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Conheça Allie X, uma das caras da nova geração do pop

Cantora virá ao Brasil pela primeira vez para show em São Paulo

por Rebecca Silva em 29/11/2016

Com a democratização proporcionada pela internet, artistas independentes e que não se encaixavam na imagem dos produtos já batidos das grandes gravadoras viram a sua chance de mostrar para o mundo o seu talento e construir, virtualmente, uma comunidade de fãs ao redor do globo de causar inveja. O Brasil costuma figurar nas listas de países que mais acessam à internet e é possível encontrar fãs brasileiros nas redes sociais de, literalmente, qualquer artista imaginável. Junte esses dois fatores e temos o fenômeno Allie X, mais um nome desconhecido do grande público, mas amado pelos brasileiros assíduos nas redes sociais. Em um momento em que os grandes nomes do pop parecem tentar um retorno a algo menos pré-fabricado e fogem de suas zonas de conforto, nomes como o de Allie X se destacam em um cenário pop mais alternativo. A Billboard Brasil conversou com a cantora algumas semanas antes dela desembarcar no país pela primeira vez, para show único em São Paulo (09/12).

Você sempre teve um interesse pelas artes, estudou teatro e chegou a atuar antes de se dedicar 100% à carreira de cantora. Como sua atenção começou a se voltar somente para a música?

Meu objetivo sempre foi a música. Sempre fiz música, compus, mesmo enquanto estava em outras frentes. A música é melhor para mim do que o teatro musical e a atuação. Sou uma atriz ok. Já trabalhei em outros lugares para me sustentar e pagar minhas contas, mas sempre acabava demitida. Então acho que nasci para a música mesmo [risos].

O que te inspira a compor? Qual foi a sua música mais difícil e a mais fácil de escrever?

Minha vontade de ser ouvida, de me entender e ser entendida são as inspirações. Defino a dificuldade pela demora para terminar de compor. Algumas demoram bastante. “Catch”, por exemplo, eu levei dois anos para fazer. Escrevi em alguns meses, mas a produção demora um tanto. São várias versões da mesma música até eu encontrar a que mais me agrada. É por isso que meu novo álbum, Collxtion II, ainda não saiu.

Um momento importante da sua carreira foi quando Katy Perry tuitou justamente sobre a música “Catch” e o quanto ela estava curtindo o single. Como foi? Se sentiu estranha por ser reconhecida por alguém famoso?

Foi bem radical quando aconteceu. Foi a primeira vez que lancei uma música, meu primeiro tudo: lidar com a mídia, ter gravadoras entrando em contato comigo e, para completar, a Katy falou sobre a música. Foi surreal, excitante. Agora já estou em Los Angeles há três anos, já tive a chance de conhecer e trabalhar com pessoas famosas, então se acontecesse hoje, não seria tão legal quanto foi.

As pessoas te veem como uma mulher reservada, mas que tem uma atitude diferente em cima do palco. Você considera que Allie X é seu alter ego?

Não. Allie X sou eu me descobrindo, sendo quem eu quero ser. Sempre tive essa dúvida sobre mim mesma, se sou uma pessoa boa ou má. Por isso o “X” no meu nome, para representar essa incógnita, essa confusão. Estou tentando me entender. Na verdade, pessoalmente eu sou bem insegura, quieta. No palco, tenho confiança e outra energia. Não acredito que você precise ser definido por uma opinião, não acredito que precise ser um só. Você pode ser várias pessoas dentro de uma só.

Suas fotos e seus looks parecem muito bem planejados e montados. Qual é a sua inspiração na moda?

Me inspiro em estilistas e marcas que gosto do trabalho como Vivienne Westwood, Miu Miu. Meus fãs gostam muito desse universo que criei, eles querem fazer parte desse mundo X. Mas, na verdade, gosto de me vestir para cobrir partes do meu corpo. Não me sinto confortável mostrando muito, sempre fui insegura com meu corpo. Cresci assistindo aos videoclipes com mulheres usando roupas curtas, cabelo loiro, seios grandes. Nunca fui desse jeito. Com o tempo, aprendi a usar peças que me valorizavam e me deixavam confortável.

E você faz parte de um grupo de cantoras que destoa desse produto loiro, com um corpão, roupas coladas, mas que podem sim cantar pop.

Sim! Agora está na moda ter um corpo normal, gosto dessa mudança na indústria, com o que chamam de Blog Pop, que faço parte. São essas cantoras que surgem na internet, conquistam fãs da forma que são e depois chamam atenção das gravadoras. Fico pensando... o que seria de mim se tivesse investido na carreira há 15 anos, lá pelos anos 1990? Prefiro agora do que a época em que se vendiam mais discos.

