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Com Taylor Swift e Fifth Harmony, o discurso de ódio chegou ao pop

VMA mostrou que os grandes nomes da música também são seres humanos - até demais

por Marcos Lauro em 28/08/2017

Ah, que saudade do tempo em que o pop nos trazia mensagens como “All You Need Is Love”, “Heal The World”, “Summer Love” ou até mesmo “Sorry”, que não é antiga, mas se encaixa no contexto. O VMA, realizado na noite desse domingo (27/08) mostrou que os grandes astros do pop também são seres humanos – às vezes até demais.

VEJA A LISTA COMPLETA DOS VENCEDORES DO VMA 2017

O termo “discurso de ódio” se popularizou com a velocidade das redes sociais. Bullying, imagens fortes, ofensas e violências físicas e morais são compartilhadas a todo momento por seus amigos e familiares, sem distinção de raça, credo ou cor. Hoje, já há uma forte corrente na sociedade que vai contra esse comportamento, alertando sobre os riscos psicológicos envolvidos. Isso entra também, por exemplo, na questão anti-suicídio, tão popular hoje em dia em músicas como “1-800-273-8255”, com Logic, Alessia Cara e Khalid, e séries como 13 Reasons Why, produzida por Selena Gomez.

E o tal discurso de ódio apareceu no VMA em pelo menos duas grandes atrações: Taylor Swift com a estreia mundial do seu clipe “Look What You Made Me Do” e a polêmica apresentação das garotas do Fifth Harmony.

VEJA TODAS AS PERFORMANCES DO VMA 2017

Enquanto Katy Perry tentou se purificar para o lançamento do seu mais recente álbum, Witness, fazendo as pazes com o DJ Calvin Harris e falando sobre sua rivalidade com Taylor Swift de forma aberta – inclusive com uma polêmica sessão de terapia transmitida online –, a ex-estrela do country não quis saber de procurar a paz. Em seu clipe, Taylor deseja vingança e vai atrás de todos os que, segundo ela, “enterraram a sua reputação” – a frase não é dela, mas é o que é retratado logo na primeira imagem do clipe. Como não há nenhuma declaração oficial dela ou de sua equipe, tudo o que for dito sobre o clipe é, por hora, especulação. Mas há citações claras, no clipe ou na letra, a Katy Perry, Kanye West e Kim Kardashian – entre outras suposições. Até que ponto é saudável uma artista com o alcance de Taylor Swift mostrar ao seu público que quer vingança? Isso se enquadra numa postura de empoderamento, já que uma das mensagens possíveis é “faça o que você tiver que fazer e derrote os seus inimigos”? Ou é apenas nocivo?

Já o Fifth Harmony foi mais fundo e apelou pro mau gosto. No começo da apresentação da dobradinha “Angel” e “Down”, cinco meninas apareceram no palco. Assim que a música começou, a quinta menina simplesmente caiu do palco, numa imagem forte. Imagino a reunião em que alguém disse: “Gente, tive uma ideia! Vamos mostrar que temos uma integrante a menos derrubando uma pessoa do palco!”. E a ideia foi adiante, com a anuência das quatro meninas que ficaram no grupo após a saída de Camila Cabello. E não adianta defender o grupo dizendo que a garota não foi empurrada e sim caiu do palco. Uma apresentação desse tipo é pensada meses antes, ensaiada e tem a ciência dos artistas envolvidos, da MTV e da gravadora, no mínimo. Se ninguém se levantou e alertou que a ideia de derrubar alguém do palco fosse graficamente violenta, a culpa é de todos que participaram do processo. Havia centenas de formas mais sutis de demonstrar isso: um lugar vazio, uma luz apagada ou simplesmente o básico: as quatro meninas mostrando o que sabem: cantar e dançar.

Não que antes disso só havia santo no pop, longe disso. Mas, justo nesse momento em que discutimos o discurso de ódio online, grandes artistas apelam também para esse artifício, reproduzindo e reforçando fala, textos e imagens que não fazem bem para a sua audiência.

Ainda durante a transmissão, vários fãs defenderam as artistas dizendo que elas queriam mostrar uma nova fase. Uma apostando na vingança e outras numa atitude de extremo mau gosto. E se essa é a nova fase do pop, com discurso de ódio envolvido, a gente prefere voltar para a época em que Michael Jackson queria apenas a cura do mundo.

