em 2002 e levou suas músicas com ele. Tim Maia, que morreu em 1998, não chegou a ver esse sucesso. Mas ele não gostaria nem um pouquinho.

Reprodução

Radiohead – “Creep”
“Creep” foi a música que empurrou o Radiohead para o mainstream – até então, o grupo era conhecido apenas no circuito de rock independente. A música fala sobre um ser desajeitado que se vê diminuído à frente da pessoa amada e tem muitos tons autobiográficos em relação ao vocalista Thom Yorke – ele nasceu com um problema físico nas pálpebras e vivia tendo que se readaptar em novas escolas por conta da rotina do pai, que tinha que se mudar muitas vezes por conta do trabalho. Segundo Thom, a música parou de fazer sentido e saiu da setlist dos seus shows por longos anos. “Escrever músicas foi a minha maneira de lidar com situações ruins”, disse o compositor ao The Guardian. Em maio de 2016, Thom resolveu tocar a música, mesmo sem ensaio, num show em Paris “só pra ver no que dava” e a música voltou a figurar no bis de algumas apresentações.

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Nirvana – “Smells Like Teen Spirit”
Você que se acha todo espertão por “trolar” seus amiguinhos na internet, precisa ver o Nirvana zoando um dos principais programas musicais da TV ao tocar uma música que não aguentava mais ouvir. No auge do grunge e de “Smells Like Teen Spirit”, o Nirvana foi convidado para o Top Of The Pops (mal comparando, é o Globo de Ouro dos gringos) para tocar seu hit num esquema instrumental-playback e vocal ao vivo. Kurt aproveitou a brecha para cantar a música da forma mais estranha possível – e ainda simulou uma tentativa de, bem, engolir o microfone. E ainda mudou a letra do primeiro verso para “carregue suas armas/mate seus amigos”. Pesado.

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Madonna – “Holiday” e “Like a Virgin”
Em 2008, pouco antes de lançar seu álbum Hard Candy, Madonna deixou claro em uma entrevista à rádio Z100-FM, de Nova York, o quanto estava cansada de seus hits “Holiday” (1983) e “Like a Virgin” (1984): “Não tenho certeza de que eu possa cantar ‘Holiday’ ou ‘Like A Virgin’ novamente", disse a cantora, que completou com uma condição: “Ao menos que alguém me pague uns US$ 30 milhões ou algo assim”. O “preço” foi dado em 2008, precisamos perguntar o quanto custaria hoje.

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Roberto Carlos – “Quero Que Vá Tudo Pro Inferno”
Os sintomas do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) do Roberto Carlos são conhecidos e até já tratados pelo próprio em raras entrevistas – a questão de não vestir marrom ou ficar em ambientes onde predominem a mesma cor é um dos mais conhecidos. E algumas músicas do Rei, que não transpiram positividade, acabaram ficando de fora do seu repertório. Em uma delas, “É Preciso Saber Viver”, Roberto não conseguia cantar o verso “se o bem e o mal existem” e trocava por “se o bem e o bem existem”. Já outra música, “Quero Que Vá Tudo Pro Inferno”, foi retirada completamente de todas as apresentações durante 30 anos – obviamente por conta da palavra “inferno”. Na gravação do tradicional especial para a Globo em 2016, Roberto surpreendeu a todos e incluiu essa música – que ainda não voltou para o roteiro dos shows do cantor e apareceu nessa ocasião especial.

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REM – “Shiny Happy People”
O vocalista Michael Stipe não curte os tons adocicados que o hit de 1991 tem e preferiu deixar o som apenas nas memórias dos fãs. Em 2016, a música foi incluída numa trilha sonora dos Muppets e ele concordou com o destino do hit: “"Eu não tinha um irmão mais velho que fosse fã de música, então eu ouvia The Archies, The Banana Splits e The Monkees”, disse ao The Sun. “[Ao cantar hoje ‘Shiny Happy People’] eu me sentiria estranho, como um homem velho cantando para crianças de sete anos. Foi natural, então, que a música fosse parar nos Muppets”, completa.

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Foster de People – “Pumped Up Kicks”
"Pumped Up Kicks" é sobre um menino chamado Robert que aterroriza colegas de classe com a arma de seu pai, um fato que pode ter passado em branco por você desde que a música foi lançada em 2011. Mas esse fato está pesando sobre a banda, que se recusou a tocar o que é, de longe, o seu maior sucesso ao se apresentar em Charlotte, na Carolina do Norte, na noite de segunda-feira (02/10), menos de 24 horas após o massacre em massa no Route 91 Harvest Festival, em Las Vegas. O líder Mark Foster subiu ao palco para refletir sobre a violência armada na América, dizendo para a plateia "[se amarem] uns aos outros todos os dias" e pensando em apoiar a proibição de armas. "Sinto-me mal nessa noite para tocar ‘Pumped Up Kicks’, disse ele. "Até poderia parecer irreverente, mesmo com a música sendo sobre violência armada ". A banda tocou "Love" de John Lennon, no lugar.

