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Comandado por Dave Grohl, Foo Fighters passa pela prova do Morumbi

por em 24/01/2015
ong>Por Maurício Amendola A chuva começava a cair quando o Raimundos subiu ao palco, num Morumbi ainda vazio. Digão e Canisso foram os primeiros roqueiros remanescentes dos anos 1990 a se apresentar na noite. Entregando hits como “Eu Quero É Ver O Oco” e “I Saw You Saying”, o grupo mostrou ainda ter fôlego de sobra e muito power chord para gastar. O público respondeu bem e uma atmosfera adolescente tomou conta do estádio. Em seguida, foi a vez do Kaiser Chiefs esquentar o palco para a grande atração da noite. O entusiasmo do vocalista Ricky Wilson fez o público não se importar com o projeto de toró caindo do céu, embora a maioria dos presentes tenha sacado as inflacionadas capas de chuva. Ao fim do show de quase uma hora dos britânicos, já era possível dizer que o Morumbi estava quase lotado. Era a hora do Foo Fighters. Com as gotas quase imperceptíveis, os presentes – jovens em imensa maioria – tiraram as capas e foi possível notar a abrangência de apreciadores da banda. Camisetas que ilustravam de Johnny Cash a Dead Fish, passando por Helloween, começavam a suar ao som de “Something From Nothing”, que deu início ao setlist, sem lero lero. Claro, havia também os saudosos do Nirvana, com tatuagens da capa do In Utero ou estampas do Nevermind nas camisetas. Estes devem ter lembrado de Kurt Cobain ao verem Dave Grohl e Pat Smear em ação. Bem como outros nostálgicos podem ter tido flashbacks de Rodolfo horas antes. 16166001917_5672def83b_b O combo “The Pretender”, “Learn To Fly” e “Breakout” logo na sequência atestou que o Foo Fighters tem cacife para tocar em grandes estádios por aqui. Contagiada pelos hits, a plateia pulou e cantou a plenos pulmões. Teve até quem arriscasse uma rodinha de bate-cabeça. Mas o clima era mais festivo do que selvagem. E quem comandava a festa era mesmo Dave Grohl. Nada indisciplinado como seu finado herói, que vestia-se de mulher e cuspia em câmeras da Rede Globo, Grohl se portou como o genro roqueiro que toda mãe pediu a Deus. Carismático como sempre, o músico foi só sorrisos e piadas, deixando o público à vontade. À vontade até demais: alguns caras-de-pau aproveitavam as faixas do disco novo, Sonic Highways, para conversas frívolas com os amiguinhos ao redor. 15731926233_b78011fc7f_b Após apresentar a banda com o auxílio de canjas de “Tom Sawyer”, do Rush, e “War Pigs”, do Black Sabbath, Grohl pareceu verdadeiramente admirado com a devoção da entusiasmada audiência. Durante o longo – e bota longo nisso – interlúdio da versão ao vivo de “Monkey Wrench” (aquele que precede o trecho “one last thing before I quit...”), 95% do estádio acendeu as lanternas dos celulares. Ao desencanar um pouco dos micro riffs e dar uma olhada para a incrível paisagem, o vocalista soltou um espontâneo e algo emocionado “that’s fucking beautiful!”. Ao se dirigir solitário ao centro do estádio para mandar “Skin And Bones” (usando uma bandeira do Brasil como cachecol), o vocalista permitiu que um momento romântico se concretizasse. Ao som de “Wheels”, um rapaz subiu ao palco e pediu uma moça (Mônica) em casamento, sob a benção de Grohl. O jeitão boa praça do cantor nos faz imaginar que ele não faria feio no elenco do Esquenta ou do programa matinal de Fátima Bernardes. 16325920916_9f145fa1fb_b Terminada a cena do noivado, toda a gangue se encontrou com Grohl e, com o palco b em modo giratório, deu início à festa cover do Foo Fighters. O vocalista já disse em entrevistas que o Led Zeppelin é a grande banda de sua vida. Já disse o mesmo dos Beatles também. Até o Oasis (!) já foi sentenciado por Grohl como o maior grupo de rock do mundo. Embora o vocalista pareça meio indeciso sobre seus maiores ídolos, nenhum destes ganhou homenagem na noite de ontem. Mas um belo tributo foi prestado ao Queen, David Bowie (“Tie Your Mother Down” e “Under Pressure”, ambas com Taylor Hawkins assumindo os vocais), Kiss (“Detroit Rock City”, honrando o adesivo com o rosto de Ace Frehley em uma das guitarras de Chris Shiflett) e Faces (numa versão poderosa de “Stay With Me”, canção que boa parte do público desconhecia). A primeira vinda do Foo Fighters a São Paulo fora de festival teve hits como “All My Life” e “Best Of You” em sua enfiada final, antes do já previsível encerramento com “Everlong”. Aliás, há quem torça o nariz para a previsibilidade de Dave Grohl e companhia e ache o grupo “facilmente digerível”. O fato é que quem compareceu ao Morumbi ontem pareceu ter saído tão satisfeito quanto os músicos com as quase três horas de um show competente, divertido e despretensioso. E faz mais sentido depreciar algo por excesso de pretensão do que por falta. Até porque o que falta em ousadia no som, sobra nos bastidores, vide a espetacular série Sonic Highways. É capaz de ainda presenciarmos o Foo Fighters gravando cada faixa de um disco em um planeta diferente do sistema solar – e, no frigir dos ovos, nos depararmos com mais uma reciclagem de The Colour And The Shape ou There’s Nothing Left To Lose. Que assim seja. Divirta-se, Grohl!
