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“É mais do que ter um novo sucesso e ganhar dinheiro”, dizem integrantes sobre Rouge

Grupo está, oficialmente, de volta com o lançamento de um single inédito, “Bailando”, neste domingo (4)

por Rebecca Silva em 04/02/2018

Depois de 12 anos separadas e longe do público, as integrantes do Rouge resolveram atender aos pedidos dos fãs e retomaram a carreira do grupo, que marcou a história do pop brasileiro. Com a ótima recepção nos shows que marcaram o reencontro no Rio e em São Paulo, Fantine, Aline, Lu, Li e Karin perceberam que o retorno despretensioso poderia render muito mais. Nesse domingo (04/02), o grupo lança o single inédito “Bailando”.

A faixa, que apesar da sonoridade moderna se encaixa perfeitamente na discografia do grupo – o álbum mais recente foi lançado em 2005 –, foi produzida por Umberto Tavares, o produtor queridinho de nomes como Anitta e Ludmilla, expoentes do cenário atual do pop brasileiro.

"QUERIA QUE NÃO FICASSE DISTANTE DO QUE AS PESSOAS LEMBRAM DELAS", DIZ UMBERTO TAVARES 

Billboard Brasil se reuniu com as integrantes do Rouge para assistir, em primeira mão, ao clipe de “Bailando” e conversar sobre a nova fase. Entre gritos eufóricos, uma frase se destacou: “Que orgulho de nós!”, disse Aline. Veja, a seguir, os melhores momentos da entrevista:

Antes, o ritmo de produção e de retorno do público era muito diferente do que vocês estão encontrando agora. Com as redes sociais, a resposta é imediata. Como tem sido lidar com isso?

Fantine: Essa dinâmica é um desafio para a gente, é a primeira vez que lidamos com as redes sociais e o nosso trabalho. É um desafio encontrar o equilíbrio entre a integridade e a autenticidade do nosso trabalho. A nossa mensagem e a demanda que o público tem. É importante ouvir, estar em sintonia com isso, como também é importante manter-se íntegro e focado no que a gente quer trazer para o público. Temos que nos reeducar porque estamos recomeçando, queremos ir para a frente. O Rouge tem uma característica nostálgica, 95% do valor do nosso trabalho, hoje, é nostálgico. Ele é baseado no passado. São 12 anos de ausência no mercado e o público cresceu com a memória e a lembrança do que o Rouge foi durante quatro anos, há mais de uma década. Estamos aqui como artistas e mulheres desenvolvidas, musicistas amadurecidas e queremos trazer esse avanço para o nosso trabalho sem deixar de prestar atenção à demanda do nosso público.

Karin: É algo com a qual todos os artistas têm que lidar nesse momento que a gente está vivendo com a internet. Virou tudo uma coisa só. Não está acontecendo só com a gente, né? Mas nós estamos tentando acompanhar porque viemos de outra época, quando as coisas demoravam para acontecer. Hoje, é tudo imediato. Tem o show e na hora já falam “gostei porque teve tal música”, “não gostei porque faltou aquela”, “seu cabelo estava desse jeito”.

Lu: Fizeram transmissão ao vivo do primeiro dia do show “Chá”! Antigamente, era uma experiência. Você fazia o show, via o que você precisava corrigir. Agora, não. Já virou DVD! Acho que essa é a parte mais difícil para mim.

Vocês sentem que, ao mesmo tempo em que é gratificante e reconfortante voltar aos holofotes já tendo uma legião de fãs, é também deles que vêm a maior pressão e demanda?

