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"As pessoas esperam que eu faça o que eu quiser", diz o "estreante" Lenine no Carnaval do Recife

por em 07/02/2016

(foto: Peu Hatz)

Por Rodrigo Amaral da Rocha

Com 15 anos de bagagem no Carnaval do Recife, Lenine ainda pode sentir o gosto de estrear. A convite de Naná Vasconcelos, o compositor pernambuco se apresentou pela primeira vez no cortejo que inaugura todo ano a folia recifense. Este "eterno retorno", como ele define, se torna ainda mais especial pela ocasião, já que Mãe Elda, com a Nação Maracatu Porto Rico, foram homenageados no dia inaugural.

"Na década de 1980 descobriram o terreiro de Mãe Elda e foi oferecido um brinquedo pra ela ser rainha e tocar pra frente. Na ocasião eu e mais 12 amigos nos envolvemos e saímos no cortejo", lembra ele. Lenine também apresenta no Carnaval recifense o show solo do repertório de seu último disco Carbono. Com uma pegada mais rock and roll, ele se aproveita da experiência de seus 15 anos de folia. "Meu repertório migrou pra esse universo, então nunca precisei adaptar as canções a esse público. Há cincoanos, às 5 horas da manhã, estava eu e Milton cantando "Paciência" no Marco Zero, algo inconcebível dentro do Carnaval. As pessoas esperam que eu faça o que eu quiser", conta, satisfeito. Uma apresentação no Carnaval do Recife traz para o artista muitas lembranças, afinal, lá ele nasceu e levou consigo suas inúmeras referências, mas Lenine discorda quando o associam à legítima música local. "Minha música é totalmente raiz de Pernambuco, mas eu sou feito de raiz e antena, sou meio esponja. Tive o prazer de nascer nessa região portuária com uma multiplicidade de expressões incríveis, mas eu ouvi Led Zeppelin e The Police. Também ouvi muito Jackson do Pandeiro, mas isso não era consciente", lembra. Lenine sabe que é representação e referência de uma cena forte do Recife, que segue tendo reforço desde os tempos de Alceu Valença. Ele tem uma explicação sobre o fenômeno cultural que persegue a capital pernambucana não só na música, mas também "no cinema, na moda e na política, com a Rede". “Seria natural que tivéssemos várias cópias de Alceu, assim como o que aconteceu com a Nação Zumbi, mas ninguém quer repetir a escola do outro, reverberar o que já foi. É ousar um pouquinho mais pra frente, mas sem se desprender da realidade, porque é muito fácil você de se descolar e ficar perdido", teoriza.

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"As pessoas esperam que eu faça o que eu quiser", diz o "estreante" Lenine no Carnaval do Recife

por em 07/02/2016

(foto: Peu Hatz)

Por Rodrigo Amaral da Rocha

Com 15 anos de bagagem no Carnaval do Recife, Lenine ainda pode sentir o gosto de estrear. A convite de Naná Vasconcelos, o compositor pernambuco se apresentou pela primeira vez no cortejo que inaugura todo ano a folia recifense. Este "eterno retorno", como ele define, se torna ainda mais especial pela ocasião, já que Mãe Elda, com a Nação Maracatu Porto Rico, foram homenageados no dia inaugural.

"Na década de 1980 descobriram o terreiro de Mãe Elda e foi oferecido um brinquedo pra ela ser rainha e tocar pra frente. Na ocasião eu e mais 12 amigos nos envolvemos e saímos no cortejo", lembra ele. Lenine também apresenta no Carnaval recifense o show solo do repertório de seu último disco Carbono. Com uma pegada mais rock and roll, ele se aproveita da experiência de seus 15 anos de folia. "Meu repertório migrou pra esse universo, então nunca precisei adaptar as canções a esse público. Há cincoanos, às 5 horas da manhã, estava eu e Milton cantando "Paciência" no Marco Zero, algo inconcebível dentro do Carnaval. As pessoas esperam que eu faça o que eu quiser", conta, satisfeito. Uma apresentação no Carnaval do Recife traz para o artista muitas lembranças, afinal, lá ele nasceu e levou consigo suas inúmeras referências, mas Lenine discorda quando o associam à legítima música local. "Minha música é totalmente raiz de Pernambuco, mas eu sou feito de raiz e antena, sou meio esponja. Tive o prazer de nascer nessa região portuária com uma multiplicidade de expressões incríveis, mas eu ouvi Led Zeppelin e The Police. Também ouvi muito Jackson do Pandeiro, mas isso não era consciente", lembra. Lenine sabe que é representação e referência de uma cena forte do Recife, que segue tendo reforço desde os tempos de Alceu Valença. Ele tem uma explicação sobre o fenômeno cultural que persegue a capital pernambucana não só na música, mas também "no cinema, na moda e na política, com a Rede". “Seria natural que tivéssemos várias cópias de Alceu, assim como o que aconteceu com a Nação Zumbi, mas ninguém quer repetir a escola do outro, reverberar o que já foi. É ousar um pouquinho mais pra frente, mas sem se desprender da realidade, porque é muito fácil você de se descolar e ficar perdido", teoriza.