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Depois de quatro anos e mais madura, Maria Gadú lança novo disco

por em 05/06/2015
P
or Marcos Lauro
Maria Gadú apresenta seu novo disco, Guelã, quatro anos depois de Mais Uma Página, até então seu último trabalho de inéditas. E o público não se esqueceu dela. Tanto é que as duas apresentações marcadas para esta sexta (05/06) e sábado (06/06) no Auditório Ibirapuera se esgotaram rapidamente e um show extra teve que ser incluído na agenda. A Billboard Brasil conversou com Maria Gadú sobre esse hiato, o disco novo (que tem uma sonoridade mais madura do que os anteriores) e o fato de a sua vida pessoal ter sido foco dos noticiários no lugar de sua música. Quatro anos sem um disco de inéditas é um intervalo considerado grande. Em que momento veio a vontade de fazer algo novo? Mais ou menos há dois anos. Ali veio o primeiro impulso de pensar em algo novo, mas não “ah, vou começar a compor...”. Foi mais sonoro mesmo. Voltei a estudar guitarra. O disco foi sendo feito num processo muito lento, fui amadurecendo-o ao longo desses dois anos... o lance de execução, de timbragem, o que eu queria e o que é o meu som agora e tal. E você também produz o disco. Você já tinha esse conhecimento de estúdio ou adquiriu nesse processo? Cara, eu sempre gostei bastante disso e de ter trabalhado nesses anos todos com o Rodrigo Vidal, um cara maravilhoso, generosíssimo e que sempre me interou de todas as fases do processo. Desde que lancei meu primeiro disco estou aprendendo com ele. A gente viajou pros Estados Unidos pra ver equipamentos... Me deu esse interesse e fui me aprofundando. Você passou por um período turbulento, com muito trabalho: gravando com Caetano, fazendo parcerias... Acha que isso poda o lado criativo? No meu caso sim, um pouco. Não consigo dizer isso como uma fórmula, em relação as outras pessoas e tal... É que eu tenho poucos processos criativos, né? O primeiro durou 21 anos [risos]. O cansaço deixa a mente menos fértil. Quando você chega em casa cansado, não quer ouvir falar em música... E se eu não consumo música, eu não produzo. Aí parei de consumir porque estava estafada de tanto show, nunca tinha tocado tanto na vida. E eu também não sou muito compulsiva pra compor... Eu tenho poucas canções, praticamente só as que gravei mesmo [risos]. Quanto mais eu escuto música, mais eu consigo externar o que eu sinto ou penso. Como se eu acionasse um vocabulário interno. O que significa o nome do novo disco, Guelã? É uma palavra que vem do criolo do norte do continente, das Guianas... Uma mistura de línguas latinas com tupi, sem influência africana. Significa “gaivota”. A única música do disco que não é sua é “Trovoa”, do Mauricio Pereira. Como chegou até ela? Eu sou muito fã do Mauricio Pereira desde Os Mulheres Negras. Há alguns anos, um amigo me mostrou essa música dizendo que eu ia “morrer”. E, de fato, eu morri um pouco quando a ouvi pela primeira vez [risos]. E eu tive a sensação de que se eu tivesse a oportunidade de gravar, seria essa música... Nem pensava no disco ainda, nada. Você acha Guelã um disco maduro? Eu acho que, pela ordem, com certeza ele é mais maduro porque eu tenho mais idade... Não que quatro anos [sem lançar discos] seja um “nossa, que período sabático gigante” [risos], mas tem uma diferença. No meu primeiro disco eu estava saindo da adolescência e agora eu vou fazer 30 anos. Os problemas mudaram, a forma como aprendi a encarar música nesses anos mudou, conviver com gente que eu admiro me ensinou algumas coisas... Então acho que esse disco é mais coeso, tem cara de “álbum” mesmo. E você pensou nesse conceito de álbum então ou foi rolando? Pensei. Fiquei com uma imagem dos meus outros discos como se eles fossem álbuns de fotos com um monte de canções que, às vezes, nem tinham relação entre si. Já esse é um retrato mesmo. Da primeira à última música tem uma linha que une... Pelo menos na minha cabeça [risos]. O barato é esse, né? Fazer sentido pra todo mundo... [risos] Total. E não tem como, né? É curioso isso. Você alcançou (e ainda alcança) um público de massa, com músicas em novela e tudo mais. Você considera esse novo disco mais “difícil”? Eu não penso sobre isso. Porque se eu disser que é difícil eu vou subestimar as pessoas. Ou superestimar o disco. Eu acho um disco acessível pra caramba, não é tão experimental a ponto de necessitar de entendimento sobre música. Agora, se