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De Lenine a Chico Buarque, Gog alcança a MPB com seu rap

por em 25/09/2015
P
or Marcos Lauro
Gog é um dos nomes mais tradicionais do rap nacional. De Brasília, ele toca em feridas que a sociedade não gosta muito de falar abertamente - no seu próximo disco, ISO9000 Do Gueto, tem uma música sobre suicídio. A Billboard Brasil conversou com o rapper, que canta domingo (27/09) em São Paulo. Além do tabu já citado, ele se prepara para desconstruir Chico Buarque no próximo disco, que também terá a participação de Zeca Baleiro. Você acabou de lançar “Heroínas E Heróis” e com o Projetonave. Já tinha trabalhado com eles antes? Como foi? Foi um grande aprendizado. A gente já se falava, tinha um respeito profissional mútuo. Eles produziram uma base e me convidaram pra participar de um projeto de vinil deles. Eu já estava no meio da produção do meu próximo disco, o ISO9000 Do Gueto. Aí eu propus de trazer a base pro meu disco também. Foi bem diferente do meu trabalho, eu faço tudo muito rápido. E eles trouxeram essa coisa nova pra mim, de fazer tudo mais devagar. Geralmente eu começo a produzir e escrevo no estúdio mesmo. Meu disco sai em novembro e agora estou trabalhando numa música chamada “Desconstrução”, que é a música “Construção”, do Chico, refeita em outro formato. A minha parte eu escrevi na hora, no estúdio. Não mostrei pro Chico ainda [risos]. https://www.youtube.com/watch?v=6MZkNGQom4g E o seu disco vai seguir essa pegada com banda ou é DJ e MC? São 12 produtores diferentes no disco. A gente trabalha com bateria eletrônica, baixo, guitarra, violão e guitarra, tudo tocado mesmo. Nos shows as pessoas estão gostando disso. Dentro da cena independente brasileira, se você não colocar um time coeso fica difícil viajar. Hoje, uma banda com oito pessoas viaja, no mínimo, com 12. Nossa equipe tem oito pessoas. O roadie também é técnico de som, ele entende tudo sobre o espetáculo. O rap ainda sofre com shows em lugares de infraestrutura carente, som ruim... Com esse formato, você vai ficar mais exigente? É uma questão de postura de respeito ao trabalho e ao público. Tem contratante que tem estrutura, outros não. A gente procura atender a todos com um mínimo. DJ e MC é a base do hip hop e eu trabalho com isso. Quando você tem um bom DJ, você tem um bom relógio. Nem precisa olhar pro DJ, tá tudo ensaiado. E, atualmente, alguns DJs já têm sua bateria eletrônica, solta efeitos... o espetáculo fica bom. Em alguns momentos nós fazemos esse formato mais básico sim. Mas quando estamos com a banda completa, é muito diferente. Mas o que acontece? O rap fala de temas que outras músicas não falam. Quem vai falar sobre o genocídio da juventude negra brasileira? Então, a gente tem que ter acesso às comunidades que precisam ouvir isso. Você tem um histórico forte, de discursos mais diretos. E, ao mesmo tempo, você dialoga muito bem com artistas que falam sobre temas mais acessíveis, como Lenine e Maria Rita. Como isso acontece? Pois é... o Zeca Baleiro está no novo disco, o Fernando Anitelli, do Teatro Mágico, também. Tem uma frase que escrevi na música “Malcom X Foi À Meca, Gog Ao Nordeste” que diz: “Música é universal mas tem que ter identidade”. A música é arte, manifestação humana. E a identidade é trabalhar com coerência dentro do que você acredita. Lenine, por exemplo, eu sampleei numa música. KL Jay veio me perguntar: “Como é o Lenine como pessoa?”