NOTÍCIAS

Echo & The Bunnymen luta contra problemas de som e sai sem dar bis após fugazes 70 minutos

por em 02/11/2014
ong>SEXO E AMOR ATÉ MAIS TARDE Por Pedro Só Às 23h45, bem calibrados e aquecidos pelo som de Tom Leão nas carrapetas, Ian McCulloch, Will Sergeant e seus coelhomens de aluguel surgem no palco da Fundição Progresso. Descontraídos, os cinquentões de Liverpool começam em clima de ensaio, com a climática canção que dá título ao último álbum do grupo, "Meteorites", lembrando duvidosamente temas do Coldplay. Will Sergeant toca uma lap steel acomodando no ventre a bola de futebol que engoliu nas últimas décadas. O band leader, fã da caipirinha desde a primeira e mitológica visita ao Brasil, em 1987, termina agradecendo com um "obrigado" quase sem sotaque. Com boa emissão, a garganta que soara irreversivelmente avariada na última passagem pelo país, em 2010, deixa os fãs animados. Se os outrora tradicionais morcegos da Fundição não dão mais seus rasantes, o som ruim segue inabalável como instituição local. Mas nem isso impede o Echo & The Bunnymen de decolar decentemente com o segundo número, "Rescue", faixa do primeiro álbum, Crocodiles (1980). Ao fim do hit, a plateia irrompe aos gritos de "Iã! Iã! Iã!". Um roadie diminuto é chamado ao palco para tentar resolver problemas no som, e logo temos "Do It Clean", outra canção dos primórdios, fundida, como de habitual, com "Sex Machine" (de James Brown" e encerrada - olha só que bonitinha a associação... - com Ian mandando à capella "When I Fall In Love" (o clássico gravado por Nat King Cole). Um diálogo de Ian com os técnicos de som ao estilo Tim Maia se sucede, e a irresistível "Never Stop" faz seguir o baile, já em volume minimamente condizente com o tamanho do espaço. "People Are Strange", dos Doors, seduz com o piano ao estilo Liberace enxertado no esqueleto blues, e "Seven Seas", do cultuado álbum Ocean Rain (1984), ecoa tempos felizes de festins de cordas (infelizmente sintetizadas nas apresentações ao vivo). Depois o show patina feio em um trecho de repertório desigual ("Bedbugs And Ballyhoo", a nova "Holy Moses" e "Rust") e truncado, não se sabe se pelo hábito da banda de alternar dinâmicas, se por maneirismo do vocalista bicudo ou simplesmente por mau humor diante dos problemas técnicos. E eis que surge a linda sequência com "All My Colours" e "Over The Wall", ambas do segundo álbum, Heaven Up Here (1981). Só ela já seria capaz de salvar a noite, mas o Echo se mostra à altura do totêmico repertório que erigiu nos anos 80 na enfiada final, com "All That Jazz", "Bring On The Dancing Horses", "The Killing Moon" e "The Cutter" (que entra no repertório como concessão ao público brasileiro). A caipirinha de Ian parece estar batendo bem. Aos setenta minutos de show, porém, vem o apito final, inapelável. Sem bis, sem maiores afagos ou simpatias, deixando nos fãs um gosto amargo de sexo pago e "próximo, por favor". A fofa associação entre "Sex Machine" e "When I Fall In Love" era jogo de cena - e a maioria dos presentes ali já tem idade pra saber disso, né?
  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
RANKING COMPLETO
NOTÍCIAS

Echo & The Bunnymen luta contra problemas de som e sai sem dar bis após fugazes 70 minutos

por em 02/11/2014
ong>SEXO E AMOR ATÉ MAIS TARDE Por Pedro Só Às 23h45, bem calibrados e aquecidos pelo som de Tom Leão nas carrapetas, Ian McCulloch, Will Sergeant e seus coelhomens de aluguel surgem no palco da Fundição Progresso. Descontraídos, os cinquentões de Liverpool começam em clima de ensaio, com a climática canção que dá título ao último álbum do grupo, "Meteorites", lembrando duvidosamente temas do Coldplay. Will Sergeant toca uma lap steel acomodando no ventre a bola de futebol que engoliu nas últimas décadas. O band leader, fã da caipirinha desde a primeira e mitológica visita ao Brasil, em 1987, termina agradecendo com um "obrigado" quase sem sotaque. Com boa emissão, a garganta que soara irreversivelmente avariada na última passagem pelo país, em 2010, deixa os fãs animados. Se os outrora tradicionais morcegos da Fundição não dão mais seus rasantes, o som ruim segue inabalável como instituição local. Mas nem isso impede o Echo & The Bunnymen de decolar decentemente com o segundo número, "Rescue", faixa do primeiro álbum, Crocodiles (1980). Ao fim do hit, a plateia irrompe aos gritos de "Iã! Iã! Iã!". Um roadie diminuto é chamado ao palco para tentar resolver problemas no som, e logo temos "Do It Clean", outra canção dos primórdios, fundida, como de habitual, com "Sex Machine" (de James Brown" e encerrada - olha só que bonitinha a associação... - com Ian mandando à capella "When I Fall In Love" (o clássico gravado por Nat King Cole). Um diálogo de Ian com os técnicos de som ao estilo Tim Maia se sucede, e a irresistível "Never Stop" faz seguir o baile, já em volume minimamente condizente com o tamanho do espaço. "People Are Strange", dos Doors, seduz com o piano ao estilo Liberace enxertado no esqueleto blues, e "Seven Seas", do cultuado álbum Ocean Rain (1984), ecoa tempos felizes de festins de cordas (infelizmente sintetizadas nas apresentações ao vivo). Depois o show patina feio em um trecho de repertório desigual ("Bedbugs And Ballyhoo", a nova "Holy Moses" e "Rust") e truncado, não se sabe se pelo hábito da banda de alternar dinâmicas, se por maneirismo do vocalista bicudo ou simplesmente por mau humor diante dos problemas técnicos. E eis que surge a linda sequência com "All My Colours" e "Over The Wall", ambas do segundo álbum, Heaven Up Here (1981). Só ela já seria capaz de salvar a noite, mas o Echo se mostra à altura do totêmico repertório que erigiu nos anos 80 na enfiada final, com "All That Jazz", "Bring On The Dancing Horses", "The Killing Moon" e "The Cutter" (que entra no repertório como concessão ao público brasileiro). A caipirinha de Ian parece estar batendo bem. Aos setenta minutos de show, porém, vem o apito final, inapelável. Sem bis, sem maiores afagos ou simpatias, deixando nos fãs um gosto amargo de sexo pago e "próximo, por favor". A fofa associação entre "Sex Machine" e "When I Fall In Love" era jogo de cena - e a maioria dos presentes ali já tem idade pra saber disso, né?