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Lobão – “Revanche”
De desentendimento em desentendimento, Lobão vai se distanciando até de seus parceiros, compositores que tiveram suma importância na sua história como músico. Em 2016, o compositor Bernardo Vilhena desabafou sobre o fato do cantor ter alterado a letra de “Vida Bandida”, uma de suas letras para Lobão – a canção nasceu como um poema em 1975 e foi musicada em 1982 pelo cantor. Para deixar claro que aquilo não era um desabafo político, Vilhena citou outra composição: "Sempre evitei e jamais dei autorização para o uso de minhas canções em campanhas políticas", lembrando “Revanche”, "esta mesma canção que, numa demonstração de sua ignorância, Lobão se nega a cantar em seus shows sob a alegação de ser datada. Passados 30 anos, ele ainda não entendeu a letra."

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Ed Motta – “Manuel”
Esse ódio foi passageiro. Em abril de 2015, Ed Motta fez um post-desabafo (sempre ele!) sobre o fato de tocar em todo o mundo e ter sempre uma brasileiro pedindo “Manuel” ou então para pedir que ele fale em português com a plateia. De fato, ele não poupou nos termos e escreveu coisas como “gente simplória” ou se referindo ao Brasil como “terra de ignorantes”. Logo no dia seguinte, Ed Motta pediu desculpas por ter se expressado mal e, para provar que não havia restado nenhum rancor, abriu o show seguinte à polêmica, em São Paulo, com Manuel. Há poucos dias, no programa Pânico, da Jovem Pan, o músico disse que o episódio fechou portas e o deixou numa situação muito difícil, “sem dinheiro para pagar o condomínio”.

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Sinead O’Connor – “Nothing Compares 2 U”
A cantora Sinead O’Connor rompeu o relacionamento com o seu maior hit pelo Facebook. Em 2015, ela publicou um texto onde dizia não ter mais nenhuma ligação afetiva com esse som e que não voltaria a canta-lo. “Ok, chegou a hora de deixar de cantar “Nothing Compares 2U”. Depois de vinte e cinco anos, há nove meses eu finalmente acabei com tudo o que eu poderia usar para trazer alguma emoção para essa música. Eu não quero que o público fique desapontado vindo para um show e saindo sem ouvir a música e, por isso, já deixo vocês sabendo que não vou cantar”, diz um trecho do texto.

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Robert Plant – “Stairway to Heaven”
Não há uma roda de violão em que essa música não apareça – e em uns 50% dos casos, o violonista não vai conseguir tocar as partes com solo e vai parar no meio. Robert Plant nutre o mesmo ódio por essa música do que nós quando temos que encarar esses mau-tocadores de violão ao redor da fogueira. Depois de encarar esse som épico nos palcos durante 17 anos, em 1988 ele abriu o verbo e disse que não cantaria mais esse som. Já nos anos 2000, num show especial do Led Zeppelin em Londres, Plant pediu encarecidamente para que essa não fosse a última música do show e que o guitarrista Jimmy Page fizesse a menor quantidade de solos possível para que “Stairway to Heaven” terminasse o quanto antes.

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Racionais MC’s – “Diário de um Detento”
É notório que os Racionais criam um novo universo para cada álbum e procuram viver esse universo intensamente. Então, é normal que os caras não se liguem tanto em músicas antigas – algumas nem dizem mais as coisas que Brown, Blue, KL Jay e Edi Rock acreditam e não fariam muito sentido nos shows de hoje. Além de “Diário de um Detento”, Mano Brown, em entrevista à revista VIP, disse que não se identifica mais com todo o repertório do álbum Sobrevivendo no Inferno: “Eu vi muita gente morrer, vi muita coisa acontecer, eu não quero viver aquilo de novo. Eu gosto do avanço que teve. Não desprezo aquilo, tem valor. Mas existia um universo, a gente tava dentro… e esse universo não era bom. Não quero mais. Como se pode querer aquilo de novo?”, afirma o rapper, que ressalta o caráter realista das letras e o fato de que cantar é reviver tudo aquilo de novo: “As músicas dos Racionais são reais, navalha na carne. Tudo aquilo volta. É sangue de novo, morte de novo, toda aquela dor de novo. Quem não sente dor ouvindo aquilo não entende o que é Racionais. Racionais era tristeza, uma narrativa triste. É como pegar o programa do Datena de 1992 e assistir de novo”.

