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De catador de algodão a lenda do Blues; conheça a trajetória de B. B. King

por em 15/05/2015

B. B. King, o último dos bluesmen sulistas que definiram o blues moderno nos anos 1950 e responsável por influenciar inúmeros guitarristas, morreu ontem (14/05), aos 89 anos.

Nascido no Mississipi, o guitarrista sofria de diabetes tipo II há duas décadas, e faleceu enquanto dormia. O músico estava sob cuidados médicos em sua casa em Las Vegas após ter sido internado duas vezes durante o mês de abril.

Em outubro, o Rei do Blues sentiu-se mal durante um show e, após ser diagnosticado com desidratação e exaustão, cancelou a turnê, que nunca foi retomada.

Com a sua fiel guitarra Lucille, uma Gibson, King cativou a sua plateia no palco nas décadas de 1950 e 1960, e chegou ao mainstream nos anos 1970,tornando-se um embaixador mundial do blues – e o primeiro músico do gênero a tocar na União Soviética.

King, cuja música mais conhecida é “The Thrill Is Gone”, desenvolveu um estilo comercial de tocar o blues e cantava quase exclusivamente sobre romance. Diferente dos músicos que o influenciaram, como Blind Lemon Jefferson e T-Bone Walker, por exemplo, ou dos seus contemporâneos Muddy Waters, John Lee Hooker e Howlin Wolf, a música de B. B. King não tinha o estilo típico do Mississippi ou do Beale Street, em Memphis, onde ele estabeleceu a sua carreira.

King levou o blues rural para a cidade grande, onde havia músicos que entendiam de jazz e tocavam instrumentos de sopro, mas que faziam isso de um jeito que permitia que a voz e a guitarra de King se sobressaíssem.

O músico gostava de conversar. Antes de começar seus solos, geralmente fazia um curto depoimento.

O som de sua guitarra, admirado por Stevie Ray Vaughan, Michael Bloomfield e Eric Clapton – para citar apenas alguns – e a sua acolhedora performance abriu as portas no mundo todo. Era um dos artistas com as turnês mais consistentes dos últimos 50 anos.

Por mais de meio século, King fazia, em média, 275 shows por ano. Só em 1956, tocou em 342 noites. “Descobri que cada vez que eu ia para um lugar, eu ganhava mais fãs”, disse no livro The B. B. King Treasures. “Eu comecei a receber cartas, e as pessoas passaram a comprar os discos. Todo mundo achava que eu estava ganhando muito dinheiro porque eu estava viajando muito. Mas essa era a única maneira de eu sobreviver.”

King passou 40 anos no Billboard 200 com 33 títulos. Seu álbum lançado em 2000, com Eric Clapton, Riding With The King, chegou à 3ª posição do ranking. Solo, ele entrou no Top 40 duas vezes: com Indianola MississippiCompletely Well – álbum de “The Thrill Is Gone” –, que chegou à 26ª posição, e com Live In Cook County Jail, que chegou à 25ª.

Live In Cook County Jail foi o principal dos 25 discos que chegaram ao ranking Top R&B Albums, ocupando a 1ª posição por três semanas durante as 31 semanas em que permaneceu na lista. Nove dos álbuns do músico chegaram ao topo do ranking de Blues. O último foi Live At The Royal Albert Hall 2011, em 2012.

King teve 35 músicas no Hot 100 desde 1957, quando “Be Careful With A Fool” chegou à 95ª posição e “When Love Comes To Town”, um dueto com o U2, à 68ª. A sua música mais bem-sucedida no ranking foi “The Thrill Is Gone”, o single de 1969 que chegou ao 15º lugar. Apenas duas outras músicas entraram no Top 40.

Ao longo de sua carreira, o músico ganhou 15 Grammy Awards, recebeu o Grammy Lifetime Achievement Award em 1987, entrou no Hall da Fama do Blues em 1980 e no do Rock And Roll em 1987.

