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César Menotti & Fabiano reúnem gerações do sertanejo em novo DVD

Memórias II dá continuidade ao projeto que conta a história do gênero por meio das suas músicas

por Rebecca Silva em 14/06/2017

Três anos após o lançamento de Memórias Anos 80 e 90, a dupla sertaneja César Menotti & Fabiano está de volta com a segunda parte do projeto: Memórias II continua a contar a história da música sertaneja por meio de releituras de clássicos, mas dessa vez com ajudas especiais.

A dupla convidou artistas de diferentes gerações do gênero para participar do projeto. Rionegro & Solimões, Milionário e Marciano, Zezé Di Camargo & Luciano, Roberta Miranda, Bruno & Marrone, Luan Santana, Maiara & Maraisa, Zé Neto & Cristiano, Fernando & Sorocaba foram os convidados para o novo trabalho.

A Billboard Brasil conversou com a dupla sobre o processo de criação do DVD e o momento atual para o gênero no Brasil.

Na primeira edição deste trabalho, vocês optaram por gravarem o DVD sozinhos. Dessa vez, convidaram diferentes artistas. Como foi a escolha dos nomes?

O outro a gente não chamou ninguém porque era uma coisa muito nossa. Gravamos o trabalho para matar nossa vontade de cantar as músicas que foram a base da nossa carreira, dos anos 1980 e 1990. Nesse, a gente quis chamar os amigos para compartilhar com a gente. Como o primeiro trabalho foi muito bem aceito, decidimos fazer mais essa e resolvemos dividir: chamamos o grupo das antigas, que foram referências e uma turma mais nova, que chegou depois da gente. Foi um encontro de amigos.

Da outra vez foi algo mais pessoal, então?

Sim, porque foi o primeiro. Quando você tem um projeto na cabeça, você nunca sabe o que vai acontecer. Você sonha, mas não tem certeza. A gente sonhava em cantar o que a gente gostava. Escolhemos as músicas, fizemos os arranjos. No primeiro projeto, nem teve ensaio. Fizemos o CD, foi muito bom. Daí, fizemos o DVD. A gente chegou e cantou, sem ensaio porque era o que a gente fazia sempre quando estava de folga, com os amigos. Não foi egoísmo, foi algo nosso mesmo.

Como vocês são influenciados pelo sertanejo de duas gerações tão diferentes?

Se a gente fosse chamar todos os amigos para participar, não caberia em um DVD só. A gente escolheu quem tínhamos afinidade. Foi muito particular, chamamos porque tinha intimidade e afinidade musical, conseguimos juntar os dois. Nos damos muito bem com a turma antiga e a turma mais nova porque ficamos no meio dessa história. O sertanejo vinha no seu curso normal, a gente apareceu e graças a Deus muitas portas abriram e surgiram novos artistas que estavam precisando da oportunidade e que hoje são sucesso no Brasil inteiro.

No DVD, vocês trazem Roberta Miranda e Maiara & Maraisa. Como veem esse momento de explosão para o sertanejo feminino?

Elas sempre estiveram aí, mas na verdade, houve uma saturação do gênero nos últimos anos. Muitos eventos, muitos artistas. E uma novidade nessas horas sempre vem como uma flecha. Essas mulheres com um repertório tão comercial, tão carismáticas, preparadas. Elas já trabalhavam antes, sem serem conhecidas. Quando aconteceu a oportunidade, elas já estavam preparadas para o que estava acontecendo. Foi uma brecha que elas aproveitaram muito bem e acho que não saem mais.

O sertanejo sempre valorizou muito as parcerias e agora outros gêneros também estão investindo em colaborações. Como vocês veem esse momento da música no Brasil?

As parcerias sempre existiram, desde o começo. Hoje vejo também como uma fuga para a realidade do mercado. Temos que nos adaptar para um Brasil em crise, onde as pessoas não têm condição de bancar festas todo fim de semana. Foram criados os grandes festivais que deram muito certo. A união dos artistas colaborou para isso, porque aconteceu naturalmente, sem nenhum propósito comercial.

Vocês vão se apresentar na edição deste ano do Villa Mix Festival em Goiânia, que começou focado no sertanejo e agora tem convidado artistas de outros gêneros. Qual a expectativa?

O Villa Mix cresceu demais, muito. Ele precisava arranjar alguma coisa para continuar a crescer, ter o desempenho. Tem o maior palco do mundo, vai bater o próprio recorde este ano. As atrações são sucessos do Brasil. Agora vieram com a ideia de trazer atrações internacionais para levar o nome do festival para o mundo. Foi muito acertada a escolha da Demi Lovato, quando lançaram o nome dela, eu estava com os organizadores. Cinco, dez minutos depois, começaram a ligar de toda a América do Sul querendo saber sobre o evento. Vai ser uma festa maravilhosa, dessa vez com dois dias. Será inesquecível e para ser sincero, uma das maiores do Brasil.