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  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
RANKING COMPLETO
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Artistas que odeiam seus hits

Você pensa que não cansa tocar a mesma música em todos os shows da sua vida?

por Marcos Lauro em 26/10/2017

Vida de artista não é fácil. Se é difícil compor ou gravar aquele hit certeiro que vai pagar suas contas pelos próximos anos, mais difícil ainda é se livrar dele depois.

Alguns artistas simplesmente rompem com seus hits e simplesmente se recusam a toca-los – ou, quando o fazem, deixam nítida a má vontade. Afinal, não deve ser tão divertido ter que tocar a mesma música em todos os shows.

Lembramos 15 artistas que não se dão muito bem com suas músicas de sucesso:

Obs.: Seriam 16 com o caso dos irmãos Gallagher contra “Wonderwall”, sucesso do Oasis. Mas como eles odeiam tudo e todos, resolvemos excluir para não citar algo tão óbvio.

Miley Cyrus – “Wrecking Ball”
A cantora tem uma relação de amor e ódio com “Wrecking Ball” – o ódio, no caso, mais direcionado ao clipe, em que aparece nua. Em maio, ao participar do programa Zach Sang Show, ela teve que escolher, numa brincadeira, uma música do seu repertório com quem gostaria de se casar e uma que gostaria de matar. “Wrecking Ball” foi para a segunda opção. "Eu sempre serei a garota nua em uma bola de demolição", disse, sobre uma das cenas do clipe.

Divulgação

Los Hermanos – “Anna Júlia”
“Anna Julia” foi o grande hit do álbum de estreia dos Los Hermanos. Aquele clima de Carnaval hardcore, que marca o disco, bastou e o grupo quis mudar radicalmente no segundo trabalho. Para isso, era necessário romper com o repertório anterior, incluindo aí o grande sucesso (que teve direito a clipe com a atriz Mariana Ximenes, lembra?). E foi isso que a banda fez, se recusando a tocar a música nos shows – mais recentemente, na turnê comemorativa de 15 anos, a banda surpreendeu os fãs e tocou a música ao vivo.

Divulgação

Legião Urbana – “Pais e Filhos”
Renato Russo tinha uma aversão natural a apresentações ao vivo – tanto é que a Legião, num determinado momento da carreira, parou de fazer shows. O caso de “Pais e Filhos” não era aversão à música em sim, mas como as pessoas reagiam a ela nos shows. Em 1994, no Programa Livre, o compositor explicou a sua opinião ao ver que a plateia pedia “Pais e Filhos” de uma forma muito, digamos, animada e efusiva: “Vocês sabem que essa música é sobre suicídio, né? Essa música é séria, me desgasta pra caralho quando a gente toca e as pessoas não percebem. É uma música bonita, mas existe um clima em torno de algumas músicas da gente que me assusta. É como ‘Índios’, eu não aguentaria ouvir duas vezes seguidas”.

Divulgação

Tim Maia – “O Caminho do Bem”
Em 1974, Tim Maia tinha um álbum pronto, que seguia os preceitos funk-soul dos anteriores. Mas o que seria o quinto álbum do tijucano, foi radicalmente transformado após a conversão dele à seita Cultura Racional. As músicas que já estavam prontas foram transformadas em verdadeiros hinos de adoração e divulgação da filosofia racional. O disco saiu dividido em dois volumes: Tim Maia Racional, Vol. 1 (1975) e Tim Maia Racional, Vol. 2 (1976). Mas a crença não durou muito: logo após o segundo volume, Tim Maia se desencantou com o universo em desencanto e renegou esse trabalho até o fim da vida. “O Caminho do Bem” foi um hit tardio desse trabalho por ter feito parte da trilha sonora do filme Cidade de Deus, que estourou em todo o mundo em 2002 e levou suas músicas com ele. Tim Maia, que morreu em 1998, não chegou a ver esse sucesso. Mas ele não gostaria nem um pouquinho.

