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CPM 22 alcança a maturidade e é figura certa em festivais pelo país

Banda se apresenta nesse sábado no João Rock, com cobertura da Billboard Brasil

por Marcos Lauro em 09/06/2017

Atlântida, Rock in Rio, João Rock... é fácil ver o CPM 22 no lineup dos maiores festivais do país. A banda, que completa 22 anos, lançou seu novo álbum de inéditas, Suor e Sacrifício, depois de um intervalo de seis anos em sua discografia.

JOÃO ROCK ANUNCIA LINE-UP; CPM 22 E PITTY SÃO OS DESTAQUES

Suor e Sacrifício traz um grupo mais coeso, experiente e maduro. “No começo foi tudo muito corrido, né? Independente, aí já entra pra gravadora, mudança na vida de uma hora pra outra, falta de experiência, enfim”, explica o vocalista Badauí sobre a diferença do momento atual para o começo da carreira: “Eu trabalhei agora do jeito que eu me sinto melhor. Cê busca isso mas nem sempre consegue... agora foi”.

No sábado (10/06), a banda sobe mais uma vez ao palco do João Rock e a Billboard Brasil estará lá, em Ribeirão Preto, para acompanhar de perto. Antes disso, batemos um papo com Badauí, Japinha e Luciano Garcia sobre a trajetória da banda e o novo álbum.

Vocês tocam bastante em festivais. Qual é a sensação de estar em grandes palcos? O que muda em relação aos shows só com o CPM?
Luciano – Tem a pressão, né? Cê olha uma escalação que tem, sei lá, Paralamas, Jota Quest, Skank... cê não pode falhar de nenhum jeito [risos]. E é divertido, tem a convivência, né... tem as diferenças de gênero musical, mas todo mundo se fala, rola uma interação legal com as outras bandas. A gente se sente uns moleques, né? A gente lá de bermuda e camiseta e outras bandas mais arrumadinhas e tal... a gente conseguiu levar o punk rock pra esses palcos grandes e tocar com gente que é referência pra gente, isso é demais.

E participar disso é um aprendizado também, né?
Luciano –
Sim, essa coisa profissional, gigantesca. Muita gente imagina o punk como um monte de coisa desleixada e nunca foi o nosso caso, a gente sempre foi superchato com organização, som, luz... é uma responsa, mas é uma responsa legal que a gente sempre procurou. E mostra que a gente tem uma importância no cenário musical, né? E mesmo assim a gente continua se achando moleque [risos].
Japinha – Buscando juventude mas com experiência.
Luciano – A gente não tá ficando velho, a gente é jovem há mais tempo [risos].

Tem fã que cobra pelo fato da banda ser mainstream, aparecer na Globo?
Luciano –
Ainda tem sim. Mas é um tiro no pé não ir. A gente tá justamente colocando o punk em lugares em que não estava anos atrás, assim como alguns nomes do rap hoje. A gente leva o nosso som pra quem quiser ouvir e quem quiser gostar. A gente nunca escolheu fã.
Japinha – Muitas bandas da nossa época nem tentaram chegar, por que desanima mesmo, né? Quando a gente assinou com gravadora pela primeira vez, teve fã que chiou. Faz parte.
Luciano – Qual o maior ícone do punk? Ramones? Vai no YouTube e vê quantos playbacks eles fizeram na TV, umas coisas estranhas. A gente evita playback, fez muito pouco. Então, porque a gente não pode ir na Fátima Bernardes tocar ao vivo? O nosso som? A gente não vai lá tocar uma música da Anitta. Nada contra Anitta, mas não seria sincero, não seria o nosso som. E ao mesmo tempo eu entendo, já fui moleque. “Pô, Pennywise tocando na 89??” [risos].
Japinha – “Metallica no Jô, nãããão [risos]!
Luciano – São opiniões, né? Não agredindo a banda...
Japinha – Quem curte rock reclama que só vê sertanejo e funk na mídia. Estamos aí representando...
Luciano – E aí quando tem rock na mídia, reclamam [risos].

Sem contar que é uma baita estrutura pra se apresentar e tudo mais...
Luciano –
Ah, sim, é respeito total. Você se sente o Antonio Fagundes [risos]. Pode chamar mais.
Japinha – A agenda fica mais cheia, o telefone toca mais {risos]...