vai tocar ou não... [risos] Eu não sei, acho que tá mudando tanto a forma de consumir música... E como você consome música? Cara, os métodos de sempre. Eu ando com um discman na bolsa. Se um cara vier me assaltar, ele vai ficar tão puto [risos]... Eu gosto de comprar CD, ler ficha técnica de disco... Mas eu tenho também streaming no meu celular. E eu tô aprendendo a navegar nessas plataformas e o lance da pesquisa é demais, uma coisa te leva a outra... Esses dias, quando me dei conta, estava ouvindo uma banda de flautas do interior do Japão. Eu já nem sabia mais como tinha parado ali. Muito bom! E tem tanta coisa maravilhosa acontecendo no mundo inteiro. O CD físico deixava a gente menos atualizado das coisas... Tinha coisa que não chegava aqui, assim como artistas brasileiros não chegavam lá fora. E agora é o streaming. Sua vida pessoal foi bastante explorada pela mídia. Como lidou – e ainda lida – com isso? Ah, na verdade isso diminuiu muito e não só comigo. Esse negócio de cada um ser o seu próprio paparazzo com o tal do Instagram... [risos]. O cara vai ficar plantado na porta do restaurante pra quê se a própria pessoa já tirou a foto? Mas é desagradável, né... Você passear num lugar e uma pessoa te observar a ponto de te congelar, sacou? Sempre achei chatão. Agora mudou, até porque eu estou mais quieta, gosto de ficar em casa, ficar com meus amigos... E voltei pra São Paulo, né? Aqui não tem isso, nunca vi paparazzo. Eu gosto de viver a vida normal, sabe? Sair, acordar de manhã, ir ao mercado, feira, vou ao banco, pego metrô, ônibus... Lá no Rio de Janeiro um cara vai tirar foto de você e dizer que você anda de ônibus. Qual a graça? O mundo inteiro anda de ônibus. https://youtu.be/x4fqAzeimCc Serviço Maria Gadú lança o CD Guelã no Auditório Ibirapuera Dias 5 e 6 (sexta-feira e sábado), às 21h – INGRESSOS ESGOTADOS 6 junho, sábado, às 19h (show extra) Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada) Av. Pedro Alvares Cabral, s/n – Portão 2 do Parque do Ibirapuera (Entrada para carros pelo Portão 3) Fone: 11.3629-1075
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    EUA
1
Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
Saudade
Eduardo Costa
3
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
4
Dona Maria (Part. Jorge)
Thiago Brava
5
Não Era Você
João Bosco & Vinicius
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Depois de quatro anos e mais madura, Maria Gadú lança novo disco

por em 05/06/2015
P
or Marcos Lauro
Maria Gadú apresenta seu novo disco, Guelã, quatro anos depois de Mais Uma Página, até então seu último trabalho de inéditas. E o público não se esqueceu dela. Tanto é que as duas apresentações marcadas para esta sexta (05/06) e sábado (06/06) no Auditório Ibirapuera se esgotaram rapidamente e um show extra teve que ser incluído na agenda. A Billboard Brasil conversou com Maria Gadú sobre esse hiato, o disco novo (que tem uma sonoridade mais madura do que os anteriores) e o fato de a sua vida pessoal ter sido foco dos noticiários no lugar de sua música. Quatro anos sem um disco de inéditas é um intervalo considerado grande. Em que momento veio a vontade de fazer algo novo? Mais ou menos há dois anos. Ali veio o primeiro impulso de pensar em algo novo, mas não “ah, vou começar a compor...”. Foi mais sonoro mesmo. Voltei a estudar guitarra. O disco foi sendo feito num processo muito lento, fui amadurecendo-o ao longo desses dois anos... o lance de execução, de timbragem, o que eu queria e o que é o meu som agora e tal. E você também produz o disco. Você já tinha esse conhecimento de estúdio ou adquiriu nesse processo? Cara, eu sempre gostei bastante disso e de ter trabalhado nesses anos todos com o Rodrigo Vidal, um cara maravilhoso, generosíssimo e que sempre me interou de todas as fases do processo. Desde que lancei meu primeiro disco estou aprendendo com ele. A gente viajou pros Estados Unidos pra ver equipamentos... Me deu esse interesse e fui me aprofundando. Você passou por um período turbulento, com muito trabalho: gravando com Caetano, fazendo parcerias... Acha que isso poda o lado criativo? No meu caso sim, um pouco. Não consigo dizer isso como uma fórmula, em relação as outras pessoas e tal... É que eu tenho poucos processos criativos, né? O primeiro durou 21 anos [risos]. O cansaço deixa a mente menos fértil. Quando você chega em casa cansado, não quer ouvir falar em música... E