Vocês têm interesse em cantar com artistas de outros gêneros e, quem sabe, de fora do país?

Com certeza. Já gravamos com artistas de outros segmentos aqui do Brasil e a música tenta quebrar fronteiras para ultrapassar barreiras. Por que não sonhar em gravar com alguém de fora, um ritmo latino? Quem sabe até em inglês? A gente sonha sim e procura as alternativas para poder chegar nisso.

Agora as pessoas lá de fora parecem estar mais interessadas no que rola por aqui, né?

O brasileiro já teve notoriedade muito grande fora do Brasil com a bossa nova, por exemplo. Mas para a nossa música mais popular, do povão, só viraram os olhos para cá depois do Michel com “Ai Se Eu Te Pego”. Todos os grandes artistas já fizeram show aqui, é um país que dá muito público, dá uma renda muito boa. Agora, começaram a abrir as portas para cantarmos lá fora. Começamos pela América Latina. Jorge & Mateus gravaram com Maná, Michel Teló gravou com Carlos Vives, Paula Fernandes gravou com Pablo López.

Muitos artistas de outros gêneros estão gastando menos na mídia física, tradicional, e investindo no digital. O sertanejo permanece trabalhando o formato DVD. Para vocês, ainda vale a pena?

Quando se fala em mídia física, parece que está acabando porque o digital está muito forte. Você tem na mão, no celular, na mesma hora que é lançado. Antigamente, com a pirataria, você precisava estar na rua, no bar, para passar alguém oferecendo o CD. Hoje, não. Imediatamente após lançado já está na internet. Eu acho que vai chegar um ponto que a mídia física não vai mais ter força para continuar. Mas as produções de DVD vão continuar existindo. Você passa mais coisa do que a música, você conta uma história, é gostoso de assistir. É o segundo que vamos contar a história da música sertaneja.

E vocês já estão com plano para o próximo DVD enquanto lançam esse?

A gente não pode parar [risos]. Vamos contar a terceira parte dessa história do sertanejo, mas dessa vez a nossa. Com cada música, onde ouvimos, como foi feita. É um DVD musical, contando a história por traz de cada uma. É um documento.

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Memórias II dá continuidade ao projeto que conta a história do gênero por meio das suas músicas

por Rebecca Silva em 14/06/2017

Três anos após o lançamento de Memórias Anos 80 e 90, a dupla sertaneja César Menotti & Fabiano está de volta com a segunda parte do projeto: Memórias II continua a contar a história da música sertaneja por meio de releituras de clássicos, mas dessa vez com ajudas especiais.

A dupla convidou artistas de diferentes gerações do gênero para participar do projeto. Rionegro & Solimões, Milionário e Marciano, Zezé Di Camargo & Luciano, Roberta Miranda, Bruno & Marrone, Luan Santana, Maiara & Maraisa, Zé Neto & Cristiano, Fernando & Sorocaba foram os convidados para o novo trabalho.

A Billboard Brasil conversou com a dupla sobre o processo de criação do DVD e o momento atual para o gênero no Brasil.

Na primeira edição deste trabalho, vocês optaram por gravarem o DVD sozinhos. Dessa vez, convidaram diferentes artistas. Como foi a escolha dos nomes?

O outro a gente não chamou ninguém porque era uma coisa muito nossa. Gravamos o trabalho para matar nossa vontade de cantar as músicas que foram a base da nossa carreira, dos anos 1980 e 1990. Nesse, a gente quis chamar os amigos para compartilhar com a gente. Como o primeiro trabalho foi muito bem aceito, decidimos fazer mais essa e resolvemos dividir: chamamos o grupo das antigas, que foram referências e uma turma mais nova, que chegou depois da gente. Foi um encontro de amigos.

Da outra vez foi algo mais pessoal, então?

Sim, porque foi o primeiro. Quando você tem um projeto na cabeça, você nunca sabe o que vai acontecer. Você sonha, mas não tem certeza. A gente sonhava em cantar o que a gente gostava. Escolhemos as músicas, fizemos os arranjos. No primeiro projeto, nem teve ensaio. Fizemos o CD, foi muito bom. Daí, fizemos o DVD. A gente chegou e cantou, sem ensaio porque era o que a gente fazia sempre quando estava de folga, com os amigos. Não foi egoísmo, foi algo nosso mesmo.

Como vocês são influenciados pelo sertanejo de duas gerações tão diferentes?

