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As 25 melhores estreias da música brasileira

Billboard Brasil elege os discos que melhor apresentaram artistas ao seu público

por Marcos Lauro em 27/10/2017

Disco de estreia é um troço complicado. As experiências variam: tem artista com disco de estreia logo no primeiro ano de carreira; outros (vide nomes clássicos do samba como Cartola e Clementina de Jesus) que tiveram suas vozes gravadas depois dos 60 anos de idade. Mas o desafio é o mesmo: apresentar seu som e sua proposta da melhor maneira possível para o seu (potencial) público.

Para comemorar a estreia da Billboard Brasil no UOL, elegemos as melhores estreias da música brasileira:

Daniela Mercury – Daniela Mercury – 1991

No comecinho dos anos 1990, a axé music já furava o bloqueio do sudeste e do sul e era sucesso em todo o Brasil. Mas faltava algo: a figura de uma cantora solo, poderosa, elétrica e de um alcance vocal poucas vezes visto. Daniela Mercury ocupou esse posto e foi além, já que seu som não só era festa, mas também “moderno” o suficiente para ser chamado de MPB. A cantora fazia questão de reafirmar suas raízes baianas em faixas como “Menino Do Pelô” e “Swing da Cor” – faixa que arrepia até hoje e tem a participação do Olodum.

"Virei um metrônomo vivo com Olodum no estúdio. Me lembro da rádio Líder, quando eu fu lá com a fita cassete: 'Mas isso é muita batucada, não toca a rádio, isso não existe!'. Eu falei: 'Que bom que não existe, se não não teria graça nenhuma'", lembra Daniela Mercury em entrevista para a Billboard Brasil.

Reprodução

Raimundos – Raimundos – 1994

Quatro caras de Brasília, desconhecidos e nada parecidos com outros caras que também vieram da capital do país nos anos 1980, com um som pesado (uma mistura até então estranha de hardcore com forró!), letras chulas... a receita do insucesso estava pronta. Mas a identificação com o público jovem e roqueiro foi tão grande que a banda acabou se tornando umas das maiores da década e essa estreia foi decisiva para isso. Poucas vezes uma banda chegou ao mainstream de um jeito tão pé-na-porta como o álbum homônimo dos Raimundos.

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Secos & Molhados – Secos & Molhados – 1973

Desde a capa icônica, até a sonoridade moderna, passando pelo visual extravagante, os Secos & Molhados desafiaram os bons modos ditados pelo regime militar brasileiro. Verdadeiros hinos como “Sangue Latino”, “O Vira”, “Assim Assado” e “Fala” saíram dessa estreia – alguns deles voltarão ao palco com Ney Matogrosso e a Nação Zumbi no Rock in Rio, realizado em setembro.

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Charlie Brown Jr. – Transpiração Continua Prolongada – 1997

A música feita para skatistas e afins andava relegada ao undergroud. Mas uns caras de Santos conseguiram levar o som pro mainstream e influenciar dezenas de bandas, além de uma geração inteira de moleques e garotas que respeitam Chorão com a mesma intensidade de fãs de outros grandes letristas brasileiros como Renato Russo e Cazuza. O fim trágico da banda, com as mortes de Chorão e Champignon, transformou o Charlie Brown em lenda.

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Liniker e os Caramelows – Remonta – 2016

Vivemos um momento em que o discurso e a postura voltaram a ser tão importantes quanto a música de um artista. E quando a qualidade da música se iguala à qualidade do discurso, é melhor ainda. Liniker, uma descoberta da internet com um EP descompromissado lançado no YouTube, se tornou a voz do discurso de gênero e identidade, idolatrada por grandes artistas como Elza Soares.

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Planet Hemp – Usuário – 1995

O discurso pela descriminalização das drogas (especialmente a maconha) ganhava uma trilha sonora poderosa e direta. Não tem meias palavras, metáforas e nem cuidados na hora do grupo dizer o que pensa – o que começa logo pelo nome do álbum, Usuário. O álbum caiu há pouco tempo nas plataformas de streaming, o que vai permitir que uma nova geração tenha contato com o som.

