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D2: “O samba sempre me acolheu muito bem”

Rapper faz show com Zeca Pagodinho em São Paulo

por Marcos Lauro em 09/07/2016

Nesse sábado (09/07), o Espaço das Américas, em São Paulo, recebe mais uma edição do Samba Maioral, show-festa que reúne Marcelo D2 e Zeca Pagodinho. Os dois realizam, na mesma noite, seus shows individuais e, em algum momento, sem nenhum ensaio, se reúnem para cantar músicas que são decididas na hora. “Eu não gosto de ensaio e o Zeca também não [risos]”, explica Marcelo D2 para a Billboard Brasil. “Vou fazer meu show, o Ser Humano, e o D2 o dele, Nada Pode Me Parar. Vamos nos encontrar no palco, com certeza, mas ainda não combinamos... na hora a gente vê no que vai dar”, reforça Zeca.

Conversamos com D2 sobre o show e também samba, rap, o encontro histórico com Black Alien e BNegão no festival João Rock e os próximos projetos envolvendo o Planet Hemp:

Vocês são muito amigos. Como é esse relacionamento nos palcos e fora deles?
O Zeca me acolheu muito bem no samba e é um dos meus grandes amigos. Eu tenho poucos amigos na música. Zeca, Arlindo Cruz, Seu Jorge e uma galera do rap. E o Zeca tem sido meu amigo há mais de década.

O samba tem esse ambiente acolhedor mesmo, de reunião, né?
Sim. Já o rap, é batalha, né? É outro contexto, urbano. Minha mulher sentiu uma diferença danada entre as festas de rap e as de samba. No samba todo mundo puxa a cadeira: “Senta aqui, minha comadre!”. No rap tem uma urgência de batalha, um contra o outro. E tudo bem, faz parte da cultura do rap, é assim mesmo.

E como funciona o Samba Maioral?
Eu faço o meu show, ele faz o dele e a gente não decide nada não. Eu normalmente já canto “Maneiras”, do Zeca, gravei “Delegado Chico Palha” pro próximo DVD dele... e na hora a gente vê e faz o que que rola. Não tem ensaio. Eu não gosto de ensaio e o Zeca também não [risos].

Você falou da “Delegado Chico Palha”, que é um samba com uma letra bem pesada, com um contexto social. O partido alto colocou o tema social no samba com mais ênfase?
O partido alto tem essa coisa de ser quase um rap, de relatar. O samba de terreiro, antes, era mais de lamento, né? De falar do negro, do sofrimento etc. Quando o samba veio pra cidade, com o partido alto, o lance ficou mais uma crônica. Nessa música, o cara entra na comunidade, mete a porrada, acaba com o samba, né? [risos]. Mas hoje o samba não sofre tanto com isso, o funk tá no lugar.

Vimos você e o BNegão com o Black Alien no João Rock. Como foi aquele encontro pra você?
As pessoas acham que eu briguei com o Gustavo [Black Alien], mas, na verdade, eu briguei com o BNegão [risos]. Mas eu me afastei muito do Gustavo, ele foi morar em São Paulo faz uns anos e tal. Eu parei de beber faz um ano, tô só fumando. O Gustavo também parou e no dia em que fiz um ano sem beber, encontrei com ele. Pra estreitar amizade, saca? Diferente do Bernardo [BNegão], o lance com o Gustavo é diferente. Quando briguei com o Bernardo, foi pesado, magoou mesmo. Já com o Gustavo, não... a gente tretava direto, de sair na porrada. Mas era aquele lance de irmão... duas horas depois a gente já estava se falando. Então rolou uma separação mesmo, sem briga. Estamos ficando velhos, cara, temos que valorizar isso.

E o Planet Hemp no meio disso tudo?
Cara, é difícil... eu não sou o D2 daquela época. A minha carreira solo é um tipo de atualização daquilo, mais madura. É difícil voltar como um trio, mas eu torço pra que a gente encontre uma saída.

