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David Bowie no Brasil em 1997: (poucas) memórias

por em 11/01/2016
P
or Marcos Lauro
1997. Eu tinha 16 anos e confesso que não me lembro muito nitidamente desse dia. Mas em 1º de novembro de 1997 eu vi David Bowie ao vivo no Brasil. Bowie veio na programação do extinto CloseUp Planet, que trouxe também No Doubt (estourados com “Don’t Speak” e afins) e Erasure. O show foi no estádio do Ibirapuera, local vizinho do ginásio e que hoje serve para treinos da equipe olímpica de atletismo do Brasil. Assim como o estádio do Pacaembu, o local não pode mais receber shows devido às reclamações dos moradores da região. Bobos. Viram David Bowie na porta de casa e ainda reclamam. AOS 69 ANOS, MORRE DAVID BOWIE David Bowie fazia a turnê do disco Earthling, que, para variar, trouxe inovações na carreira do artista: ele investia de forma pesada na música eletrônica. “Little Wonder”, primeiro single e faixa que abre o disco, é um drum ‘n’ bass desses de tremer pista. O disco também tem influências de industrial, gênero que marcou os anos 1990. Bowie, que sempre estava à frente de seus fãs, teve que ler e ouvir poucas e boas por aí. Um “roqueiro” fazendo música eletrônica? Mal sabiam esses fãs que, de “roqueiro” (no sentido pequeno, limitador e pobre da palavra), David Bowie não tinha nada. Mesmo com o disco eletrônico sendo divulgado, o show de 1997 contou com clássicos também. Se a memória não falha, teve “The Mand Who Sold The World”, “Fame” e “Under Pressure”. E a imagem que ficou gravada foi a de um olho gigante inflável que ficou pulando de mão em mão na plateia. Coisas de David Bowie. Outra imagem: a do público extasiado, saindo do estádio sem acreditar muito no que acabava de ver – lembre-se de que nos anos 1990 os shows internacionais ainda não eram comuns por aqui. Especialmente o de um David Bowie. Foi sete anos depois da primeira passagem dele pelo Brasil, com a turnê de Sound + Vision. Eletrônico, glam, rockstar, jazz... tudo isso de informação fez com que se criasse o eterno clichê “camaleão do rock”, que, se formos analisar, nem se encaixa muito bem com a carreira de David Bowie. O camaleão copia o ambiente em que está para se camuflar. David Bowie fazia mais: ele pegava elementos do que estava acontecendo e criava algo novo, uma realidade paralela que envolvia desde personalidade, comportamento até figurinos e tudo acabava na música. Era tudo a serviço da música, a obra final, o resultado. Nessa vinda ao Brasil, vimos o Bowie eletrônico, empolgado com Trent Reznor (Nine Inch Nails). Quer mais inovação? Dois anos depois, ele lançaria o disco Hours..., o primeiro álbum de um grande artista a ser disponibilizado para download antes do lançamento do disco físico. Mesmo sem me lembrar tanta coisa, eu tenho orgulho em dizer que já vi David Bowie a poucos metros de distância.
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David Bowie no Brasil em 1997: (poucas) memórias

por em 11/01/2016
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or Marcos Lauro
1997. Eu tinha 16 anos e confesso que não me lembro muito nitidamente desse dia. Mas em 1º de novembro de 1997 eu vi David Bowie ao vivo no Brasil. Bowie veio na programação do extinto CloseUp Planet, que trouxe também No Doubt (estourados com “Don’t Speak” e afins) e Erasure. O show foi no estádio do Ibirapuera, local vizinho do ginásio e que hoje serve para treinos da equipe olímpica de atletismo do Brasil. Assim como o estádio do Pacaembu, o local não pode mais receber shows devido às reclamações dos moradores da região. Bobos. Viram David Bowie na porta de casa e ainda reclamam. AOS 69 ANOS, MORRE DAVID BOWIE David Bowie fazia a turnê do disco Earthling, que, para variar, trouxe inovações na carreira do artista: ele investia de forma pesada na música eletrônica. “Little Wonder”, primeiro single e faixa que abre o disco, é um drum ‘n’ bass desses de tremer pista. O disco também tem influências de industrial, gênero que marcou os anos 1990. Bowie, que sempre estava à frente de seus fãs, teve que ler e ouvir poucas e boas por aí. Um “roqueiro” fazendo música eletrônica? Mal sabiam esses fãs que, de “roqueiro” (no sentido pequeno, limitador e pobre da palavra), David Bowie não tinha nada. Mesmo com o disco eletrônico sendo divulgado, o show de 1997 contou com clássicos também. Se a memória não falha, teve “The Mand Who Sold The World”, “Fame” e “Under Pressure”. E a imagem que ficou gravada foi a de um olho gigante inflável que ficou pulando de mão em mão na plateia. Coisas de David Bowie. Outra imagem: a do público extasiado, saindo do estádio sem acreditar muito no que acabava de ver – lembre-se de que nos anos 1990 os shows internacionais ainda não eram comuns por aqui. Especialmente o de um David Bowie. Foi sete anos depois da primeira passagem dele pelo Brasil, com a turnê de Sound + Vision. Eletrônico, glam, rockstar, jazz... tudo isso de informação fez com que se criasse o eterno clichê “camaleão do rock”, que, se formos analisar, nem se encaixa muito bem com a carreira de David Bowie. O camaleão copia o ambiente em que está para se camuflar. David Bowie fazia mais: ele pegava elementos do que estava acontecendo e criava algo novo, uma realidade paralela que envolvia desde personalidade, comportamento até figurinos e tudo acabava na música. Era tudo a serviço da música, a obra final, o resultado. Nessa vinda ao Brasil, vimos o Bowie eletrônico, empolgado com Trent Reznor (Nine Inch Nails). Quer mais inovação? Dois anos depois, ele lançaria o disco Hours..., o primeiro álbum de um grande artista a ser disponibilizado para download antes do lançamento do disco físico. Mesmo sem me lembrar tanta coisa, eu tenho orgulho em dizer que já vi David Bowie a poucos metros de distância.