Reprodução

Radiohead – “Creep”
“Creep” foi a música que empurrou o Radiohead para o mainstream – até então, o grupo era conhecido apenas no circuito de rock independente. A música fala sobre um ser desajeitado que se vê diminuído à frente da pessoa amada e tem muitos tons autobiográficos em relação ao vocalista Thom Yorke – ele nasceu com um problema físico nas pálpebras e vivia tendo que se readaptar em novas escolas por conta da rotina do pai, que tinha que se mudar muitas vezes por conta do trabalho. Segundo Thom, a música parou de fazer sentido e saiu da setlist dos seus shows por longos anos. “Escrever músicas foi a minha maneira de lidar com situações ruins”, disse o compositor ao The Guardian. Em maio de 2016, Thom resolveu tocar a música, mesmo sem ensaio, num show em Paris “só pra ver no que dava” e a música voltou a figurar no bis de algumas apresentações.

Reprodução

Nirvana – “Smells Like Teen Spirit”
Você que se acha todo espertão por “trolar” seus amiguinhos na internet, precisa ver o Nirvana zoando um dos principais programas musicais da TV ao tocar uma música que não aguentava mais ouvir. No auge do grunge e de “Smells Like Teen Spirit”, o Nirvana foi convidado para o Top Of The Pops (mal comparando, é o Globo de Ouro dos gringos) para tocar seu hit num esquema instrumental-playback e vocal ao vivo. Kurt aproveitou a brecha para cantar a música da forma mais estranha possível – e ainda simulou uma tentativa de, bem, engolir o microfone. E ainda mudou a letra do primeiro verso para “carregue suas armas/mate seus amigos”. Pesado.

Reprodução

Madonna – “Holiday” e “Like a Virgin”
Em 2008, pouco antes de lançar seu álbum Hard Candy, Madonna deixou claro em uma entrevista à rádio Z100-FM, de Nova York, o quanto estava cansada de seus hits “Holiday” (1983) e “Like a Virgin” (1984): “Não tenho certeza de que eu possa cantar ‘Holiday’ ou ‘Like A Virgin’ novamente", disse a cantora, que completou com uma condição: “Ao menos que alguém me pague uns US$ 30 milhões ou algo assim”. O “preço” foi dado em 2008, precisamos perguntar o quanto custaria hoje.

Divulgação

Roberto Carlos – “Quero Que Vá Tudo Pro Inferno”
Os sintomas do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) do Roberto Carlos são conhecidos e até já tratados pelo próprio em raras entrevistas – a questão de não vestir marrom ou ficar em ambientes onde predominem a mesma cor é um dos mais conhecidos. E algumas músicas do Rei, que não transpiram positividade, acabaram ficando de fora do seu repertório. Em uma delas, “É Preciso Saber Viver”, Roberto não conseguia cantar o verso “se o bem e o mal existem” e trocava por “se o bem e o bem existem”. Já outra música, “Quero Que Vá Tudo Pro Inferno”, foi retirada completamente de todas as apresentações durante 30 anos – obviamente por conta da palavra “inferno”. Na gravação do tradicional especial para a Globo em 2016, Roberto surpreendeu a todos e incluiu essa música – que ainda não voltou para o roteiro dos shows do cantor e apareceu nessa ocasião especial.

Reprodução

REM – “Shiny Happy People”
O vocalista Michael Stipe não curte os tons adocicados que o hit de 1991 tem e preferiu deixar o som apenas nas memórias dos fãs. Em 2016, a música foi incluída numa trilha sonora dos Muppets e ele concordou com o destino do hit: “"Eu não tinha um irmão mais velho que fosse fã de música, então eu ouvia The Archies, The Banana Splits e The Monkees”, disse ao The Sun. “[Ao cantar hoje ‘Shiny Happy People’] eu me sentiria estranho, como um homem velho cantando para crianças de sete anos. Foi natural, então, que a música fosse parar nos Muppets”, completa.

Reprodução

Foster de People – “Pumped Up Kicks”
"Pumped Up Kicks" é sobre um menino chamado Robert que aterroriza colegas de classe com a arma de seu pai, um fato que pode ter passado em branco por você desde que a música foi lançada em 2011. Mas esse fato está pesando sobre a banda, que se recusou a tocar o que é, de longe, o seu maior sucesso ao se apresentar em Charlotte, na Carolina do Norte, na noite de segunda-feira (02/10), menos de 24 horas após o massacre em massa no Route 91 Harvest Festival, em Las Vegas. O líder Mark Foster subiu ao palco para refletir sobre a violência armada na América, dizendo para a plateia "[se amarem] uns aos outros todos os dias" e pensando em apoiar a proibição de armas. "Sinto-me mal nessa noite para tocar ‘Pumped Up Kicks’, disse ele. "Até poderia parecer irreverente, mesmo com a música sendo sobre violência armada ". A banda tocou "Love" de John Lennon, no lugar.