Quando avisamos no Twitter que iríamos conversar com você, seus fãs enviaram algumas perguntas. A mais frequente foi: Quando sai o Collxtion II?

Trabalho no álbum todos os dias. Ele sairá em breve. Passo meu tempo produzindo as faixas e esse processo demora um tanto. Farei com que ele seja o mais visual possível sem o orçamento da Beyoncé [risos]! Acredito que não tem jeito de ter uma experiência completa sem o visual.

Com quem você gostaria de fazer colaborações?

Gosto muito da banda Chairlift, eles são de Nova York. Adoraria fazer algo com Caroline Polacheck, a vocalista. Cyndi Lauper seria um sonho! MØ é incrível, amo a Charli XCX.

Só mulheres?

Falei apenas mulheres, mas costumo trabalhar mais com homens por causa da forma que a indústria é. Mas quero que garotas jovens, sentadas em seus computadores, saibam que podem produzir músicas e que podem ser cantoras se quiserem.

Você escuta alguma coisa que considera guilty pleasure?

Nunca tive vergonha de gostar de música pop! Ouço qualquer coisa. Taylor Swift é incrível [risos]. Sou uma garota do pop e tenho orgulho disso! Tem uma razão para o gênero ser chamado de pop, né?

Sua base de fãs no Brasil é bem ativa. Quando começou a carreira, imaginou que teria essa conexão com fãs de tão longe e que nem falam sua língua?

Tenho sim uma quantidade inexplicável de fãs por aí! Sou muito grata. Sempre acreditei em mim e na minha música, mas nunca imaginei algo assim. Quando lancei “Catch”, nunca achei que seria ouvida fora de Los Angeles. Mas é ótimo porque sempre soube que eu tinha algo a dizer.

O que você espera do show no Brasil?

Não tenho ideia. Estou muito animada! Quero muito abraçar meus fãs e agradecer pelo apoio que sempre me deram de tão longe. Vocês são conhecidos pela energia e pela animação, então eles podem gritar, não me importo!

Já conhece alguma coisa de música brasileira?

Hermeto Pascoal [risos]! Ele é incrível! Também conheço o Tim Maia e o Jorge Ben Jor.

Serviço:
Allie X
Teatro Mars – São Paulo
09/12 – 02h
Ingressos: de R$ 70 a R$ 195,50 no site.

  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
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Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
Saudade
Eduardo Costa
3
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
Aquela Pessoa
Henrique & Juliano
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por Rebecca Silva em 29/11/2016

Com a democratização proporcionada pela internet, artistas independentes e que não se encaixavam na imagem dos produtos já batidos das grandes gravadoras viram a sua chance de mostrar para o mundo o seu talento e construir, virtualmente, uma comunidade de fãs ao redor do globo de causar inveja. O Brasil costuma figurar nas listas de países que mais acessam à internet e é possível encontrar fãs brasileiros nas redes sociais de, literalmente, qualquer artista imaginável. Junte esses dois fatores e temos o fenômeno Allie X, mais um nome desconhecido do grande público, mas amado pelos brasileiros assíduos nas redes sociais. Em um momento em que os grandes nomes do pop parecem tentar um retorno a algo menos pré-fabricado e fogem de suas zonas de conforto, nomes como o de Allie X se destacam em um cenário pop mais alternativo. A Billboard Brasil conversou com a cantora algumas semanas antes dela desembarcar no país pela primeira vez, para show único em São Paulo (09/12).

Você sempre teve um interesse pelas artes, estudou teatro e chegou a atuar antes de se dedicar 100% à carreira de cantora. Como sua atenção começou a se voltar somente para a música?

Meu objetivo sempre foi a música. Sempre fiz música, compus, mesmo enquanto estava em outras frentes. A música é melhor para mim do que o teatro musical e a atuação. Sou uma atriz ok. Já trabalhei em outros lugares para me sustentar e pagar minhas contas, mas sempre acabava demitida. Então acho que nasci para a música mesmo [risos].

O que te inspira a compor? Qual foi a sua música mais difícil e a mais fácil de escrever?

Minha vontade de ser ouvida, de me entender e ser entendida são as inspirações. Defino a dificuldade pela demora para terminar de compor. Algumas demoram bastante. “Catch”, por exemplo, eu levei dois anos para fazer. Escrevi em alguns meses, mas a produção demora um tanto. São várias versões da mesma música até eu encontrar a que mais me agrada. É por isso que meu novo álbum, Collxtion II, ainda não saiu.

Um momento importante da sua carreira foi quando Katy Perry tuitou justamente sobre a música “Catch” e o quanto ela estava curtindo o single. Como foi? Se sentiu estranha por ser reconhecida por alguém famoso?