Fantine: Exigem, né? Se sentem donos do Rouge porque fazemos parte do coração deles, da identidade, de quem são e do que viveram. Isso ficou muito claro quando fomos à leitura do musical que está sendo feito com o repertório do grupo. Testemunhamos de que forma as canções do Rouge tocaram as pessoas e contaram as histórias delas. Então, existe sim essa propriedade das pessoas com relação ao que o Rouge é. E são essas pessoas que estão gerando, com a demanda delas, uma oportunidade de trabalho para a gente. Mas nós somos donas do negócio, donas da nossa arte, donas do nosso corpo. Faz parte da nossa responsabilidade educar o nosso público também. A expectativa é grande, a exigência é grande e a demanda também é grande, cabe a nós enxergar isso como oportunidade e encontrar uma forma positiva de lidar com a situação, respeitando os desejos deles, sem deixar de perder o nosso foco e dignidade como artistas.

Aline: Acho que a gente trabalha com a verdade. Existe uma verdade individual de cada uma, né? Como cada uma trabalha, se relaciona com a vida. E existe uma verdade Rouge, que a gente compactua e é nela que a gente foca para que a mensagem seja poderosa artisticamente. Vai ter sempre essa coisa de os fãs pedirem isso ou aquilo mas, em um determinado momento, nós vamos encontrar uma coisa em comum, que é a verdade. A gente subir no palco e entregar o que a gente é – é isso que eles querem. Isso gera a conexão e a gente faz funcionar. Acredito nessa força do Rouge, que é maior do que nós.

Como foi o processo de pensar na imagem que o Rouge teria em 2018? Quais foram as referências para a nova fase do grupo?

Karin: Na verdade, a gente não teve muito tempo para poder ver isso. Uma coisa foi acontecendo em cima da outra. Aceitamos a proposta do Pablo Falcão [sócio da festa Chá da Alice e empresário do grupo nessa nova fase] de fazer os quatro shows de reencontro. No meio do caminho, as coisas foram mudando. O Pablo foi fazendo o contato com o Umberto Tavares, produtor musical, talentosíssimo. Temos até hoje essa preocupação sobre qual seria o som do Rouge em 2018, 12 anos depois, em um cenário pop maravilhoso que a gente batalhou para caramba para poder introduzir na música brasileira e que era algo desconhecido aqui até a nossa história, um grupo vindo de um reality show. E sofremos preconceito por isso. Uma coisa que a gente conversa muito é que os fãs que conhecem mesmo, as pessoas que têm os CDs e liam os encartes, sabem que 90% do repertório do Rouge eram composições de músicas inéditas. Muitas delas não eram de compositores brasileiros, elas eram importadas de produtores e compositores das Spice Girls, do Backstreet Boys, de alta referência no mercado mundial. A gente introduziu isso no Brasil. Agora, estamos tentando entender se é isso que devemos continuar fazendo. Estamos indo em busca de uma nova música, de um novo repertório para o álbum. E assim como é uma expectativa e ansiedade para o público, pode ter certeza que é mais ainda para nós.

Fantine: Esse resultado todo pegou a gente de surpresa. Fomos fazer o show do ”Chá” para comemorar os 15 anos da banda porque os fãs pediam insistentemente. Todo mundo lá “Fora, Temer!”, rolando um impeachment no país e os fãs pedindo Rouge no Spotify. Uma coisa bizarra! Esgotamos São Paulo e Rio de Janeiro. E aí pensamos em continuar. A gente não planejou uma estratégia de lançamento para voltar. Estamos tentando acompanhar a demanda que os fãs estão gerando. Estamos exatamente nessa fase de ouvir composições e buscar o que é o Rouge, o que nós cinco queremos dizer para o nosso público sobre nós, nossa união e como refletir isso na nossa música. Estamos correndo atrás disso.

Com esse novo projeto, vocês pretendem atingir um novo público e fugir dessa questão da nostalgia que pautou esse momento inicial do retorno?