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Os Paralamas do Sucesso – Cinema Mudo – 1983

A banda que abriu caminho para outros grandes nomes de Brasília estreava em disco em 1983, na onda do rock BR que dominava as paradas, as rádios e as TVs. “Vital E Sua Moto” foi destaque na programação da emissora Fluminense FM, responsável por lançar diversos nomes importantes da cena, e levou a banda para a EMI, que lançou o álbum.

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Jorge Ben Jor – Samba Esquema Novo – 1963

No auge da bossa nova, chegava um tijucano com um samba tão esquema novo que não tinha nem banquinho pra acompanhar o violão. “Mas Que Nada”, que abre o álbum, virou hino internacional depois da versão de Sergio Mendes e, mais recentemente, Black Eyed Peas. Era o embrião do samba rock, que surgiria menos de 10 anos depois pelas mãos do próprio Jorge Ben.

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CPM 22 - A Alguns Quilômetros de Lugar Nenhum – 2000

Vocal gritado, bateria acelerada, riffs bacanas e refrãos grudentos. Esse é o CPM 22 em sua estreia, mostrando toda a força do hardcore paulistano nascido e criado na casa de shows Hangar 110. As duas primeiras músicas do álbum se tornaram clássicos da banda e são obrigatórias nos shows até hoje.

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Anitta – Anitta – 2013

Esse é um trabalho que, ao mesmo tempo, é de estreia e de transição. O primeiro álbum de Anitta é resultado da mudança da sua imagem e do seu som. Do funk para o pop, nas mãos do mago Umberto Tavares, Anitta conseguiu fazer um disco divertido, bem produzido e que ditou as regras do pop nacional. Quantas outras cantoras já lançaram álbuns em torno dessa sonoridade? 

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Chico Science & Nação Zumbi – Da Lama Ao Caos – 1994

Poucos artistas podem dizer que lançaram um álbum que inaugurou um movimento. E o saudoso Chico Science era um desses. Da Lama Ao Caos abriu as portas para o Manguebit e quase uma centena de bandas que até hoje reproduzem essa mistura entre sons regionais, pop, eletrônico e rock. Apesar da produção que, tecnicamente, deixa a desejar e não deixa ouvir perfeitamente as alfaias do maracatu, é um álbum primoroso em seu conteúdo. Quem não conhecia Recife e adjacências saiu íntimo depois da audição desse disco.

 

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Titãs – Titãs – 1984

Ninguém sabia ao certo o que eram aqueles oito malucos correndo e pulando no palco e na TV, mas já dava pra perceber que aquela inquietação duraria muito. O som, extremamente pop, dava abertura para experimentações nas letras e poesia concreta. Clássicos como “Sonífera Ilha”, “Marvin – Patches” e “Toda Cor” ainda pintam nos shows da banda – hoje com formação bastante reduzida em relação ao exército presente nesse álbum de estreia.

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Ira! – Mudança de Comportamento – 1985

Com o rock paulistano a todo vapor, o Ira! reunia músicos que já haviam tocado em outras bandas da cena, como Voluntários da Pátria e Titãs. Com influência máxima de The Who, o som do Ira! emulava o estilo mod inglês dos anos 1970. Ainda na época do vinil, o grupo conseguiu fixar na mente dos fãs quase todo o lado A, que tinha “Longe De Tudo”, “Núcleo Base”, “Mudança De Comportamento” e “Tolices”.

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Ultraje a Rigor – Nós Vamos Invadir Sua Praia – 1985

Roger Moreira é o líder do Ultraje A Rigor, banda de um disco só, Nós Vamos Invadir Sua Praia. Ok, o disco seguinte, Sexo! (1987) também teve lá sua graça, mas não era mais uma novidade. As piadas se tornaram repetidas e as mudanças de formação foram tantas que o Ultraje morreu para o grande público – nem a capa da G Magazine, extinta revista de nu masculino, serviu para trazer de volta a imagem de Roger.