Quase tão famosa quanto o homem era a sua guitarra. No inverno de 1949, quando King estava tocando em um bar na cidade de Twist, Arkansas, um balde cheio de querosene, aceso para manter o cômodo aquecido, foi derrubado durante uma briga entre dois homens e o local pegou fogo. “Quando eu cheguei lá fora, percebi que havia deixado a minha guitarra [uma Gibson L-30 com um captador DeArmond] lá dentro. Então eu voltei para buscar”, disse ao Jazzweekly.com. “O prédio era de madeira e o fogo se espalhava muito rapidamente. Tudo começou a desabar ao meu redor e eu quase morri tentando salvar a minha guitarra.”

E continuou: “Na manhã seguinte, descobrimos que os dois caras estavam brigando por uma moça que trabalhava lá, chamada Lucille. Então eu batizei a minha guitarra com o mesmo nome, para me lembrar de nunca mais fazer algo assim.” Em 1982, King fez uma parceria com a Gibson para a criação da guitarra B. B. King Lucille.

Riley King nasceu no dia 16 de setembro de 1925, no Mississippi, perto de Itta Bena, e cresceu em uma fazenda de algodão, criado por sua avó materna.Perdeu a mãe quando tinha nove anos e a avó alguns anos depois, aos 14, fazendo com que chegasse até a trabalhar na colheita do algodão. Sua primeira gravação, feita em 1940, foi “Sharecropper Record”.

A lenda do blues aprendeu a tocar guitarra estudando Jefferson, Walker, Lonnie Johnson e com o seu primo, Booker “Bukka” White, que o ensinou os pontos mais delicados da guitarra. “Eu acho que o primeiro som de blues que eu me lembro de ter ouvido foi nos campos, quando as pessoas estavam colhendo algodão ou algo do tipo”, contou em uma entrevista de 1988 ao Living Blues. “Agora, quando eu toco e canto, eu ouço os mesmos sons que ouvia antes.”

King acreditava que cantar música gospel era o caminho para o sucesso e, em 1943, juntou-se ao Famous St. John Gospel Singers, que tocava em uma estação de rádio. Ele cantava na igreja aos domingos e trocava de chapéu para, à noite, tocar por dinheiro nas ruas de Indianola.

Nesse mesmo ano, entrou para o Exército, onde esteve por menos de três meses. Passava os dias dirigindo o trator em uma plantação em Delta e, nos fins de semana, ia para os clubes de música de Indianola ouvir Duke Ellington, Count Basie e Robert Nighthawk. Foi nessa época que decidiu tocar blues.

Após a guerra, King mudou-se para Memphis com Bukka White e teve a primeira oportunidade de carreira em 1948, ao tocar no programa de rádio de Sonny Boy Williamson. Até então, usava seu nome verdadeiro, Riley King, e ficou conhecido como the Blues Boy from Beale Street, que depois foi encurtado para Blues Boy e, em seguida, para apenas B.B..

O primeiro acordo para um disco foi com uma pequena gravadora de Nashville, chamada Bullet Records, e o seu primeiro single foi “Miss Martha King”, escrita para a sua primeira esposa. Isso levou a um contrato com os irmãos Bihari, que eram donos das gravadoras RPM, Modern e Kent. Seu primeiro hit, “3 O’Clock Blues”, foi gravado na YMCA de Memphis, em 1951, com Ike Turner ao piano, e passou 17 semanas no ranking R&B Singles – cinco delas no topo, o que o levou a assinar com a Universal Attractions e a ser contratado por inúmeras casas de shows para negros ao redor dos Estados Unidos, como o Apollo Theater em Nova York e o Howard Theater, em Washington, D.C..

Como muitos artistas do blues da época, King não recebia a sua fração justa dos lucros em algumas músicas feitas em parceria com Joe Josea, Jules Taub e Sam Ling. “Algumas das músicas que eu escrevi tiveram um nome adicionado quando eu patenteei", contou à revista Blues Access. "Não havia nenhum Ling ou Josea. Era uma maneira da empresa ficar com metade dos rendimentos da música.”

