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Com show “gêmeo”, Paul McCartney se despede do Brasil

por em 27/11/2014
ong>Por Maurício Amendola Uma das únicas diferenças do setlist da segunda noite de Paul McCartney no Allianz Parque para a primeira foi mostrada logo de cara: trocou-se o “yeah yeah yeah” de “Eight Days A Week” pelo anúncio lisérgico de “Magical Mystery Tour”. O que, para quem está ligado nas escolhas do músico, está bem longe de ser uma novidade. Então, que há para se falar de um show praticamente idêntico ao da noite anterior, sem cair na descrição da previsível sequência de canções? Além do beatle proporcionar uma experiência única para cada presente – mesmo se tocasse no circuito SESC em todos os finais de semana –, com o show de ontem, o Brasil pode se gabar ainda mais de um vínculo impressionante: somos o sexto país que mais recebeu espetáculos de Paul. Com a 20ª (!) apresentação dele nas terras tupiniquins, estamos a um show do Canadá e atrás apenas dos gigantes Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Japão. O “É nois!” proferido ontem e anteontem pelo músico é mais do que honesto. Os 16 shows que Paul fez por aqui a partir de 2010 quase sempre tiveram o mesmo esquema de dobradinha desta semana, o que, mais do que a quantidade, expõe a variedade de fãs dos Beatles. Ontem, o conflito de gerações caiu por terra já nos primeiros acordes do patrimônio cultural “All My Loving” e, ainda mais que a na noite anterior, via-se pessoas de mais idade dançando e se emocionando ao som do velho Macca. É provável que a presença mais marcante da velha guarda seja evidenciada nas segundas sessões do beatle. Aqueles que não estavam no pique de acordar cedinho, se esbofetear virtualmente por um ingresso do primeiro dia, ou entrar numa fila cujo triunfo é incerto, também tiveram sua segunda chance. E por isso Paul é o maior badass da música mundial: todos querem vê-lo. A segunda noite foi anunciada quatro dias depois que os ingressos da primeira – divulgada, vendida e esgotada em menos de uma semana – acabaram. Muita gente só se ligou na oportunidade a tempo de ir ao show do dia 26. Além disso, ontem, percebia-se mais claramente os vários níveis de idolatria ao beatle. Havia, claro, os fanáticos de carteirinha cantando “All Together Now” com a mesma animação com que entoavam “Let Me Roll It”. Mas tinha espaço para todo mundo: para quem só conhecia as dos Beatles; para quem só sabia as da fase iê-iê-iê; e para quem só cantava algumas e estava lá porque, afinal de contas, estamos falando de um artista que até poser conhece, pelo menos, dez músicas.PAUL 2 No palco, os clichês adoráveis e certeiros do velho Macca, o pai de todos: frases em português – idênticas às da noite anterior – aqui e ali, “Something” no ukulele, homenagem a John Lennon com “Here Today”, festa caribenha em “Ob-La-Di Ob-La-Da” e “Blackbird” sob o luar virtual. A última – que tem como inspiração a luta por direitos civis dos negros americanos –, Paul disse que era “adequada para o momento”. Certamente, o antenado músico se referia aos lamentáveis acontecimentos em Ferguson, no Missouri, nos Estados Unidos. Na inesquecível canção do álbum branco, o público se entregou aos acordes do violão – inspirados em uma peça de Bach – e cantou emocionado. Mas, há que se dizer, deveria ser proibido bater palminhas ritmadas ao longo de “Blackbird”. Cantar junto já é polêmico. É inegável que o público ficou mais “morno” – heresia dizer isso com Sir Paul sobre o palco – quando eram tocadas as músicas do ótimo New, disco de 2013. Mas o cancioneiro do mito é ainda mais impecável do que a luxuosa nova velha casa do Palmeiras e bastava um hit atemporal básico para incendiar a todos novamente. Em uma das canções mais perfeitas para estádios da história, “Hey Jude”, um grupo de fãs ergueu placas com os dizeres “love is all that matters” e “thank you, Paul” em frente ao palco. O Sir – o beatle com mais vocação para lidar com o público, desde a época das gracinhas e caretas de John Lennon sobre o palco – marejou os olhos e agradeceu cordialmente. No segundo bis, entre “Get Back” e “I Saw Her Standing There”, três fãs adolescentes vestidas com os clássicos ternos de Sgt Peppers (que, como de costume, só teve “Lovely Rita” e “Being For The Benefit Of Mr. Kite” executadas) subiram ao palco. Tatiana, Cibele e Fabíola – a última disse a Paul “I’m Fabíola and you are fabulous!”– entregaram a vestimenta azul lavadinha para o músico, que desconversou, com muito carisma, o pedido para vesti-la. “Imagina a emoção! E olha que elas nem viveram essa fase”, foi possível ouvir de um senhor que continha as lágrimas ao assistir o momento. Macca se despediu dos mais de 40 mil presentes e do Brasil mais uma vez demonstrando que é o maior nome da música vivo. Além do legado e do talento irrepreensíveis, o senhor de 72 anos que toca por 2h40 com sapatos – põe um Nike nesse pé! – e não toma um golinho d’água tem tesão demais no que faz. É e sempre será um privilégio tê-lo por aqui. Na saída do Allianz Parque, as pessoas ainda cantarolavam o que haviam acabado de presenciar, enquanto procuravam meios de irem repousar em suas casas. Foram noites especiais e as vindas constantes de Paul apenas comprovam com mais frequência a unicidade do rapaz. A noite foi especial até para o taxista que, ao ligar o rádio e ouvir um funk ostentação, disse: “É dureza ouvir isso depois de escutar o show aqui de fora”. Sim, é dureza, meu caro. Mas temos a ostentação de Paul McCartney para a gente por aqui também. Cheers!