. O sampler ficou tão bom que ele pensou que tínhamos gravado juntos. O Lenine ouviu e falou: “Gente, eu não cantei com esse rapaz!” [risos]. Ele adorou e me chamou para participar do acústico. Lá pude conhecer a Vanessa da Mata, o Iggor Cavalera... e daí veio a vontade de gravar meu DVD, vi que era possível. Se o Lenine não tivesse se identificado, talvez ele tivesse se afastado. E a Maria Rita viu o Lenine empolgado, pegou meu contato pessoal e ligou no meu celular. Chegou uma hora em que eu perguntei: “É a Maria Rita mesmo?” [risos]. Depois fiz o convite pro DVD e ela veio. OUÇA "A PONTE", DO GOG COM SAMPLER DO LENINE O rap hoje vive uma certa abertura, aparece mais na mídia. E você já recusou, publicamente, convites para aparecer na TV. O que você acha desse momento? O rap tem uma estratégia de ocupação, negra e periférica, para apontar os problemas e apontar propostas. E a gente não pode só colocar a bola no pé do centro-avante, todo mundo tem que jogar. Centro-avante são os que mais aparecem e estão na mídia. Mas é importante que eu fique, que o Eduardo [ex-líder do grupo Facção Central, que hoje segue solo] seja mais à esquerda de mim ainda. E é importante o Edi Rock gravando disco, o Mano Brown gravando disco, o KL Jay frequentando esses territórios. O mais importante é que nossos temas sejam colocados. O Emicida foi ao Altas Horas e falou: “O táxi não para pra mim, mas o camburão para”. Ele usou o meio de forma interessante. Mas qual a minha leitura disso? Quem está vendo a Globo não vai se tocar com isso. E a mídia sabe disso, mas ela precisa do Emicida, do Rappin’ Hood, do MV Bill. São pessoas respeitadas. Eu gosto muito mais do corpo a corpo. VEJA O DISCURSO DE EMICIDA NO PROGRAMA ALTAS HORAS Falando em corpo a corpo, você canta domingo no SESC Itaquera. O show já tem músicas do disco novo? Sim, 80% do show já é de música nova. Estamos construindo um cenário maior e uma parte dele já vai para São Paulo. Serviço: GOG convida Pianola Duo e Fernando Anitelli Sesc Itaquera - Praça de Eventos 27/09 – 15h Grátis
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Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
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Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
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De Lenine a Chico Buarque, Gog alcança a MPB com seu rap

por em 25/09/2015
P
or Marcos Lauro
Gog é um dos nomes mais tradicionais do rap nacional. De Brasília, ele toca em feridas que a sociedade não gosta muito de falar abertamente - no seu próximo disco, ISO9000 Do Gueto, tem uma música sobre suicídio. A Billboard Brasil conversou com o rapper, que canta domingo (27/09) em São Paulo. Além do tabu já citado, ele se prepara para desconstruir Chico Buarque no próximo disco, que também terá a participação de Zeca Baleiro. Você acabou de lançar “Heroínas E Heróis” e com o Projetonave. Já tinha trabalhado com eles antes? Como foi? Foi um grande aprendizado. A gente já se falava, tinha um respeito profissional mútuo. Eles produziram uma base e me convidaram pra participar de um projeto de vinil deles. Eu já estava no meio da produção do meu próximo disco, o ISO9000 Do Gueto. Aí eu propus de trazer a base pro meu disco também. Foi bem diferente do meu trabalho, eu faço tudo muito rápido. E eles trouxeram essa coisa nova pra mim, de fazer tudo mais devagar. Geralmente eu começo a produzir e escrevo no estúdio mesmo. Meu disco sai em novembro e agora estou trabalhando numa música chamada “Desconstrução”, que é a música “Construção”, do Chico, refeita em outro formato. A minha parte eu escrevi na hora, no estúdio. Não mostrei pro Chico ainda [risos]. https://www.youtube.com/watch?v=6MZkNGQom4g E o seu disco vai seguir essa pegada com banda ou é DJ e MC? São 12 produtores diferentes no disco. A gente trabalha com bateria eletrônica, baixo, guitarra, violão e guitarra, tudo tocado mesmo. Nos shows as pessoas estão gostando disso. Dentro da cena independente brasileira, se você não colocar