Fantine: Nós estamos aqui abertamente compartilhando o nosso trabalho. Tem toda uma equipe, a gravadora, a assessoria de imprensa que já pensa, calcula e mede os números, porcentagem, sobre o público. Nós temos um desapego maior. É um aspecto importante do trabalho, precisa sim ter gente medindo e analisando para direcionar o nosso trabalho com estratégia, mas nós estamos focadas no aspecto criativo, artístico. De como queremos nos apresentar visualmente, nos preparar fisicamente e vocalmente e no conteúdo das canções. Queremos que isso chegue ao maior número de pessoas possível, independentemente de rótulos, de sexo, idade. Nossa mensagem é humana, então quanto mais amplo for, mais felizes estaremos.

Lu: Mas existe algo que a gente sempre conversa entre nós que é o fato de não querer ficar no passado. Queremos produzir coisas novas, não queremos ficar cantando as músicas antigas.

Tem todo um novo público que talvez não tenha idade para ter conhecido vocês na primeira fase e agora pode gostar do trabalho...

Aline: E pessoas que não tiveram a oportunidade! A gente recebeu muitos relatos de gente que agora pode ir ao show. Mandaram mensagens dizendo que era um sonho poder ir ao nosso show e pensaram que nunca ia acontecer, que a gente nunca iria se reunir. Isso é surreal.

Fantine: A gente não pode negar que o Rouge tem uma característica lúdica. O fato de a gente ter se inscrito para um programa reflete o sonho de uma criança, de uma adolescente de ser uma popstar. A dinâmica do nosso relacionamento acaba sendo ligada a um sonho que nós tivemos. Se você vir o trabalho solo da Aline, por exemplo, é uma coisa totalmente adulta, é profundo, é espiritual. E essa característica, essa qualidade, ela traz para dentro do grupo. Assim como cada uma de nós traz as suas qualidades. Isso acaba ganhando uma leitura lúdica e pop que atrai a criançada, os adolescentes.

Vocês voltaram em um momento tumultuado quanto às questões femininas e seguem como exemplo de diversidade. Agora, mais velhas, não deixaram de exaltar a sensualidade e o poder feminino. Como tem sido essa dinâmica para vocês?

Aline: É uma loucura, na verdade. 12 anos se passaram e a gente volta em outro momento das nossas vidas. Somos pessoas muito diferentes e necessariamente precisa haver sororidade, empatia, comunhão para fazer uma girl band funcionar. E é isso que a gente tenta aplicar diariamente. Para mim, é uma possibilidade de evolução trabalhar com elas porque eu aprendo diariamente, preciso me posicionar na vida, no grupo. Preciso ser uma pessoa melhor para fazer funcionar. Trabalhamos muito internamente para que a gente sente nessa mesa e seja coerente com o que nós queremos. Não é um sonho único. Nós estamos juntas e precisamos fazer isso juntas. Isso é muito íntimo. Fico feliz de sermos mulheres diferentes e de saber que outras mulheres, em suas casas, poderão se enxergar em nós e realmente ver que as coisas podem sim acontecer. É fácil? Não é fácil, mas podem acontecer. Tem que ter trabalho, determinação, empenho, paciência, amor, mas isso é diário. Essa é a vida.

Lu: Para mim, em particular, o Rouge foi um resgate. Eu me sentia adormecida artisticamente, como mulher e em outros aspectos. O Rouge veio como uma oportunidade que eu não esperava, não tinha essa expectativa de voltar. E eu estou transformando isso em um renascimento mesmo. Hoje, me sinto melhor do que poucos meses atrás. Me sinto mais segura, mais forte, mais mulher. Tenho a oportunidade de trabalhar com mulheres que estão mais sexy do que a minha memória lembrava e aprender com elas. Elas me levantam. Ouço as histórias delas e as absorvo.

Uma vez, a Aline disse algo que eu me lembro até hoje porque concordo. O Rouge é muito mais do que ter um novo sucesso, ganhar dinheiro. O Rouge é uma oportunidade de evolução espiritual mesmo. A gente não escolheu, fomos escolhidas por Deus. Eu vejo que as situações da vida se repetem até que você resolva algumas coisas. Eu acho que o fato de estarmos aqui é para evoluirmos espiritualmente independentemente de qualquer coisa que faça parte do mercado. É uma outra história. É claro que eu quero trabalhar, ganhar dinheiro, ter uma nova música para as pessoas ouvirem, mas eu tenho encarado dessa forma.

