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“É louco que eu seja a única mulher indicada na categoria”, diz Lorde sobre Grammy

Cantora é a capa da edição especial da Billboard sobre a cerimônia

por Redação em 19/01/2018

A cantora Lorde estampa a capa da mais nova edição da revista Billboard, um especial sobre o Grammy 2018. Em entrevista, ela falou sobre a premiação, é claro, mas também sobre como é estar de volta em casa na Nova Zelândia e o processo de produção do disco Melodrama.

Leia abaixo a matéria completa, traduzida:

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Por um minuto, é fácil esquecer que Lorde está a quilômetros de distância, em sua casa na Nova Zelândia – uma nação tão remota que existem sete ovelhas para cada humano. Antes de a nossa conexão no Skype começar a falhar, Lorde me recebe em seu pequeno pedaço de mundo. Uma sala de estar luxuosa, com um piano preto a sua esquerda e uma árvore de Natal à direita.

Faltam poucos dias para o Natal e a cantora de 21 anos, nascida Ella Yelich-O’Connor, tem estado em casa, durante uma folga da turnê mundial que divulga Melodrama, seu segundo álbum, que estreou em 1º lugar no Billboard 200 em junho do ano passado a rendeu uma indicação ao Grammy de Álbum do Ano em novembro. (Na cerimônia, que será realizada em 28 de janeiro, ela concorrerá contra Kendrick Lamar, JAY-Z, Bruno Mars e Childish Gambino). Na entrevista, ela conta que passou boa parte da folga cozinhando receitas de um livro sobre sobremesas e estudando sobre leis de trânsito – um rito de passagem que ela perdeu aos 16 anos, idade em que lançou seu disco de estreia, Pure Heroine, que vendeu 1,7 milhão de cópias apenas nos Estados Unido, de acordo com a Nielsen Music. (Dois dias depois, ela contou que passou no teste para tirar a carteira de motorista).

EMBAIXADOR DE ISRAEL PEDE PARA ENCONTRAR LORDE APÓS CANCELAMENTO DE SHOW EM TEL AVIV

Quando ela levou para casa dois prêmios Grammy pelo seu primeiro álbum, ela estava aprendendo a lidar com a fama repentina, tinha se tornado amiga de Taylor Swift e descobriu que Kanye West era seu fã. David Bowie disse para ela que sua música “parecia como ouvir o amanhã” e os críticos a rotularam como prodígio. A pergunta, é claro, era qual direção seguir depois disso.

A resposta foi encontrada no fim do mundo. Ela retornou para a sua casa, em Auckland, Nova Zelândia, fazendo o oposto do que a fama normalmente faz com as celebridades. “Eu tomei a decisão consciente de manter minha vida aqui como algo puro. Ninguém sabe sobre esse mundo ou sobre quem eu escrevo”, explica.

A intimidade dessas experiências é contada em Melodrama, gravado no estúdio caseiro do produtor Jack Antonoff, no Brooklyn. Construído no conceito de narrar uma festa em casa, o álbum conta uma história que vai de um coração partido a uma bênção com produção que foca em notas no piano e sintetizadores industriais.

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Li que os ricos do Vale do Silício estão comprando propriedades na Nova Zelândia porque pensam “Quando o mundo acabar, é lá que quero estar”. 
Ah, sim, é verdade. Acho que Peter Thiel [Co-criador do PayPal] estava aqui. A natureza da válvula de escape é muito real – sempre me sinto muito livre dos Estados Unidos quando estou aqui. Recebo um e-mail de trabalho e rio de tão absurdo. É como se tivesse viajado submerso ou algo assim. Minha maior preocupação no momento é como está a maré. Planejo meu dia em volta disso. Ela estará alta em breve, então vou sair para nadar. Vou de bicicleta para a praia.

Onde você estava quando ficou sabendo da indicação ao Grammy? 
Me mantendo fiel ao DNA do disco, eu estava em uma super festa na Austrália. Estava bebendo e sabia que as indicações seriam divulgadas e me convenci de que não seria indicada. Estava pensando “Ainda assim, você fez um ótimo álbum”. E então um amigo me encontrou e me contou e éramos as únicas pessoas naquele lugar que sabíamos. Foi um momento muito especial. É louco que eu seja a única mulher indicada na categoria e fico muito orgulhosa disso. Vou vestir a camisa, com certeza. Mas também estou animada porque fui indicada ao lado de quatro incríveis artistas negros – é um grande momento para o Grammy. É empolgante quando essas instituições se movem da forma certa. Para mim, é uma grande vitória.

