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Com Axl rejuvenescido, Guns N’ Roses faz show digno do retorno em São Paulo

Apresentação recheada de hits e covers mostra fôlego que outrora parecia ter se perdido para sempre

Guns N' Roses - 11 de novembro de 2016 - Allianz Parque (São Paulo)

Um show do Guns N’ Roses com menos de duas horas de atraso não é um show do Guns N’ Roses. Mas parece que, depois de 23 anos sem tocarem juntos, Axl Rose, Slash e Duff McKagan decidiram mudar algumas condutas. Na apresentação do Allianz Parque, na noite desta sexta-feira (11/11), em São Paulo, a banda subiu ao palco com apenas 30 minutos de atraso.

Com o estádio lotado, a organização abriu um show extra da banda em São Paulo para este sábado (12/11). Os fãs que chegaram à Barra Funda às 10h da manhã espremiam-se na grade ao som do costumeiro grito “GUNS N ROSES” (naquele ritmo que o brasileiro consegue encaixar o nome de qualquer artista gringo). Para a banda americana, 30 min não é atraso, é chegar cedo, na verdade. Em Porto Alegre, na última terça-feira (8/11), foi o tempo mínimo de 1h30 de espera.

Sem saudações nem conversinha, o grupo explodiu com “It's So Easy”, do álbum de estreia, para abrir uma apresentação cheia de hits (sim, teve “Civil War” e fechamento pirotécnico com “Paradise City”), covers (além dos já esperados Dylan e Wings) e três do Chinese Democracy, disco de 2008 que não teve a participação de Slash, o qual, por sua vez, deu uma polida em cada uma.

Mas não é só guitarrista, que pediu aparelhos de academia no camarim, que está em forma. Depois de mais de uma década sem fôlego para fazer as apresentações com a presença de palco e a voz que lhe tonaram o maior rock star do fim dos anos 1980, Axl Rose volta a se apresentar com o domínio de ambas. A cada música a voz, mais aquecida, se aprimorava: em “Nightrain”, última antes do bis, estava (quase) tão boa quanto na gravação original de 1987.

Axl não só estava melhor fisicamente como incrivelmente mais calmo, em sua versão “paz e amor”: não reclamou, não atrasou horas e não brigou com ninguém. Ao público, no entanto, só se dirigiu uma vez ao público para cantar uma antiga história de estúdio.

Sua interação com Slash também não foi das mais calorosas. Toda a intensidade que os dois músicos entregavam ao que faziam não repercutia na relação entre eles. O público, sedento por um contato (uma boa foto do telão, talvez), urrava todas as vezes em que os dois se aproximavam. Seguiram o protocolo. O que ficou claro é que, mesmo com o retorno do Axl ativo, quem comanda hoje o espírito da banda é o guitarrista.

Único dos três a não trocar de roupa (Axl fez isso quatro vezes) e a não sair do palco, Slash ditou o tom das quase 2h30 de apresentação. Sua guitarra potente a melódica traz de volta o prazer em ouvir a desgastada “Sweet Child O' Mine” e dá o sentido verdadeiro a “November Rain”, algo que o excelente guitarrista-base Richard Fortus nunca conseguiu fazer na ausência do cabeludo.

O mesmo pode-se dizer dos diversos covers. Embora Axl  tenha conseguido voltar a quase 20 anos ao cantar “Knockin' on Heaven's Door” e ter aprimorado a sua versão de “The Seeker”, do Who, que começou a cantar há pouco tempo, é nas mãos dos guitarristas que a brincadeira de “Wish You Were Here”, do Pink Floyd, e o tema de O Poderoso Chefão ganham a intensidade necessária. Até “Chinese Democracy”, faixa título do álbum que Slash não participou, ganhou uma nova e melhorada roupagem.

A melancolia abençoada por Leonard Cohen, morto nesta quinta-feira (10/11) e homenageado no final do show, pedia que a chuva continuasse durante “November Rain”, mas o deuses do rock preferem a ironia e este foi um dos poucos momentos em que não choveu na noite.

Em um dos momentos de maior intensidade da chuva, Axl, no meio do toró com seu chapéu Crocodilo Dundee, fez um sinal de “Ué!?” quando viu parte da pista premium fugir para as partes cobertas da arquibancada, nas laterais. Os que restaram, por sua vez, aproveitaram o espaço para pular ao som de “You Could Be Mine”, que o vocalista, mais uma vez, tirou de letra.

Talvez mais importante do que ressaltar a quase formação clássica do Guns N’ Roses depois de tanto tempo seja destacar o bom momento em que os membros da banda vivem individualmente. Se claramente ainda falta certa empatia, tudo é substituído por um Axl Rose o mais perto possível do início dos anos 1990 e um Slash onipotente com sua guitarra. Mais interessante ainda seria se essa boa fase trouxesse um disco novo.

À beira dos 30 anos, a banda que estava há 20 anos sem um de seus principais elementos volta ao Brasil mais em forma do que das últimas vezes. O conturbado e insosso show no mesmo local, mas ainda Palestra Itália, em 2009, e o desastroso e criticado show do Rock in Rio em 2011 tinham deixado uma imagem o tanto quanto desgastada da banda americana por aqui. Essa reunião prometia lavar a alma. E lavou.

Além deste sábado(12) em São Paulo, a banda se apresenta terça-feira (12) no Rio de Janeiro, quinta-feira (17) em Curitiba e no domingo (20) em Brasília.