Em fevereiro de 1967, King foi contratado pelo Fillmore Auditorium, em São Francisco, para tocar com Moby Grape e a Steve Miller Band. Assim que chegou ao local, achou que deveria ter sido um engano, já que ele nunca havia tocado para uma plateia exclusivamente branca. Miller e o promotor Bill Graham eram grandes fãs e o queriam na programação.

"Nós estávamos todos muito animados", disse Miller em B.B. King Treasures. "Foi uma noite muito emocionante. Ele estava com lágrimas nos olhos por causa da plateia. Assim que subiu no palco, todos se levantaram e o aplaudiram de pé."

King lembrou do evento como a noite em que ele foi visto como um músico – em vez de apenas um cantor de blues. Essa noite também levou o guitarrista a conhecer e tocar com os músicos brancos de blues-rock, como Bloomfield, Al Kooper and The Blues Project e Clapton, que disse aos jornalistas que o ponto alto de sua primeira ida aos Estados Unidos foi conhecer King.

Em 1969, conquistou seu primeiro single. "Eu estava carregando 'The Thrill Is Gone' por uns sete ou oito anos", disse nos comentários de King Of The Blues. "Havia tentado muitas vezes, mas nunca ficava como eu queria. Ficamos no estúdio das 22h às 3h e tínhamos feito 'The Thrill' e mais umas duas músicas. O engraçado é que [o produtor] Bill Szymczyk não gostou dela no começo. Mais ou menos às 5h ele me ligou e disse: 'Estou com uma ideia de colocarmos cordas’. Eu topei."

Em 1971, King gravou Live In Cook County Jail – e foi o cofundador da Foundation for the Advancement of Inmate Rehabilitation and Recreation –, seguiu os passos de Waters, Wolf e Chuck Berry e foi para Londres gravar com a nova geração de blues-rockers britânicos.

Em 1974, disse a Billboard que a sua "cruzada" era para ganhar reconhecimento para outros artistas do blues, como Buddy Guy, Lightnin Hopkins e Sleepy John Estes. "Houve um tempo em que eu tinha vergonha de ser um cantor de blues, mas hoje eu sou excepcionalmente orgulhoso de fazer a minha parte em preservar essa arte.”

A carreira de gravação de King ficou mais lenta nos anos 1980 com o acréscimo de outros países em suas turnês. O U2 escreveu “When Loves Comes To Town” para King, lançada em 1988 e parte do filme Rattle And Hum. King conheceu Bono na época em que The Joshua Tree foi lançado e pediu ao vocalista que escrevesse uma música pra ele.

Na década de 1990 veio a criação dos B.B. King’s Blues Clubscomeçando por Memphis, em 1991, e seguindo para Los Angeles, em 1994.  A terceira casa foi aberta em Nova York, em junho de 2000. A autobiografia de King, Blues All Around Me, escrita com David Ritz, foi publicada em 1996.

As gravações voltaram ao ritmo anterior e dez álbuns foram lançados entre 1995 e 2008. Nessa época, King ganhou oito Grammy Awards, cinco deles na categoria de Melhor Álbum de Blues Tradicional.

King foi casado duas vezes: de 1942 a 1952 com Martha Lee Denton e de 1958 a 1966 com Sue Hall. Teve 15 filhos com várias mulheres e mais de 50 netos. “Acho que ouvi ultimatos para escolher entre minhas mulheres ou Lucille umas 15 vezes.  É por isso que eu tive 15 filhos com 15 mulheres diferentes.”

Em 1995, King recebeu a honraria Kennedy Center das mãos do presidente Bill Clinton. “Ver que o homem mais poderoso do mundo tirou dez ou 15 minutos para sentar e falar comigo – um velho de Indianola, Mississippi – é uma coisa que jamais esquecerei”, disse o Rei do Blues.

Morre, aos 89 anos, a lenda do blues B.B. King Saiba como foi um dos últimos shows de B. B. King no Brasil “Perdi aquele tio mais chegado, sabe?”, diz André Christovam sobre B.B. King “Eu sempre pensei que B.B. King fosse morrer no palco. O palco cura”, diz Nuno Mindelis
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Saudade
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Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
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De catador de algodão a lenda do Blues; conheça a trajetória de B. B. King

por em 15/05/2015

B. B. King, o último dos bluesmen sulistas que definiram o blues moderno nos anos 1950 e responsável por influenciar inúmeros guitarristas, morreu ontem (14/05), aos 89 anos.