FÃ LEVA O DISCO MELODRAMA, DE LORDE, PARA O LOUVRE 

Você ficou especialmente animada por ver algum artista indicado? Estou muito animada por Childish Gambino [Indicado em quatro categorias, incluindo Álbum e Gravação do Ano]. Acho que todos ficaram surpresos com isso. Temos o mesmo diretor musical e é legal quando amigos de amigos são reconhecidos.

Algum artista que você queria que tivesse recebido uma indicação? 
Não lembro – estou literalmente digitando no Google “injustiçados do Grammy” para ver se penso em alguma coisa. Ah, merda!Cardi B deveria ter sido indicada nas maiores categorias [“Bodak Yellow (Money Moves)” foi indicada a Melhor Música Rap e Melhor Performance Rap]. Ela meio que definiu 2017. Queria que Jack tivesse sido indicado a Produtor do Ano, mas sinto que ele foi bem representado mesmo assim [Antonoff concorre a Melhor Música Escrita para Mídia Visual]. 

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Qual foi seu momento favorito da cerimônia de 2014? 
Foi uma daquelas noites em que as coisas continuam a acontecer. JAY-Z apertou minha mão e Beyoncé reconheceu a minha existência, o que foi a melhor coisa. Ser reconhecida pela Beyoncé te dá aquele elixir de confiança, beleza e força. Foi um sonho estranho subir ao palco. Não escrevi um discurso, só vomitei palavras e então, de repente, você está embaixo do palco e eles tiram o Grammy da sua mão e dizem “venha por aqui” e você pensa “calma aí, minha vida acabou de mudar!”.

Melodrama fala sobre o que acontece após um término de relacionamento. O que você aprendeu sobre o coração humano durante o processo de produção do disco? 
Que ele realmente é um músculo que precisa ser tonificado [risos]. É como fazer ginástica para o coração. Fiquei surpresa comigo e com o que tenho em mim – pelo o que não me quebra. E tive um incrível ano de voltar a me conhecer enquanto fiz o álbum. Sinto muito carinho e apreço por todo esse período e por ter conseguido lidar com isso.

BRITNEY SPEARS, LORDE, DEMI LOVATO E MAIS: BRASILEIRO YANN REÚNE ELENCO ESTRELADO PARA CLIPE

Quem você era quando escreveu o álbum está distante agora? 
Sim, porque eu estava muito mais frágil. Quando você acaba de ficar sozinho, você tem aqueles momentos muito reais de “Estou maluca? Qual a minha realidade além disso?”. Você percebe que não está maluco, que algo realmente dói. Encontrar a sua realidade além das outras pessoas é especial. Me sinto muito mais calma agora.

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O que você faz para ficar confortável para se abrir? 
De certa forma, meus discos são sempre eu no presente tentando dar as mãos para mim mesma no passado, tentando oferecer o conhecimento que eu tenho. Sempre existem algumas versões de mim sentadas no quarto metaforicamente enquanto faço meu trabalho.

Jovens mulheres do pop costumam ter suas letras criticadas e levadas para controvérsias reais e imaginadas. Você se preocupa sobre como as pessoas que te rodeiam podem reagir ao seu trabalho?

Tavi disse algo para mim um ano antes de eu terminar Melodrama que me ajudou muito: “Não é um fato, não é um documentário, não é um boletim de ocorrência da polícia – você só está escrevendo”. Acho que se eu estivesse me censurando, me sentiria mais merda do que se eu dissesse algo sobre alguém que revelasse demais. Foi nisso que pensei em “Writer in the Dark”. Mas acho que isso pode ser muito lindo também.  

LORDE DEFENDE SUA APRESENTAÇÃO SILENCIOSA NO VMA 

Enquanto você trabalhava com Jack em Melodrama, ele também estava produzindo para os discos de Taylor Swift e St. Vincent... 
E ele faz você sentir como se estivesse trabalhando só no seu disco. O álbum que ele mais trabalhou nesse período foi o dos Bleachers. Esses dois trabalhos aconteceram simultaneamente. É como quando as pessoas têm bebês na mesma época e os bebês viram amigos. Ainda nos falamos por vídeo quase todos os dias. Quando você trabalha com alguém, às vezes você pensa “Talvez só dure esse tempo, quando dissermos que vamos manter contato, não iremos”. Mas somos… eu digo “e aí, cuzão, o que vai me dar de Natal?” [risos].