Reprodução

Lobão – “Revanche”
De desentendimento em desentendimento, Lobão vai se distanciando até de seus parceiros, compositores que tiveram suma importância na sua história como músico. Em 2016, o compositor Bernardo Vilhena desabafou sobre o fato do cantor ter alterado a letra de “Vida Bandida”, uma de suas letras para Lobão – a canção nasceu como um poema em 1975 e foi musicada em 1982 pelo cantor. Para deixar claro que aquilo não era um desabafo político, Vilhena citou outra composição: "Sempre evitei e jamais dei autorização para o uso de minhas canções em campanhas políticas", lembrando “Revanche”, "esta mesma canção que, numa demonstração de sua ignorância, Lobão se nega a cantar em seus shows sob a alegação de ser datada. Passados 30 anos, ele ainda não entendeu a letra."

Reprodução

Ed Motta – “Manuel”
Esse ódio foi passageiro. Em abril de 2015, Ed Motta fez um post-desabafo (sempre ele!) sobre o fato de tocar em todo o mundo e ter sempre uma brasileiro pedindo “Manuel” ou então para pedir que ele fale em português com a plateia. De fato, ele não poupou nos termos e escreveu coisas como “gente simplória” ou se referindo ao Brasil como “terra de ignorantes”. Logo no dia seguinte, Ed Motta pediu desculpas por ter se expressado mal e, para provar que não havia restado nenhum rancor, abriu o show seguinte à polêmica, em São Paulo, com Manuel. Há poucos dias, no programa Pânico, da Jovem Pan, o músico disse que o episódio fechou portas e o deixou numa situação muito difícil, “sem dinheiro para pagar o condomínio”.

Divulgação

Sinead O’Connor – “Nothing Compares 2 U”
A cantora Sinead O’Connor rompeu o relacionamento com o seu maior hit pelo Facebook. Em 2015, ela publicou um texto onde dizia não ter mais nenhuma ligação afetiva com esse som e que não voltaria a canta-lo. “Ok, chegou a hora de deixar de cantar “Nothing Compares 2U”. Depois de vinte e cinco anos, há nove meses eu finalmente acabei com tudo o que eu poderia usar para trazer alguma emoção para essa música. Eu não quero que o público fique desapontado vindo para um show e saindo sem ouvir a música e, por isso, já deixo vocês sabendo que não vou cantar”, diz um trecho do texto.

Divulgação

Robert Plant – “Stairway to Heaven”
Não há uma roda de violão em que essa música não apareça – e em uns 50% dos casos, o violonista não vai conseguir tocar as partes com solo e vai parar no meio. Robert Plant nutre o mesmo ódio por essa música do que nós quando temos que encarar esses mau-tocadores de violão ao redor da fogueira. Depois de encarar esse som épico nos palcos durante 17 anos, em 1988 ele abriu o verbo e disse que não cantaria mais esse som. Já nos anos 2000, num show especial do Led Zeppelin em Londres, Plant pediu encarecidamente para que essa não fosse a última música do show e que o guitarrista Jimmy Page fizesse a menor quantidade de solos possível para que “Stairway to Heaven” terminasse o quanto antes.

Reprodução

Racionais MC’s – “Diário de um Detento”
É notório que os Racionais criam um novo universo para cada álbum e procuram viver esse universo intensamente. Então, é normal que os caras não se liguem tanto em músicas antigas – algumas nem dizem mais as coisas que Brown, Blue, KL Jay e Edi Rock acreditam e não fariam muito sentido nos shows de hoje. Além de “Diário de um Detento”, Mano Brown, em entrevista à revista VIP, disse que não se identifica mais com todo o repertório do álbum Sobrevivendo no Inferno: “Eu vi muita gente morrer, vi muita coisa acontecer, eu não quero viver aquilo de novo. Eu gosto do avanço que teve. Não desprezo aquilo, tem valor. Mas existia um universo, a gente tava dentro… e esse universo não era bom. Não quero mais. Como se pode querer aquilo de novo?”, afirma o rapper, que ressalta o caráter realista das letras e o fato de que cantar é reviver tudo aquilo de novo: “As músicas dos Racionais são reais, navalha na carne. Tudo aquilo volta. É sangue de novo, morte de novo, toda aquela dor de novo. Quem não sente dor ouvindo aquilo não entende o que é Racionais. Racionais era tristeza, uma narrativa triste. É como pegar o programa do Datena de 1992 e assistir de novo”.

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