22 anos de banda, como foi acompanhar e usar a internet na divulgação? O público cresceu, veio mais hater, como é?
Japinha –
Um pouco de tudo. Mas deu uma melhorada sim. A gente fez umas formaturas ultimamente e uma galera nova canta os hits a plenos pulmões, sabe? A galera coloca nas playlists, conhece. Por outro lado, diminui venda de CD e tudo mais. Quando a gente começou, as gravadoras tinham o domínio total. E hoje nem tanto... a internet deu uma enfraquecida nisso, principalmente na hora de erguer uma nova banda de rock.
Luciano – É muito pró e contra. Lançamos o disco e já tinha gente cantando música nova no show. Mas o ruim é que fica tudo muito mastigado. Hoje, o cara tá gravando disco de banda montada há um mês. A meta às vezes é view no Youtube. Antes se ensaiava muito mais, tinha mais tempo. E hater sempre teve, né... normal. Não só na música, no esporte... é muito julgamento. A gente tenta ficar de fora e pegar a parte boa.
Japinha – A gente usa bastante internet, estamos em todas as mídias e tal.
Luciano – Se não falta com respeito, críticas são bem-vindas.

Seis anos sem disco de inéditas. O que era o CPM há seis anos e agora?
Luciano –
Tem outro guitarrista, o Phill.
Japinha – No último disco tinha muito ska, a gente estava ouvindo muito...
Luciano – Sim, ouvindo Specials, Mighty Mighty Bosstones. Aí tinha muita influência mesmo. Mas o tempo de pelo menos três anos pra fazer um disco é bem saudável pra banda. E a gente não voltou pro punk rock, a gente só deixou de usar ska e outras coisas. É CPM! E está todo mundo tocando melhor, a gente cresceu musicalmente, todo mundo mais velho. E eu li uma crítica que achei legal. O cara fala “que o CPM tá muito à vontade na sua mesmice”... achei perfeito, ele entendeu [risos]. A gente não quer revolucionar nada, a gente é punk rock e está muito à vontade no nosso quadrado. É a nova-velha fase do CPM 22. O Phil tá fazendo os solos... antes eu fazia, mas não curtia muito. Assim que ele chegou, eu falei: “Tó!” [risos].
Japinha – E é legal identificar as mudanças da banda num disco, né. Sem contar a tecnologia que a gente usou, estúdio de ponta e tal.

E nesse disco tem a primeira música autoral do CPM em inglês, com o Trever Keith, do Face to Face. Como foi essa experiência? Cês já conheciam o Trever?
Badauí –
Sim, desde 2010 a gente vem mantendo contato. Um fã nosso mandou pra ele o vídeo de um cover que a gente fez no Festival Atlântida e o Trever curtiu. Aí eles vieram pro Brasil no ano seguinte e nos conhecemos... em 2013, na época do nosso acústico, chamei pra participar mas a gente não conseguiu trazê-lo, preferi guardar a participação dele pro disco de inéditas. Aí quando chegou a hora, retomei contato e foi bem legal... ele pediu pra mandar a base que ele ia fazer a letra. É uma puta honra, né? O grande público pode não conhecer, mas quem curte punk sabe quem é. A ideia é trazer ele pra um show... eles vêm pra cá em novembro, vamos ver. Ele ama o Brasil, vem todo ano.

E vocês abrem bastante shows das bandas lá de fora. Geralmente os caras são gente boa ou rola um distanciamento?
Badauí –
Ah, o americano é diferente, né, mais na dele. Mas o NOFX, por exemplo, é tudo doidão [risos]. Já fizemos uma turnê com eles e eles ficavam no nosso camarim, tranquilos. Face to Face também é bem simples, gente boa... e como a gente conhece os produtores que trazem as bandas, fica mais próximo, sai pra tomar uma. É legal trocar ideia com bandas que influenciaram a gente, que têm posição política, têm postura.

O Luciano e o Japinha já falaram um pouco sobre a evolução da banda nesses seis anos de intervalo entre os álbuns de inéditas. E pra você, como vocalista?
Badauí –
Ah, agora eu aprendi a cantar [risos]. No começo foi tudo muito corrido, né? Independente, aí já entra pra gravadora, mudança na vida de uma hora pra outra, falta de experiência, enfim. Sinto que evoluí bastante na forma de cantar e escrever e isso é o tempo mesmo que te traz, trabalhando forte dia a dia. Se não evoluir, tem que parar, né? É o disco que eu sempre quis fazer, é o melhor disco da banda como melodia, velocidade, letras. Tô muito contente, desde a capa até a formação da banda. Estamos muito entrosados, são músicas de show mesmo, me sinto confortável cantando. Eu trabalhei agora do jeito que eu me sinto melhor. Cê busca isso mas nem sempre consegue... agora foi! O clima da banda é muito bom e reflete no disco, não tem jeito.

