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Como os Rolling Stones se tornaram ícones fashion

Peças de roupa da banda fazem parte de exposição em Nova York

por Redação em 14/11/2016

Em 4 de maio de 1963, os Rolling Stones, até então conhecidos por seus covers de Chuck Berry, se reuniram para sua primeira sessão de fotos oficial nas ruas de Londres. Eles aparecem com casacos maltrapilhos, roupas amarrotadas e calças que não eram dos seus tamanhos, parecendo estudantes após uma farra. “Falaram que o resultado da sessão foi horrível”, disse Andrew Loog Oldham, empresário da banda. O visual “acabamos de sair da cama” se tornaria uma marca do grupo. As informações são do jornal New York Times.

BLUE & LONESOME, DOS ROLLING STONES, SERÁ LANÇADO EM DEZEMBRO

Nas cinco décadas seguintes, os Stones transformariam o palco na maior passarela de todas, constantemente mudando seus estilos enquanto se mantinham fieis ao som inspirado pelo blues. O vasto legado da banda na moda – com figurinos de shows e instrumentos – está em exposição em Nova York desde o último sábado (12/11), no bairro West Village. Anteriormente, as peças foram expostas na Saatchi Gallery em Londres e atraíram mais de 350 mil visitantes.

A exposição, tecnológica e multimídia, tem a curadoria de Ileen Gallagher (já trabalhou no Rock and Roll Hall of Fame) e conta com velhos diários, cadernos com letras de músicas, rascunhos de capas de álbuns e guitarras importantes para a história da banda. Roupas tiradas dos armários dos integrantes também podem ser vistas pelos visitantes.

DEPOIS DO TEMPORAL VEM A CHUVA DE HITS DOS ROLLING STONES

Apesar de David Bowie normalmente levar os créditos por ter sido o grande camaleão do rock, os Stones foram mais longe: eles criaram a imagem do rock star moderno.

“Você quer ser novo, você quer chamar atenção e ser elegante, mas louco porque está no palco”, disse Mick Jagger em entrevista ao New York Times. Na exposição, o público poderá ver a evolução da banda na moda, desde o momento em que tentavam ser contidos ídolos teen. “No começo dos anos 1960, a referência fashion eram as jaquetas dos Beatles. Aquilo foi algo diferente. Começaram a falar de roupas em homens, assim como já falavam das mulheres”, continua Jagger.

ROLLING STONES NO BRASIL: OS NÚMEROS E AS MÚSICAS DA TURNÊ

Mas eles queriam ser diferentes. Quando começaram a fazer sucesso nos Estados Unidos, já pareciam mais perigosos. “Você via uma forma de se vestir que não existia nos Estados Unidos: um look que não combinava, as jaquetas de couro, uma adaptação do estilo R&B”, afirma a designer Anna Sui, fã de longa data dos Stones.

Logo, a banda era embaixadora de um novo e diferente estilo, da juventude do swinging london e algumas peças dessa época também podem ser vistas na exposição, como uma jaqueta militar vermelha que Jagger usou ao apresentar “Paint It Black” no programa de televisão Ready Steady Go!, em 1966. “Era a época do ‘tudo pode’. Havia muita roupa antiga sendo vendida, como peças vitorianas e românticas, veludo, coisas assim”, diz Mick Jagger.

ROLLING STONES DEIXAM SÃO PAULO COM MAIS UM SHOW MEMORÁVEL

Os exemplos não vinham somente das ruas, mas também da alta moda. “Eu estava no meio. Era muito amigo de David Bailey (fotógrafo de moda), então andava com as pessoas da Vogue”, continua Jagger.

Keith Richards, por exemplo, vasculhava o armário da namorada Anita Pallenberg para criar looks chocantes. “Irritava muito o Charlie Watts porque ele apresentava ternos impecáveis e eu comecei a virar um ícone fashion por usar as roupas da minha namorada”, escreveu Richards em sua biografia Life, de 2010.

BETO BRUNO: “ROLLING STONES FOI O EVENTO MAIS IMPORTANTE DA HISTÓRIA DE PORTO ALEGRE”

Quando a disco music virou febre nos anos 1970, os Stones usavam ternos brancos e gravatas finas enquanto apresentavam hits dance-pop como “Miss You”. No começo dos anos 1980, Jagger subia ao palco usando peças como uma calça de ginástica laranja, azul e dourada, animando um público de 50 mil pessoas em estádios. Nos anos 1990, Keith Richards transformou seu estilo em marca, tocando com roupas que misturavam estampas animais, faixas na cabeça e cintos coloridos culminando em seu personagem no filme Piratas do Caribe, da Disney. Enquanto isso, Jagger focou na alta costura, trabalhando com grandes estilistas, como Jean Paul Gaultier, Alexander McQueen e Hedi Slimane.