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Ah, que saudade do tempo em que o pop nos trazia mensagens como “All You Need Is Love”, “Heal The World”, “Summer Love” ou até mesmo “Sorry”, que não é antiga, mas se encaixa no contexto. O VMA, realizado na noite desse domingo (27/08) mostrou que os grandes astros do pop também são seres humanos – às vezes até demais.

VEJA A LISTA COMPLETA DOS VENCEDORES DO VMA 2017

O termo “discurso de ódio” se popularizou com a velocidade das redes sociais. Bullying, imagens fortes, ofensas e violências físicas e morais são compartilhadas a todo momento por seus amigos e familiares, sem distinção de raça, credo ou cor. Hoje, já há uma forte corrente na sociedade que vai contra esse comportamento, alertando sobre os riscos psicológicos envolvidos. Isso entra também, por exemplo, na questão anti-suicídio, tão popular hoje em dia em músicas como “1-800-273-8255”, com Logic, Alessia Cara e Khalid, e séries como 13 Reasons Why, produzida por Selena Gomez.

E o tal discurso de ódio apareceu no VMA em pelo menos duas grandes atrações: Taylor Swift com a estreia mundial do seu clipe “Look What You Made Me Do” e a polêmica apresentação das garotas do Fifth Harmony.

VEJA TODAS AS PERFORMANCES DO VMA 2017

Enquanto Katy Perry tentou se purificar para o lançamento do seu mais recente álbum, Witness, fazendo as pazes com o DJ Calvin Harris e falando sobre sua rivalidade com Taylor Swift de forma aberta – inclusive com uma polêmica sessão de terapia transmitida online –, a ex-estrela do country não quis saber de procurar a paz. Em seu clipe, Taylor deseja vingança e vai atrás de todos os que, segundo ela, “enterraram a sua reputação” – a frase não é dela, mas é o que é retratado logo na primeira imagem do clipe. Como não há nenhuma declaração oficial dela ou de sua equipe, tudo o que for dito sobre o clipe é, por hora, especulação. Mas há citações claras, no clipe ou na letra, a Katy Perry, Kanye West e Kim Kardashian – entre outras suposições. Até que ponto é saudável uma artista com o alcance de Taylor Swift mostrar ao seu público que quer vingança? Isso se enquadra numa postura de empoderamento, já que uma das mensagens possíveis é “faça o que você tiver que fazer e derrote os seus inimigos”? Ou é apenas nocivo?

Já o Fifth Harmony foi mais fundo e apelou pro mau gosto. No começo da apresentação da dobradinha “Angel” e “Down”, cinco meninas apareceram no palco. Assim que a música começou, a quinta menina simplesmente caiu do palco, numa imagem forte. Imagino a reunião em que alguém disse: “Gente, tive uma ideia! Vamos mostrar que temos uma integrante a menos derrubando uma pessoa do palco!”. E a ideia foi adiante, com a anuência das quatro meninas que ficaram no grupo após a saída de Camila Cabello. E não adianta defender o grupo dizendo que a garota não foi empurrada e sim caiu do palco. Uma apresentação desse tipo é pensada meses antes, ensaiada e tem a ciência dos artistas envolvidos, da MTV e da gravadora, no mínimo. Se ninguém se levantou e alertou que a ideia de derrubar alguém do palco fosse graficamente violenta, a culpa é de todos que participaram do processo. Havia centenas de formas mais sutis de demonstrar isso: um lugar vazio, uma luz apagada ou simplesmente o básico: as quatro meninas mostrando o que sabem: cantar e dançar.

Não que antes disso só havia santo no pop, longe disso. Mas, justo nesse momento em que discutimos o discurso de ódio online, grandes artistas apelam também para esse artifício, reproduzindo e reforçando fala, textos e imagens que não fazem bem para a sua audiência.

Ainda durante a transmissão, vários fãs defenderam as artistas dizendo que elas queriam mostrar uma nova fase. Uma apostando na vingança e outras numa atitude de extremo mau gosto. E se essa é a nova fase do pop, com discurso de ódio envolvido, a gente prefere voltar para a época em que Michael Jackson queria apenas a cura do mundo.