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Capital Inicial – Capital Inicial – 1986

Contra todos e contra ninguém, o Capital Inicial estreava em disco no ano de 1986. O quarteto original Dinho Ouro Preto, Loro Jones, Flávio Lemos e Fê Lemos expunham o desespero adolescente em músicas como “Psicopata” e “Veraneio Vascaína” – essa, sobre violência policial. “Leve Desespero” e “Fátima” são momentos inesquecíveis do álbum.

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Karnak – Karnak – 1995

Os músicos André Anujamra e Theo Werneck viajaram no começo dos anos 1990 com um gravador na mão e captaram sons e entrevistas em diversas regiões do continente africano. Uma das paisagens vistas pela dupla foi a pirâmide de Karnak, no Egito. Na volta, André Abujamra seguiu os conselhos do pai, o diretor e ator Antonio Abujamra (“A vida é sua, estrague-a como quiser”) e montou a banda Karnak, que contava com 11 integrantes (sendo dois bateristas), um ator e um cachorro.

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Sabotage – Rap É Compromisso – 2001

Um dos artistas mais completos da música brasileira, Sabotage teve uma carreira curta mas deixou marcas profundas. “Rap É Compromisso” e “Um Bom Lugar”, que abrem o disco de estreia, se tornaram verdadeiros hinos do hip-hop, cantados até hoje em festas de rap pelo Brasil.

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Art Popular – O Canto da Razão – 1994

Um dos álbuns inaugurais do pagode anos 1990, O Canto da Razão foi lançado de forma independente e começou a fazer sucesso espontaneamente nas rádios. A ideia era fazer uma homenagem ao samba dos anos 1970 e 1980, feito por Fundo de Quintal e todos os nomes que orbitavam o grupo, como Arlindo Cruz, Sombrinha, Almir Guineto, Jorge Aragão (o nome do grupo foi inspirado na música “Coisa De Pele”, do sambista) e Zeca Pagodinho, entre outros.

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Zeca Pagodinho – Zeca Pagodinho – 1986

Se você for a algum churrasco ou confraternização e as pessoas estiverem sem muita ideia do que colocar no som, apresente esse álbum e deixe rolar. A estreia de Zeca Pagodinho é desses discos para se ouvir inteiro, sem pular nenhuma faixa, e manter a animação de qualquer ambiente.

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Los Hermanos – Los Hermanos – 1999

A ideia era misturar Carnaval, Noel Rosa e hardcore. E deu certo! A estreia do Los Hermanos, com produção de Rick Bonadio, rendeu hits grudentos (“Anna Julia” vai grudar na sua cabeça nesse momento, se você cantarolar) e músicas sobre desencantos amorosos. O disco acabou renegado pela própria banda anos depois, quando assumiu outra postura e ganhou ainda mais fãs com letras mais adultas.

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Soulfly – Soulfly – 1998

Quando Max Cavalera anunciou sua saída do Sepultura, muitas dúvidas ficaram no ar. Enquanto a banda respondia e seguia, agora com os vocais de Derrick Green, Max Cavalera soltava o raivoso Soulfly, projeto que reunia Marcelo D. no baixo, Roy Mayorga na bateria e o “misterioso” Jackson Bandeira na guitarra – pseudônimo de Lucio Maia, da Nação Zumbi. Algumas faixas revelam, inclusive, que uma colaboração entre Chico Science e Max Cavalera estava por vir e foi interrompida pela trágica morte do pernambucano.

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Rodox – Estreito – 2002

Rodolfo Abrantes era vocalista dos Raimundos. Por uma decisão pessoal, resolveu deixar sua banda original para trás e viver uma nova vida – um renascimento, como dizem os religiosos. E essa mudança gerou um dos melhores álbuns de hardcore do começo desse século. A impressão é que Rodolfo tinha urgência pra dizer tudo o que está no disco – mal há intervalo entre as músicas e algumas têm uma velocidade supersônica, como “Horário Nobre” que, com seu vocal gritado, traz Rodolfo falando sobre os males causados pela TV.