Foi bem radical quando aconteceu. Foi a primeira vez que lancei uma música, meu primeiro tudo: lidar com a mídia, ter gravadoras entrando em contato comigo e, para completar, a Katy falou sobre a música. Foi surreal, excitante. Agora já estou em Los Angeles há três anos, já tive a chance de conhecer e trabalhar com pessoas famosas, então se acontecesse hoje, não seria tão legal quanto foi.

As pessoas te veem como uma mulher reservada, mas que tem uma atitude diferente em cima do palco. Você considera que Allie X é seu alter ego?

Não. Allie X sou eu me descobrindo, sendo quem eu quero ser. Sempre tive essa dúvida sobre mim mesma, se sou uma pessoa boa ou má. Por isso o “X” no meu nome, para representar essa incógnita, essa confusão. Estou tentando me entender. Na verdade, pessoalmente eu sou bem insegura, quieta. No palco, tenho confiança e outra energia. Não acredito que você precise ser definido por uma opinião, não acredito que precise ser um só. Você pode ser várias pessoas dentro de uma só.

Suas fotos e seus looks parecem muito bem planejados e montados. Qual é a sua inspiração na moda?

Me inspiro em estilistas e marcas que gosto do trabalho como Vivienne Westwood, Miu Miu. Meus fãs gostam muito desse universo que criei, eles querem fazer parte desse mundo X. Mas, na verdade, gosto de me vestir para cobrir partes do meu corpo. Não me sinto confortável mostrando muito, sempre fui insegura com meu corpo. Cresci assistindo aos videoclipes com mulheres usando roupas curtas, cabelo loiro, seios grandes. Nunca fui desse jeito. Com o tempo, aprendi a usar peças que me valorizavam e me deixavam confortável.

E você faz parte de um grupo de cantoras que destoa desse produto loiro, com um corpão, roupas coladas, mas que podem sim cantar pop.

Sim! Agora está na moda ter um corpo normal, gosto dessa mudança na indústria, com o que chamam de Blog Pop, que faço parte. São essas cantoras que surgem na internet, conquistam fãs da forma que são e depois chamam atenção das gravadoras. Fico pensando... o que seria de mim se tivesse investido na carreira há 15 anos, lá pelos anos 1990? Prefiro agora do que a época em que se vendiam mais discos.

Quando avisamos no Twitter que iríamos conversar com você, seus fãs enviaram algumas perguntas. A mais frequente foi: Quando sai o Collxtion II?

Trabalho no álbum todos os dias. Ele sairá em breve. Passo meu tempo produzindo as faixas e esse processo demora um tanto. Farei com que ele seja o mais visual possível sem o orçamento da Beyoncé [risos]! Acredito que não tem jeito de ter uma experiência completa sem o visual.

Com quem você gostaria de fazer colaborações?

Gosto muito da banda Chairlift, eles são de Nova York. Adoraria fazer algo com Caroline Polacheck, a vocalista. Cyndi Lauper seria um sonho! MØ é incrível, amo a Charli XCX.

Só mulheres?

Falei apenas mulheres, mas costumo trabalhar mais com homens por causa da forma que a indústria é. Mas quero que garotas jovens, sentadas em seus computadores, saibam que podem produzir músicas e que podem ser cantoras se quiserem.

Você escuta alguma coisa que considera guilty pleasure?

Nunca tive vergonha de gostar de música pop! Ouço qualquer coisa. Taylor Swift é incrível [risos]. Sou uma garota do pop e tenho orgulho disso! Tem uma razão para o gênero ser chamado de pop, né?

Sua base de fãs no Brasil é bem ativa. Quando começou a carreira, imaginou que teria essa conexão com fãs de tão longe e que nem falam sua língua?

Tenho sim uma quantidade inexplicável de fãs por aí! Sou muito grata. Sempre acreditei em mim e na minha música, mas nunca imaginei algo assim. Quando lancei “Catch”, nunca achei que seria ouvida fora de Los Angeles. Mas é ótimo porque sempre soube que eu tinha algo a dizer.

O que você espera do show no Brasil?

Não tenho ideia. Estou muito animada! Quero muito abraçar meus fãs e agradecer pelo apoio que sempre me deram de tão longe. Vocês são conhecidos pela energia e pela animação, então eles podem gritar, não me importo!

Já conhece alguma coisa de música brasileira?

Hermeto Pascoal [risos]! Ele é incrível! Também conheço o Tim Maia e o Jorge Ben Jor.

Serviço:
Allie X
Teatro Mars – São Paulo
09/12 – 02h
Ingressos: de R$ 70 a R$ 195,50 no site.