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Brasil perde Miltinho aos 86 anos

por em 08/09/2014
Rema
nescente da era dos grupos vocais, cantor era peça única na história da música brasileira Por Pedro Só O Brasil perdeu no domingo, aos 86 anos, um de seus mais importantes cantores: o carioca Milton Santos de Almeida. Miltinho, como ficou conhecido em todo o país, ao emplacar sucessos como “Mulher De Trinta”, sofreu parada cardíaca no Hospital do Amparo, no Rio Comprido, zona norte do Rio de Janeiro, onde estava internado havia dois meses em tratamento de um problema pulmonar. Ele era, assim como João Gilberto, sobrevivente e representante legítimo da grande tradição nacional de grupos vocais. Respeitado e elogiado por luminares de gerações mais jovens como Chico Buarque, Zeca Pagodinho e Caetano Veloso, foi vítima de erros jornalísticos em vários veículos importantes que noticiaram sua morte confundindo dados com os de Milton Lima dos Santos Filho, do MPB-4, 70 anos. Criado em Botafogo, Miltinho começou a tocar pandeiro logo que ganhou um, no Natal, aos 9 anos. Ele se gabava de ter sido o primeiro a cantar e tocar o instrumento em um grupo vocal, abafando o som das platinelas para alcançar uma suavidade original. Integrou os Namorados da Lua, com Lúcio Alves (1927-1993), os Quatro Ases e Um Coringa, e os Anjos do Inferno (com quem acompanhou Carmen Miranda, com grande sucesso nos EUA), entre outros. No começo dos anos 50, passou para um concurso púbico e tornou-se funcionário do Ministério da Fazenda, o que o obrigou a fixar-se no Rio, sem tanta disponibilidade para viagens e turnês. Assim, brilhou como crooner residente em algumas das mais importantes boates de Copacabana: Vogue, Montecarlo e, em especial, a Drink, onde esteve em cartaz por longo período como integrante do grupo do pianista e organista Djalma Ferreira,  Milionários do Ritmo. Decolou para a carreira solo em 1960, com o álbum Um Novo Astro, acompanhado do Sexteto Sideral, onde um novato chamado Baden Powell cuidava do violão. Sua canção assinatura, “Mulher De Trinta” já estava no repertório, marcando a contribuição marcante de um grande amigo, o compositor, Luiz Antonio (1921-1996), que lhe forneceria ainda muitos outros hits. Seu inconfundível estilo malicioso de dividir sambas, sambalanços, sambas sincopados, sambas-canção e boleros o projetaria ainda mais depois que entrou para o elenco da gravadora RGE. Além de ter feito história com o sacodido telecoteco típico daquela era, Miltinho deitava e rolava em maravilhas melancólicas como “Poema Do Adeus” e “Lembranças”, mergulhos profundos no feio lago do amor desfeito. Prodigioso, ele sempre se equilibrou bem nesse aparente distúrbio bipolar musical – emocional e tecnicamente. “Eu canto dois tempos atrasados, com a harmonia na frente. Sempre deixava ‘buraco’... A gente canta a música primeiro do jeito que o autor quis, depois inventa o jeito que achar melhor”, costumava explicar. Em 1967, gravou com Elza Soares o LP Elza, Miltinho e samba, fazendo misérias nos diálogos rítmicos e no improviso em cima de pot-pouris de clássicos. A fórmula se estendeu por dois outros discos com a cantora e, e 1970, ele deu início a série semelhante com Doris Monteiro – que gerou quatro lançamentos. Na segunda metade dos anos 70, apesar das tentativas de atualização do repertório (deu força a João Nogueira quando iniciante, por exemplo), Miltinho passou a ser visto como antiquado por alguns executivos de gravadora e rádio. Por preconceitos mercadológicos, ele foi deixado à margem da indústria fonográfica durante quase todos os anos 80 e boa parte da década seguinte. O emprego como servidor público garantia o sustento, e, apesar dos pesares, a injustiça artística jamais o deixou amargo. Até que, em 1998, veio o lançamento do álbum de duetos Miltinho Convida, produzido por José Milton e com participações de Chico Buarque, João Bosco, Luiz Melodia, João Nogueira, Elza Soares, Fafá de Belém e Doris Monteiro. A partir daí, valorizado, Miltinho viveu uma nova fase de reconhecimento. Chegou a participar do DVD Acústico MTV 2, com Zeca Pagodinho, em 2006 (criminosamente, seu dueto não entrou na versão em CD), e pôde comemorar em grande estilo os 80 anos, com show no Teatro Baden Powell, em Copacabana, em 2008. André Weller, músico e cineasta, registrou um pouco de sua trajetória no curta-metragem No Tempo de Miltinho (2009), disponível na web. A partir de 2009, porém, o alzheimer afastou o cantor dos palcos. Mas a memória do intérprete de “Meu Nome É Ninguém” deve prosseguir por muitas décadas. Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=VVqXCexgxE8