Fantine: E é uma escolha consciente também, né? A vida é desenhada para que as pessoas evoluam e aprendam, para qualquer ser humano, independentemente da carreira. No nosso caso, se aplica a nossa união. O que nós fazemos é conversar abertamente sobre isso e escolher a oportunidade para crescer como profissionais, mulheres, mães. Estamos completamente entregues nesse trabalho. Eu saí do país, há dez anos moro fora, abri mão da carreira para me dedicar à maternidade e me descobrir mulher. Sentia a necessidade de despertar essa popstar dentro de mim, pensava em como ia trazer uma artista de volta para o palco. Graças às meninas, graças ao Rouge, tenho a possibilidade de viver meu potencial ao máximo, que me fazia muita falta.

 Há pouco tempo, viralizou na internet a explicação sobre a letra de “Ragatanga” e a relação com “Rapper’s Delight”. Como foi isso para vocês?

Lu: A gente sempre falou isso nas entrevistas naquela época, mas não teve toda essa atenção [risos].

Aline: A gente explicava, mas eles não entendiam. Era mais fácil ser uma música do demônio.

Li: Era isso que eles queriam ouvir, né?

Karin: E teve uma história recente em que vieram com outra explicação a respeito dessa música, analisando o Diego, dizendo que ele estava doidão. O povo pira muito, eu adoro a internet. 

Agora que o tempo passou, ninguém fala mais que vocês são satânicas...

Aline: Por enquanto! [risos]

Karin: Por enquanto é ótimo [risos]. Deus que me perdoe!

Fantine: A Xuxa foi vítima disso também, né? Falavam para tocar o disco dela ao contrário...

Aline: E o Fofão?

Li: Tudo que fazia sucesso, né? Esse Fofão era uma febre!

Karin: Falaram que a gente ia morrer de acidente de avião igual aos Mamonas, várias histórias.

 

 

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Depois de 12 anos separadas e longe do público, as integrantes do Rouge resolveram atender aos pedidos dos fãs e retomaram a carreira do grupo, que marcou a história do pop brasileiro. Com a ótima recepção nos shows que marcaram o reencontro no Rio e em São Paulo, Fantine, Aline, Lu, Li e Karin perceberam que o retorno despretensioso poderia render muito mais. Nesse domingo (04/02), o grupo lança o single inédito “Bailando”.

A faixa, que apesar da sonoridade moderna se encaixa perfeitamente na discografia do grupo – o álbum mais recente foi lançado em 2005 –, foi produzida por Umberto Tavares, o produtor queridinho de nomes como Anitta e Ludmilla, expoentes do cenário atual do pop brasileiro.

"QUERIA QUE NÃO FICASSE DISTANTE DO QUE AS PESSOAS LEMBRAM DELAS", DIZ UMBERTO TAVARES 

Billboard Brasil se reuniu com as integrantes do Rouge para assistir, em primeira mão, ao clipe de “Bailando” e conversar sobre a nova fase. Entre gritos eufóricos, uma frase se destacou: “Que orgulho de nós!”, disse Aline. Veja, a seguir, os melhores momentos da entrevista:

Antes, o ritmo de produção e de retorno do público era muito diferente do que vocês estão encontrando agora. Com as redes sociais, a resposta é imediata. Como tem sido lidar com isso?

