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Bebel Gilberto mostra ao vivo Tudo e seu charme com DNA de bossa

por em 20/09/2014
Para filha de João Gilberto, seu parceiro Cazuza foi “quem mais chegou perto de Vinicius”   Por Maurício Amendola Bebel Gilberto fará o show de lançamento de seu novo álbum, Tudo¸ no Theatro NET São Paulo, na próxima segunda-feira, às 21h. Com músicas inéditas e releituras que vão de Tom Jobim a Neil Young – “Vivo Sonhando” e “Harvest Moon” –, Tudo marca a volta da cantora aos estúdios depois de cinco anos e conta com 12 faixas. Bebel conversou, de Nova York, com a Billboard Brasil por telefone e falou sobre o disco novo, a bossa nova no mundo, a amizade com Cazuza e, claro, sua família musical – o pai, João Gilberto; o tio Chico Buarque e a mãe, Miúcha – além do “tio” Vinicius, que foi amigo do avô, Sergio Buarque de Hollanda.   Por que essa pausa de cinco anos para gravar um novo disco? Foi o período de composição ou você realmente quis dar uma “descansada”? Na verdade, no meio disso tudo eu lancei um DVD [Bebel Gilberto In Rio, de 2013]. E o DVD levou meus últimos três anos... É injusto falar que eu estava sem fazer nada. Mas eu já tinha começado a trabalhar nessas músicas de Tudo na mesma época em que comecei a levantar a produção do DVD. Então, na verdade, os dois projetos foram bem paralelos. O que Tudo tem de diferente dos trabalhos anteriores? E por que foi escolhido esse título? Eu acho que é uma continuação, talvez a única diferença seja que eu o gravei num tempo curto. O tempo de captação, gravação, mixagem e lançamento foi menor que o dos outros, só de dezembro do ano passado até agora. Mas também eu já estava trabalhando nas composições. E o título do disco é uma referência à reunião da minha colcha de retalhos musical... Você fez uma versão de “Harvest Moon”, de Neil Young, no disco. Folk e rock são influências suas? Como criou o novo arranjo? Não, eu não tenho a menor influencia de folk e rock. Mas eu fui chamada para fazer um tributo ao Neil Young, em 2011, no Carnegie Hall, em Nova York, e cantei “Harvest Moon”. Essa música dele tocou profundamente o meu coração.  Eu fiz as harmonias dessa nova versão no violão, mas quem gravou foram profissionais. Eu não sei fazer isso. Aprendi a tocar recentemente, mas ainda estou longe de tocar bem... Vai tentar ficar com a mão direita do seu pai? Nossa, estou muito longe disso! [risos] Tem intenção de gravar um disco que fuja completamente da bossa nova? Ah, acho que por enquanto não... Você passou boa parte da vida fora do Brasil. Do que você sente mais falta aqui? Comidas, pessoas, convivências? De tudo! Literalmente tudo – como o nome do disco. Eu sinto falta de tudo e ao mesmo tempo de nada. Puxa, eu não posso dizer que sinto falta de comida. Minha melhor amiga é dona de um restaurante de Nova York que é maravilhoso e eu cozinho muito bem... Comida eu não estou com saudades. Talvez a praia do Rio sim, porque isso não tem como reproduzir mesmo. Qual você acha que é a grande diferença de inspiração entre Nova York e Rio de Janeiro na hora de compor? Não ter uma praia. Quer dizer, Nova York até tem, mas você só pode curtir durante quatro meses ao ano. Eu acho que talvez se tenha mais facilidade em determinado lugar, você canta mais inspirado se está num clima em que esteja mais familiarizado. Mas às vezes estar num frio e andar na neve também pode inspirar muito. As diferenças acabam sendo meio folclore. Você foi parceira musical e muito amiga do Cazuza. Quais são suas lembranças dos momentos de composição com ele? Vocês sempre se deram bem? Sim, muito bem! O Cazuza foi uma pessoa que