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Do New Radicals ao Oscar: conheça a saga de Gregg Alexander

por em 19/01/2015
ong>Por Maurício Amendola Entre as indicadas ao Oscar de Melhor Canção Original de 2015 estão composições de nomes consagrados, como John Legend e Common, de lendas, caso de Glen Campbell, e de gente especializada nesse tipo de premiação, vide Diane Wareen. Correndo por fora, Gregg Alexander, coautor de “Lost Stars” – do filme Mesmo Se Nada Der Certo –, pode não ser conhecido do público com menos de 20 anos, mas o “cantautor” já compôs vários sucessos radiofônicos e possui uma trajetória mais do que curiosa pelo show biz. Muitos devem se lembrar de Alexander, hoje com 44 anos, como o frontman do New Radicals, projeto que ganhou notoriedade no final dos anos 1990 com o hit “You Get What You Give” – aquela do videoclipe no shopping center. Mas sua aventura no mundo da música começou pelo menos dez anos antes, com uma empreitada solo seguida de fracasso comercial. O que pode ter relação com as escolhas do músico nos anos seguintes. Nascido numa família conservadora de testemunhas de Jeová, em Grosse Pointe, Michigan, Alexander aprendeu a tocar piano sozinho e já “brincava” de fazer melodias com 12 anos de idade. Aos 16, após sair de casa e tentar a sorte em Los Angeles, o músico influenciado por Prince e pela sonoridade da Motown conseguiu um contrato com a gravadora A&M. Em 1989, lançou seu disco de estreia, Michigan Rain, que foi totalmente ignorado pelo público. Com apenas 19 anos, Alexander, que ainda procurava sua identidade como compositor, foi rejeitado pela primeira vez. Em 1992, conseguiu mais um grande contrato. Desta vez, com a Epic. Mas, à época, o grunge de Nirvana e Pearl Jam era a bola da vez na indústria e o disco Intoxifornication – que trazia muitas canções relançadas de Michigan Rain – teve pouca repercussão. Em entrevista recente ao Hollywood Reporter, sua primeira em mais de 15 anos, Alexander contou que sofreu pressões da gravadora para se adequar ao som de Seattle. “Eu me recusei, porque não poderia fingir aquilo. Não era eu”. Com mais um contrato perdido, o músico sentia o gosto amargo do fracasso pela segunda vez. “Já me sentia como uma alma velha.” O interessante é que, embora não soasse como grunge, as canções de Alexander também falavam sobre inadequação social e de quebra de padrões do establishment, como é o caso de “The Truth" . A temática também estaria presente na sua empreitada seguinte (e seu ponto alto sob os holofotes). Após um tempo se apresentando até como músico de rua no Central Park, em Nova York, nosso herói conseguiu o inesperado: mais um contrato. Em 1998, montou o New Radicals, banda sem integrantes fixos – com exceção do próprio Alexander e de sua comparsa de longa data, Danielle Brisebois – e lançou o disco Maybe You’ve Been Brainwashed Too, pela gravadora MCA. Um dos músicos que participou do disco, Rusty Anderson, guitarrista de Paul McCartney desde 2001, disse em entrevista ao Independent que Alexander simplesmente enfiou suas demos – provavelmente compostas no período longe dos estúdios – no trabalho. “Ele era meio maluco e tínhamos pouco dinheiro para produção”, recorda. Deu certo. Com sonoridade que remetia a Hall & Oates, porém com uma pitada junkie, o disco foi um sucesso. Chegou ao 41º lugar do Billboard 200 e em 10º nas paradas britânicas. O destaque é “You Get What You Give”, que, além de motivar o clipe do rolezinho exibido à exaustão na MTV, ficou conhecida pelo trecho nada amigável em que cita Beck, Hanson, Courtney Love e Marilyn Manson. The Edge, do U2, chegou a dizer que a faixa é uma das que