O Planet Hemp colocou a discussão sobre a maconha no mainstream nos anos 1990 e a impressão que dá é que o assunto praticamente não andou. O que você acha?
Na real eu penso de forma diferente daquela época. A gente vive num país muito grande. As leis de São Paulo e do Rio talvez não caibam no Acre e no Pará... isso eu falo pra drogas, pra tudo. A sociedade já mudou a sua visão. Antes quem fumava maconha era vagabundo e hoje a gente vê medalhista de ouro que fuma maconha. Mas vai ser muito difícil de legalizar a maconha no Rio de Janeiro com o mesmo peso, sei lá, do Pará. A gente tem uma bancada evangélica pesada agora... são mais reacionários do que na época do AI-5, saca? É um caminho longo ainda e o Brasil é “Maria vai com as outras”, tem sempre que esperar um aval lá de fora, esperar alguém dizer que é legal. Legal nos dois sentidos [risos].

Você está fazendo esse projeto com o Zeca, que é esporádico, tem os shows solo e a turnê do Planet. Sobra tempo pra mais coisas?
Cara, eu tô trabalhando pra caramba! Tem também a trilha sonora do filme Anjos da Lapa, que é a história do Planet antes de ser Planet. Tem também um curta que eu escrevi num coletivo chamado Mulato, com artistas plásticos e tudo mais. E ainda um provável disco do Planet Hemp, que seria legal se rolasse pra lançar junto com o Anjos da Lapa, contar a história lá do começo e mostrar como estamos agora. Quem sobrou também, né? A gente já teve muitas formações... publiquei uma foto que era eu, Formigão, Zé Gonzales, Rafael, Daniel Ganjaman, Pedrinho e o BNegão. Aí depois entrou o Seu Jorge na percussão... muita gente. E o filme vai ser uma ficção baseado nas nossas histórias, meu encontro com o Skunk pra formação do grupo e tudo mais.

Serviço:
Samba Maioral – Zeca Pagodinho e Marcelo D2
Espaço das Américas
09/07 – 23h30
Ingressos: de R$ 60 a R$ 350 (camarote open bar) nas bilheterias ou no Ticket 360.

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  • HOT 100
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Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
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D2: “O samba sempre me acolheu muito bem”

Rapper faz show com Zeca Pagodinho em São Paulo

por Marcos Lauro em 09/07/2016

Nesse sábado (09/07), o Espaço das Américas, em São Paulo, recebe mais uma edição do Samba Maioral, show-festa que reúne Marcelo D2 e Zeca Pagodinho. Os dois realizam, na mesma noite, seus shows individuais e, em algum momento, sem nenhum ensaio, se reúnem para cantar músicas que são decididas na hora. “Eu não gosto de ensaio e o Zeca também não [risos]”, explica Marcelo D2 para a Billboard Brasil. “Vou fazer meu show, o Ser Humano, e o D2 o dele, Nada Pode Me Parar. Vamos nos encontrar no palco, com certeza, mas ainda não combinamos... na hora a gente vê no que vai dar”, reforça Zeca.

Conversamos com D2 sobre o show e também samba, rap, o encontro histórico com Black Alien e BNegão no festival João Rock e os próximos projetos envolvendo o Planet Hemp:

Vocês são muito amigos. Como é esse relacionamento nos palcos e fora deles?
O Zeca me acolheu muito bem no samba e é um dos meus grandes amigos. Eu tenho poucos amigos na música. Zeca, Arlindo Cruz, Seu Jorge e uma galera do rap. E o Zeca tem sido meu amigo há mais de década.

O samba tem esse ambiente acolhedor mesmo, de reunião, né?
Sim. Já o rap, é batalha, né? É outro contexto, urbano. Minha mulher sentiu uma diferença danada entre as festas de rap e as de samba. No samba todo mundo puxa a cadeira: “Senta aqui, minha comadre!”. No rap tem uma urgência de batalha, um contra o outro. E tudo bem, faz parte da cultura do rap, é assim mesmo.

E como funciona o Samba Maioral?
Eu faço o meu show, ele faz o dele e a gente não decide nada não. Eu normalmente já canto “Maneiras”, do Zeca, gravei “Delegado Chico Palha” pro próximo DVD dele... e na hora a gente vê e faz o que que rola. Não tem ensaio. Eu não gosto de ensaio e o Zeca também não [risos].

