NOTÍCIAS

Bruna Viola tem uma missão

por em 01/09/2015
P
or Rodrigo Rocha
No meio de tantas duplas e cantores de música sertaneja, uma figura vai na contramão do gênero que domina o país: é a cantora e violeira Bruna Viola. Ser mulher dentro de um universo predominantemente masculino já é algo destoante, mas não é só isso que faz Bruna se diferenciar nesse cenário. Nascida em Cuiabá, o negócio da menina de 22 anos com sotaque caipira acentuado é - como o seu nome artístico já propõe - a moda de viola. O instrumento é levado a sério por ela desde os 11 anos, quando ia acompanhada da mãe para tocar em rádios regionais e feiras agropecuárias. Aos 15, Bruna chamou atenção após tocar em uma cena na novela Paraíso. A partir daí, "o pessoal começou a querer saber quem era aquela violeira tocando na novela". Era o caminho da profissionalização. Bruna Viola está lançando o terceiro álbum da carreira, Sem Fronteiras, mas o primeiro com o selo de uma gigante da música: a Universal Music. Mesmo com toda a sombra que uma gravadora desse porte faz, a convicção da violeira é levar a música caipira pelo Brasil. Mesmo não compondo, o repertório do disco carrega a identidade da artista em músicas como "No Ponteio Da Viola" ("Aprendi tocar viola e não tive professor/Fiz esse pagode novo só pra mostrar o meu valor") ou "Moradia", canção que a revelou para o Brasil em Paraíso. Houve uma preocupação em fazer algo mais popular nesse disco? Teve, com certeza. Apesar da minha música ("Se Você Voltar", com participação de César Menotti & Fabiano) que está tocando nas rádios agora ser uma moda de viola, a gente procurou colocar algo mais comercial e mais romântico. O CD tem um repertório bem mesclado. A música caipira – sertanejo mais tradicional – é bem aceito pelo público? Olha, em onze anos de estrada trabalhando, eu sempre busquei isso: trazer a música raiz para uma boa aceitação do público. Eu fico feliz porque eu tenho conquistado o público universitário nos shows. Nos últimos anos, o meu público maior é o universitário, eles estão curtindo a música raiz e cantando os clássicos que eu levo no show. Eu vou sempre buscar isso aí: trazer a música raiz para o comercial, para a boca da galera. Assim como no samba, o sertanejo tem muita a história de apadrinhamento. Quem te apadrinhou no começo de sua carreira? Foram o César Menotti e Fabiano mesmo, que aceitaram a participação na música "Se Você Voltar". César Menotti e Fátima Leão fizeram questão de compor para mim. Você tem uma tatuagem do Tião Carreiro... Tenho, é uma tatuagem do meu maior ídolo. Fiz em homenagem aos 20 anos da morte dele (15/10/2013). Ele é o criador do pagode da viola, é o rei da viola. O sertanejo é um meio machista? Não é não. Acho que é por falta de talentos mesmo. Antigamente tinham muitas cantoras e duplas, Irmãs Galvão, Irmãs Freitas, Mineirinhas... Sentiu dificuldades por ser mulher num meio predominantemente masculino? Graças a Deus, não. Porque meu trabalho sempre foi diferente. Uma mocinha tocando um instrumento tão raiz e tão masculino acabava espantando as pessoas e as deixando encantadas. O sertanejo que mais faz sucesso hoje em dia nas rádios te atrai? Bem pouco, viu... Não é muito meu forte não. Eu gosto de ouvir Jorge & Matheus, Matheus & Kauan, Fernando & Sorocaba, algo que tenha um conteúdo nas letras, porque a maioria dos [sertanejos] universitários não tem conteúdo, né?  E nos shows, pedem que você toque alguma coisa? Não! A galera que vai ao meu show já sabe que o que vai ouvir é moda sertaneja. Como a gente está abrangendo um mercado nacional, quando tem essas feiras agropecuárias é tuuuuuuudo sertanejo universitário. No meu dia o pessoal sabe que vai ouvir moda. O pessoal também fica meio saturado [de sertanejo universitário].
  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
RANKING COMPLETO
NOTÍCIAS