ele mais sente inveja por não ter composto. Já Joni Mitchell a definiu como “uma flor nascendo no meio do pântano da ‘McMusic’.” Além do hit, que chegou ao 5º lugar no Reino Unido e em 36º no Hot 100, o álbum trouxe outras belas canções, como “I Hope I Didn’t Just Give Away The Ending” – história trágica de um casal viciado em cocaína – e “Mother, We Just Can’t Get Enough”. Os novos radicais também fizeram barulho no Brasil e a banda foi uma das raras unanimidades de público e crítica da lendária revista BIZZ, sendo escolhida a Revelação do Ano em 1999. Finalmente, tudo parecia florescer para Gregg Alexander. Parecia. Antes do segundo single ser lançado, Alexander, já com 29 anos, emitiu um comunicado à imprensa anunciando o fim da banda. “A fadiga de viajar e dormir por três horas em hotéis diferentes todas as noites para ter encontros entediantes com rádios e pessoas da indústria definitivamente não é para mim”, diz parte da mensagem. O músico chegou a dizer que usava o chapéu cata ovo cobrindo os olhos para que as pessoas "não notassem sua falta de entusiasmo".Ainda que, após brigas com a gravadora, “Someday We’ll Know” – que ganhou até cover de Hall & Oates – tenha sido lançada como música de trabalho, o New Radicals ficou com o estigma de one hit wonder no imaginário popular. Depois de provar o gosto da fama (e sentir azia), Alexander saiu de cena, mas sem deixar de lado sua grande paixão: fazer música. O compositor de mão cheia seguiu trabalhando para figurões, como Rod Stewart, Tina Turner, Hanson (Zac, baterista do trio, o definiu como “um personagem, mas um cara legal”), Enrique Iglesias e Sophie Ellis Bextor (na dançante “Murder On The Dance Floor”). Em seu maior êxito de costas para a indústria, Alexander entregou “The Game Of Love”, em 2003, para Santana e Michelle Branch. Além de chegar ao 5º lugar do Hot 100, o hit levou o Grammy de Melhor Colaboração Pop. Na primeira metade desta década, entre viagens a Nova York, Los Angeles e Europa, Alexander vinha se dedicando a iniciativas totalmente alheias à música. Projetos por água potável no mundo e redução da pobreza, por exemplo. Até que uma ligação do diretor John Carney o colocou de novo na rota do mainstream. Por meio da indicação de ninguém menos do que Bono, o cineasta convidou Alexander para comandar a trilha sonora do filme Mesmo Se Nada Der Certo, estrelado por Adam Levine, Mark Ruffalo e Keira Knightley, e que trata do sonho de fazer sucesso com música. Alexander disse que, ao ler o roteiro do longa, ficou entusiasmado para voltar a compor. “Em certa medida, eu me enxerguei na história. Isso me fez ter o ímpeto de sair do meu hiato e começar a compor loucamente na hora”, disse, em entrevista ao Hollywood Reporter. A trilha do filme conta com duas faixas cantadas por Adam Levine. Uma delas é a bela “Lost Stars”, que também está na voz de Keira e é concorrente ao Oscar de Melhor Canção Original. O projeto fez com que Alexander se animasse com a ideia de compor para filmes, pois ele acredita que essa seja uma maneira eficaz de passar uma mensagem, algo pelo qual preza desde o início da carreira. “Filmes independentes são o novo rock and roll”, ele diz. Na trilha, o carequinha ainda defende quatro canções sob o pseudônimo­ Cessyl Orchestra. Só saberemos se a trajetória cinematográfica de Alexander terá mais um ponto alto no dia 22 de fevereiro. Mas, para o músico, ele já está de volta à praça. “Estou de volta como alguém que quer escrever a melhor música sempre e quer encontrar um jeito de dizer coisas que não são ditas nas artes. Encontrar as vozes certas ou os projetos certos para levar essas canções para o mundo.”