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Gusttavo LIma
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Eduardo Costa
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Marília Mendonça
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
Aquela Pessoa
Henrique & Juliano
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Banda se apresenta nesse sábado no João Rock, com cobertura da Billboard Brasil

por Marcos Lauro em 09/06/2017

Atlântida, Rock in Rio, João Rock... é fácil ver o CPM 22 no lineup dos maiores festivais do país. A banda, que completa 22 anos, lançou seu novo álbum de inéditas, Suor e Sacrifício, depois de um intervalo de seis anos em sua discografia.

JOÃO ROCK ANUNCIA LINE-UP; CPM 22 E PITTY SÃO OS DESTAQUES

Suor e Sacrifício traz um grupo mais coeso, experiente e maduro. “No começo foi tudo muito corrido, né? Independente, aí já entra pra gravadora, mudança na vida de uma hora pra outra, falta de experiência, enfim”, explica o vocalista Badauí sobre a diferença do momento atual para o começo da carreira: “Eu trabalhei agora do jeito que eu me sinto melhor. Cê busca isso mas nem sempre consegue... agora foi”.

No sábado (10/06), a banda sobe mais uma vez ao palco do João Rock e a Billboard Brasil estará lá, em Ribeirão Preto, para acompanhar de perto. Antes disso, batemos um papo com Badauí, Japinha e Luciano Garcia sobre a trajetória da banda e o novo álbum.

Vocês tocam bastante em festivais. Qual é a sensação de estar em grandes palcos? O que muda em relação aos shows só com o CPM?
Luciano – Tem a pressão, né? Cê olha uma escalação que tem, sei lá, Paralamas, Jota Quest, Skank... cê não pode falhar de nenhum jeito [risos]. E é divertido, tem a convivência, né... tem as diferenças de gênero musical, mas todo mundo se fala, rola uma interação legal com as outras bandas. A gente se sente uns moleques, né? A gente lá de bermuda e camiseta e outras bandas mais arrumadinhas e tal... a gente conseguiu levar o punk rock pra esses palcos grandes e tocar com gente que é referência pra gente, isso é demais.

E participar disso é um aprendizado também, né?
Luciano –
Sim, essa coisa profissional, gigantesca. Muita gente imagina o punk como um monte de coisa desleixada e nunca foi o nosso caso, a gente sempre foi superchato com organização, som, luz... é uma responsa, mas é uma responsa legal que a gente sempre procurou. E mostra que a gente tem uma importância no cenário musical, né? E mesmo assim a gente continua se achando moleque [risos].
Japinha – Buscando juventude mas com experiência.
Luciano – A gente não tá ficando velho, a gente é jovem há mais tempo [risos].

Tem fã que cobra pelo fato da banda ser mainstream, aparecer na Globo?
Luciano –
Ainda tem sim. Mas é um tiro no pé não ir. A gente tá justamente colocando o punk em lugares em que não estava anos atrás, assim como alguns nomes do rap hoje. A gente leva o nosso som pra quem quiser ouvir e quem quiser gostar. A gente nunca escolheu fã.
Japinha – Muitas bandas da nossa época nem tentaram chegar, por que desanima mesmo, né? Quando a gente assinou com gravadora pela primeira vez, teve fã que chiou. Faz parte.
Luciano – Qual o maior ícone do punk? Ramones? Vai no YouTube e vê quantos playbacks eles fizeram na TV, umas coisas estranhas. A gente evita playback, fez muito pouco. Então, porque a gente não pode ir na Fátima Bernardes tocar ao vivo? O nosso som? A gente não vai lá tocar uma música da Anitta. Nada contra Anitta, mas não seria sincero, não seria o nosso som. E ao mesmo tempo eu entendo, já fui moleque. “Pô, Pennywise tocando na 89??” [risos].
Japinha – “Metallica no Jô, nãããão [risos]!
Luciano – São opiniões, né? Não agredindo a banda...
Japinha – Quem curte rock reclama que só vê sertanejo e funk na mídia. Estamos aí representando...
Luciano – E aí quando tem rock na mídia, reclamam [risos].

Sem contar que é uma baita estrutura pra se apresentar e tudo mais...
Luciano –
Ah, sim, é respeito total. Você se sente o Antonio Fagundes [risos]. Pode chamar mais.
Japinha – A agenda fica mais cheia, o telefone toca mais {risos]...