Você falou da “Delegado Chico Palha”, que é um samba com uma letra bem pesada, com um contexto social. O partido alto colocou o tema social no samba com mais ênfase?
O partido alto tem essa coisa de ser quase um rap, de relatar. O samba de terreiro, antes, era mais de lamento, né? De falar do negro, do sofrimento etc. Quando o samba veio pra cidade, com o partido alto, o lance ficou mais uma crônica. Nessa música, o cara entra na comunidade, mete a porrada, acaba com o samba, né? [risos]. Mas hoje o samba não sofre tanto com isso, o funk tá no lugar.

Vimos você e o BNegão com o Black Alien no João Rock. Como foi aquele encontro pra você?
As pessoas acham que eu briguei com o Gustavo [Black Alien], mas, na verdade, eu briguei com o BNegão [risos]. Mas eu me afastei muito do Gustavo, ele foi morar em São Paulo faz uns anos e tal. Eu parei de beber faz um ano, tô só fumando. O Gustavo também parou e no dia em que fiz um ano sem beber, encontrei com ele. Pra estreitar amizade, saca? Diferente do Bernardo [BNegão], o lance com o Gustavo é diferente. Quando briguei com o Bernardo, foi pesado, magoou mesmo. Já com o Gustavo, não... a gente tretava direto, de sair na porrada. Mas era aquele lance de irmão... duas horas depois a gente já estava se falando. Então rolou uma separação mesmo, sem briga. Estamos ficando velhos, cara, temos que valorizar isso.

E o Planet Hemp no meio disso tudo?
Cara, é difícil... eu não sou o D2 daquela época. A minha carreira solo é um tipo de atualização daquilo, mais madura. É difícil voltar como um trio, mas eu torço pra que a gente encontre uma saída.

O Planet Hemp colocou a discussão sobre a maconha no mainstream nos anos 1990 e a impressão que dá é que o assunto praticamente não andou. O que você acha?
Na real eu penso de forma diferente daquela época. A gente vive num país muito grande. As leis de São Paulo e do Rio talvez não caibam no Acre e no Pará... isso eu falo pra drogas, pra tudo. A sociedade já mudou a sua visão. Antes quem fumava maconha era vagabundo e hoje a gente vê medalhista de ouro que fuma maconha. Mas vai ser muito difícil de legalizar a maconha no Rio de Janeiro com o mesmo peso, sei lá, do Pará. A gente tem uma bancada evangélica pesada agora... são mais reacionários do que na época do AI-5, saca? É um caminho longo ainda e o Brasil é “Maria vai com as outras”, tem sempre que esperar um aval lá de fora, esperar alguém dizer que é legal. Legal nos dois sentidos [risos].

Você está fazendo esse projeto com o Zeca, que é esporádico, tem os shows solo e a turnê do Planet. Sobra tempo pra mais coisas?
Cara, eu tô trabalhando pra caramba! Tem também a trilha sonora do filme Anjos da Lapa, que é a história do Planet antes de ser Planet. Tem também um curta que eu escrevi num coletivo chamado Mulato, com artistas plásticos e tudo mais. E ainda um provável disco do Planet Hemp, que seria legal se rolasse pra lançar junto com o Anjos da Lapa, contar a história lá do começo e mostrar como estamos agora. Quem sobrou também, né? A gente já teve muitas formações... publiquei uma foto que era eu, Formigão, Zé Gonzales, Rafael, Daniel Ganjaman, Pedrinho e o BNegão. Aí depois entrou o Seu Jorge na percussão... muita gente. E o filme vai ser uma ficção baseado nas nossas histórias, meu encontro com o Skunk pra formação do grupo e tudo mais.

Serviço:
Samba Maioral – Zeca Pagodinho e Marcelo D2
Espaço das Américas
09/07 – 23h30
Ingressos: de R$ 60 a R$ 350 (camarote open bar) nas bilheterias ou no Ticket 360.