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Confira a entrevista com Papatinho, da Cone Crew Diretoria

por em 04/04/2014
ong>Por Maurício Amendola A Cone Crew Diretoria se apresenta no festival Lollapalooza, em São Paulo, no domingo (6 de abril). Influenciada pelo extinto coletivo Quinto Andar, que revelou De Leve, Shawlin e Marechal, entre outros MCs, a Cone surgiu em 2006 na área do Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro e, desde então, trilha seu caminho de maneira independente e esfumaçada, angariando fãs fiéis, que se identificam com a atmosfera displicente dos seis “mulekes” – há duas semanas, eles participaram do programa Caldeirão do Huck. De celebridades no underground brasileiro a estrelas de mega festivais, Maomé, Cert, Batoré, Ari, Rany Money e Papatinho usam as rimas e os samples para expressarem  a vivência de uma parcela da juventude que não sabe bem o que quer, mas sabe exatamente o que não quer. “É uma zoação que tenta tocar nas feridas”, afirma Papatinho, beatmaker e mentor criativo da Cone, além de um dos mais prestigiados produtores de rap no Brasil atualmente. Billboard Brasil conversou com Papatinho por telefone na última quarta-feira. Além de Lollapalooza, a pauta passou pelo novo trabalho grupo, Bonde Da Magrugada Parte 1, a experiência na grande mídia e... maconha, claro.   Billboard: Qual a sensação de se apresentar num festival do porte do Lollapalooza? O que vocês prepararam? Tem alguma atração que vocês queiram ver? Papatinho: A ficha ainda não caiu para mim, só vai cair mesmo quando eu estiver lá participando. A gente já ficou muito feliz de tocar no palco principal do Planeta Atlântida e agora surgiu essa oportunidade.  Estamos preparando um setlist com hits e talvez duas inéditas. Vamos decidir como vai ser agora, nesses últimos momentos. A gente só sabe que vai abrir com “Chefe De Quadrilha” e que o show durará uma hora. Quero ver o show do Kid Cudi no sábado. Na verdade, quero ver tudo, até o que eu não gosto (risos).   Billboard: Vocês, o Edi Rock, do Racionais MC’s, e o Emicida foram  ao  Caldeirão do Huck recentemente. Você acha que esse crescimento do rap se deve a quê? Papatinho: Acho que ao bom trabalho dos grupos, dos MCs e dos produtores. Muita coisa boa saiu e a gente era muito carente de som. Lógico que tinham os clássicos, mas não havia muito espaço. Faltava estúdio, produtor, essas coisas. Hoje em dia, tem produtor pra caramba fazendo um bom trabalho, no nível de gringo. Com a tecnologia e com a internet é mais fácil alguém começar a fazer rap em comparação ao que era nos anos 90. Basta um computador e um microfone. E a tendência é só crescer.   Billboard: Como foi a experiência com o Luciano Huck? Teve aquele papo de “vendido” entre os fãs? Papatinho: Achei o Huck muito sangue bom, de verdade. Ele realmente estava interessado no nosso trabalho. Espero que se abram as portas para o rap, sem esse preconceito de que rap não pode entrar na mídia. A gente já está em 2014, o rap precisa tomar uma posição de música popular, né? Sempre tem esse papo de “vendido”, qualquer passo que você dê agrada a uns e a outros, não. Se a gente tivesse ido a Globo com uma postura que não é a nossa de sempre, fazendo um som que não é o nosso e usando outras roupas, essas críticas poderiam até fazer algum sentido. Mas foram eles que nos procuraram. A gente, sem patrocínio, sem nada, foi lá e fez o nosso som e fez o que faria em qualquer lugar. Se não apareceu é porque cortaram.   Billboard: O que os fãs podem esperar de Bonde Da Madrugada Parte 1? Papatinho: Tem um pouco dos nossos dois discos nele. Os últimos sons que a gente lançou são mais sérios, principalmente os de 2013. Até teve uma galera que pensou que fossemos mudar o estilo, a postura... Eles podem ficar tranquilos que a Cone continua a mesma bagunça de sempre, mas, claro, misturada com coisa séria. A gente sempre tenta tocar nas feridas e em alguma questão política, nunca deixamos essas preocupações de lado.   