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Racionais MC’s – Holocausto Urbano – 1990

Até 1990, os integrantes dos Racionais MC’s cantavam de forma separada, em duas duplas: Mano Brown e Ice Blue de um lado, KL Jay e Edi Rock de outro. Assim gravaram uma coletânea, com outros grupos, que fez sucesso e, com ela, veio um convite da gravadora Zimbabwe para um disco solo, como um grupo único. As duplas, que já se conheciam e já haviam se apresentado juntas, se uniram e, inspiradas pelo álbum Racional, do Tim Maia, adotaram o nome que é conhecido hoje como o maior grupo do rap brasileiro. Hinos como “Pânico Na Zona Sul” e “Tempos Difíceis” estão na estreia.

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Os Mutantes – Os Mutantes – 1968

Psicodelia, rock and roll (com uma distorção num nível ensurdecedor para a época), poesia concreta e, claro, tropicalismo. Tudo isso somado resulta na estreia d’Os Mutantes em disco, logo depois de chocarem os puritanos ao lado de Gilberto Gil no festival do ano anterior. Os irmãos Dias, como ótimos instrumentistas e geniozinhos da eletrônica, experimentaram sem muitos limites e Rita Lee contribuía com boas composições, bom humor e uma belíssima voz.

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João Gilberto – Chega de Saudade – 1959

A estreia de João Gilberto no vinil é de uma importância ímpar na música brasileira. A bossa nova, o samba e até o rock foram impactados pelo violão e pela voz descompromissada de João Gilberto. Foi esse álbum que abriu as portas da música brasileira para o mundo e iniciou o processo de internacionalização do nosso som, que ganhou tons de jazz e viajou o mundo.

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  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
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As 25 melhores estreias da música brasileira

Billboard Brasil elege os discos que melhor apresentaram artistas ao seu público

por Marcos Lauro em 27/10/2017

Disco de estreia é um troço complicado. As experiências variam: tem artista com disco de estreia logo no primeiro ano de carreira; outros (vide nomes clássicos do samba como Cartola e Clementina de Jesus) que tiveram suas vozes gravadas depois dos 60 anos de idade. Mas o desafio é o mesmo: apresentar seu som e sua proposta da melhor maneira possível para o seu (potencial) público.

Para comemorar a estreia da Billboard Brasil no UOL, elegemos as melhores estreias da música brasileira:

Daniela Mercury – Daniela Mercury – 1991

No comecinho dos anos 1990, a axé music já furava o bloqueio do sudeste e do sul e era sucesso em todo o Brasil. Mas faltava algo: a figura de uma cantora solo, poderosa, elétrica e de um alcance vocal poucas vezes visto. Daniela Mercury ocupou esse posto e foi além, já que seu som não só era festa, mas também “moderno” o suficiente para ser chamado de MPB. A cantora fazia questão de reafirmar suas raízes baianas em faixas como “Menino Do Pelô” e “Swing da Cor” – faixa que arrepia até hoje e tem a participação do Olodum.

"Virei um metrônomo vivo com Olodum no estúdio. Me lembro da rádio Líder, quando eu fu lá com a fita cassete: 'Mas isso é muita batucada, não toca a rádio, isso não existe!'. Eu falei: 'Que bom que não existe, se não não teria graça nenhuma'", lembra Daniela Mercury em entrevista para a Billboard Brasil.

Reprodução

Raimundos – Raimundos – 1994

Quatro caras de Brasília, desconhecidos e nada parecidos com outros caras que também vieram da capital do país nos anos 1980, com um som pesado (uma mistura até então estranha de hardcore com forró!), letras chulas... a receita do insucesso estava pronta. Mas a identificação com o público jovem e roqueiro foi tão grande que a banda acabou se tornando umas das maiores da década e essa estreia foi decisiva para isso. Poucas vezes uma banda chegou ao mainstream de um jeito tão pé-na-porta como o álbum homônimo dos Raimundos.