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Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
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Do New Radicals ao Oscar: conheça a saga de Gregg Alexander

por em 19/01/2015
ong>Por Maurício Amendola Entre as indicadas ao Oscar de Melhor Canção Original de 2015 estão composições de nomes consagrados, como John Legend e Common, de lendas, caso de Glen Campbell, e de gente especializada nesse tipo de premiação, vide Diane Wareen. Correndo por fora, Gregg Alexander, coautor de “Lost Stars” – do filme Mesmo Se Nada Der Certo –, pode não ser conhecido do público com menos de 20 anos, mas o “cantautor” já compôs vários sucessos radiofônicos e possui uma trajetória mais do que curiosa pelo show biz. Muitos devem se lembrar de Alexander, hoje com 44 anos, como o frontman do New Radicals, projeto que ganhou notoriedade no final dos anos 1990 com o hit “You Get What You Give” – aquela do videoclipe no shopping center. Mas sua aventura no mundo da música começou pelo menos dez anos antes, com uma empreitada solo seguida de fracasso comercial. O que pode ter relação com as escolhas do músico nos anos seguintes. Nascido numa família conservadora de testemunhas de Jeová, em Grosse Pointe, Michigan, Alexander aprendeu a tocar piano sozinho e já “brincava” de fazer melodias com 12 anos de idade. Aos 16, após sair de casa e tentar a sorte em Los Angeles, o músico influenciado por Prince e pela sonoridade da Motown conseguiu um contrato com a gravadora A&M. Em 1989, lançou seu disco de estreia, Michigan Rain, que foi totalmente ignorado pelo público. Com apenas 19 anos, Alexander, que ainda procurava sua identidade como compositor, foi rejeitado pela primeira vez. Em 1992, conseguiu mais um grande contrato. Desta vez, com a Epic. Mas, à época, o grunge de Nirvana e Pearl Jam era a bola da vez na indústria e o disco Intoxifornication – que trazia muitas canções relançadas de Michigan Rain – teve pouca repercussão. Em entrevista recente ao Hollywood Reporter, sua primeira em mais de 15 anos, Alexander contou que sofreu pressões da gravadora para se adequar ao som de Seattle. “Eu me recusei, porque não poderia fingir aquilo. Não era eu”. Com mais um contrato perdido, o músico sentia o gosto amargo do fracasso pela segunda vez. “Já me sentia como uma alma velha.” O interessante é que, embora não soasse como grunge, as canções de Alexander também falavam sobre inadequação social e de quebra de padrões do establishment, como é o caso de “The Truth" . A temática também estaria presente na sua empreitada seguinte (e seu ponto alto sob os holofotes). Após um tempo se apresentando até como músico de rua no Central Park, em Nova York, nosso herói conseguiu o inesperado: mais um contrato. Em 1998, montou o New Radicals, banda sem integrantes fixos – com exceção do próprio Alexander e de sua comparsa de longa data, Danielle Brisebois – e lançou o disco Maybe You’ve Been Brainwashed Too, pela gravadora MCA. Um dos músicos que participou do disco, Rusty Anderson, guitarrista de Paul McCartney desde 2001, disse em entrevista ao Independent que Alexander simplesmente enfiou suas demos – provavelmente compostas no período longe dos estúdios – no trabalho. “Ele era meio maluco e tínhamos pouco dinheiro para produção”, recorda. Deu certo. Com sonoridade que remetia a Hall & Oates, porém com uma pitada junkie, o disco foi um sucesso. Chegou ao 41º lugar do Billboard 200 e em 10º nas paradas britânicas. O destaque é “You Get What You Give”, que, além de motivar o clipe do rolezinho exibido à exaustão na MTV, ficou conhecida pelo trecho nada amigável em que cita Beck, Hanson, Courtney Love e Marilyn Manson. The