Há algum momento que, para você, representa quem Jack é? 
Quando fui para Nova York, só tínhamos escrito músicas juntos algumas vezes e estávamos obcecados um pelo outro criativamente e como amigos. Eu meio que não estava fazendo nada em Nova York e passamos a nos ver cinco dias seguidos, sair para jantar todas as noites para poder nos conhecer. Numa noite, conversamos sobre cereais e eu falei que nunca tinha comido alguns. Ele disse “precisamos fazer isso”. Então fomos até uma loja, compramos todos os cereais e fomos para a casa dele no Brooklyn para experimentá-los. Comemos uns 20 tipos diferentes [risos].

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No início do ano passado, você tuitou que “os velhos homens no poder vão sofrer com uma tempestade que não podem compreender” antes de tudo que está acontecendo agora. Está esperançosa pelo futuro? 
Meu tuíte profético! [risos] O que é realmente interessante e importante sobre este momento é que cada homem que eu conheço está se analisando – prestando atenção nas tendências misóginas, tendo que re-examinar o que entende por consenso. Acho que já passou da hora e é vital. É o tipo de coisa que só acontece quando todas são corajosas o suficiente para compartilhar e derrubar esses caras. Acho que cada mulher está pensando “Oh, meu Deus, está acontecendo”. Algo muito importante, que Gabrielle Union falou eloquentemente, é que vozes brancas recebem seu momento mais fácil do que vozes de cor. É importante perceber que pessoas de cor não têm o luxo de serem sempre ouvidas. Mas para mim, é como uma daquelas coisas em que um portal é aberto e não pode mais ser fechado. Não dá para não ter mais esse momento. Isso é eterno e como afeta a vida de todos é algo permanente.

Em “Ribs”, de Pure Heroine, você canta que é assustador ficar mais velha. Ainda se sente assim? 
Conforme fui ficando mais velha, fui me animando com a perspectiva. Estou me tornando uma escritora melhor e digerindo as coisas emocionais mais facilmente. Penso em artistas mais velhos que amo e há um nível de escrita e sabedoria que não tenho hoje e espero ter aos 40.  

Aonde quer estar na vida pessoa daqui 10 ou 20 anos? 
Amo crianças. Acho que definitivamente vou acabar tendo filhos. A curto prazo: quero um cachorro! Cozinho muito. Ontem fiz um cheesecake de lima com merengue suíço no topo – passei algumas horas tentando fazer dar certo. Minha vida é bem calma. Obviamente, o ano foi intenso para mim. É legal ter um ano ocupado, mas sei que na maior parte minha vida será bem calma. Será sobre trabalhar quando eu sentir que tenho algo a dizer. Ou passar um bom tempo melhorando um talento estranho, seja musical ou visual. Me sinto muito empolgada com a perspectiva de uma vida calma. Também acho que quando você começa a trabalhar muito novo, é fácil se imaginar fazendo aquilo para sempre e ir a talk shows todos os anos pelo resto da sua vida, o que não é agradável. É bom trabalhar duro desde cedo, mas também é tipo “OK, você também pode ter uma vida linda”.

Você cresceu em uma casa religiosa? 
De jeito nenhum. Sou pagã. Também sou uma das pessoas mais místicas e espiritual que conheço, então há um equilíbrio.

Você acredita em vida após a morte? O que acredita que acontece? 
Interessante. É algo que nunca parei para pensar. Também nunca pensei no meu casamento. Não sei o porquê. Não tenho opinião formada, mas fico feliz com qualquer perspectiva.

Como será o seu Natal este ano? 
Tenho uma grande família irlandesa, então fazemos algo grande no nosso jardim. Vêm umas 50 pessoas, é verão, entramos na piscina. Farei muitas sobremesas. Estamos na Nova Zelândia, então vamos comer ostras – incongruente com a imagem que as pessoas têm do Natal. Tenho uma memória vívida do Natal retrasado. Alguns dos meus primos são mexicanos e trouxeram uma ótima tequila. Estava com as duas mãos na pia lavando esse pote e um dos meus primos estava me dando tequila na boca. O Natal é assim na nossa casa.