Nascido no Mississipi, o guitarrista sofria de diabetes tipo II há duas décadas, e faleceu enquanto dormia. O músico estava sob cuidados médicos em sua casa em Las Vegas após ter sido internado duas vezes durante o mês de abril.

Em outubro, o Rei do Blues sentiu-se mal durante um show e, após ser diagnosticado com desidratação e exaustão, cancelou a turnê, que nunca foi retomada.

Com a sua fiel guitarra Lucille, uma Gibson, King cativou a sua plateia no palco nas décadas de 1950 e 1960, e chegou ao mainstream nos anos 1970,tornando-se um embaixador mundial do blues – e o primeiro músico do gênero a tocar na União Soviética.

King, cuja música mais conhecida é “The Thrill Is Gone”, desenvolveu um estilo comercial de tocar o blues e cantava quase exclusivamente sobre romance. Diferente dos músicos que o influenciaram, como Blind Lemon Jefferson e T-Bone Walker, por exemplo, ou dos seus contemporâneos Muddy Waters, John Lee Hooker e Howlin Wolf, a música de B. B. King não tinha o estilo típico do Mississippi ou do Beale Street, em Memphis, onde ele estabeleceu a sua carreira.

King levou o blues rural para a cidade grande, onde havia músicos que entendiam de jazz e tocavam instrumentos de sopro, mas que faziam isso de um jeito que permitia que a voz e a guitarra de King se sobressaíssem.

O músico gostava de conversar. Antes de começar seus solos, geralmente fazia um curto depoimento.

O som de sua guitarra, admirado por Stevie Ray Vaughan, Michael Bloomfield e Eric Clapton – para citar apenas alguns – e a sua acolhedora performance abriu as portas no mundo todo. Era um dos artistas com as turnês mais consistentes dos últimos 50 anos.

Por mais de meio século, King fazia, em média, 275 shows por ano. Só em 1956, tocou em 342 noites. “Descobri que cada vez que eu ia para um lugar, eu ganhava mais fãs”, disse no livro The B. B. King Treasures. “Eu comecei a receber cartas, e as pessoas passaram a comprar os discos. Todo mundo achava que eu estava ganhando muito dinheiro porque eu estava viajando muito. Mas essa era a única maneira de eu sobreviver.”

King passou 40 anos no Billboard 200 com 33 títulos. Seu álbum lançado em 2000, com Eric Clapton, Riding With The King, chegou à 3ª posição do ranking. Solo, ele entrou no Top 40 duas vezes: com Indianola MississippiCompletely Well – álbum de “The Thrill Is Gone” –, que chegou à 26ª posição, e com Live In Cook County Jail, que chegou à 25ª.

Live In Cook County Jail foi o principal dos 25 discos que chegaram ao ranking Top R&B Albums, ocupando a 1ª posição por três semanas durante as 31 semanas em que permaneceu na lista. Nove dos álbuns do músico chegaram ao topo do ranking de Blues. O último foi Live At The Royal Albert Hall 2011, em 2012.

King teve 35 músicas no Hot 100 desde 1957, quando “Be Careful With A Fool” chegou à 95ª posição e “When Love Comes To Town”, um dueto com o U2, à 68ª. A sua música mais bem-sucedida no ranking foi “The Thrill Is Gone”, o single de 1969 que chegou ao 15º lugar. Apenas duas outras músicas entraram no Top 40.

Ao longo de sua carreira, o músico ganhou 15 Grammy Awards, recebeu o Grammy Lifetime Achievement Award em 1987, entrou no Hall da Fama do Blues em 1980 e no do Rock And Roll em 1987.

