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Conheça Hannah Williams, a voz de “4:44" de Jay-Z

A cantora recebeu uma ligação do rapper com um pedido para usar sua música; claro que ela topou

por Ronald Rios em 20/07/2017

Ela é a voz que permeia a faixa-título de 4:44, novo disco do Jay-Z, a tão celebrada volta do rapper americano ao topo do mundo. O disco chamou atenção por muitos motivos, mas principalmente por ser, sim, muito bom. Quando muita gente (eu incluso) desconfiava que Jay-Z conseguiria fazer um novo disco desse calibre, ele chega com uma obra perfeita de ponta a ponta e mostra – como se precisasse a essa altura do campeonato – por que é uma lenda do rap.

Guiado pelas batidas do lendário produtor No ID, Jay-Z lançou um dos seus melhores álbuns. As duas faixas mais comentadas são “The Story of OJ”, em que Jay-Z fala do empoderamento econômico do povo afro-americano e “4:44”, o pedido de desculpas à esposa Beyoncé por toda infidelidade conjugal que o rapper cometeu ao longo dos anos de relação, explanada ao público no belíssimo disco conceitual Lemonade da cantora americana.

5 COISAS PARA SABER ANTES DE OUVIR O NOVO ÁLBUM DE JAY-Z

Rapaz, o que tem de gente chorando ouvindo essa “4:44”. O tanto de meme que eu vi no Twitter do povo controlando o aguaceiro ouvindo essa música, uma produção cheia de soul que No ID construiu a partir de um longo sample de "Late Nights & Heartbreak" de Hannah Williams e sua banda de apoio, “The Affirmations”. Logicamente os fãs da técnica de recorte de trechos de músicas para criação de batidas de rap, gerando novas músicas, piraram com a música original. Quem é essa moça Hanna? Pela voz e clima da música, você pode se enganar e pensar que vêm de um vinil obscuro gravado nos anos 70 por uma das damas do soul dos Estados Unidos. Uma rápida pesquisa e você descobre que na verdade é uma jovem cantora de Inglaterra, onde ela dirige o departamento de música da Universidade de Winchester, uma das principais do país.

Eu conversei com a cantora, que está há alguns anos no mercado e que, por conta da aparição fundamental no disco de rap mais falado do momento, está tendo sua chance de ser reconhecida mundialmente.

Ela que vive no mundo do soul e funk, mas me contou empolgada que ama nosso samba: “Nada no mundo me faz dançar como essas músicas rápidas e de polirritmos complexos que vocês têm aí”.

OS NÚMEROS DE JAY-Z AO LONGO DA CARREIRA

Com vocês, Hanna Williams:

Hanna, eu tenho ouvido suas músicas há umas semanas e estou adorando. Eu presumo que sua maior influência venha da música americana. O que você ouvia para desenvolver seu estilo?
Ah, sim, com certeza. Soul é um fenômeno mundial mas definitivamente foi muito mais desenvolvido nos Estados Unidos. A minha lista de influências é do tamanho do meu braço. Etta James, Nina Simone, Charles Bradley, Sharon Jones, Aretha Franklin, Minnie Ripperton, Otis Redding, Bill Withers, James Brown, Dionne Warwick…. Não acaba essa lista. Todas essas vozes me inspiraram muito e sem dúvida moldaram meu ouvido para música mas eu nunca quis soar como ninguém. Acho que nenhum artista quer isso, na verdade. Eu só quero soar como eu mesma e espero que as pessoas curtam minha música.