22 anos de banda, como foi acompanhar e usar a internet na divulgação? O público cresceu, veio mais hater, como é?
Japinha –
Um pouco de tudo. Mas deu uma melhorada sim. A gente fez umas formaturas ultimamente e uma galera nova canta os hits a plenos pulmões, sabe? A galera coloca nas playlists, conhece. Por outro lado, diminui venda de CD e tudo mais. Quando a gente começou, as gravadoras tinham o domínio total. E hoje nem tanto... a internet deu uma enfraquecida nisso, principalmente na hora de erguer uma nova banda de rock.
Luciano – É muito pró e contra. Lançamos o disco e já tinha gente cantando música nova no show. Mas o ruim é que fica tudo muito mastigado. Hoje, o cara tá gravando disco de banda montada há um mês. A meta às vezes é view no Youtube. Antes se ensaiava muito mais, tinha mais tempo. E hater sempre teve, né... normal. Não só na música, no esporte... é muito julgamento. A gente tenta ficar de fora e pegar a parte boa.
Japinha – A gente usa bastante internet, estamos em todas as mídias e tal.
Luciano – Se não falta com respeito, críticas são bem-vindas.

Seis anos sem disco de inéditas. O que era o CPM há seis anos e agora?
Luciano –
Tem outro guitarrista, o Phill.
Japinha – No último disco tinha muito ska, a gente estava ouvindo muito...
Luciano – Sim, ouvindo Specials, Mighty Mighty Bosstones. Aí tinha muita influência mesmo. Mas o tempo de pelo menos três anos pra fazer um disco é bem saudável pra banda. E a gente não voltou pro punk rock, a gente só deixou de usar ska e outras coisas. É CPM! E está todo mundo tocando melhor, a gente cresceu musicalmente, todo mundo mais velho. E eu li uma crítica que achei legal. O cara fala “que o CPM tá muito à vontade na sua mesmice”... achei perfeito, ele entendeu [risos]. A gente não quer revolucionar nada, a gente é punk rock e está muito à vontade no nosso quadrado. É a nova-velha fase do CPM 22. O Phil tá fazendo os solos... antes eu fazia, mas não curtia muito. Assim que ele chegou, eu falei: “Tó!” [risos].
Japinha – E é legal identificar as mudanças da banda num disco, né. Sem contar a tecnologia que a gente usou, estúdio de ponta e tal.

E nesse disco tem a primeira música autoral do CPM em inglês, com o Trever Keith, do Face to Face. Como foi essa experiência? Cês já conheciam o Trever?
Badauí –
Sim, desde 2010 a gente vem mantendo contato. Um fã nosso mandou pra ele o vídeo de um cover que a gente fez no Festival Atlântida e o Trever curtiu. Aí eles vieram pro Brasil no ano seguinte e nos conhecemos... em 2013, na época do nosso acústico, chamei pra participar mas a gente não conseguiu trazê-lo, preferi guardar a participação dele pro disco de inéditas. Aí quando chegou a hora, retomei contato e foi bem legal... ele pediu pra mandar a base que ele ia fazer a letra. É uma puta honra, né? O grande público pode não conhecer, mas quem curte punk sabe quem é. A ideia é trazer ele pra um show... eles vêm pra cá em novembro, vamos ver. Ele ama o Brasil, vem todo ano.

E vocês abrem bastante shows das bandas lá de fora. Geralmente os caras são gente boa ou rola um distanciamento?
Badauí –
Ah, o americano é diferente, né, mais na dele. Mas o NOFX, por exemplo, é tudo doidão [risos]. Já fizemos uma turnê com eles e eles ficavam no nosso camarim, tranquilos. Face to Face também é bem simples, gente boa... e como a gente conhece os produtores que trazem as bandas, fica mais próximo, sai pra tomar uma. É legal trocar ideia com bandas que influenciaram a gente, que têm posição política, têm postura.

O Luciano e o Japinha já falaram um pouco sobre a evolução da banda nesses seis anos de intervalo entre os álbuns de inéditas. E pra você, como vocalista?
Badauí –
Ah, agora eu aprendi a cantar [risos]. No começo foi tudo muito corrido, né? Independente, aí já entra pra gravadora, mudança na vida de uma hora pra outra, falta de experiência, enfim. Sinto que evoluí bastante na forma de cantar e escrever e isso é o tempo mesmo que te traz, trabalhando forte dia a dia. Se não evoluir, tem que parar, né? É o disco que eu sempre quis fazer, é o melhor disco da banda como melodia, velocidade, letras. Tô muito contente, desde a capa até a formação da banda. Estamos muito entrosados, são músicas de show mesmo, me sinto confortável cantando. Eu trabalhei agora do jeito que eu me sinto melhor. Cê busca isso mas nem sempre consegue... agora foi! O clima da banda é muito bom e reflete no disco, não tem jeito.