Quase tão famosa quanto o homem era a sua guitarra. No inverno de 1949, quando King estava tocando em um bar na cidade de Twist, Arkansas, um balde cheio de querosene, aceso para manter o cômodo aquecido, foi derrubado durante uma briga entre dois homens e o local pegou fogo. “Quando eu cheguei lá fora, percebi que havia deixado a minha guitarra [uma Gibson L-30 com um captador DeArmond] lá dentro. Então eu voltei para buscar”, disse ao Jazzweekly.com. “O prédio era de madeira e o fogo se espalhava muito rapidamente. Tudo começou a desabar ao meu redor e eu quase morri tentando salvar a minha guitarra.”

E continuou: “Na manhã seguinte, descobrimos que os dois caras estavam brigando por uma moça que trabalhava lá, chamada Lucille. Então eu batizei a minha guitarra com o mesmo nome, para me lembrar de nunca mais fazer algo assim.” Em 1982, King fez uma parceria com a Gibson para a criação da guitarra B. B. King Lucille.

Riley King nasceu no dia 16 de setembro de 1925, no Mississippi, perto de Itta Bena, e cresceu em uma fazenda de algodão, criado por sua avó materna.Perdeu a mãe quando tinha nove anos e a avó alguns anos depois, aos 14, fazendo com que chegasse até a trabalhar na colheita do algodão. Sua primeira gravação, feita em 1940, foi “Sharecropper Record”.

A lenda do blues aprendeu a tocar guitarra estudando Jefferson, Walker, Lonnie Johnson e com o seu primo, Booker “Bukka” White, que o ensinou os pontos mais delicados da guitarra. “Eu acho que o primeiro som de blues que eu me lembro de ter ouvido foi nos campos, quando as pessoas estavam colhendo algodão ou algo do tipo”, contou em uma entrevista de 1988 ao Living Blues. “Agora, quando eu toco e canto, eu ouço os mesmos sons que ouvia antes.”

King acreditava que cantar música gospel era o caminho para o sucesso e, em 1943, juntou-se ao Famous St. John Gospel Singers, que tocava em uma estação de rádio. Ele cantava na igreja aos domingos e trocava de chapéu para, à noite, tocar por dinheiro nas ruas de Indianola.

Nesse mesmo ano, entrou para o Exército, onde esteve por menos de três meses. Passava os dias dirigindo o trator em uma plantação em Delta e, nos fins de semana, ia para os clubes de música de Indianola ouvir Duke Ellington, Count Basie e Robert Nighthawk. Foi nessa época que decidiu tocar blues.

Após a guerra, King mudou-se para Memphis com Bukka White e teve a primeira oportunidade de carreira em 1948, ao tocar no programa de rádio de Sonny Boy Williamson. Até então, usava seu nome verdadeiro, Riley King, e ficou conhecido como the Blues Boy from Beale Street, que depois foi encurtado para Blues Boy e, em seguida, para apenas B.B..

O primeiro acordo para um disco foi com uma pequena gravadora de Nashville, chamada Bullet Records, e o seu primeiro single foi “Miss Martha King”, escrita para a sua primeira esposa. Isso levou a um contrato com os irmãos Bihari, que eram donos das gravadoras RPM, Modern e Kent. Seu primeiro hit, “3 O’Clock Blues”, foi gravado na YMCA de Memphis, em 1951, com Ike Turner ao piano, e passou 17 semanas no ranking R&B Singles – cinco delas no topo, o que o levou a assinar com a Universal Attractions e a ser contratado por inúmeras casas de shows para negros ao redor dos Estados Unidos, como o Apollo Theater em Nova York e o Howard Theater, em Washington, D.C..

Como muitos artistas do blues da época, King não recebia a sua fração justa dos lucros em algumas músicas feitas em parceria com Joe Josea, Jules Taub e Sam Ling. “Algumas das músicas que eu escrevi tiveram um nome adicionado quando eu patenteei", contou à revista Blues Access. "Não havia nenhum Ling ou Josea. Era uma maneira da empresa ficar com metade dos rendimentos da música.”