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Com Axl rejuvenescido, Guns N’ Roses faz show digno do retorno em São Paulo

Apresentação recheada de hits e covers mostra fôlego que outrora parecia ter se perdido para sempre

por Lucas Borges Teixeira em 12/11/2016

Guns N' Roses - 11 de novembro de 2016 - Allianz Parque (São Paulo)

Um show do Guns N’ Roses com menos de duas horas de atraso não é um show do Guns N’ Roses. Mas parece que, depois de 23 anos sem tocarem juntos, Axl Rose, Slash e Duff McKagan decidiram mudar algumas condutas. Na apresentação do Allianz Parque, na noite desta sexta-feira (11/11), em São Paulo, a banda subiu ao palco com apenas 30 minutos de atraso.

Com o estádio lotado, a organização abriu um show extra da banda em São Paulo para este sábado (12/11). Os fãs que chegaram à Barra Funda às 10h da manhã espremiam-se na grade ao som do costumeiro grito “GUNS N ROSES” (naquele ritmo que o brasileiro consegue encaixar o nome de qualquer artista gringo). Para a banda americana, 30 min não é atraso, é chegar cedo, na verdade. Em Porto Alegre, na última terça-feira (8/11), foi o tempo mínimo de 1h30 de espera.

Sem saudações nem conversinha, o grupo explodiu com “It's So Easy”, do álbum de estreia, para abrir uma apresentação cheia de hits (sim, teve “Civil War” e fechamento pirotécnico com “Paradise City”), covers (além dos já esperados Dylan e Wings) e três do Chinese Democracy, disco de 2008 que não teve a participação de Slash, o qual, por sua vez, deu uma polida em cada uma.

Mas não é só guitarrista, que pediu aparelhos de academia no camarim, que está em forma. Depois de mais de uma década sem fôlego para fazer as apresentações com a presença de palco e a voz que lhe tonaram o maior rock star do fim dos anos 1980, Axl Rose volta a se apresentar com o domínio de ambas. A cada música a voz, mais aquecida, se aprimorava: em “Nightrain”, última antes do bis, estava (quase) tão boa quanto na gravação original de 1987.

Axl não só estava melhor fisicamente como incrivelmente mais calmo, em sua versão “paz e amor”: não reclamou, não atrasou horas e não brigou com ninguém. Ao público, no entanto, só se dirigiu uma vez ao público para cantar uma antiga história de estúdio.

Sua interação com Slash também não foi das mais calorosas. Toda a intensidade que os dois músicos entregavam ao que faziam não repercutia na relação entre eles. O público, sedento por um contato (uma boa foto do telão, talvez), urrava todas as vezes em que os dois se aproximavam. Seguiram o protocolo. O que ficou claro é que, mesmo com o retorno do Axl ativo, quem comanda hoje o espírito da banda é o guitarrista.

Único dos três a não trocar de roupa (Axl fez isso quatro vezes) e a não sair do palco, Slash ditou o tom das quase 2h30 de apresentação. Sua guitarra potente a melódica traz de volta o prazer em ouvir a desgastada “Sweet Child O' Mine” e dá o sentido verdadeiro a “November Rain”, algo que o excelente guitarrista-base Richard Fortus nunca conseguiu fazer na ausência do cabeludo.

O mesmo pode-se dizer dos diversos covers. Embora Axl  tenha conseguido voltar a quase 20 anos ao cantar “Knockin' on Heaven's Door” e ter aprimorado a sua versão de “The Seeker”, do Who, que começou a cantar há pouco tempo, é nas mãos dos guitarristas que a brincadeira de “Wish You Were Here”, do Pink Floyd, e o tema de O Poderoso Chefão ganham a intensidade necessária. Até “Chinese Democracy”, faixa título do álbum que Slash não participou, ganhou uma nova e melhorada roupagem.

A melancolia abençoada por Leonard Cohen, morto nesta quinta-feira (10/11) e homenageado no final do show, pedia que a chuva continuasse durante “November Rain”, mas o deuses do rock preferem a ironia e este foi um dos poucos momentos em que não choveu na noite.

Em um dos momentos de maior intensidade da chuva, Axl, no meio do toró com seu chapéu Crocodilo Dundee, fez um sinal de “Ué!?” quando viu parte da pista premium fugir para as partes cobertas da arquibancada, nas laterais. Os que restaram, por sua vez, aproveitaram o espaço para pular ao som de “You Could Be Mine”, que o vocalista, mais uma vez, tirou de letra.

Talvez mais importante do que ressaltar a quase formação clássica do Guns N’ Roses depois de tanto tempo seja destacar o bom momento em que os membros da banda vivem individualmente. Se claramente ainda falta certa empatia, tudo é substituído por um Axl Rose o mais perto possível do início dos anos 1990 e um Slash onipotente com sua guitarra. Mais interessante ainda seria se essa boa fase trouxesse um disco novo.

À beira dos 30 anos, a banda que estava há 20 anos sem um de seus principais elementos volta ao Brasil mais em forma do que das últimas vezes. O conturbado e insosso show no mesmo local, mas ainda Palestra Itália, em 2009, e o desastroso e criticado show do Rock in Rio em 2011 tinham deixado uma imagem o tanto quanto desgastada da banda americana por aqui. Essa reunião prometia lavar a alma. E lavou.

Além deste sábado(12) em São Paulo, a banda se apresenta terça-feira (12) no Rio de Janeiro, quinta-feira (17) em Curitiba e no domingo (20) em Brasília.