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Criador de trilhas da Globo retoma antiga paixão: a pintura

Mu Carvalho, integrante da clássica banda A Cor Do Som, expõe telas em galeria de São Paulo

por Marcos Lauro em 28/11/2017

O músico Mu Carvalho tem um histórico bastante respeitável na música. Além de integrante do tradicional grupo A Cor Do Som (onde também está seu irmão Dadi Carvalho), desde 1994 produz trilhas sonoras de novelas na TV Globo – além de diversos longas.

Mas o ano de 2017 tem sido intenso em outra arte: a pintura. Mu resgatou uma paixão antiga, voltou a fazer telas e está expondo suas criações numa galeria de São Paulo.

Conversamos com o músico sobre essa sua nova fase:

Você começou pintando, se dedicou à música e voltou a pintar. Como foi isso?
Eu comecei a pintar muito cedo, com 4, 5 anos. E até os 15 anos, não tocava nenhum instrumento, nada. Meu irmão, Dadi, já tocava, já tinha banda... e eu nada. Quando eu fiz 15 anos, meu pai comprou um piano para minha mãe, que era pianista – aliás, tenho esse piano até hoje, está no meu estúdio. Comecei a aprender e troquei completamente: parei de pintar e me dediquei 100% à música. Eu era ligado em Beatles, rock progressivo inglês... com 16, 17 anos eu já estava tocando de verdade.

Pega-Varetas, Óleo sobre tela, 80 x 80 cm

Reprodução
Concerto Para Sintetizador e Orquestra, Óleo sobre tela, 200 x 146 cmReprodução
Kind Of Blue, Óleo sobre tela, 150 x 120 cmDivulgação
Frevo Em Sol Maior, Óleo sobre tela, 80 x 80 cmReprodução

E você ficou, então, 40 anos longe da pintura? Como foi essa retomada?
Em 2013, eu estava com minha esposa em Paris e ela me comprou um kit de pintura. Voltamos e eu fiquei matutando... era como se eu tivesse perdido a intimidade, sabe? Aí comecei a brinca, sem pretensão nenhuma. Eu acho que a questão da estética é muito parecida com a música. Quando você vai compor, você olha pras teclas de um piano e dá aquela angústia. Uma tela é igual. Você olha uma tela em branco e dá a mesma sensação. E aí eu fui procurando identidade e tô há cinco anos nesse ritmo. Principalmente nesse ano de 2017, foi bem intenso... eu acordava e já ia pintar. Se tivesse algo importante pra compor na música, eu dava um tempinho e tal... mas já voltava pra tela.

Tem telas antigas na mostra?
Não, só tem as mais atuais. São 31 na mostra e eu tenho 50 no total. Eu não me identifiquei mais com as antigas e acabei pintando por cima de várias [risos].

E você montou sua mostra em São Paulo. Algum motivo?
Tem uma história que acho curiosa. Na música, o autodidata é respeitado. N’A Cor Do Som, toco com o Armandinho que nunca estudou música e é um dos maiores gênios que eu conheço, respeitado no Brasil e fora. Nas artes, se você é um autodidata, você é visto como “bicão”. Se você não fez um curso no Parque Lage [escola de artes visuais do Rio de Janeiro], você não tem moral. E isso não é uma apologia ao não-estudo, tá? Eu quero estudar, assim como estudo música até hoje. Mas aí São Paulo me abriu as portas. Eu nem conhecia a Vera Simões, curadora. Ela me procurou por inbox de Facebook porque se interessou.

Você fez dezenas de trilhas de novelas. Qual te marcou mais?
Gostei muito de fazer a trilha de Chocolate com Pimenta. Se passava nos anos 1930, então deu pra botar umas coisas de Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, charleston. E também fiz o tema de abertura com o Aldir Blanc, que foi uma honra. De lá pra cá, estudei arranjo com o maestro Vittor Santos, um cara que é referência até em Berkley. E com esses estudos, fiz as trilhas de Êta Mundo Bom! com arranjos para orquestra, outra textura.

E A Cor Do Som segue em turnês e com disco pronto...
Sim, tocamos em São Paulo nesse último final de semana e estamos com um disco pronto, masterizado, pra lançar. Infelizmente, não estamos conseguindo muita atenção por parte das gravadoras e acho que vai ter de sair independente mesmo. Às vezes sinto falta de um cara como o André Midani na indústria musical, que lutava pelas coisas. Se não fosse por ele, a bossa nova não tinha saído da casa da Nara Leão.

