NOTÍCIAS

Com Raimundos consagrado e karaokê do Guns N’ Roses, Planeta Brasil reúne 20 mil no Mineirão

por em 26/03/2014
Imagem: Carlos Hauck

Um bom gargarejo antes do show é recomendável para quem estiver pensando em assistir ao Guns N’ Roses nesta sexta, em São Paulo, ou nas cinco datas seguintes que o grupo americano cumprirá no país na sequência. No último sábado, a banda encerrou a quinta edição do festival Planeta Brasil, em Belo Horizonte (MG), e quem teve de se encarregar da cantoria foi a massa de 20 mil pagantes, uma vez que a voz de Axl Rose mal podia ser ouvida. Não era um problema do evento, que espalhou suas atrações por três palcos na esplanada do Mineirão (área cimentada no entorno do estádio); uma estrutura bastante decente, sendo o único senão a falta de comprometimento com os horários determinados para os inícios das apresentações. Axl, que atrasou apenas meia hora para aparecer em cena (um recorde para quem chega a cozinhar o público por quatro horas), parece preferir que seu microfone seja equalizado num volume mais baixo que o dos outros instrumentos. Assim, cria-se uma dúvida sobre sua condição vocal. Estaria ela péssima mesmo? Ou seria um problema no som? No vento? No ouvido dos presentes? Em certa passagem de “Estranged”, a voz veio. A plateia chegou a aplaudir o momento, como se fora um solo. Já em clássicos como “Sweet Child O’ Mine” e “November Rain”, que apareceram mais para o final da performance de duas horas e meia, os fãs assumiram que estavam numa espécie de karaokê de luxo e assumiram a bronca.

Não bastasse esse “pequeno detalhe”, o Guns segue dispersando a maior parte de sua audiência insistindo em músicas de Chinese Democracy, disco de 2008 que não emplacou nenhum hit nem emplacará. Não há qualquer faixa mais recente do Guns que remeta aos primórdios do conjunto, quando ele soava como uma versão acelerada do Aerosmith. Por sorte, “Mr, Brownstone”, “It’s So Easy”, “Rocket Queen” e “Nightrain” foram executadas na capital mineira, trazendo a lembrança da produção mais fina do Guns (“My Michelle” estava no setlist, mas foi pulada). Também é salutar que a banda siga recuperando hinos roqueiros, ainda que seus seguidores ignorem quase todos. Em seu momento de destaque, o baixista Tommy Stinson, que tocará com o Replacements, seu grupo original, no próximo festival Coachella, cantou “Teenage Kicks”, pedrada punk do Undertones, também conhecida como a canção favorita do lendário disc-jóquei inglês John Peel (1939-2004). No bis, antes de “The Seeker”, cover do The Who que o Guns ainda não havia mostrado no Brasil, os guitarristas Bumblefoot e Richard Fortus transformaram a introdução de “Patience” em “You Can’t Always Get What You Want”. Além de ser uma bela homenagem a Mick Jagger, numa das semanas mais difíceis de sua vida, a música entrou para a enorme lista de criações dos Rolling Stones a ganhar releitura dos comandados por Axl.

Slightly Stoopid e B-Real, a voz nasalada do Cypress Hill, eram os outros nomes internacionais do evento. Fizeram shows tímidos se comparados aos do elenco nacional. Em vez dos onipresentes Skank, Jota Quest e Capital Inicial, o Planeta Brasil apostou em Natiruts, Frejat, Criolo e Raimundos, com destaque para o último. Treze anos após a saída do vocalista Rodolfo Abrantes, a banda voltou a contar com a simpatia de um público volumoso, deixando a impressão de que será disputada por grandes festivais após um ingrato período em que era contestada até mesmo no circuito independente. O quarteto ignorou completamente o álbum que acaba de lançar e entregou só sucessos. Na bateria, chamou a atenção a presença do baterista Fred, que saiu da formação em 2007, mas aceitou substituir o atual titular Caio, ocupado com a morte de um cunhado. “Eu falei para eles: vou sair da banda, mas nunca deixarei vocês na mão”, disse Fred no dia seguinte, esperando a van que levaria os músicos do hotel para o aeroporto. “O show foi clássico demais, não? O mérito de tudo isso que está acontecendo com os Raimundos hoje é do Digão. Ele segurou todos os rojões”, completou o baterista, hoje acompanhando a cantora Érika Martins, entre outros trabalhos.