Em fevereiro de 1967, King foi contratado pelo Fillmore Auditorium, em São Francisco, para tocar com Moby Grape e a Steve Miller Band. Assim que chegou ao local, achou que deveria ter sido um engano, já que ele nunca havia tocado para uma plateia exclusivamente branca. Miller e o promotor Bill Graham eram grandes fãs e o queriam na programação.

"Nós estávamos todos muito animados", disse Miller em B.B. King Treasures. "Foi uma noite muito emocionante. Ele estava com lágrimas nos olhos por causa da plateia. Assim que subiu no palco, todos se levantaram e o aplaudiram de pé."

King lembrou do evento como a noite em que ele foi visto como um músico – em vez de apenas um cantor de blues. Essa noite também levou o guitarrista a conhecer e tocar com os músicos brancos de blues-rock, como Bloomfield, Al Kooper and The Blues Project e Clapton, que disse aos jornalistas que o ponto alto de sua primeira ida aos Estados Unidos foi conhecer King.

Em 1969, conquistou seu primeiro single. "Eu estava carregando 'The Thrill Is Gone' por uns sete ou oito anos", disse nos comentários de King Of The Blues. "Havia tentado muitas vezes, mas nunca ficava como eu queria. Ficamos no estúdio das 22h às 3h e tínhamos feito 'The Thrill' e mais umas duas músicas. O engraçado é que [o produtor] Bill Szymczyk não gostou dela no começo. Mais ou menos às 5h ele me ligou e disse: 'Estou com uma ideia de colocarmos cordas’. Eu topei."

Em 1971, King gravou Live In Cook County Jail – e foi o cofundador da Foundation for the Advancement of Inmate Rehabilitation and Recreation –, seguiu os passos de Waters, Wolf e Chuck Berry e foi para Londres gravar com a nova geração de blues-rockers britânicos.

Em 1974, disse a Billboard que a sua "cruzada" era para ganhar reconhecimento para outros artistas do blues, como Buddy Guy, Lightnin Hopkins e Sleepy John Estes. "Houve um tempo em que eu tinha vergonha de ser um cantor de blues, mas hoje eu sou excepcionalmente orgulhoso de fazer a minha parte em preservar essa arte.”

A carreira de gravação de King ficou mais lenta nos anos 1980 com o acréscimo de outros países em suas turnês. O U2 escreveu “When Loves Comes To Town” para King, lançada em 1988 e parte do filme Rattle And Hum. King conheceu Bono na época em que The Joshua Tree foi lançado e pediu ao vocalista que escrevesse uma música pra ele.

Na década de 1990 veio a criação dos B.B. King’s Blues Clubscomeçando por Memphis, em 1991, e seguindo para Los Angeles, em 1994.  A terceira casa foi aberta em Nova York, em junho de 2000. A autobiografia de King, Blues All Around Me, escrita com David Ritz, foi publicada em 1996.

As gravações voltaram ao ritmo anterior e dez álbuns foram lançados entre 1995 e 2008. Nessa época, King ganhou oito Grammy Awards, cinco deles na categoria de Melhor Álbum de Blues Tradicional.

King foi casado duas vezes: de 1942 a 1952 com Martha Lee Denton e de 1958 a 1966 com Sue Hall. Teve 15 filhos com várias mulheres e mais de 50 netos. “Acho que ouvi ultimatos para escolher entre minhas mulheres ou Lucille umas 15 vezes.  É por isso que eu tive 15 filhos com 15 mulheres diferentes.”

Em 1995, King recebeu a honraria Kennedy Center das mãos do presidente Bill Clinton. “Ver que o homem mais poderoso do mundo tirou dez ou 15 minutos para sentar e falar comigo – um velho de Indianola, Mississippi – é uma coisa que jamais esquecerei”, disse o Rei do Blues.

Morre, aos 89 anos, a lenda do blues B.B. King Saiba como foi um dos últimos shows de B. B. King no Brasil “Perdi aquele tio mais chegado, sabe?”, diz André Christovam sobre B.B. King “Eu sempre pensei que B.B. King fosse morrer no palco. O palco cura”, diz Nuno Mindelis