Se a gente fosse chamar todos os amigos para participar, não caberia em um DVD só. A gente escolheu quem tínhamos afinidade. Foi muito particular, chamamos porque tinha intimidade e afinidade musical, conseguimos juntar os dois. Nos damos muito bem com a turma antiga e a turma mais nova porque ficamos no meio dessa história. O sertanejo vinha no seu curso normal, a gente apareceu e graças a Deus muitas portas abriram e surgiram novos artistas que estavam precisando da oportunidade e que hoje são sucesso no Brasil inteiro.

No DVD, vocês trazem Roberta Miranda e Maiara & Maraisa. Como veem esse momento de explosão para o sertanejo feminino?

Elas sempre estiveram aí, mas na verdade, houve uma saturação do gênero nos últimos anos. Muitos eventos, muitos artistas. E uma novidade nessas horas sempre vem como uma flecha. Essas mulheres com um repertório tão comercial, tão carismáticas, preparadas. Elas já trabalhavam antes, sem serem conhecidas. Quando aconteceu a oportunidade, elas já estavam preparadas para o que estava acontecendo. Foi uma brecha que elas aproveitaram muito bem e acho que não saem mais.

O sertanejo sempre valorizou muito as parcerias e agora outros gêneros também estão investindo em colaborações. Como vocês veem esse momento da música no Brasil?

As parcerias sempre existiram, desde o começo. Hoje vejo também como uma fuga para a realidade do mercado. Temos que nos adaptar para um Brasil em crise, onde as pessoas não têm condição de bancar festas todo fim de semana. Foram criados os grandes festivais que deram muito certo. A união dos artistas colaborou para isso, porque aconteceu naturalmente, sem nenhum propósito comercial.

Vocês vão se apresentar na edição deste ano do Villa Mix Festival em Goiânia, que começou focado no sertanejo e agora tem convidado artistas de outros gêneros. Qual a expectativa?

O Villa Mix cresceu demais, muito. Ele precisava arranjar alguma coisa para continuar a crescer, ter o desempenho. Tem o maior palco do mundo, vai bater o próprio recorde este ano. As atrações são sucessos do Brasil. Agora vieram com a ideia de trazer atrações internacionais para levar o nome do festival para o mundo. Foi muito acertada a escolha da Demi Lovato, quando lançaram o nome dela, eu estava com os organizadores. Cinco, dez minutos depois, começaram a ligar de toda a América do Sul querendo saber sobre o evento. Vai ser uma festa maravilhosa, dessa vez com dois dias. Será inesquecível e para ser sincero, uma das maiores do Brasil.

Vocês têm interesse em cantar com artistas de outros gêneros e, quem sabe, de fora do país?

Com certeza. Já gravamos com artistas de outros segmentos aqui do Brasil e a música tenta quebrar fronteiras para ultrapassar barreiras. Por que não sonhar em gravar com alguém de fora, um ritmo latino? Quem sabe até em inglês? A gente sonha sim e procura as alternativas para poder chegar nisso.

Agora as pessoas lá de fora parecem estar mais interessadas no que rola por aqui, né?

O brasileiro já teve notoriedade muito grande fora do Brasil com a bossa nova, por exemplo. Mas para a nossa música mais popular, do povão, só viraram os olhos para cá depois do Michel com “Ai Se Eu Te Pego”. Todos os grandes artistas já fizeram show aqui, é um país que dá muito público, dá uma renda muito boa. Agora, começaram a abrir as portas para cantarmos lá fora. Começamos pela América Latina. Jorge & Mateus gravaram com Maná, Michel Teló gravou com Carlos Vives, Paula Fernandes gravou com Pablo López.

Muitos artistas de outros gêneros estão gastando menos na mídia física, tradicional, e investindo no digital. O sertanejo permanece trabalhando o formato DVD. Para vocês, ainda vale a pena?

Quando se fala em mídia física, parece que está acabando porque o digital está muito forte. Você tem na mão, no celular, na mesma hora que é lançado. Antigamente, com a pirataria, você precisava estar na rua, no bar, para passar alguém oferecendo o CD. Hoje, não. Imediatamente após lançado já está na internet. Eu acho que vai chegar um ponto que a mídia física não vai mais ter força para continuar. Mas as produções de DVD vão continuar existindo. Você passa mais coisa do que a música, você conta uma história, é gostoso de assistir. É o segundo que vamos contar a história da música sertaneja.

E vocês já estão com plano para o próximo DVD enquanto lançam esse?

A gente não pode parar [risos]. Vamos contar a terceira parte dessa história do sertanejo, mas dessa vez a nossa. Com cada música, onde ouvimos, como foi feita. É um DVD musical, contando a história por traz de cada uma. É um documento.