Billboard: Você tem sido muito requisitado por rappers para produção de batidas. Como funciona essa criação? Quais são suas principais fontes? Papatinho: Minha pesquisa é muito vasta, tem qualquer som que faça arrepiar o cabelo do braço. O principal é o soul, mas não fico preso a um estilo, não. Tem sample de tudo: blues, jazz, samba e por aí vai. Eu gosto bastante do Bill Withers e usei um sample de “I Can’t Write Left Handed” na nossa música “Pra Minha Mãe”. “Chama Os Muleke” tem a Nina Simone cantando “I Put A Spell On You”... Gosto de homenagear os artistas também. O sample não deixa de ser uma homenagem.   Billboard: Quais as diferenças entre a geração de vocês e a do Quinto Andar? Papatinho: A gente tem muita influência do Quinto Andar. Eles começaram na época que não tinha uma cena montada no Rio de Janeiro e a gente sempre estava lá vendo os shows. A única diferença é a época. Se eles tivessem continuado um pouco mais, ia dar tempo de pegar esse “boom” do rap. Mas o disco saiu em 2005 e o grupo acabou. Restou à gente fazer um pouco do que eles faziam, e, hoje em dia, todos são nossos amigos. Produzi beats para o Shawlin e ele participou do nosso segundo disco.   Billboard: Desde o primeiro trabalho da Cone – Ataque Lírico­, de 2007 – vocês tratam da legalização da maconha abertamente nas músicas. Como você vê a evolução da questão no Brasil? Papatinho: (Risos) Então... Sou a pessoa menos indicada do grupo para responder essa questão, porque sou o único que não é maconheiro. Mas posso falar que hoje é bem diferente de quando a gente começou. Era muito mais recriminado... A coisa está mais aceita. Mas realmente não posso falar muito sobre isso (risos). É uma lenda, ninguém acredita. Se procurarem meu nome no Google, a pesquisa mais relacionada ao meu nome é se fumo maconha. Mas eu não fumo, não, por incrível que pareça.  
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Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
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Confira a entrevista com Papatinho, da Cone Crew Diretoria

por em 04/04/2014
ong>Por Maurício Amendola A Cone Crew Diretoria se apresenta no festival Lollapalooza, em São Paulo, no domingo (6 de abril). Influenciada pelo extinto coletivo Quinto Andar, que revelou De Leve, Shawlin e Marechal, entre outros MCs, a Cone surgiu em 2006 na área do Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro e, desde então, trilha seu caminho de maneira independente e esfumaçada, angariando fãs fiéis, que se identificam com a atmosfera displicente dos seis “mulekes” – há duas semanas, eles participaram do programa Caldeirão do Huck. De celebridades no underground brasileiro a estrelas de mega festivais, Maomé, Cert, Batoré, Ari, Rany Money e Papatinho usam as rimas e os samples para expressarem  a vivência de uma parcela da juventude que não sabe bem o que quer, mas sabe exatamente o que não quer. “É uma zoação que tenta tocar nas feridas”, afirma Papatinho, beatmaker e mentor criativo da Cone, além de um dos mais prestigiados produtores de rap no Brasil atualmente. Billboard Brasil conversou com Papatinho por telefone na última quarta-feira. Além de Lollapalooza, a pauta passou pelo novo trabalho grupo, Bonde Da Magrugada Parte 1, a experiência na grande mídia e... maconha, claro.   Billboard: Qual a sensação de se apresentar num festival do porte do Lollapalooza? O que vocês prepararam? Tem alguma atração que vocês queiram ver? Papatinho: A ficha ainda não caiu para mim, só vai cair mesmo quando eu estiver lá participando. A gente já ficou muito feliz de tocar no palco principal do Planeta Atlântida e agora surgiu essa oportunidade.  Estamos preparando um setlist com hits e talvez duas inéditas. Vamos decidir como vai ser agora, nesses últimos momentos. A gente só sabe que vai abrir com “Chefe De Quadrilha” e que o show durará uma hora. Quero ver o show do Kid Cudi no sábado. Na verdade, quero ver tudo, até o que eu não gosto (risos).   