 

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Gusttavo Lima
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Sua Melhor Versão
Bruno & Marrone
3
Dona Maria (Part. Jorge)
Thiago Brava
4
Rapariga Não (Part. Simone & Simaria)
João Neto & Frederico
5
Transplante (part. Bruno & Marrone)
Marília Mendonça
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por Redação em 19/01/2018

A cantora Lorde estampa a capa da mais nova edição da revista Billboard, um especial sobre o Grammy 2018. Em entrevista, ela falou sobre a premiação, é claro, mas também sobre como é estar de volta em casa na Nova Zelândia e o processo de produção do disco Melodrama.

Leia abaixo a matéria completa, traduzida:

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Por um minuto, é fácil esquecer que Lorde está a quilômetros de distância, em sua casa na Nova Zelândia – uma nação tão remota que existem sete ovelhas para cada humano. Antes de a nossa conexão no Skype começar a falhar, Lorde me recebe em seu pequeno pedaço de mundo. Uma sala de estar luxuosa, com um piano preto a sua esquerda e uma árvore de Natal à direita.

Faltam poucos dias para o Natal e a cantora de 21 anos, nascida Ella Yelich-O’Connor, tem estado em casa, durante uma folga da turnê mundial que divulga Melodrama, seu segundo álbum, que estreou em 1º lugar no Billboard 200 em junho do ano passado a rendeu uma indicação ao Grammy de Álbum do Ano em novembro. (Na cerimônia, que será realizada em 28 de janeiro, ela concorrerá contra Kendrick Lamar, JAY-Z, Bruno Mars e Childish Gambino). Na entrevista, ela conta que passou boa parte da folga cozinhando receitas de um livro sobre sobremesas e estudando sobre leis de trânsito – um rito de passagem que ela perdeu aos 16 anos, idade em que lançou seu disco de estreia, Pure Heroine, que vendeu 1,7 milhão de cópias apenas nos Estados Unido, de acordo com a Nielsen Music. (Dois dias depois, ela contou que passou no teste para tirar a carteira de motorista).

EMBAIXADOR DE ISRAEL PEDE PARA ENCONTRAR LORDE APÓS CANCELAMENTO DE SHOW EM TEL AVIV

Quando ela levou para casa dois prêmios Grammy pelo seu primeiro álbum, ela estava aprendendo a lidar com a fama repentina, tinha se tornado amiga de Taylor Swift e descobriu que Kanye West era seu fã. David Bowie disse para ela que sua música “parecia como ouvir o amanhã” e os críticos a rotularam como prodígio. A pergunta, é claro, era qual direção seguir depois disso.

A resposta foi encontrada no fim do mundo. Ela retornou para a sua casa, em Auckland, Nova Zelândia, fazendo o oposto do que a fama normalmente faz com as celebridades. “Eu tomei a decisão consciente de manter minha vida aqui como algo puro. Ninguém sabe sobre esse mundo ou sobre quem eu escrevo”, explica.

A intimidade dessas experiências é contada em Melodrama, gravado no estúdio caseiro do produtor Jack Antonoff, no Brooklyn. Construído no conceito de narrar uma festa em casa, o álbum conta uma história que vai de um coração partido a uma bênção com produção que foca em notas no piano e sintetizadores industriais.

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Li que os ricos do Vale do Silício estão comprando propriedades na Nova Zelândia porque pensam “Quando o mundo acabar, é lá que quero estar”. 
Ah, sim, é verdade. Acho que Peter Thiel [Co-criador do PayPal] estava aqui. A natureza da válvula de escape é muito real – sempre me sinto muito livre dos Estados Unidos quando estou aqui. Recebo um e-mail de trabalho e rio de tão absurdo. É como se tivesse viajado submerso ou algo assim. Minha maior preocupação no momento é como está a maré. Planejo meu dia em volta disso. Ela estará alta em breve, então vou sair para nadar. Vou de bicicleta para a praia.

Onde você estava quando ficou sabendo da indicação ao Grammy? 
Me mantendo fiel ao DNA do disco, eu estava em uma super festa na Austrália. Estava bebendo e sabia que as indicações seriam divulgadas e me convenci de que não seria indicada. Estava pensando “Ainda assim, você fez um ótimo álbum”. E então um amigo me encontrou e me contou e éramos as únicas pessoas naquele lugar que sabíamos. Foi um momento muito especial. É louco que eu seja a única mulher indicada na categoria e fico muito orgulhosa disso. Vou vestir a camisa, com certeza. Mas também estou animada porque fui indicada ao lado de quatro incríveis artistas negros – é um grande momento para o Grammy. É empolgante quando essas instituições se movem da forma certa. Para mim, é uma grande vitória.