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Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
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Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
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Com show “gêmeo”, Paul McCartney se despede do Brasil

por em 27/11/2014
ong>Por Maurício Amendola Uma das únicas diferenças do setlist da segunda noite de Paul McCartney no Allianz Parque para a primeira foi mostrada logo de cara: trocou-se o “yeah yeah yeah” de “Eight Days A Week” pelo anúncio lisérgico de “Magical Mystery Tour”. O que, para quem está ligado nas escolhas do músico, está bem longe de ser uma novidade. Então, que há para se falar de um show praticamente idêntico ao da noite anterior, sem cair na descrição da previsível sequência de canções? Além do beatle proporcionar uma experiência única para cada presente – mesmo se tocasse no circuito SESC em todos os finais de semana –, com o show de ontem, o Brasil pode se gabar ainda mais de um vínculo impressionante: somos o sexto país que mais recebeu espetáculos de Paul. Com a 20ª (!) apresentação dele nas terras tupiniquins, estamos a um show do Canadá e atrás apenas dos gigantes Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Japão. O “É nois!” proferido ontem e anteontem pelo músico é mais do que honesto. Os 16 shows que Paul fez por aqui a partir de 2010 quase sempre tiveram o mesmo esquema de dobradinha desta semana, o que, mais do que a quantidade, expõe a variedade de fãs dos Beatles. Ontem, o conflito de gerações caiu por terra já nos primeiros acordes do patrimônio cultural “All My Loving” e, ainda mais que a na noite anterior, via-se pessoas de mais idade dançando e se emocionando ao som do velho Macca. É provável que a presença mais marcante da velha guarda seja evidenciada nas segundas sessões do beatle. Aqueles que não estavam no pique de acordar cedinho, se esbofetear virtualmente por um ingresso do primeiro dia, ou entrar numa fila cujo triunfo é incerto, também tiveram sua segunda chance. E por isso Paul é o maior badass da música mundial: todos querem vê-lo. A segunda noite foi anunciada quatro dias depois que os ingressos da primeira – divulgada, vendida e esgotada em menos de uma semana – acabaram. Muita gente só se ligou na oportunidade a tempo de ir ao show do dia 26. Além disso, ontem, percebia-se mais claramente os vários níveis de idolatria ao beatle. Havia, claro, os fanáticos de carteirinha cantando “All Together Now” com a mesma animação com que entoavam “Let Me Roll It”. Mas tinha espaço para todo mundo: para quem só conhecia as dos Beatles; para quem só sabia as da fase iê-iê-iê; e para quem só cantava algumas e estava lá porque, afinal de contas, estamos falando de um artista que até poser conhece, pelo menos, dez músicas.PAUL 2 No palco, os clichês adoráveis e certeiros do velho Macca, o pai de todos: frases em português – idênticas às da noite anterior – aqui e ali, “Something” no ukulele, homenagem a John Lennon com “Here Today”, festa caribenha em “Ob-La-Di Ob-La-Da” e “Blackbird” sob o luar virtual. A última – que tem como inspiração a luta por direitos civis dos negros americanos –, Paul disse que era “adequada para o momento”. Certamente, o antenado músico se referia aos lamentáveis acontecimentos em Ferguson, no Missouri, nos Estados Unidos. Na inesquecível canção do álbum branco, o público se entregou aos acordes do violão – inspirados em uma peça de Bach – e cantou emocionado. Mas, há que se dizer, deveria ser proibido bater palminhas ritmadas ao longo de “Blackbird”. Cantar junto já é polêmico. É inegável que o público ficou mais “morno” – heresia dizer isso com Sir Paul sobre o palco – quando eram tocadas as músicas do ótimo New, disco de 2013. Mas o cancioneiro do mito é ainda mais impecável do que a luxuosa nova velha casa do Palmeiras e bastava um hit atemporal básico para incendiar a todos novamente. Em uma das canções mais perfeitas para estádios da história, “Hey Jude”, um grupo de fãs ergueu placas com os dizeres “love is all that matters” e “thank you, Paul” em frente ao palco. O Sir – o beatle com mais vocação para lidar com o público, desde a época das gracinhas e caretas de John Lennon sobre o palco – marejou os olhos e agradeceu cordialmente. No segundo bis, entre “Get Back” e “I Saw Her Standing There”, três fãs adolescentes vestidas com os clássicos ternos de Sgt Peppers (que, como de costume, só teve “Lovely Rita” e “Being For The Benefit Of Mr. Kite” executadas) subiram ao palco. Tatiana, Cibele e Fabíola – a última disse a Paul “I’m Fabíola and you are fabulous!”– entregaram a vestimenta azul lavadinha para o músico, que desconversou, com muito carisma, o pedido para vesti-la. “Imagina a emoção! E olha que elas nem viveram essa fase”, foi possível ouvir de um senhor que continha as lágrimas ao assistir o momento. Macca se despediu dos mais de 40 mil presentes e do Brasil mais uma vez demonstrando que é o maior nome da música vivo. Além do legado e do talento irrepreensíveis, o senhor de 72 anos que toca por 2h40 com sapatos – põe um Nike nesse pé! – e não toma um golinho d’água tem tesão demais no que faz. É e sempre será um privilégio tê-lo por aqui. Na saída do Allianz Parque, as pessoas ainda cantarolavam o que haviam acabado de presenciar, enquanto procuravam meios de irem repousar em suas casas. Foram noites especiais e as vindas constantes de Paul apenas comprovam com mais frequência a unicidade do rapaz. A noite foi especial até para o taxista que, ao ligar o rádio e ouvir um funk ostentação, disse: “É dureza ouvir isso depois de escutar o show aqui de fora”. Sim, é dureza, meu caro. Mas temos a ostentação de Paul McCartney para a gente por aqui também. Cheers!