um time coeso fica difícil viajar. Hoje, uma banda com oito pessoas viaja, no mínimo, com 12. Nossa equipe tem oito pessoas. O roadie também é técnico de som, ele entende tudo sobre o espetáculo. O rap ainda sofre com shows em lugares de infraestrutura carente, som ruim... Com esse formato, você vai ficar mais exigente? É uma questão de postura de respeito ao trabalho e ao público. Tem contratante que tem estrutura, outros não. A gente procura atender a todos com um mínimo. DJ e MC é a base do hip hop e eu trabalho com isso. Quando você tem um bom DJ, você tem um bom relógio. Nem precisa olhar pro DJ, tá tudo ensaiado. E, atualmente, alguns DJs já têm sua bateria eletrônica, solta efeitos... o espetáculo fica bom. Em alguns momentos nós fazemos esse formato mais básico sim. Mas quando estamos com a banda completa, é muito diferente. Mas o que acontece? O rap fala de temas que outras músicas não falam. Quem vai falar sobre o genocídio da juventude negra brasileira? Então, a gente tem que ter acesso às comunidades que precisam ouvir isso. Você tem um histórico forte, de discursos mais diretos. E, ao mesmo tempo, você dialoga muito bem com artistas que falam sobre temas mais acessíveis, como Lenine e Maria Rita. Como isso acontece? Pois é... o Zeca Baleiro está no novo disco, o Fernando Anitelli, do Teatro Mágico, também. Tem uma frase que escrevi na música “Malcom X Foi À Meca, Gog Ao Nordeste” que diz: “Música é universal mas tem que ter identidade”. A música é arte, manifestação humana. E a identidade é trabalhar com coerência dentro do que você acredita. Lenine, por exemplo, eu sampleei numa música. KL Jay veio me perguntar: “Como é o Lenine como pessoa?”. O sampler ficou tão bom que ele pensou que tínhamos gravado juntos. O Lenine ouviu e falou: “Gente, eu não cantei com esse rapaz!” [risos]. Ele adorou e me chamou para participar do acústico. Lá pude conhecer a Vanessa da Mata, o Iggor Cavalera... e daí veio a vontade de gravar meu DVD, vi que era possível. Se o Lenine não tivesse se identificado, talvez ele tivesse se afastado. E a Maria Rita viu o Lenine empolgado, pegou meu contato pessoal e ligou no meu celular. Chegou uma hora em que eu perguntei: “É a Maria Rita mesmo?” [risos]. Depois fiz o convite pro DVD e ela veio. OUÇA "A PONTE", DO GOG COM SAMPLER DO LENINE O rap hoje vive uma certa abertura, aparece mais na mídia. E você já recusou, publicamente, convites para aparecer na TV. O que você acha desse momento? O rap tem uma estratégia de ocupação, negra e periférica, para apontar os problemas e apontar propostas. E a gente não pode só colocar a bola no pé do centro-avante, todo mundo tem que jogar. Centro-avante são os que mais aparecem e estão na mídia. Mas é importante que eu fique, que o Eduardo [ex-líder do grupo Facção Central, que hoje segue solo] seja mais à esquerda de mim ainda. E é importante o Edi Rock gravando disco, o Mano Brown gravando disco, o KL Jay frequentando esses territórios. O mais importante é que nossos temas sejam colocados. O Emicida foi ao Altas Horas e falou: “O táxi não para pra mim, mas o camburão para”. Ele usou o meio de forma interessante. Mas qual a minha leitura disso? Quem está vendo a Globo não vai se tocar com isso. E a mídia sabe disso, mas ela precisa do Emicida, do Rappin’ Hood, do MV Bill. São pessoas respeitadas. Eu gosto muito mais do corpo a corpo. VEJA O DISCURSO DE EMICIDA NO PROGRAMA ALTAS HORAS Falando em corpo a corpo, você canta domingo no SESC Itaquera. O show já tem músicas do disco novo? Sim, 80% do show já é de música nova. Estamos construindo um cenário maior e uma parte dele já vai para São Paulo. Serviço: GOG convida Pianola Duo e Fernando Anitelli Sesc Itaquera - Praça de Eventos 27/09 – 15h Grátis