Serviço:
Exposição MÚsica
Galeria Caribé
Até 11/12
Grátis

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Criador de trilhas da Globo retoma antiga paixão: a pintura

Mu Carvalho, integrante da clássica banda A Cor Do Som, expõe telas em galeria de São Paulo

por Marcos Lauro em 28/11/2017

O músico Mu Carvalho tem um histórico bastante respeitável na música. Além de integrante do tradicional grupo A Cor Do Som (onde também está seu irmão Dadi Carvalho), desde 1994 produz trilhas sonoras de novelas na TV Globo – além de diversos longas.

Mas o ano de 2017 tem sido intenso em outra arte: a pintura. Mu resgatou uma paixão antiga, voltou a fazer telas e está expondo suas criações numa galeria de São Paulo.

Conversamos com o músico sobre essa sua nova fase:

Você começou pintando, se dedicou à música e voltou a pintar. Como foi isso?
Eu comecei a pintar muito cedo, com 4, 5 anos. E até os 15 anos, não tocava nenhum instrumento, nada. Meu irmão, Dadi, já tocava, já tinha banda... e eu nada. Quando eu fiz 15 anos, meu pai comprou um piano para minha mãe, que era pianista – aliás, tenho esse piano até hoje, está no meu estúdio. Comecei a aprender e troquei completamente: parei de pintar e me dediquei 100% à música. Eu era ligado em Beatles, rock progressivo inglês... com 16, 17 anos eu já estava tocando de verdade.

Pega-Varetas, Óleo sobre tela, 80 x 80 cm

Reprodução
Concerto Para Sintetizador e Orquestra, Óleo sobre tela, 200 x 146 cmReprodução
Kind Of Blue, Óleo sobre tela, 150 x 120 cmDivulgação
Frevo Em Sol Maior, Óleo sobre tela, 80 x 80 cmReprodução

E você ficou, então, 40 anos longe da pintura? Como foi essa retomada?
Em 2013, eu estava com minha esposa em Paris e ela me comprou um kit de pintura. Voltamos e eu fiquei matutando... era como se eu tivesse perdido a intimidade, sabe? Aí comecei a brinca, sem pretensão nenhuma. Eu acho que a questão da estética é muito parecida com a música. Quando você vai compor, você olha pras teclas de um piano e dá aquela angústia. Uma tela é igual. Você olha uma tela em branco e dá a mesma sensação. E aí eu fui procurando identidade e tô há cinco anos nesse ritmo. Principalmente nesse ano de 2017, foi bem intenso... eu acordava e já ia pintar. Se tivesse algo importante pra compor na música, eu dava um tempinho e tal... mas já voltava pra tela.

Tem telas antigas na mostra?
Não, só tem as mais atuais. São 31 na mostra e eu tenho 50 no total. Eu não me identifiquei mais com as antigas e acabei pintando por cima de várias [risos].

E você montou sua mostra em São Paulo. Algum motivo?
Tem uma história que acho curiosa. Na música, o autodidata é respeitado. N’A Cor Do Som, toco com o Armandinho que nunca estudou música e é um dos maiores gênios que eu conheço, respeitado no Brasil e fora. Nas artes, se você é um autodidata, você é visto como “bicão”. Se você não fez um curso no Parque Lage [escola de artes visuais do Rio de Janeiro], você não tem moral. E isso não é uma apologia ao não-estudo, tá? Eu quero estudar, assim como estudo música até hoje. Mas aí São Paulo me abriu as portas. Eu nem conhecia a Vera Simões, curadora. Ela me procurou por inbox de Facebook porque se interessou.

Você fez dezenas de trilhas de novelas. Qual te marcou mais?
Gostei muito de fazer a trilha de Chocolate com Pimenta. Se passava nos anos 1930, então deu pra botar umas coisas de Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, charleston. E também fiz o tema de abertura com o Aldir Blanc, que foi uma honra. De lá pra cá, estudei arranjo com o maestro Vittor Santos, um cara que é referência até em Berkley. E com esses estudos, fiz as trilhas de Êta Mundo Bom! com arranjos para orquestra, outra textura.

E A Cor Do Som segue em turnês e com disco pronto...
Sim, tocamos em São Paulo nesse último final de semana e estamos com um disco pronto, masterizado, pra lançar. Infelizmente, não estamos conseguindo muita atenção por parte das gravadoras e acho que vai ter de sair independente mesmo. Às vezes sinto falta de um cara como o André Midani na indústria musical, que lutava pelas coisas. Se não fosse por ele, a bossa nova não tinha saído da casa da Nara Leão.

Serviço:
Exposição MÚsica
Galeria Caribé
Até 11/12
Grátis