Fantine: Essa dinâmica é um desafio para a gente, é a primeira vez que lidamos com as redes sociais e o nosso trabalho. É um desafio encontrar o equilíbrio entre a integridade e a autenticidade do nosso trabalho. A nossa mensagem e a demanda que o público tem. É importante ouvir, estar em sintonia com isso, como também é importante manter-se íntegro e focado no que a gente quer trazer para o público. Temos que nos reeducar porque estamos recomeçando, queremos ir para a frente. O Rouge tem uma característica nostálgica, 95% do valor do nosso trabalho, hoje, é nostálgico. Ele é baseado no passado. São 12 anos de ausência no mercado e o público cresceu com a memória e a lembrança do que o Rouge foi durante quatro anos, há mais de uma década. Estamos aqui como artistas e mulheres desenvolvidas, musicistas amadurecidas e queremos trazer esse avanço para o nosso trabalho sem deixar de prestar atenção à demanda do nosso público.

Karin: É algo com a qual todos os artistas têm que lidar nesse momento que a gente está vivendo com a internet. Virou tudo uma coisa só. Não está acontecendo só com a gente, né? Mas nós estamos tentando acompanhar porque viemos de outra época, quando as coisas demoravam para acontecer. Hoje, é tudo imediato. Tem o show e na hora já falam “gostei porque teve tal música”, “não gostei porque faltou aquela”, “seu cabelo estava desse jeito”.

Lu: Fizeram transmissão ao vivo do primeiro dia do show “Chá”! Antigamente, era uma experiência. Você fazia o show, via o que você precisava corrigir. Agora, não. Já virou DVD! Acho que essa é a parte mais difícil para mim.

Vocês sentem que, ao mesmo tempo em que é gratificante e reconfortante voltar aos holofotes já tendo uma legião de fãs, é também deles que vêm a maior pressão e demanda?

Fantine: Exigem, né? Se sentem donos do Rouge porque fazemos parte do coração deles, da identidade, de quem são e do que viveram. Isso ficou muito claro quando fomos à leitura do musical que está sendo feito com o repertório do grupo. Testemunhamos de que forma as canções do Rouge tocaram as pessoas e contaram as histórias delas. Então, existe sim essa propriedade das pessoas com relação ao que o Rouge é. E são essas pessoas que estão gerando, com a demanda delas, uma oportunidade de trabalho para a gente. Mas nós somos donas do negócio, donas da nossa arte, donas do nosso corpo. Faz parte da nossa responsabilidade educar o nosso público também. A expectativa é grande, a exigência é grande e a demanda também é grande, cabe a nós enxergar isso como oportunidade e encontrar uma forma positiva de lidar com a situação, respeitando os desejos deles, sem deixar de perder o nosso foco e dignidade como artistas.

Aline: Acho que a gente trabalha com a verdade. Existe uma verdade individual de cada uma, né? Como cada uma trabalha, se relaciona com a vida. E existe uma verdade Rouge, que a gente compactua e é nela que a gente foca para que a mensagem seja poderosa artisticamente. Vai ter sempre essa coisa de os fãs pedirem isso ou aquilo mas, em um determinado momento, nós vamos encontrar uma coisa em comum, que é a verdade. A gente subir no palco e entregar o que a gente é – é isso que eles querem. Isso gera a conexão e a gente faz funcionar. Acredito nessa força do Rouge, que é maior do que nós.

Como foi o processo de pensar na imagem que o Rouge teria em 2018? Quais foram as referências para a nova fase do grupo?

Karin: Na verdade, a gente não teve muito tempo para poder ver isso. Uma coisa foi acontecendo em cima da outra. Aceitamos a proposta do Pablo Falcão [sócio da festa Chá da Alice e empresário do grupo nessa nova fase] de fazer os quatro shows de reencontro. No meio do caminho, as coisas foram mudando. O Pablo foi fazendo o contato com o Umberto Tavares, produtor musical, talentosíssimo. Temos até hoje essa preocupação sobre qual seria o som do Rouge em 2018, 12 anos depois, em um cenário pop maravilhoso que a gente batalhou para caramba para poder introduzir na música brasileira e que era algo desconhecido aqui até a nossa história, um grupo vindo de um reality show. E sofremos preconceito por isso. Uma coisa que a gente conversa muito é que os fãs que conhecem mesmo, as pessoas que têm os CDs e liam os encartes, sabem que 90% do repertório do Rouge eram composições de músicas inéditas. Muitas delas não eram de compositores brasileiros, elas eram importadas de produtores e compositores das Spice Girls, do Backstreet Boys, de alta referência no mercado mundial. A gente introduziu isso no Brasil. Agora, estamos tentando entender se é isso que devemos continuar fazendo. Estamos indo em busca de uma nova música, de um novo repertório para o álbum. E assim como é uma expectativa e ansiedade para o público, pode ter certeza que é mais ainda para nós.