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Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
Saudade
Eduardo Costa
3
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
Aquela Pessoa
Henrique & Juliano
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Comandado por Dave Grohl, Foo Fighters passa pela prova do Morumbi

por em 24/01/2015
ong>Por Maurício Amendola A chuva começava a cair quando o Raimundos subiu ao palco, num Morumbi ainda vazio. Digão e Canisso foram os primeiros roqueiros remanescentes dos anos 1990 a se apresentar na noite. Entregando hits como “Eu Quero É Ver O Oco” e “I Saw You Saying”, o grupo mostrou ainda ter fôlego de sobra e muito power chord para gastar. O público respondeu bem e uma atmosfera adolescente tomou conta do estádio. Em seguida, foi a vez do Kaiser Chiefs esquentar o palco para a grande atração da noite. O entusiasmo do vocalista Ricky Wilson fez o público não se importar com o projeto de toró caindo do céu, embora a maioria dos presentes tenha sacado as inflacionadas capas de chuva. Ao fim do show de quase uma hora dos britânicos, já era possível dizer que o Morumbi estava quase lotado. Era a hora do Foo Fighters. Com as gotas quase imperceptíveis, os presentes – jovens em imensa maioria – tiraram as capas e foi possível notar a abrangência de apreciadores da banda. Camisetas que ilustravam de Johnny Cash a Dead Fish, passando por Helloween, começavam a suar ao som de “Something From Nothing”, que deu início ao setlist, sem lero lero. Claro, havia também os saudosos do Nirvana, com tatuagens da capa do In Utero ou estampas do Nevermind nas camisetas. Estes devem ter lembrado de Kurt Cobain ao verem Dave Grohl e Pat Smear em ação. Bem como outros nostálgicos podem ter tido flashbacks de Rodolfo horas antes. 16166001917_5672def83b_b O combo “The Pretender”, “Learn To Fly” e “Breakout” logo na sequência atestou que o Foo Fighters tem cacife para tocar em grandes estádios por aqui. Contagiada pelos hits, a plateia pulou e cantou a plenos pulmões. Teve até quem arriscasse uma rodinha de bate-cabeça. Mas o clima era mais festivo do que selvagem. E quem comandava a festa era mesmo Dave Grohl. Nada indisciplinado como seu finado herói, que vestia-se de mulher e cuspia em câmeras da Rede Globo, Grohl se portou como o genro roqueiro que toda mãe pediu a Deus. Carismático como sempre, o músico foi só sorrisos e piadas, deixando o público à vontade. À vontade até demais: alguns caras-de-pau aproveitavam as faixas do disco novo, Sonic Highways, para conversas frívolas com os amiguinhos ao redor. 15731926233_b78011fc7f_b Após apresentar a banda com o auxílio de canjas de “Tom Sawyer”, do Rush, e “War Pigs”, do Black Sabbath, Grohl pareceu verdadeiramente admirado com a devoção da entusiasmada audiência. Durante o longo – e bota longo nisso – interlúdio da versão ao vivo de “Monkey Wrench” (aquele que precede o trecho “one last thing before I quit...”), 95% do estádio acendeu as lanternas dos celulares. Ao desencanar um pouco dos micro riffs e dar uma olhada para a incrível paisagem, o vocalista soltou um espontâneo e algo emocionado “that’s fucking beautiful!”. Ao se dirigir solitário ao centro do estádio para mandar “Skin And Bones” (usando uma bandeira do Brasil como cachecol), o vocalista permitiu que um momento romântico se concretizasse. Ao som de “Wheels”, um rapaz subiu ao palco e pediu uma moça (Mônica) em casamento, sob a benção de Grohl. O jeitão boa praça do cantor nos faz imaginar que ele não faria feio no elenco do Esquenta ou do programa matinal de Fátima Bernardes. 16325920916_9f145fa1fb_b Terminada a cena do noivado, toda a gangue se encontrou com Grohl e, com o palco b em modo giratório, deu início à festa cover do Foo Fighters. O vocalista já disse em entrevistas que o Led Zeppelin é a grande banda de sua vida. Já disse o mesmo dos Beatles também. Até o Oasis (!) já foi sentenciado por Grohl como o maior grupo de rock do mundo. Embora o vocalista pareça meio indeciso sobre seus maiores ídolos, nenhum destes ganhou homenagem na noite de ontem. Mas um belo tributo foi prestado ao Queen, David Bowie (“Tie Your Mother Down” e “Under Pressure”, ambas com Taylor Hawkins assumindo os vocais), Kiss (“Detroit Rock City”, honrando o adesivo com o rosto de Ace Frehley em uma das guitarras de Chris Shiflett) e Faces (numa versão poderosa de “Stay With Me”, canção que boa parte do público desconhecia). A primeira vinda do Foo Fighters a São Paulo fora de festival teve hits como “All My Life” e “Best Of You” em sua enfiada final, antes do já previsível encerramento com “Everlong”. Aliás, há quem torça o nariz para a previsibilidade de Dave Grohl e companhia e ache o grupo “facilmente digerível”. O fato é que quem compareceu ao Morumbi ontem pareceu ter saído tão satisfeito quanto os músicos com as quase três horas de um show competente, divertido e despretensioso. E faz mais sentido depreciar algo por excesso de pretensão do que por falta. Até porque o que falta em ousadia no som, sobra nos bastidores, vide a espetacular série Sonic Highways. É capaz de ainda presenciarmos o Foo Fighters gravando cada faixa de um disco em um planeta diferente do sistema solar – e, no frigir dos ovos, nos depararmos com mais uma reciclagem de The Colour And The Shape ou There’s Nothing Left To Lose. Que assim seja. Divirta-se, Grohl!