Billboard: Vocês, o Edi Rock, do Racionais MC’s, e o Emicida foram  ao  Caldeirão do Huck recentemente. Você acha que esse crescimento do rap se deve a quê? Papatinho: Acho que ao bom trabalho dos grupos, dos MCs e dos produtores. Muita coisa boa saiu e a gente era muito carente de som. Lógico que tinham os clássicos, mas não havia muito espaço. Faltava estúdio, produtor, essas coisas. Hoje em dia, tem produtor pra caramba fazendo um bom trabalho, no nível de gringo. Com a tecnologia e com a internet é mais fácil alguém começar a fazer rap em comparação ao que era nos anos 90. Basta um computador e um microfone. E a tendência é só crescer.   Billboard: Como foi a experiência com o Luciano Huck? Teve aquele papo de “vendido” entre os fãs? Papatinho: Achei o Huck muito sangue bom, de verdade. Ele realmente estava interessado no nosso trabalho. Espero que se abram as portas para o rap, sem esse preconceito de que rap não pode entrar na mídia. A gente já está em 2014, o rap precisa tomar uma posição de música popular, né? Sempre tem esse papo de “vendido”, qualquer passo que você dê agrada a uns e a outros, não. Se a gente tivesse ido a Globo com uma postura que não é a nossa de sempre, fazendo um som que não é o nosso e usando outras roupas, essas críticas poderiam até fazer algum sentido. Mas foram eles que nos procuraram. A gente, sem patrocínio, sem nada, foi lá e fez o nosso som e fez o que faria em qualquer lugar. Se não apareceu é porque cortaram.   Billboard: O que os fãs podem esperar de Bonde Da Madrugada Parte 1? Papatinho: Tem um pouco dos nossos dois discos nele. Os últimos sons que a gente lançou são mais sérios, principalmente os de 2013. Até teve uma galera que pensou que fossemos mudar o estilo, a postura... Eles podem ficar tranquilos que a Cone continua a mesma bagunça de sempre, mas, claro, misturada com coisa séria. A gente sempre tenta tocar nas feridas e em alguma questão política, nunca deixamos essas preocupações de lado.   Billboard: Você tem sido muito requisitado por rappers para produção de batidas. Como funciona essa criação? Quais são suas principais fontes? Papatinho: Minha pesquisa é muito vasta, tem qualquer som que faça arrepiar o cabelo do braço. O principal é o soul, mas não fico preso a um estilo, não. Tem sample de tudo: blues, jazz, samba e por aí vai. Eu gosto bastante do Bill Withers e usei um sample de “I Can’t Write Left Handed” na nossa música “Pra Minha Mãe”. “Chama Os Muleke” tem a Nina Simone cantando “I Put A Spell On You”... Gosto de homenagear os artistas também. O sample não deixa de ser uma homenagem.   Billboard: Quais as diferenças entre a geração de vocês e a do Quinto Andar? Papatinho: A gente tem muita influência do Quinto Andar. Eles começaram na época que não tinha uma cena montada no Rio de Janeiro e a gente sempre estava lá vendo os shows. A única diferença é a época. Se eles tivessem continuado um pouco mais, ia dar tempo de pegar esse “boom” do rap. Mas o disco saiu em 2005 e o grupo acabou. Restou à gente fazer um pouco do que eles faziam, e, hoje em dia, todos são nossos amigos. Produzi beats para o Shawlin e ele participou do nosso segundo disco.   Billboard: Desde o primeiro trabalho da Cone – Ataque Lírico­, de 2007 – vocês tratam da legalização da maconha abertamente nas músicas. Como você vê a evolução da questão no Brasil? Papatinho: (Risos) Então... Sou a pessoa menos indicada do grupo para responder essa questão, porque sou o único que não é maconheiro. Mas posso falar que hoje é bem diferente de quando a gente começou. Era muito mais recriminado... A coisa está mais aceita. Mas realmente não posso falar muito sobre isso (risos). É uma lenda, ninguém acredita. Se procurarem meu nome no Google, a pesquisa mais relacionada ao meu nome é se fumo maconha. Mas eu não fumo, não, por incrível que pareça.