Bruna Viola tem uma missão

por em 01/09/2015
P
or Rodrigo Rocha
No meio de tantas duplas e cantores de música sertaneja, uma figura vai na contramão do gênero que domina o país: é a cantora e violeira Bruna Viola. Ser mulher dentro de um universo predominantemente masculino já é algo destoante, mas não é só isso que faz Bruna se diferenciar nesse cenário. Nascida em Cuiabá, o negócio da menina de 22 anos com sotaque caipira acentuado é - como o seu nome artístico já propõe - a moda de viola. O instrumento é levado a sério por ela desde os 11 anos, quando ia acompanhada da mãe para tocar em rádios regionais e feiras agropecuárias. Aos 15, Bruna chamou atenção após tocar em uma cena na novela Paraíso. A partir daí, "o pessoal começou a querer saber quem era aquela violeira tocando na novela". Era o caminho da profissionalização. Bruna Viola está lançando o terceiro álbum da carreira, Sem Fronteiras, mas o primeiro com o selo de uma gigante da música: a Universal Music. Mesmo com toda a sombra que uma gravadora desse porte faz, a convicção da violeira é levar a música caipira pelo Brasil. Mesmo não compondo, o repertório do disco carrega a identidade da artista em músicas como "No Ponteio Da Viola" ("Aprendi tocar viola e não tive professor/Fiz esse pagode novo só pra mostrar o meu valor") ou "Moradia", canção que a revelou para o Brasil em Paraíso. Houve uma preocupação em fazer algo mais popular nesse disco? Teve, com certeza. Apesar da minha música ("Se Você Voltar", com participação de César Menotti & Fabiano) que está tocando nas rádios agora ser uma moda de viola, a gente procurou colocar algo mais comercial e mais romântico. O CD tem um repertório bem mesclado. A música caipira – sertanejo mais tradicional – é bem aceito pelo público? Olha, em onze anos de estrada trabalhando, eu sempre busquei isso: trazer a música raiz para uma boa aceitação do público. Eu fico feliz porque eu tenho conquistado o público universitário nos shows. Nos últimos anos, o meu público maior é o universitário, eles estão curtindo a música raiz e cantando os clássicos que eu levo no show. Eu vou sempre buscar isso aí: trazer a música raiz para o comercial, para a boca da galera. Assim como no samba, o sertanejo tem muita a história de apadrinhamento. Quem te apadrinhou no começo de sua carreira? Foram o César Menotti e Fabiano mesmo, que aceitaram a participação na música "Se Você Voltar". César Menotti e Fátima Leão fizeram questão de compor para mim. Você tem uma tatuagem do Tião Carreiro... Tenho, é uma tatuagem do meu maior ídolo. Fiz em homenagem aos 20 anos da morte dele (15/10/2013). Ele é o criador do pagode da viola, é o rei da viola. O sertanejo é um meio machista? Não é não. Acho que é por falta de talentos mesmo. Antigamente tinham muitas cantoras e duplas, Irmãs Galvão, Irmãs Freitas, Mineirinhas... Sentiu dificuldades por ser mulher num meio predominantemente masculino? Graças a Deus, não. Porque meu trabalho sempre foi diferente. Uma mocinha tocando um instrumento tão raiz e tão masculino acabava espantando as pessoas e as deixando encantadas. O sertanejo que mais faz sucesso hoje em dia nas rádios te atrai? Bem pouco, viu... Não é muito meu forte não. Eu gosto de ouvir Jorge & Matheus, Matheus & Kauan, Fernando & Sorocaba, algo que tenha um conteúdo nas letras, porque a maioria dos [sertanejos] universitários não tem conteúdo, né?  E nos shows, pedem que você toque alguma coisa? Não! A galera que vai ao meu show já sabe que o que vai ouvir é moda sertaneja. Como a gente está abrangendo um mercado nacional, quando tem essas feiras agropecuárias é tuuuuuuudo sertanejo universitário. No meu dia o pessoal sabe que vai ouvir moda. O pessoal também fica meio saturado [de sertanejo universitário].