acrescentou muito na minha vida e na minha música. Foi realmente muito importante. E a nossa parceria em “Preciso Dizer Que Eu Te Amo” foi um marco. Você concorda com a ideia que existe no imaginário popular de que o Cazuza era uma pessoa, digamos, “difícil”? Eu acho injusto, porque ele era um ser humano, um jovem... Não teve nem tempo de amadurecer. Então, é muito injusto qualquer pessoa ser julgada por ter vivido apenas 30 e poucos anos, sendo que 15 ele ainda era criança. Se o Cazuza estivesse vivo, com certeza seria uma pessoa que estaria adicionando muito à cultura brasileira e até internacional. Ele era um homem muito culto, muito esperto e faz uma falta enorme. Você acha que o Brasil anda muito careta? Com certeza. Olha a pergunta que eu estou respondendo sobre o Cazuza! Não estou dizendo que você é careta, claro. Mas sabe esse tipo de pensamento que passa pela cabeça das pessoas? De que alguém é “difícil” e coisa e tal. Bom, mas tudo bem. Um pouco de caretice é necessário também. Quando você percebeu que seu pai era um ícone da música mundial? Foi na minha adolescência, quando comecei a realmente ouvir a música dele não só como filha, mas também como fã, como apreciadora. Aí eu fui percebendo a grandeza dele. Com o meu tio e minha mãe foi a mesma coisa. E quando você resolveu que seria cantora? Existem outros ídolos decisivos, além de seu pai? Na verdade, acho que foi quando eu vi o show da Maria Bethânia. Ela foi umas das primeiras cantoras a quem eu assisti e fiquei muito impressionada. Ela e a Gal Costa foram grandes influências. Como foi crescer numa família com tantos talentos da música? A gente aprende um monte de coisa sem saber que está aprendendo. Essa é a principal coisa. Você esta só vivendo e, ao mesmo tempo, tendo uma aula de música e de vida. Tem certas palavras que eu escuto desde a minha infância: royalties, tour, aeroporto, melodia, harmonia... Palavras que não estariam presentes no vocabulário de uma criança normal e estão no meu há mais de 40 anos. É difícil encontrar crianças que falem essas palavras normalmente... Como vai o seu pai? Ele é tão reservado, sabe-se tão pouco dele... Está ótimo, tá numa boa. Tá lá no Rio. Converso muito com ele, todos os dias. E ele te dá conselhos sobre a sua carreira? Mais ou menos... Ele é mais amigão mesmo. Como você vê a difusão da bossa nova no mundo hoje? E como ela se diferencia do jazz? Eu acho que a receptividade no mundo é muito grande, o que é maravilhoso. É complicado dizer a diferença, porque eu estou bem no meio dos dois. Mas acho que talvez seja o “charme” da bossa nova... É mais charmoso, quem sabe. Com certeza é menos chato que o jazz [risos]. Estou brincando, hein? Você vê alguma figura na história música americana que seja análoga a do seu pai em importância e influência? Ah não! Isso eu não posso falar, né? Sou filha dele! Aí já seria muito metida [risos] Este ano comemora-se o centenário do Vinicius de Moraes. Que lembranças têm dele? Como vê sua importância hoje? Ninguém escrevia como Vinicius. O poetinha é único, não tem comparação. Acho que o Cazuza foi o que chegou mais perto. Eu tenho várias lembranças do Vinicius, ele marcou muito a minha infância. Além de grande amigo do meu avô, ele andou de carro comigo nas primeiras vezes em que eu dirigi e era uma figura muito carinhosa. A gente tinha uma coisa muito especial. Ele sempre falava tudo no diminutivo: “Bebelzinha, como é que você tá?” E também era um charmoso! Esse sabia fazer charme... Aliás, esse pessoal todo da bossa nova é especialista nisso, né? Meu pai, o Tom... Talvez meu pai mostre menos, mas é o rei do charme. Quem conhece sabe.   SERVIÇO:

PALCO PETROBRAS PREMMIA – BEBEL GILBERTO – LANÇAMENTO DO CD “TUDO”

Theatro NET São Paulo – Shopping Vila Olímpia, 5º andar - Rua Olimpíadas, 360.

Ingressos: R$ 160,00 (Plateia Central) R$ 140,00 (Plateia Lateral) R$ 120,00 (Balcão nobre) R$ 50,00 (Balcão) Clientes NET têm 50% de desconto na compra de até quatro ingressos. Data:22 de setembro, segunda-feira. Horário: 21h30 Duração: 90 minutos Classificação: 12 anos Capacidade: 799 lugares Telefone do teatro:4003-1212 Vendas:www.ingressorapido.com.br / consulte os pontos de vendas no site. Formas de pagamento: Todos os cartões de crédito e débito. Não aceita cheques. Acessibilidade Estacionamento no Shopping
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Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
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Bebel Gilberto mostra ao vivo Tudo e seu charme com DNA de bossa

por em 20/09/2014
Para filha de João Gilberto, seu parceiro Cazuza foi “quem mais chegou perto de Vinicius”   Por Maurício Amendola Bebel Gilberto fará o show de lançamento de seu novo álbum, Tudo¸ no Theatro NET São Paulo, na próxima segunda-feira, às 21h. Com músicas inéditas e releituras que vão de Tom Jobim a Neil Young – “Vivo Sonhando” e “Harvest Moon” –, Tudo marca a volta da cantora aos estúdios depois de cinco anos e conta com 12 faixas. Bebel conversou, de Nova York, com a Billboard Brasil por telefone e falou sobre o disco novo, a bossa nova no mundo, a amizade com Cazuza e, claro, sua família musical – o pai, João Gilberto; o tio Chico Buarque e a mãe, Miúcha – além do “tio” Vinicius, que foi amigo do avô, Sergio Buarque de Hollanda.   Por que essa pausa de cinco anos para gravar um novo disco? Foi o período de composição ou você realmente quis dar uma “descansada”? Na verdade, no meio disso tudo eu lancei um DVD [Bebel Gilberto In Rio, de 2013]. E o DVD levou meus últimos três anos... É injusto falar que eu estava sem fazer nada. Mas eu já tinha começado a trabalhar nessas músicas de Tudo na mesma época em que comecei a levantar a produção do DVD. Então, na verdade, os dois projetos foram bem paralelos. O que Tudo tem de diferente dos trabalhos anteriores? E por que foi escolhido esse título? Eu acho que é uma continuação, talvez a única diferença seja que eu o gravei num tempo curto. O tempo de captação, gravação, mixagem e lançamento foi menor que o dos outros, só de dezembro do ano passado até agora. Mas também eu já estava trabalhando nas composições. E o título do disco é uma referência à reunião da minha colcha de retalhos musical... Você fez uma versão de “Harvest Moon”, de Neil Young, no disco. Folk e rock são influências suas? Como criou o novo arranjo? Não, eu não tenho a menor influencia de folk e rock. Mas eu fui chamada para fazer um tributo ao Neil Young, em 2011, no Carnegie Hall, em Nova York, e cantei “Harvest Moon”. Essa música dele tocou profundamente o meu coração.  Eu fiz as harmonias dessa nova versão no violão, mas quem gravou foram profissionais. Eu não sei fazer isso. Aprendi a tocar recentemente, mas ainda estou longe de tocar bem... Vai tentar ficar com a mão direita do seu pai? Nossa, estou muito longe disso! [risos] Tem intenção de gravar um disco que fuja completamente da bossa nova? Ah, acho que por enquanto não... Você passou boa parte da vida fora do Brasil. Do que você sente mais falta aqui? Comidas, pessoas, convivências? De tudo! Literalmente tudo – como o nome do disco. Eu sinto falta de tudo e ao mesmo tempo de nada. Puxa, eu não posso dizer que sinto falta de comida. Minha melhor amiga é dona de um restaurante de Nova York que é maravilhoso e eu cozinho muito bem... Comida eu não estou com saudades. Talvez a praia do Rio sim, porque isso não tem como reproduzir mesmo. Qual você acha que é a grande diferença de inspiração entre Nova York e Rio de Janeiro na hora de compor? Não ter uma praia. Quer dizer, Nova York até tem, mas você só pode curtir durante quatro meses ao ano. Eu acho que talvez se tenha mais facilidade em determinado lugar, você canta mais inspirado se está num clima em que esteja mais familiarizado. Mas às vezes estar num frio e andar na neve também pode inspirar muito. As diferenças acabam sendo meio folclore. Você foi parceira musical e muito amiga do Cazuza. Quais são suas lembranças dos momentos de composição com ele? Vocês sempre se deram