Reprodução

Secos & Molhados – Secos & Molhados – 1973

Desde a capa icônica, até a sonoridade moderna, passando pelo visual extravagante, os Secos & Molhados desafiaram os bons modos ditados pelo regime militar brasileiro. Verdadeiros hinos como “Sangue Latino”, “O Vira”, “Assim Assado” e “Fala” saíram dessa estreia – alguns deles voltarão ao palco com Ney Matogrosso e a Nação Zumbi no Rock in Rio, realizado em setembro.

Reprodução

Charlie Brown Jr. – Transpiração Continua Prolongada – 1997

A música feita para skatistas e afins andava relegada ao undergroud. Mas uns caras de Santos conseguiram levar o som pro mainstream e influenciar dezenas de bandas, além de uma geração inteira de moleques e garotas que respeitam Chorão com a mesma intensidade de fãs de outros grandes letristas brasileiros como Renato Russo e Cazuza. O fim trágico da banda, com as mortes de Chorão e Champignon, transformou o Charlie Brown em lenda.

Reprodução

Liniker e os Caramelows – Remonta – 2016

Vivemos um momento em que o discurso e a postura voltaram a ser tão importantes quanto a música de um artista. E quando a qualidade da música se iguala à qualidade do discurso, é melhor ainda. Liniker, uma descoberta da internet com um EP descompromissado lançado no YouTube, se tornou a voz do discurso de gênero e identidade, idolatrada por grandes artistas como Elza Soares.

Reprodução

Planet Hemp – Usuário – 1995

O discurso pela descriminalização das drogas (especialmente a maconha) ganhava uma trilha sonora poderosa e direta. Não tem meias palavras, metáforas e nem cuidados na hora do grupo dizer o que pensa – o que começa logo pelo nome do álbum, Usuário. O álbum caiu há pouco tempo nas plataformas de streaming, o que vai permitir que uma nova geração tenha contato com o som.

Reprodução

Os Paralamas do Sucesso – Cinema Mudo – 1983

A banda que abriu caminho para outros grandes nomes de Brasília estreava em disco em 1983, na onda do rock BR que dominava as paradas, as rádios e as TVs. “Vital E Sua Moto” foi destaque na programação da emissora Fluminense FM, responsável por lançar diversos nomes importantes da cena, e levou a banda para a EMI, que lançou o álbum.

Reprodução

Jorge Ben Jor – Samba Esquema Novo – 1963

No auge da bossa nova, chegava um tijucano com um samba tão esquema novo que não tinha nem banquinho pra acompanhar o violão. “Mas Que Nada”, que abre o álbum, virou hino internacional depois da versão de Sergio Mendes e, mais recentemente, Black Eyed Peas. Era o embrião do samba rock, que surgiria menos de 10 anos depois pelas mãos do próprio Jorge Ben.

Reprodução

CPM 22 - A Alguns Quilômetros de Lugar Nenhum – 2000

Vocal gritado, bateria acelerada, riffs bacanas e refrãos grudentos. Esse é o CPM 22 em sua estreia, mostrando toda a força do hardcore paulistano nascido e criado na casa de shows Hangar 110. As duas primeiras músicas do álbum se tornaram clássicos da banda e são obrigatórias nos shows até hoje.

Reprodução

Anitta – Anitta – 2013

Esse é um trabalho que, ao mesmo tempo, é de estreia e de transição. O primeiro álbum de Anitta é resultado da mudança da sua imagem e do seu som. Do funk para o pop, nas mãos do mago Umberto Tavares, Anitta conseguiu fazer um disco divertido, bem produzido e que ditou as regras do pop nacional. Quantas outras cantoras já lançaram álbuns em torno dessa sonoridade? 