Fantine: Esse resultado todo pegou a gente de surpresa. Fomos fazer o show do ”Chá” para comemorar os 15 anos da banda porque os fãs pediam insistentemente. Todo mundo lá “Fora, Temer!”, rolando um impeachment no país e os fãs pedindo Rouge no Spotify. Uma coisa bizarra! Esgotamos São Paulo e Rio de Janeiro. E aí pensamos em continuar. A gente não planejou uma estratégia de lançamento para voltar. Estamos tentando acompanhar a demanda que os fãs estão gerando. Estamos exatamente nessa fase de ouvir composições e buscar o que é o Rouge, o que nós cinco queremos dizer para o nosso público sobre nós, nossa união e como refletir isso na nossa música. Estamos correndo atrás disso.

Com esse novo projeto, vocês pretendem atingir um novo público e fugir dessa questão da nostalgia que pautou esse momento inicial do retorno?

Fantine: Nós estamos aqui abertamente compartilhando o nosso trabalho. Tem toda uma equipe, a gravadora, a assessoria de imprensa que já pensa, calcula e mede os números, porcentagem, sobre o público. Nós temos um desapego maior. É um aspecto importante do trabalho, precisa sim ter gente medindo e analisando para direcionar o nosso trabalho com estratégia, mas nós estamos focadas no aspecto criativo, artístico. De como queremos nos apresentar visualmente, nos preparar fisicamente e vocalmente e no conteúdo das canções. Queremos que isso chegue ao maior número de pessoas possível, independentemente de rótulos, de sexo, idade. Nossa mensagem é humana, então quanto mais amplo for, mais felizes estaremos.

Lu: Mas existe algo que a gente sempre conversa entre nós que é o fato de não querer ficar no passado. Queremos produzir coisas novas, não queremos ficar cantando as músicas antigas.

Tem todo um novo público que talvez não tenha idade para ter conhecido vocês na primeira fase e agora pode gostar do trabalho...

Aline: E pessoas que não tiveram a oportunidade! A gente recebeu muitos relatos de gente que agora pode ir ao show. Mandaram mensagens dizendo que era um sonho poder ir ao nosso show e pensaram que nunca ia acontecer, que a gente nunca iria se reunir. Isso é surreal.

Fantine: A gente não pode negar que o Rouge tem uma característica lúdica. O fato de a gente ter se inscrito para um programa reflete o sonho de uma criança, de uma adolescente de ser uma popstar. A dinâmica do nosso relacionamento acaba sendo ligada a um sonho que nós tivemos. Se você vir o trabalho solo da Aline, por exemplo, é uma coisa totalmente adulta, é profundo, é espiritual. E essa característica, essa qualidade, ela traz para dentro do grupo. Assim como cada uma de nós traz as suas qualidades. Isso acaba ganhando uma leitura lúdica e pop que atrai a criançada, os adolescentes.

Vocês voltaram em um momento tumultuado quanto às questões femininas e seguem como exemplo de diversidade. Agora, mais velhas, não deixaram de exaltar a sensualidade e o poder feminino. Como tem sido essa dinâmica para vocês?