bem? Sim, muito bem! O Cazuza foi uma pessoa que acrescentou muito na minha vida e na minha música. Foi realmente muito importante. E a nossa parceria em “Preciso Dizer Que Eu Te Amo” foi um marco. Você concorda com a ideia que existe no imaginário popular de que o Cazuza era uma pessoa, digamos, “difícil”? Eu acho injusto, porque ele era um ser humano, um jovem... Não teve nem tempo de amadurecer. Então, é muito injusto qualquer pessoa ser julgada por ter vivido apenas 30 e poucos anos, sendo que 15 ele ainda era criança. Se o Cazuza estivesse vivo, com certeza seria uma pessoa que estaria adicionando muito à cultura brasileira e até internacional. Ele era um homem muito culto, muito esperto e faz uma falta enorme. Você acha que o Brasil anda muito careta? Com certeza. Olha a pergunta que eu estou respondendo sobre o Cazuza! Não estou dizendo que você é careta, claro. Mas sabe esse tipo de pensamento que passa pela cabeça das pessoas? De que alguém é “difícil” e coisa e tal. Bom, mas tudo bem. Um pouco de caretice é necessário também. Quando você percebeu que seu pai era um ícone da música mundial? Foi na minha adolescência, quando comecei a realmente ouvir a música dele não só como filha, mas também como fã, como apreciadora. Aí eu fui percebendo a grandeza dele. Com o meu tio e minha mãe foi a mesma coisa. E quando você resolveu que seria cantora? Existem outros ídolos decisivos, além de seu pai? Na verdade, acho que foi quando eu vi o show da Maria Bethânia. Ela foi umas das primeiras cantoras a quem eu assisti e fiquei muito impressionada. Ela e a Gal Costa foram grandes influências. Como foi crescer numa família com tantos talentos da música? A gente aprende um monte de coisa sem saber que está aprendendo. Essa é a principal coisa. Você esta só vivendo e, ao mesmo tempo, tendo uma aula de música e de vida. Tem certas palavras que eu escuto desde a minha infância: royalties, tour, aeroporto, melodia, harmonia... Palavras que não estariam presentes no vocabulário de uma criança normal e estão no meu há mais de 40 anos. É difícil encontrar crianças que falem essas palavras normalmente... Como vai o seu pai? Ele é tão reservado, sabe-se tão pouco dele... Está ótimo, tá numa boa. Tá lá no Rio. Converso muito com ele, todos os dias. E ele te dá conselhos sobre a sua carreira? Mais ou menos... Ele é mais amigão mesmo. Como você vê a difusão da bossa nova no mundo hoje? E como ela se diferencia do jazz? Eu acho que a receptividade no mundo é muito grande, o que é maravilhoso. É complicado dizer a diferença, porque eu estou bem no meio dos dois. Mas acho que talvez seja o “charme” da bossa nova... É mais charmoso, quem sabe. Com certeza é menos chato que o jazz [risos]. Estou brincando, hein? Você vê alguma figura na história música americana que seja análoga a do seu pai em importância e influência? Ah não! Isso eu não posso falar, né? Sou filha dele! Aí já seria muito metida [risos] Este ano comemora-se o centenário do Vinicius de Moraes. Que lembranças têm dele? Como vê sua importância hoje? Ninguém escrevia como Vinicius. O poetinha é único, não tem comparação. Acho que o Cazuza foi o que chegou mais perto. Eu tenho várias lembranças do Vinicius, ele marcou muito a minha infância. Além de grande amigo do meu avô, ele andou de carro comigo nas primeiras vezes em que eu dirigi e era uma figura muito carinhosa. A gente tinha uma coisa muito especial. Ele sempre falava tudo no diminutivo: “Bebelzinha, como é que você tá?” E também era um charmoso! Esse sabia fazer charme... Aliás, esse pessoal todo da bossa nova é especialista nisso, né? Meu pai, o Tom... Talvez meu pai mostre menos, mas é o rei do charme. Quem conhece sabe.   SERVIÇO:

PALCO PETROBRAS PREMMIA – BEBEL GILBERTO – LANÇAMENTO DO CD “TUDO”

Theatro NET São Paulo – Shopping Vila Olímpia, 5º andar - Rua Olimpíadas, 360.

Ingressos: R$ 160,00 (Plateia Central) R$ 140,00 (Plateia Lateral) R$ 120,00 (Balcão nobre) R$ 50,00 (Balcão) Clientes NET têm 50% de desconto na compra de até quatro ingressos. Data:22 de setembro, segunda-feira. Horário: 21h30 Duração: 90 minutos Classificação: 12 anos Capacidade: 799 lugares Telefone do teatro:4003-1212 Vendas:www.ingressorapido.com.br / consulte os pontos de vendas no site. Formas de pagamento: Todos os cartões de crédito e débito. Não aceita cheques. Acessibilidade Estacionamento no Shopping