Reprodução

Chico Science & Nação Zumbi – Da Lama Ao Caos – 1994

Poucos artistas podem dizer que lançaram um álbum que inaugurou um movimento. E o saudoso Chico Science era um desses. Da Lama Ao Caos abriu as portas para o Manguebit e quase uma centena de bandas que até hoje reproduzem essa mistura entre sons regionais, pop, eletrônico e rock. Apesar da produção que, tecnicamente, deixa a desejar e não deixa ouvir perfeitamente as alfaias do maracatu, é um álbum primoroso em seu conteúdo. Quem não conhecia Recife e adjacências saiu íntimo depois da audição desse disco.

 

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Titãs – Titãs – 1984

Ninguém sabia ao certo o que eram aqueles oito malucos correndo e pulando no palco e na TV, mas já dava pra perceber que aquela inquietação duraria muito. O som, extremamente pop, dava abertura para experimentações nas letras e poesia concreta. Clássicos como “Sonífera Ilha”, “Marvin – Patches” e “Toda Cor” ainda pintam nos shows da banda – hoje com formação bastante reduzida em relação ao exército presente nesse álbum de estreia.

Reprodução

Ira! – Mudança de Comportamento – 1985

Com o rock paulistano a todo vapor, o Ira! reunia músicos que já haviam tocado em outras bandas da cena, como Voluntários da Pátria e Titãs. Com influência máxima de The Who, o som do Ira! emulava o estilo mod inglês dos anos 1970. Ainda na época do vinil, o grupo conseguiu fixar na mente dos fãs quase todo o lado A, que tinha “Longe De Tudo”, “Núcleo Base”, “Mudança De Comportamento” e “Tolices”.

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Ultraje a Rigor – Nós Vamos Invadir Sua Praia – 1985

Roger Moreira é o líder do Ultraje A Rigor, banda de um disco só, Nós Vamos Invadir Sua Praia. Ok, o disco seguinte, Sexo! (1987) também teve lá sua graça, mas não era mais uma novidade. As piadas se tornaram repetidas e as mudanças de formação foram tantas que o Ultraje morreu para o grande público – nem a capa da G Magazine, extinta revista de nu masculino, serviu para trazer de volta a imagem de Roger.

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Capital Inicial – Capital Inicial – 1986

Contra todos e contra ninguém, o Capital Inicial estreava em disco no ano de 1986. O quarteto original Dinho Ouro Preto, Loro Jones, Flávio Lemos e Fê Lemos expunham o desespero adolescente em músicas como “Psicopata” e “Veraneio Vascaína” – essa, sobre violência policial. “Leve Desespero” e “Fátima” são momentos inesquecíveis do álbum.

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Karnak – Karnak – 1995

Os músicos André Anujamra e Theo Werneck viajaram no começo dos anos 1990 com um gravador na mão e captaram sons e entrevistas em diversas regiões do continente africano. Uma das paisagens vistas pela dupla foi a pirâmide de Karnak, no Egito. Na volta, André Abujamra seguiu os conselhos do pai, o diretor e ator Antonio Abujamra (“A vida é sua, estrague-a como quiser”) e montou a banda Karnak, que contava com 11 integrantes (sendo dois bateristas), um ator e um cachorro.

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Sabotage – Rap É Compromisso – 2001

Um dos artistas mais completos da música brasileira, Sabotage teve uma carreira curta mas deixou marcas profundas. “Rap É Compromisso” e “Um Bom Lugar”, que abrem o disco de estreia, se tornaram verdadeiros hinos do hip-hop, cantados até hoje em festas de rap pelo Brasil.

Reprodução

Art Popular – O Canto da Razão – 1994

Um dos álbuns inaugurais do pagode anos 1990, O Canto da Razão foi lançado de forma independente e começou a fazer sucesso espontaneamente nas rádios. A ideia era fazer uma homenagem ao samba dos anos 1970 e 1980, feito por Fundo de Quintal e todos os nomes que orbitavam o grupo, como Arlindo Cruz, Sombrinha, Almir Guineto, Jorge Aragão (o nome do grupo foi inspirado na música “Coisa De Pele”, do sambista) e Zeca Pagodinho, entre outros.