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Brasil perde Miltinho aos 86 anos

por em 08/09/2014
Rema
nescente da era dos grupos vocais, cantor era peça única na história da música brasileira Por Pedro Só O Brasil perdeu no domingo, aos 86 anos, um de seus mais importantes cantores: o carioca Milton Santos de Almeida. Miltinho, como ficou conhecido em todo o país, ao emplacar sucessos como “Mulher De Trinta”, sofreu parada cardíaca no Hospital do Amparo, no Rio Comprido, zona norte do Rio de Janeiro, onde estava internado havia dois meses em tratamento de um problema pulmonar. Ele era, assim como João Gilberto, sobrevivente e representante legítimo da grande tradição nacional de grupos vocais. Respeitado e elogiado por luminares de gerações mais jovens como Chico Buarque, Zeca Pagodinho e Caetano Veloso, foi vítima de erros jornalísticos em vários veículos importantes que noticiaram sua morte confundindo dados com os de Milton Lima dos Santos Filho, do MPB-4, 70 anos. Criado em Botafogo, Miltinho começou a tocar pandeiro logo que ganhou um, no Natal, aos 9 anos. Ele se gabava de ter sido o primeiro a cantar e tocar o instrumento em um grupo vocal, abafando o som das platinelas para alcançar uma suavidade original. Integrou os Namorados da Lua, com Lúcio Alves (1927-1993), os Quatro Ases e Um Coringa, e os Anjos do Inferno (com quem acompanhou Carmen Miranda, com grande sucesso nos EUA), entre outros. No começo dos anos 50, passou para um concurso púbico e tornou-se funcionário do Ministério da Fazenda, o que o obrigou a fixar-se no Rio, sem tanta disponibilidade para viagens e turnês. Assim, brilhou como crooner residente em algumas das mais importantes boates de Copacabana: Vogue, Montecarlo e, em especial, a Drink, onde esteve em cartaz por longo período como integrante do grupo do pianista e organista Djalma Ferreira,  Milionários do Ritmo. Decolou para a carreira solo em 1960, com o álbum Um Novo Astro, acompanhado do Sexteto Sideral, onde um novato chamado Baden Powell cuidava do violão. Sua canção assinatura, “Mulher De Trinta” já estava no repertório, marcando a contribuição marcante de um grande amigo, o compositor, Luiz Antonio (1921-1996), que lhe forneceria ainda muitos outros hits. Seu inconfundível estilo malicioso de dividir sambas, sambalanços, sambas sincopados, sambas-canção e boleros o projetaria ainda mais depois que entrou para o elenco da gravadora RGE. Além de ter feito história com o sacodido telecoteco típico daquela era, Miltinho deitava e rolava em maravilhas melancólicas como “Poema Do Adeus” e “Lembranças”, mergulhos profundos no feio lago do amor desfeito. Prodigioso, ele sempre se equilibrou bem nesse aparente distúrbio bipolar musical – emocional e tecnicamente. “Eu canto dois tempos atrasados, com a harmonia na frente. Sempre deixava ‘buraco’... A gente canta a música primeiro do jeito que o autor quis, depois inventa o jeito que achar melhor”, costumava explicar. Em 1967, gravou com Elza Soares o LP Elza, Miltinho e samba, fazendo misérias nos diálogos rítmicos e no improviso em cima de pot-pouris de clássicos. A fórmula se estendeu por dois outros discos com a cantora e, e 1970, ele deu início a série semelhante com Doris Monteiro – que gerou quatro lançamentos. Na segunda metade dos anos 70, apesar das tentativas de atualização do repertório (deu força a João Nogueira quando iniciante, por exemplo), Miltinho passou a ser visto como antiquado por alguns executivos de gravadora e rádio. Por preconceitos mercadológicos, ele foi deixado à margem da indústria fonográfica durante quase todos os anos 80 e boa parte da década seguinte. O emprego como servidor público garantia o sustento, e, apesar dos pesares, a injustiça artística jamais o deixou amargo. Até que, em 1998, veio o lançamento do álbum de duetos Miltinho Convida, produzido por José Milton e com participações de Chico Buarque, João Bosco, Luiz Melodia, João Nogueira, Elza Soares, Fafá de Belém e Doris Monteiro. A partir daí, valorizado, Miltinho viveu uma nova fase de reconhecimento. Chegou a participar do DVD Acústico MTV 2, com Zeca Pagodinho, em 2006 (criminosamente, seu dueto não entrou na versão em CD), e pôde comemorar em grande estilo os 80 anos, com show no Teatro Baden Powell, em Copacabana, em 2008. André Weller, músico e cineasta, registrou um pouco de sua trajetória no curta-metragem No Tempo de Miltinho (2009), disponível na web. A partir de 2009, porém, o alzheimer afastou o cantor dos palcos. Mas a memória do intérprete de “Meu Nome É Ninguém” deve prosseguir por muitas décadas. Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=VVqXCexgxE8