Normalmente, quando um rapper grande vai samplear uma música, a coisa toda é cuidada por agentes, empresários, A&R’s… mas não o artista em si. No seu caso, foi o Jay-Z que te ligou pessoalmente. Fala dessa experiência. Você coçou a cabeça e pensou “isso é algum tipo de trote?”
[risos] Sim! 100% Você acertou na mosca. Quando o Jai, meu baterista e empresário, me disse para “esperar uma ligação do Jay-Z”, eu achei que fosse algum tipo de armação. Mas não! O Senhor Z me ligou 48 horas depois para perguntar se poderíamos mandar as sessões completas, originais e separadas gravadas da música. Também pediu para eu regravar umas variações da letra do refrão caso ele precisasse diversificar o sentido do material original. Eu estava num ônibus com 50 alunos do departamento de música que eu toco na Universidade de Winchester, voltando dum festival de coro. Eu estava quase em casa quando eu pensei em ligar para meu marido. Peguei o celular e para meu choque e confusão, tinha várias ligações não atendidas de um número nos Estados Unidos. E uma mensagem de texto: “Oi. Aqui é o Jay. Por favor, me avisa quando você estiver disponível para uma conversa rápida. Obrigado”. SÉRIO?! O QUÊ?! Eu fui correndo telefonar para ele da pequena casa que aluguei em Winchester e… pronto. Ele não usou nenhuma versão adicional que eu gravei, o que me deixou feliz, porque isso mostra que a versão original fala por si só.

Já vi casos de músicos relutantes sobre ter uma canção sampelada por um MC. Você ficou insegura em algum ponto?
Claro que não! Ele não é chamado de Hov (trocadilho com o nome “Deus” em hebraico que o rapper usa) à toa! Ele é o maior nome do rap. Foi uma oportunidade fantástica. Eu acho que a única coisa que eu esperava é que desse para reconhecer a gente no sample… e wow, como dava! O No ID usou dum jeito muito criativo mas respeitoso com a canção original.

Isso, sobre o No ID! “4:44” é uma das músicas onde o Jay-Z mais se abriu na carreira, talvez a mais íntima mesmo. Eu nunca o ouvi tão aberto. O No ID disse que ele fez a base de um jeito que estimulasse o Jay-Z a falar abertamente sobre todos aqueles sentimentos na música. E aí entra você, com sua voz inspiradora. Como é participar disso?
Olha, é incrível. Eu não tinha ideia! [aqui a cantora fez uma brincadeira com o nome do famoso produtor, perdida na tradução. “I HAD NO IDEAD”] Eu não sabia da história por trás da música ou que ela seria uma música que serviria de veículo para ele fazer essa música em específico. Eu nem sabia que seria a faixa título do álbum. Tudo que a gente soube sobre a música foi no dia 30 de junho, quando saiu o disco. Foi um dia e tanto para todos nós. Ninguém poderia me preparar para isso.

E você ouve rap? Já pensou em gravar com outros rappers?
Sim, eu gosto de rap. Não é o que eu mais ouço mas definitivamente tem seu lugar na minha playlist há muito tempo. Além disso… só morando embaixo duma pedra no meio do deserto para eu não conhecer a música do Jay-Z, né? Eu vou ficar feliz de trabalhar com outros artistas. Eu costumo escrever ou gravar vocais para vários tipos de artistas. Soul, house, electro swing, pop.. o que aparecer. Eu não sou uma purista do soul. Gosto de música mais clássica ou popular. Sendo boa, eu tô dentro!

Chega muita coisa do Brasil na Europa. Algo te chamou atenção?
Eu AMO samba. Nada no mundo me faz dançar como essas músicas rápidas e de polirritmos complexos que vocês têm aí.

Da hora. Já pensou em pedir um verso pro Jay-Z?
[risos] Como você sugere que eu devia pedir isso? Se bem que, né… ele praticamente já me deu isso, né? Os primeiros 52 segundos de “4:44” sou eu e minha banda.

Faz sentido. Aliás, eu venho ouvindo o seu último disco, Late Nights & Heartbreak, de 2016, e amando. Você planeja lançar músicas novas logo?
Com certeza. Estamos agarrando todas as oportunidades que temos para nos reunir e escrever músicas, experimentar material novo… pegar algumas músicas que não entraram no disco anterior e reconstruindo – as que gostamos. E vamos logo gravar um álbum novo. Estamos famintos pra entregar música nova pro mundo!

Obrigado, Hannah. Espero poder ouvir mais de você logo.
Eu que agradeço, muito obrigado. Muito amor pelo Brasil!