Após 54 anos de banda e cerca de 54 mil experimentos fashion, a única questão remanescente é se Jagger já se arrependeu de algum look. “Que pergunta horrível!”, respondeu o roqueiro, rindo. “Todos cometemos erros. Alguns são horríveis, mas no momento, todos amaram, sabe?”.

 “Você precisa ir além e defender o ridículo na moda”, disse ele. “Você precisa arriscar, as pessoas vão rir e talvez não faça sucesso. Mas não há sucesso sem risco”.

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BLUE & LONESOME, DOS ROLLING STONES, SERÁ LANÇADO EM DEZEMBRO

Nas cinco décadas seguintes, os Stones transformariam o palco na maior passarela de todas, constantemente mudando seus estilos enquanto se mantinham fieis ao som inspirado pelo blues. O vasto legado da banda na moda – com figurinos de shows e instrumentos – está em exposição em Nova York desde o último sábado (12/11), no bairro West Village. Anteriormente, as peças foram expostas na Saatchi Gallery em Londres e atraíram mais de 350 mil visitantes.

A exposição, tecnológica e multimídia, tem a curadoria de Ileen Gallagher (já trabalhou no Rock and Roll Hall of Fame) e conta com velhos diários, cadernos com letras de músicas, rascunhos de capas de álbuns e guitarras importantes para a história da banda. Roupas tiradas dos armários dos integrantes também podem ser vistas pelos visitantes.

DEPOIS DO TEMPORAL VEM A CHUVA DE HITS DOS ROLLING STONES

Apesar de David Bowie normalmente levar os créditos por ter sido o grande camaleão do rock, os Stones foram mais longe: eles criaram a imagem do rock star moderno.

“Você quer ser novo, você quer chamar atenção e ser elegante, mas louco porque está no palco”, disse Mick Jagger em entrevista ao New York Times. Na exposição, o público poderá ver a evolução da banda na moda, desde o momento em que tentavam ser contidos ídolos teen. “No começo dos anos 1960, a referência fashion eram as jaquetas dos Beatles. Aquilo foi algo diferente. Começaram a falar de roupas em homens, assim como já falavam das mulheres”, continua Jagger.

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Mas eles queriam ser diferentes. Quando começaram a fazer sucesso nos Estados Unidos, já pareciam mais perigosos. “Você via uma forma de se vestir que não existia nos Estados Unidos: um look que não combinava, as jaquetas de couro, uma adaptação do estilo R&B”, afirma a designer Anna Sui, fã de longa data dos Stones.

Logo, a banda era embaixadora de um novo e diferente estilo, da juventude do swinging london e algumas peças dessa época também podem ser vistas na exposição, como uma jaqueta militar vermelha que Jagger usou ao apresentar “Paint It Black” no programa de televisão Ready Steady Go!, em 1966. “Era a época do ‘tudo pode’. Havia muita roupa antiga sendo vendida, como peças vitorianas e românticas, veludo, coisas assim”, diz Mick Jagger.

ROLLING STONES DEIXAM SÃO PAULO COM MAIS UM SHOW MEMORÁVEL

Os exemplos não vinham somente das ruas, mas também da alta moda. “Eu estava no meio. Era muito amigo de David Bailey (fotógrafo de moda), então andava com as pessoas da Vogue”, continua Jagger.

Keith Richards, por exemplo, vasculhava o armário da namorada Anita Pallenberg para criar looks chocantes. “Irritava muito o Charlie Watts porque ele apresentava ternos impecáveis e eu comecei a virar um ícone fashion por usar as roupas da minha namorada”, escreveu Richards em sua biografia Life, de 2010.

BETO BRUNO: “ROLLING STONES FOI O EVENTO MAIS IMPORTANTE DA HISTÓRIA DE PORTO ALEGRE”

Quando a disco music virou febre nos anos 1970, os Stones usavam ternos brancos e gravatas finas enquanto apresentavam hits dance-pop como “Miss You”. No começo dos anos 1980, Jagger subia ao palco usando peças como uma calça de ginástica laranja, azul e dourada, animando um público de 50 mil pessoas em estádios. Nos anos 1990, Keith Richards transformou seu estilo em marca, tocando com roupas que misturavam estampas animais, faixas na cabeça e cintos coloridos culminando em seu personagem no filme Piratas do Caribe, da Disney. Enquanto isso, Jagger focou na alta costura, trabalhando com grandes estilistas, como Jean Paul Gaultier, Alexander McQueen e Hedi Slimane.

Após 54 anos de banda e cerca de 54 mil experimentos fashion, a única questão remanescente é se Jagger já se arrependeu de algum look. “Que pergunta horrível!”, respondeu o roqueiro, rindo. “Todos cometemos erros. Alguns são horríveis, mas no momento, todos amaram, sabe?”.

 “Você precisa ir além e defender o ridículo na moda”, disse ele. “Você precisa arriscar, as pessoas vão rir e talvez não faça sucesso. Mas não há sucesso sem risco”.