se eu não consumo música, eu não produzo. Aí parei de consumir porque estava estafada de tanto show, nunca tinha tocado tanto na vida. E eu também não sou muito compulsiva pra compor... Eu tenho poucas canções, praticamente só as que gravei mesmo [risos]. Quanto mais eu escuto música, mais eu consigo externar o que eu sinto ou penso. Como se eu acionasse um vocabulário interno. O que significa o nome do novo disco, Guelã? É uma palavra que vem do criolo do norte do continente, das Guianas... Uma mistura de línguas latinas com tupi, sem influência africana. Significa “gaivota”. A única música do disco que não é sua é “Trovoa”, do Mauricio Pereira. Como chegou até ela? Eu sou muito fã do Mauricio Pereira desde Os Mulheres Negras. Há alguns anos, um amigo me mostrou essa música dizendo que eu ia “morrer”. E, de fato, eu morri um pouco quando a ouvi pela primeira vez [risos]. E eu tive a sensação de que se eu tivesse a oportunidade de gravar, seria essa música... Nem pensava no disco ainda, nada. Você acha Guelã um disco maduro? Eu acho que, pela ordem, com certeza ele é mais maduro porque eu tenho mais idade... Não que quatro anos [sem lançar discos] seja um “nossa, que período sabático gigante” [risos], mas tem uma diferença. No meu primeiro disco eu estava saindo da adolescência e agora eu vou fazer 30 anos. Os problemas mudaram, a forma como aprendi a encarar música nesses anos mudou, conviver com gente que eu admiro me ensinou algumas coisas... Então acho que esse disco é mais coeso, tem cara de “álbum” mesmo. E você pensou nesse conceito de álbum então ou foi rolando? Pensei. Fiquei com uma imagem dos meus outros discos como se eles fossem álbuns de fotos com um monte de canções que, às vezes, nem tinham relação entre si. Já esse é um retrato mesmo. Da primeira à última música tem uma linha que une... Pelo menos na minha cabeça [risos]. O barato é esse, né? Fazer sentido pra todo mundo... [risos] Total. E não tem como, né? É curioso isso. Você alcançou (e ainda alcança) um público de massa, com músicas em novela e tudo mais. Você considera esse novo disco mais “difícil”? Eu não penso sobre isso. Porque se eu disser que é difícil eu vou subestimar as pessoas. Ou superestimar o disco. Eu acho um disco acessível pra caramba, não é tão experimental a ponto de necessitar de entendimento sobre música. Agora, se vai tocar ou não... [risos] Eu não sei, acho que tá mudando tanto a forma de consumir música... E como você consome música? Cara, os métodos de sempre. Eu ando com um discman na bolsa. Se um cara vier me assaltar, ele vai ficar tão puto [risos]... Eu gosto de comprar CD, ler ficha técnica de disco... Mas eu tenho também streaming no meu celular. E eu tô aprendendo a navegar nessas plataformas e o lance da pesquisa é demais, uma coisa te leva a outra... Esses dias, quando me dei conta, estava ouvindo uma banda de flautas do interior do Japão. Eu já nem sabia mais como tinha parado ali. Muito bom! E tem tanta coisa maravilhosa acontecendo no mundo inteiro. O CD físico deixava a gente menos atualizado das coisas... Tinha coisa que não chegava aqui, assim como artistas brasileiros não chegavam lá fora. E agora é o streaming. Sua vida pessoal foi bastante explorada pela mídia. Como lidou – e ainda lida – com isso? Ah, na verdade isso diminuiu muito e não só comigo. Esse negócio de cada um ser o seu próprio paparazzo com o tal do Instagram... [risos]. O cara vai ficar plantado na porta do restaurante pra quê se a própria pessoa já tirou a foto? Mas é desagradável, né... Você passear num lugar e uma pessoa te observar a ponto de te congelar, sacou? Sempre achei chatão. Agora mudou, até porque eu estou mais quieta, gosto de ficar em casa, ficar com meus amigos... E voltei pra São Paulo, né? Aqui não tem isso, nunca vi paparazzo. Eu gosto de viver a vida normal, sabe? Sair, acordar de manhã, ir ao mercado, feira, vou ao banco, pego metrô, ônibus... Lá no Rio de Janeiro um cara vai tirar foto de você e dizer que você anda de ônibus. Qual a graça? O mundo inteiro anda de ônibus. https://youtu.be/x4fqAzeimCc Serviço Maria Gadú lança o CD Guelã no Auditório Ibirapuera Dias 5 e 6 (sexta-feira e sábado), às 21h – INGRESSOS ESGOTADOS 6 junho, sábado, às 19h (show extra) Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada) Av. Pedro Alvares Cabral, s/n – Portão 2 do Parque do Ibirapuera (Entrada para carros pelo Portão 3) Fone: 11.3629-1075