Digão, dos Raimundos - Imagem: Carlos Hauck

  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
Saudade
Eduardo Costa
3
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
Aquela Pessoa
Henrique & Juliano
RANKING COMPLETO
NOTÍCIAS

Com Raimundos consagrado e karaokê do Guns N’ Roses, Planeta Brasil reúne 20 mil no Mineirão

por em 26/03/2014
Imagem: Carlos Hauck

Um bom gargarejo antes do show é recomendável para quem estiver pensando em assistir ao Guns N’ Roses nesta sexta, em São Paulo, ou nas cinco datas seguintes que o grupo americano cumprirá no país na sequência. No último sábado, a banda encerrou a quinta edição do festival Planeta Brasil, em Belo Horizonte (MG), e quem teve de se encarregar da cantoria foi a massa de 20 mil pagantes, uma vez que a voz de Axl Rose mal podia ser ouvida. Não era um problema do evento, que espalhou suas atrações por três palcos na esplanada do Mineirão (área cimentada no entorno do estádio); uma estrutura bastante decente, sendo o único senão a falta de comprometimento com os horários determinados para os inícios das apresentações. Axl, que atrasou apenas meia hora para aparecer em cena (um recorde para quem chega a cozinhar o público por quatro horas), parece preferir que seu microfone seja equalizado num volume mais baixo que o dos outros instrumentos. Assim, cria-se uma dúvida sobre sua condição vocal. Estaria ela péssima mesmo? Ou seria um problema no som? No vento? No ouvido dos presentes? Em certa passagem de “Estranged”, a voz veio. A plateia chegou a aplaudir o momento, como se fora um solo. Já em clássicos como “Sweet Child O’ Mine” e “November Rain”, que apareceram mais para o final da performance de duas horas e meia, os fãs assumiram que estavam numa espécie de karaokê de luxo e assumiram a bronca.

Não bastasse esse “pequeno detalhe”, o Guns segue dispersando a maior parte de sua audiência insistindo em músicas de Chinese Democracy, disco de 2008 que não emplacou nenhum hit nem emplacará. Não há qualquer faixa mais recente do Guns que remeta aos primórdios do conjunto, quando ele soava como uma versão acelerada do Aerosmith. Por sorte, “Mr, Brownstone”, “It’s So Easy”, “Rocket Queen” e “Nightrain” foram executadas na capital mineira, trazendo a lembrança da produção mais fina do Guns (“My Michelle” estava no setlist, mas foi pulada). Também é salutar que a banda siga recuperando hinos roqueiros, ainda que seus seguidores ignorem quase todos. Em seu momento de destaque, o baixista Tommy Stinson, que tocará com o Replacements, seu grupo original, no próximo festival Coachella, cantou “Teenage Kicks”, pedrada punk do Undertones, também conhecida como a canção favorita do lendário disc-jóquei inglês John Peel (1939-2004). No bis, antes de “The Seeker”, cover do The Who que o Guns ainda não havia mostrado no Brasil, os guitarristas Bumblefoot e Richard Fortus transformaram a introdução de “Patience” em “You Can’t Always Get What You Want”. Além de ser uma bela homenagem a Mick Jagger, numa das semanas mais difíceis de sua vida, a música entrou para a enorme lista de criações dos Rolling Stones a ganhar releitura dos comandados por Axl.

Slightly Stoopid e B-Real, a voz nasalada do Cypress Hill, eram os outros nomes internacionais do evento. Fizeram shows tímidos se comparados aos do elenco nacional. Em vez dos onipresentes Skank, Jota Quest e Capital Inicial, o Planeta Brasil apostou em Natiruts, Frejat, Criolo e Raimundos, com destaque para o último. Treze anos após a saída do vocalista Rodolfo Abrantes, a banda voltou a contar com a simpatia de um público volumoso, deixando a impressão de que será disputada por grandes festivais após um ingrato período em que era contestada até mesmo no circuito independente. O quarteto ignorou completamente o álbum que acaba de lançar e entregou só sucessos. Na bateria, chamou a atenção a presença do baterista Fred, que saiu da formação em 2007, mas aceitou substituir o atual titular Caio, ocupado com a morte de um cunhado. “Eu falei para eles: vou sair da banda, mas nunca deixarei vocês na mão”, disse Fred no dia seguinte, esperando a van que levaria os músicos do hotel para o aeroporto. “O show foi clássico demais, não? O mérito de tudo isso que está acontecendo com os Raimundos hoje é do Digão. Ele segurou todos os rojões”, completou o baterista, hoje acompanhando a cantora Érika Martins, entre outros trabalhos.

Digão, dos Raimundos - Imagem: Carlos Hauck