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Conheça Hannah Williams, a voz de “4:44" de Jay-Z

A cantora recebeu uma ligação do rapper com um pedido para usar sua música; claro que ela topou

por Ronald Rios em 20/07/2017

Ela é a voz que permeia a faixa-título de 4:44, novo disco do Jay-Z, a tão celebrada volta do rapper americano ao topo do mundo. O disco chamou atenção por muitos motivos, mas principalmente por ser, sim, muito bom. Quando muita gente (eu incluso) desconfiava que Jay-Z conseguiria fazer um novo disco desse calibre, ele chega com uma obra perfeita de ponta a ponta e mostra – como se precisasse a essa altura do campeonato – por que é uma lenda do rap.

Guiado pelas batidas do lendário produtor No ID, Jay-Z lançou um dos seus melhores álbuns. As duas faixas mais comentadas são “The Story of OJ”, em que Jay-Z fala do empoderamento econômico do povo afro-americano e “4:44”, o pedido de desculpas à esposa Beyoncé por toda infidelidade conjugal que o rapper cometeu ao longo dos anos de relação, explanada ao público no belíssimo disco conceitual Lemonade da cantora americana.

5 COISAS PARA SABER ANTES DE OUVIR O NOVO ÁLBUM DE JAY-Z

Rapaz, o que tem de gente chorando ouvindo essa “4:44”. O tanto de meme que eu vi no Twitter do povo controlando o aguaceiro ouvindo essa música, uma produção cheia de soul que No ID construiu a partir de um longo sample de "Late Nights & Heartbreak" de Hannah Williams e sua banda de apoio, “The Affirmations”. Logicamente os fãs da técnica de recorte de trechos de músicas para criação de batidas de rap, gerando novas músicas, piraram com a música original. Quem é essa moça Hanna? Pela voz e clima da música, você pode se enganar e pensar que vêm de um vinil obscuro gravado nos anos 70 por uma das damas do soul dos Estados Unidos. Uma rápida pesquisa e você descobre que na verdade é uma jovem cantora de Inglaterra, onde ela dirige o departamento de música da Universidade de Winchester, uma das principais do país.

Eu conversei com a cantora, que está há alguns anos no mercado e que, por conta da aparição fundamental no disco de rap mais falado do momento, está tendo sua chance de ser reconhecida mundialmente.

Ela que vive no mundo do soul e funk, mas me contou empolgada que ama nosso samba: “Nada no mundo me faz dançar como essas músicas rápidas e de polirritmos complexos que vocês têm aí”.

OS NÚMEROS DE JAY-Z AO LONGO DA CARREIRA

Com vocês, Hanna Williams:

Hanna, eu tenho ouvido suas músicas há umas semanas e estou adorando. Eu presumo que sua maior influência venha da música americana. O que você ouvia para desenvolver seu estilo?
Ah, sim, com certeza. Soul é um fenômeno mundial mas definitivamente foi muito mais desenvolvido nos Estados Unidos. A minha lista de influências é do tamanho do meu braço. Etta James, Nina Simone, Charles Bradley, Sharon Jones, Aretha Franklin, Minnie Ripperton, Otis Redding, Bill Withers, James Brown, Dionne Warwick…. Não acaba essa lista. Todas essas vozes me inspiraram muito e sem dúvida moldaram meu ouvido para música mas eu nunca quis soar como ninguém. Acho que nenhum artista quer isso, na verdade. Eu só quero soar como eu mesma e espero que as pessoas curtam minha música.