FÃ LEVA O DISCO MELODRAMA, DE LORDE, PARA O LOUVRE 

Você ficou especialmente animada por ver algum artista indicado? Estou muito animada por Childish Gambino [Indicado em quatro categorias, incluindo Álbum e Gravação do Ano]. Acho que todos ficaram surpresos com isso. Temos o mesmo diretor musical e é legal quando amigos de amigos são reconhecidos.

Algum artista que você queria que tivesse recebido uma indicação? 
Não lembro – estou literalmente digitando no Google “injustiçados do Grammy” para ver se penso em alguma coisa. Ah, merda!Cardi B deveria ter sido indicada nas maiores categorias [“Bodak Yellow (Money Moves)” foi indicada a Melhor Música Rap e Melhor Performance Rap]. Ela meio que definiu 2017. Queria que Jack tivesse sido indicado a Produtor do Ano, mas sinto que ele foi bem representado mesmo assim [Antonoff concorre a Melhor Música Escrita para Mídia Visual]. 

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Qual foi seu momento favorito da cerimônia de 2014? 
Foi uma daquelas noites em que as coisas continuam a acontecer. JAY-Z apertou minha mão e Beyoncé reconheceu a minha existência, o que foi a melhor coisa. Ser reconhecida pela Beyoncé te dá aquele elixir de confiança, beleza e força. Foi um sonho estranho subir ao palco. Não escrevi um discurso, só vomitei palavras e então, de repente, você está embaixo do palco e eles tiram o Grammy da sua mão e dizem “venha por aqui” e você pensa “calma aí, minha vida acabou de mudar!”.

Melodrama fala sobre o que acontece após um término de relacionamento. O que você aprendeu sobre o coração humano durante o processo de produção do disco? 
Que ele realmente é um músculo que precisa ser tonificado [risos]. É como fazer ginástica para o coração. Fiquei surpresa comigo e com o que tenho em mim – pelo o que não me quebra. E tive um incrível ano de voltar a me conhecer enquanto fiz o álbum. Sinto muito carinho e apreço por todo esse período e por ter conseguido lidar com isso.

BRITNEY SPEARS, LORDE, DEMI LOVATO E MAIS: BRASILEIRO YANN REÚNE ELENCO ESTRELADO PARA CLIPE

Quem você era quando escreveu o álbum está distante agora? 
Sim, porque eu estava muito mais frágil. Quando você acaba de ficar sozinho, você tem aqueles momentos muito reais de “Estou maluca? Qual a minha realidade além disso?”. Você percebe que não está maluco, que algo realmente dói. Encontrar a sua realidade além das outras pessoas é especial. Me sinto muito mais calma agora.

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O que você faz para ficar confortável para se abrir? 
De certa forma, meus discos são sempre eu no presente tentando dar as mãos para mim mesma no passado, tentando oferecer o conhecimento que eu tenho. Sempre existem algumas versões de mim sentadas no quarto metaforicamente enquanto faço meu trabalho.

Jovens mulheres do pop costumam ter suas letras criticadas e levadas para controvérsias reais e imaginadas. Você se preocupa sobre como as pessoas que te rodeiam podem reagir ao seu trabalho?

Tavi disse algo para mim um ano antes de eu terminar Melodrama que me ajudou muito: “Não é um fato, não é um documentário, não é um boletim de ocorrência da polícia – você só está escrevendo”. Acho que se eu estivesse me censurando, me sentiria mais merda do que se eu dissesse algo sobre alguém que revelasse demais. Foi nisso que pensei em “Writer in the Dark”. Mas acho que isso pode ser muito lindo também.  

LORDE DEFENDE SUA APRESENTAÇÃO SILENCIOSA NO VMA 

Enquanto você trabalhava com Jack em Melodrama, ele também estava produzindo para os discos de Taylor Swift e St. Vincent... 
E ele faz você sentir como se estivesse trabalhando só no seu disco. O álbum que ele mais trabalhou nesse período foi o dos Bleachers. Esses dois trabalhos aconteceram simultaneamente. É como quando as pessoas têm bebês na mesma época e os bebês viram amigos. Ainda nos falamos por vídeo quase todos os dias. Quando você trabalha com alguém, às vezes você pensa “Talvez só dure esse tempo, quando dissermos que vamos manter contato, não iremos”. Mas somos… eu digo “e aí, cuzão, o que vai me dar de Natal?” [risos].