Aline: É uma loucura, na verdade. 12 anos se passaram e a gente volta em outro momento das nossas vidas. Somos pessoas muito diferentes e necessariamente precisa haver sororidade, empatia, comunhão para fazer uma girl band funcionar. E é isso que a gente tenta aplicar diariamente. Para mim, é uma possibilidade de evolução trabalhar com elas porque eu aprendo diariamente, preciso me posicionar na vida, no grupo. Preciso ser uma pessoa melhor para fazer funcionar. Trabalhamos muito internamente para que a gente sente nessa mesa e seja coerente com o que nós queremos. Não é um sonho único. Nós estamos juntas e precisamos fazer isso juntas. Isso é muito íntimo. Fico feliz de sermos mulheres diferentes e de saber que outras mulheres, em suas casas, poderão se enxergar em nós e realmente ver que as coisas podem sim acontecer. É fácil? Não é fácil, mas podem acontecer. Tem que ter trabalho, determinação, empenho, paciência, amor, mas isso é diário. Essa é a vida.

Lu: Para mim, em particular, o Rouge foi um resgate. Eu me sentia adormecida artisticamente, como mulher e em outros aspectos. O Rouge veio como uma oportunidade que eu não esperava, não tinha essa expectativa de voltar. E eu estou transformando isso em um renascimento mesmo. Hoje, me sinto melhor do que poucos meses atrás. Me sinto mais segura, mais forte, mais mulher. Tenho a oportunidade de trabalhar com mulheres que estão mais sexy do que a minha memória lembrava e aprender com elas. Elas me levantam. Ouço as histórias delas e as absorvo.

Uma vez, a Aline disse algo que eu me lembro até hoje porque concordo. O Rouge é muito mais do que ter um novo sucesso, ganhar dinheiro. O Rouge é uma oportunidade de evolução espiritual mesmo. A gente não escolheu, fomos escolhidas por Deus. Eu vejo que as situações da vida se repetem até que você resolva algumas coisas. Eu acho que o fato de estarmos aqui é para evoluirmos espiritualmente independentemente de qualquer coisa que faça parte do mercado. É uma outra história. É claro que eu quero trabalhar, ganhar dinheiro, ter uma nova música para as pessoas ouvirem, mas eu tenho encarado dessa forma.

Fantine: E é uma escolha consciente também, né? A vida é desenhada para que as pessoas evoluam e aprendam, para qualquer ser humano, independentemente da carreira. No nosso caso, se aplica a nossa união. O que nós fazemos é conversar abertamente sobre isso e escolher a oportunidade para crescer como profissionais, mulheres, mães. Estamos completamente entregues nesse trabalho. Eu saí do país, há dez anos moro fora, abri mão da carreira para me dedicar à maternidade e me descobrir mulher. Sentia a necessidade de despertar essa popstar dentro de mim, pensava em como ia trazer uma artista de volta para o palco. Graças às meninas, graças ao Rouge, tenho a possibilidade de viver meu potencial ao máximo, que me fazia muita falta.

 Há pouco tempo, viralizou na internet a explicação sobre a letra de “Ragatanga” e a relação com “Rapper’s Delight”. Como foi isso para vocês?

Lu: A gente sempre falou isso nas entrevistas naquela época, mas não teve toda essa atenção [risos].

Aline: A gente explicava, mas eles não entendiam. Era mais fácil ser uma música do demônio.

Li: Era isso que eles queriam ouvir, né?

Karin: E teve uma história recente em que vieram com outra explicação a respeito dessa música, analisando o Diego, dizendo que ele estava doidão. O povo pira muito, eu adoro a internet. 

Agora que o tempo passou, ninguém fala mais que vocês são satânicas...

Aline: Por enquanto! [risos]

Karin: Por enquanto é ótimo [risos]. Deus que me perdoe!

Fantine: A Xuxa foi vítima disso também, né? Falavam para tocar o disco dela ao contrário...

Aline: E o Fofão?

Li: Tudo que fazia sucesso, né? Esse Fofão era uma febre!

Karin: Falaram que a gente ia morrer de acidente de avião igual aos Mamonas, várias histórias.