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Zeca Pagodinho – Zeca Pagodinho – 1986

Se você for a algum churrasco ou confraternização e as pessoas estiverem sem muita ideia do que colocar no som, apresente esse álbum e deixe rolar. A estreia de Zeca Pagodinho é desses discos para se ouvir inteiro, sem pular nenhuma faixa, e manter a animação de qualquer ambiente.

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Los Hermanos – Los Hermanos – 1999

A ideia era misturar Carnaval, Noel Rosa e hardcore. E deu certo! A estreia do Los Hermanos, com produção de Rick Bonadio, rendeu hits grudentos (“Anna Julia” vai grudar na sua cabeça nesse momento, se você cantarolar) e músicas sobre desencantos amorosos. O disco acabou renegado pela própria banda anos depois, quando assumiu outra postura e ganhou ainda mais fãs com letras mais adultas.

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Soulfly – Soulfly – 1998

Quando Max Cavalera anunciou sua saída do Sepultura, muitas dúvidas ficaram no ar. Enquanto a banda respondia e seguia, agora com os vocais de Derrick Green, Max Cavalera soltava o raivoso Soulfly, projeto que reunia Marcelo D. no baixo, Roy Mayorga na bateria e o “misterioso” Jackson Bandeira na guitarra – pseudônimo de Lucio Maia, da Nação Zumbi. Algumas faixas revelam, inclusive, que uma colaboração entre Chico Science e Max Cavalera estava por vir e foi interrompida pela trágica morte do pernambucano.

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Rodox – Estreito – 2002

Rodolfo Abrantes era vocalista dos Raimundos. Por uma decisão pessoal, resolveu deixar sua banda original para trás e viver uma nova vida – um renascimento, como dizem os religiosos. E essa mudança gerou um dos melhores álbuns de hardcore do começo desse século. A impressão é que Rodolfo tinha urgência pra dizer tudo o que está no disco – mal há intervalo entre as músicas e algumas têm uma velocidade supersônica, como “Horário Nobre” que, com seu vocal gritado, traz Rodolfo falando sobre os males causados pela TV.

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Racionais MC’s – Holocausto Urbano – 1990

Até 1990, os integrantes dos Racionais MC’s cantavam de forma separada, em duas duplas: Mano Brown e Ice Blue de um lado, KL Jay e Edi Rock de outro. Assim gravaram uma coletânea, com outros grupos, que fez sucesso e, com ela, veio um convite da gravadora Zimbabwe para um disco solo, como um grupo único. As duplas, que já se conheciam e já haviam se apresentado juntas, se uniram e, inspiradas pelo álbum Racional, do Tim Maia, adotaram o nome que é conhecido hoje como o maior grupo do rap brasileiro. Hinos como “Pânico Na Zona Sul” e “Tempos Difíceis” estão na estreia.

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Os Mutantes – Os Mutantes – 1968

Psicodelia, rock and roll (com uma distorção num nível ensurdecedor para a época), poesia concreta e, claro, tropicalismo. Tudo isso somado resulta na estreia d’Os Mutantes em disco, logo depois de chocarem os puritanos ao lado de Gilberto Gil no festival do ano anterior. Os irmãos Dias, como ótimos instrumentistas e geniozinhos da eletrônica, experimentaram sem muitos limites e Rita Lee contribuía com boas composições, bom humor e uma belíssima voz.

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João Gilberto – Chega de Saudade – 1959

A estreia de João Gilberto no vinil é de uma importância ímpar na música brasileira. A bossa nova, o samba e até o rock foram impactados pelo violão e pela voz descompromissada de João Gilberto. Foi esse álbum que abriu as portas da música brasileira para o mundo e iniciou o processo de internacionalização do nosso som, que ganhou tons de jazz e viajou o mundo.

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