Há algum momento que, para você, representa quem Jack é? 
Quando fui para Nova York, só tínhamos escrito músicas juntos algumas vezes e estávamos obcecados um pelo outro criativamente e como amigos. Eu meio que não estava fazendo nada em Nova York e passamos a nos ver cinco dias seguidos, sair para jantar todas as noites para poder nos conhecer. Numa noite, conversamos sobre cereais e eu falei que nunca tinha comido alguns. Ele disse “precisamos fazer isso”. Então fomos até uma loja, compramos todos os cereais e fomos para a casa dele no Brooklyn para experimentá-los. Comemos uns 20 tipos diferentes [risos].

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No início do ano passado, você tuitou que “os velhos homens no poder vão sofrer com uma tempestade que não podem compreender” antes de tudo que está acontecendo agora. Está esperançosa pelo futuro? 
Meu tuíte profético! [risos] O que é realmente interessante e importante sobre este momento é que cada homem que eu conheço está se analisando – prestando atenção nas tendências misóginas, tendo que re-examinar o que entende por consenso. Acho que já passou da hora e é vital. É o tipo de coisa que só acontece quando todas são corajosas o suficiente para compartilhar e derrubar esses caras. Acho que cada mulher está pensando “Oh, meu Deus, está acontecendo”. Algo muito importante, que Gabrielle Union falou eloquentemente, é que vozes brancas recebem seu momento mais fácil do que vozes de cor. É importante perceber que pessoas de cor não têm o luxo de serem sempre ouvidas. Mas para mim, é como uma daquelas coisas em que um portal é aberto e não pode mais ser fechado. Não dá para não ter mais esse momento. Isso é eterno e como afeta a vida de todos é algo permanente.

Em “Ribs”, de Pure Heroine, você canta que é assustador ficar mais velha. Ainda se sente assim? 
Conforme fui ficando mais velha, fui me animando com a perspectiva. Estou me tornando uma escritora melhor e digerindo as coisas emocionais mais facilmente. Penso em artistas mais velhos que amo e há um nível de escrita e sabedoria que não tenho hoje e espero ter aos 40.  

Aonde quer estar na vida pessoa daqui 10 ou 20 anos? 
Amo crianças. Acho que definitivamente vou acabar tendo filhos. A curto prazo: quero um cachorro! Cozinho muito. Ontem fiz um cheesecake de lima com merengue suíço no topo – passei algumas horas tentando fazer dar certo. Minha vida é bem calma. Obviamente, o ano foi intenso para mim. É legal ter um ano ocupado, mas sei que na maior parte minha vida será bem calma. Será sobre trabalhar quando eu sentir que tenho algo a dizer. Ou passar um bom tempo melhorando um talento estranho, seja musical ou visual. Me sinto muito empolgada com a perspectiva de uma vida calma. Também acho que quando você começa a trabalhar muito novo, é fácil se imaginar fazendo aquilo para sempre e ir a talk shows todos os anos pelo resto da sua vida, o que não é agradável. É bom trabalhar duro desde cedo, mas também é tipo “OK, você também pode ter uma vida linda”.

Você cresceu em uma casa religiosa? 
De jeito nenhum. Sou pagã. Também sou uma das pessoas mais místicas e espiritual que conheço, então há um equilíbrio.

Você acredita em vida após a morte? O que acredita que acontece? 
Interessante. É algo que nunca parei para pensar. Também nunca pensei no meu casamento. Não sei o porquê. Não tenho opinião formada, mas fico feliz com qualquer perspectiva.

Como será o seu Natal este ano? 
Tenho uma grande família irlandesa, então fazemos algo grande no nosso jardim. Vêm umas 50 pessoas, é verão, entramos na piscina. Farei muitas sobremesas. Estamos na Nova Zelândia, então vamos comer ostras – incongruente com a imagem que as pessoas têm do Natal. Tenho uma memória vívida do Natal retrasado. Alguns dos meus primos são mexicanos e trouxeram uma ótima tequila. Estava com as duas mãos na pia lavando esse pote e um dos meus primos estava me dando tequila na boca. O Natal é assim na nossa casa.