Edge, do U2, chegou a dizer que a faixa é uma das que ele mais sente inveja por não ter composto. Já Joni Mitchell a definiu como “uma flor nascendo no meio do pântano da ‘McMusic’.” Além do hit, que chegou ao 5º lugar no Reino Unido e em 36º no Hot 100, o álbum trouxe outras belas canções, como “I Hope I Didn’t Just Give Away The Ending” – história trágica de um casal viciado em cocaína – e “Mother, We Just Can’t Get Enough”. Os novos radicais também fizeram barulho no Brasil e a banda foi uma das raras unanimidades de público e crítica da lendária revista BIZZ, sendo escolhida a Revelação do Ano em 1999. Finalmente, tudo parecia florescer para Gregg Alexander. Parecia. Antes do segundo single ser lançado, Alexander, já com 29 anos, emitiu um comunicado à imprensa anunciando o fim da banda. “A fadiga de viajar e dormir por três horas em hotéis diferentes todas as noites para ter encontros entediantes com rádios e pessoas da indústria definitivamente não é para mim”, diz parte da mensagem. O músico chegou a dizer que usava o chapéu cata ovo cobrindo os olhos para que as pessoas "não notassem sua falta de entusiasmo".Ainda que, após brigas com a gravadora, “Someday We’ll Know” – que ganhou até cover de Hall & Oates – tenha sido lançada como música de trabalho, o New Radicals ficou com o estigma de one hit wonder no imaginário popular. Depois de provar o gosto da fama (e sentir azia), Alexander saiu de cena, mas sem deixar de lado sua grande paixão: fazer música. O compositor de mão cheia seguiu trabalhando para figurões, como Rod Stewart, Tina Turner, Hanson (Zac, baterista do trio, o definiu como “um personagem, mas um cara legal”), Enrique Iglesias e Sophie Ellis Bextor (na dançante “Murder On The Dance Floor”). Em seu maior êxito de costas para a indústria, Alexander entregou “The Game Of Love”, em 2003, para Santana e Michelle Branch. Além de chegar ao 5º lugar do Hot 100, o hit levou o Grammy de Melhor Colaboração Pop. Na primeira metade desta década, entre viagens a Nova York, Los Angeles e Europa, Alexander vinha se dedicando a iniciativas totalmente alheias à música. Projetos por água potável no mundo e redução da pobreza, por exemplo. Até que uma ligação do diretor John Carney o colocou de novo na rota do mainstream. Por meio da indicação de ninguém menos do que Bono, o cineasta convidou Alexander para comandar a trilha sonora do filme Mesmo Se Nada Der Certo, estrelado por Adam Levine, Mark Ruffalo e Keira Knightley, e que trata do sonho de fazer sucesso com música. Alexander disse que, ao ler o roteiro do longa, ficou entusiasmado para voltar a compor. “Em certa medida, eu me enxerguei na história. Isso me fez ter o ímpeto de sair do meu hiato e começar a compor loucamente na hora”, disse, em entrevista ao Hollywood Reporter. A trilha do filme conta com duas faixas cantadas por Adam Levine. Uma delas é a bela “Lost Stars”, que também está na voz de Keira e é concorrente ao Oscar de Melhor Canção Original. O projeto fez com que Alexander se animasse com a ideia de compor para filmes, pois ele acredita que essa seja uma maneira eficaz de passar uma mensagem, algo pelo qual preza desde o início da carreira. “Filmes independentes são o novo rock and roll”, ele diz. Na trilha, o carequinha ainda defende quatro canções sob o pseudônimo­ Cessyl Orchestra. Só saberemos se a trajetória cinematográfica de Alexander terá mais um ponto alto no dia 22 de fevereiro. Mas, para o músico, ele já está de volta à praça. “Estou de volta como alguém que quer escrever a melhor música sempre e quer encontrar um jeito de dizer coisas que não são ditas nas artes. Encontrar as vozes certas ou os projetos certos para levar essas canções para o mundo.”