NOTÍCIAS

Bobby Womack

por em 10/04/2013
Sem
direito a bis Lenda do rhythm & blues, Bobby Womack faz show para poucos – e fãs de Emicida A primeira notícia desagradável da noite: Bobby Womack não se apresentaria às 22h, como todo mundo acreditava. O show só teria início à 0h15 e – segunda má notícia, percebida já no hall do HSBC – seria testemunhado por cerca de 400 pessoas. E o número nem era tão pífio, se comparado com o da apresentação carioca, ocorrida dois dias antes, na versão completa do festival Back2Black. Os relatos da Barra da Tijuca eram de atrasos e confusões com mudanças de palco por causa de condições climáticas. E também de shows arrasadores de Femi Kuti & The Positive Force e da Orchestra Baobab, dos quais os paulistanos foram privados. Restava prestigiar o lendário cantor americano, em evidência recentemente graças a um single do Gorillaz (“Stylo”) e um elogiadíssimo disco produzido por Damon Albarn. Escudado por uma banda de 12 integrantes, além de um assistente de gravata borboleta divertido pacas, Womack levou o espetáculo em clima retrospectivo, lançando mão de “Across 110th Street” logo de cara. Tema de um filme blaxploitation de mesmo nome nos anos 70, a faixa ganhou sobrevida ao embalar as cenas principais de Jackie Brown, longa de Quentin Tarantino. Ficou claro durante a execução que o arranjo original é 60% do charme da música. A superbanda de Womack tinha três sopros, mas não as cordas que fazem desse single um dos mais cintilantes da soul music. Na sequência, ele lembrou a sofrida “Nobody Wants You When You’re Down And Out”, confessou que “Woman’s Gotta Have It” foi criada em cima de “What’s Going On”, de Marvin Gaye, e homenageou Sam Cooke, a quem acompanhou como guitarrista, interpretando a clássica “A Change Is Gonna Come”. Também fez questão de abraçar composições suas mais conhecidas com outras vozes (“essa foi gravada pelos Rolling Stones”, “essa vocês ouviram com a Chaka Khan”, “Patti LaBelle fez sucesso com essa”...). O Alzheimer diagnosticado há pouco não comprometeu a performance, muito menos o câncer no intestino, que ele conseguiu vencer. Aos 69 anos, a maior difi culdade de Womack é cantar com o vigor do passado. E, antes da fresca “The Bravest Man In The Universe”, foi possível ouvi-lo dizer “Deixa eu fazer essa antes que minha voz desapareça”. O público não pediu bis (“California Dreamin’”, provavelmente), mas não por solidariedade. É que dois terços dos presentes ansiava pelos raps de Emicida, que teve sua apresentação jogada para as 2h15. Com banda completa, incluindo a boa guitarrista e vocalista Mônica Agena, o MC da Zona Norte fez o que pôde, mas o evento gritava fiasco a todo instante. “Achei que ele não vinha hoje, mas todo bairro tem um”, brincou antes de “Zóião”. Se fosse melhor organizado, o Back2Black não precisaria se preocupar com nenhum invejoso de plantão.
  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
RANKING COMPLETO
NOTÍCIAS

Bobby Womack

por em 10/04/2013
Sem
direito a bis Lenda do rhythm & blues, Bobby Womack faz show para poucos – e fãs de Emicida A primeira notícia desagradável da noite: Bobby Womack não se apresentaria às 22h, como todo mundo acreditava. O show só teria início à 0h15 e – segunda má notícia, percebida já no hall do HSBC – seria testemunhado por cerca de 400 pessoas. E o número nem era tão pífio, se comparado com o da apresentação carioca, ocorrida dois dias antes, na versão completa do festival Back2Black. Os relatos da Barra da Tijuca eram de atrasos e confusões com mudanças de palco por causa de condições climáticas. E também de shows arrasadores de Femi Kuti & The Positive Force e da Orchestra Baobab, dos quais os paulistanos foram privados. Restava prestigiar o lendário cantor americano, em evidência recentemente graças a um single do Gorillaz (“Stylo”) e um elogiadíssimo disco produzido por Damon Albarn. Escudado por uma banda de 12 integrantes, além de um assistente de gravata borboleta divertido pacas, Womack levou o espetáculo em clima retrospectivo, lançando mão de “Across 110th Street” logo de cara. Tema de um filme blaxploitation de mesmo nome nos anos 70, a faixa ganhou sobrevida ao embalar as cenas principais de Jackie Brown, longa de Quentin Tarantino. Ficou claro durante a execução que o arranjo original é 60% do charme da música. A superbanda de Womack tinha três sopros, mas não as cordas que fazem desse single um dos mais cintilantes da soul music. Na sequência, ele lembrou a sofrida “Nobody Wants You When You’re Down And Out”, confessou que “Woman’s Gotta Have It” foi criada em cima de “What’s Going On”, de Marvin Gaye, e homenageou Sam Cooke, a quem acompanhou como guitarrista, interpretando a clássica “A Change Is Gonna Come”. Também fez questão de abraçar composições suas mais conhecidas com outras vozes (“essa foi gravada pelos Rolling Stones”, “essa vocês ouviram com a Chaka Khan”, “Patti LaBelle fez sucesso com essa”...). O Alzheimer diagnosticado há pouco não comprometeu a performance, muito menos o câncer no intestino, que ele conseguiu vencer. Aos 69 anos, a maior difi culdade de Womack é cantar com o vigor do passado. E, antes da fresca “The Bravest Man In The Universe”, foi possível ouvi-lo dizer “Deixa eu fazer essa antes que minha voz desapareça”. O público não pediu bis (“California Dreamin’”, provavelmente), mas não por solidariedade. É que dois terços dos presentes ansiava pelos raps de Emicida, que teve sua apresentação jogada para as 2h15. Com banda completa, incluindo a boa guitarrista e vocalista Mônica Agena, o MC da Zona Norte fez o que pôde, mas o evento gritava fiasco a todo instante. “Achei que ele não vinha hoje, mas todo bairro tem um”, brincou antes de “Zóião”. Se fosse melhor organizado, o Back2Black não precisaria se preocupar com nenhum invejoso de plantão.