Normalmente, quando um rapper grande vai samplear uma música, a coisa toda é cuidada por agentes, empresários, A&R’s… mas não o artista em si. No seu caso, foi o Jay-Z que te ligou pessoalmente. Fala dessa experiência. Você coçou a cabeça e pensou “isso é algum tipo de trote?”
[risos] Sim! 100% Você acertou na mosca. Quando o Jai, meu baterista e empresário, me disse para “esperar uma ligação do Jay-Z”, eu achei que fosse algum tipo de armação. Mas não! O Senhor Z me ligou 48 horas depois para perguntar se poderíamos mandar as sessões completas, originais e separadas gravadas da música. Também pediu para eu regravar umas variações da letra do refrão caso ele precisasse diversificar o sentido do material original. Eu estava num ônibus com 50 alunos do departamento de música que eu toco na Universidade de Winchester, voltando dum festival de coro. Eu estava quase em casa quando eu pensei em ligar para meu marido. Peguei o celular e para meu choque e confusão, tinha várias ligações não atendidas de um número nos Estados Unidos. E uma mensagem de texto: “Oi. Aqui é o Jay. Por favor, me avisa quando você estiver disponível para uma conversa rápida. Obrigado”. SÉRIO?! O QUÊ?! Eu fui correndo telefonar para ele da pequena casa que aluguei em Winchester e… pronto. Ele não usou nenhuma versão adicional que eu gravei, o que me deixou feliz, porque isso mostra que a versão original fala por si só.

Já vi casos de músicos relutantes sobre ter uma canção sampelada por um MC. Você ficou insegura em algum ponto?
Claro que não! Ele não é chamado de Hov (trocadilho com o nome “Deus” em hebraico que o rapper usa) à toa! Ele é o maior nome do rap. Foi uma oportunidade fantástica. Eu acho que a única coisa que eu esperava é que desse para reconhecer a gente no sample… e wow, como dava! O No ID usou dum jeito muito criativo mas respeitoso com a canção original.

Isso, sobre o No ID! “4:44” é uma das músicas onde o Jay-Z mais se abriu na carreira, talvez a mais íntima mesmo. Eu nunca o ouvi tão aberto. O No ID disse que ele fez a base de um jeito que estimulasse o Jay-Z a falar abertamente sobre todos aqueles sentimentos na música. E aí entra você, com sua voz inspiradora. Como é participar disso?
Olha, é incrível. Eu não tinha ideia! [aqui a cantora fez uma brincadeira com o nome do famoso produtor, perdida na tradução. “I HAD NO IDEAD”] Eu não sabia da história por trás da música ou que ela seria uma música que serviria de veículo para ele fazer essa música em específico. Eu nem sabia que seria a faixa título do álbum. Tudo que a gente soube sobre a música foi no dia 30 de junho, quando saiu o disco. Foi um dia e tanto para todos nós. Ninguém poderia me preparar para isso.

E você ouve rap? Já pensou em gravar com outros rappers?
Sim, eu gosto de rap. Não é o que eu mais ouço mas definitivamente tem seu lugar na minha playlist há muito tempo. Além disso… só morando embaixo duma pedra no meio do deserto para eu não conhecer a música do Jay-Z, né? Eu vou ficar feliz de trabalhar com outros artistas. Eu costumo escrever ou gravar vocais para vários tipos de artistas. Soul, house, electro swing, pop.. o que aparecer. Eu não sou uma purista do soul. Gosto de música mais clássica ou popular. Sendo boa, eu tô dentro!

Chega muita coisa do Brasil na Europa. Algo te chamou atenção?
Eu AMO samba. Nada no mundo me faz dançar como essas músicas rápidas e de polirritmos complexos que vocês têm aí.

Da hora. Já pensou em pedir um verso pro Jay-Z?
[risos] Como você sugere que eu devia pedir isso? Se bem que, né… ele praticamente já me deu isso, né? Os primeiros 52 segundos de “4:44” sou eu e minha banda.

Faz sentido. Aliás, eu venho ouvindo o seu último disco, Late Nights & Heartbreak, de 2016, e amando. Você planeja lançar músicas novas logo?
Com certeza. Estamos agarrando todas as oportunidades que temos para nos reunir e escrever músicas, experimentar material novo… pegar algumas músicas que não entraram no disco anterior e reconstruindo – as que gostamos. E vamos logo gravar um álbum novo. Estamos famintos pra entregar música nova pro mundo!

Obrigado, Hannah. Espero poder ouvir mais de você logo.
Eu que agradeço, muito obrigado. Muito amor pelo Brasil!