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Em sua 17ª apresentação no Brasil, McCartney mostra aos “cariocash” a excelência de sempre em formato arena

por em 13/11/2014
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O É PERDER O PAUL Por Pedro Só O jeitinho britânico de lidar com a falta de mobilidade urbana nas grandes capitais brasileiras foi começar o show com meia hora exata de atraso, às 22h30. Assim, com retardo, mas com precisão de reloginho, a produção de Paul McCartney deu chance para que parte dos 15 mil presentes pudessem chegar antes da primeira música, “Eight Days A Week”, e com sorte, fazer um pipizinho básico depois das duas ou três horas gastas no infernal trânsito carioca até a Arena HSBC (ironicamente conhecida como Arena PQP), em Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro. Depois da segunda música, “Save Us” (uma das três do mais recente álbum, New, incluídas no roteiro), o já esperado “E aí? Boa noite, cariocash” de Paul ajudou a esquentar o público. A massa cantou a plenos pulmões “All My Loving” antes de irromper em gritos de “Pou, pou, pou!”. O jogo estava ganho para o jovialíssimo senhor de 72 anos ali no palco. Mas ele fez questão de valorizar a noite de todos os fãs, tocando seis músicas no bis e interagindo calorosamente – como os habituês de seus shows no Brasil já sabem muito bem. Foi a 17ª apresentação do ex-beatle no país (13ª desde 2010). “Beleza? É maravilhoso estar de volta”, acariciou, antes de soltar em inglês “you’re a sensational crowd”, após “Paperback Writer”. Outras gírias da vez: “show de bola” (já passada, poderiam ter avisado) e “tá bombando”. Falar em “intimista”, como foi repetido em vários veículos, é mero marketês surrealista. Qual é a intimidade possível com um artista no palco quando se está em meio a 14.800 pessoas, com seu odorama amplo que inclui flatos, eructações e eventuais fumaças de tabagismo alternativo? Em um lugar com tais dimensões, os aspectos negativos de um estádio são apenas atenuados. Para muita gente, nas arquibancadas, foi mais um show de telão – ainda que um telão mais próximo, que em vários momentos exibia o Paulzão do vídeo em contraste ao Paulzinho real. O velho entertainer de luxo de sempre, capaz de tudo para agradar ao público médio – incluindo aí micagens duvidosas como fazer coraçãozinho com as mãos ao fim de “My Valentine”, dedicada à atual esposa. PAUL A pista vip, com ingressos a 900 reais, bizarramente – ou mui sintomaticamente – não tinha recipientes para lixo e a educação de boa parte deles, como sempre, deixou a desejar. Deveria ser proibido conversar quando se está no mesmo recinto onde Paul canta sozinho ao violão – mas, infelizmente, não foi o que se ouviu na arena carioca durante a execução de “Blackbird”. O repertório não teve surpresas, repetindo as idiossincrasias do homem comum envelopado pelo paletó azul: “Something” começada no ukulele – o que diminui a gigantesca canção -, a homenagem a John que meio que sacaneia (“Here Today” para um compositor daquele quilate?)... Ele claramente tem carinho e orgulho imenso de parte de seu material com o Wings, dando o melhor de si a canções como “Let Me Roll It”, talhada para contagiar arenas. Para “Maybe I’m Amazed”, outra favorita pessoal, escrita para Linda McCartney (1941-1998) e marco inicial de sua carreira solo, reserva arroubos vocais que lembram seus tempos de menino. E o sorriso que mudou pouco desde os 17 anos rasga o rosto na energia pura de “Back In The USSR”, já na enfiada final do show. PAUL 2 Antes do encerramento com “Hey Jude” e o bis duplo (“Day Tripper”, “Hi Hi Hi” e “I Saw Her Standing There”, depois “Yesterday”, “Helter Skelter” e “Golden Slumbers”), ainda houve o momento tiozão: duas adolescentes, apresentadas apenas pelos prenomes, Patrícia e Brenda, foram levadas ao palco para receber autógrafos. “Você pode autografar o meu pescoço para eu fazer uma tatuagem depois?”, pediu a primeira. Paul atendeu ao pedido com um olhar maroto – e, por um único instante nas quase três horas em que esteve no palco, aparentou a idade que tem. O ex-beatle segue depois para Brasília, com show no Estádio Nacional no dia 23 de novembro, e depois vai a São Paulo, para tocar no Allianz Parque nos dias 25 e 26. É um privilégio. Setlist Eight days a week Save us All my loving Listen to what the man said Let me roll it Paperback writer My valentine 1985 Long and winding road Maybe I´m amazed I´ve just seen a face We can work it out Another day And I love her Blackbird Here today New Queenie eye Lady Madonna All together now Lovely Rita Everybody out there Eleanor Rigby Mr Kite Something Obla di Obla da Band on the run Back in the USSR Let it be Live and let die Hey Jude bis 1 Day tripper Hi hi hi I saw her standing there bis 2 Yesterday Helter Skelter Golden Slumbers paul 3 Todas fotos por Marcos Hermes
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Em sua 17ª apresentação no Brasil, McCartney mostra aos “cariocash” a excelência de sempre em formato arena

por em 13/11/2014
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O É PERDER O PAUL Por Pedro Só O jeitinho britânico de lidar com a falta de mobilidade urbana nas grandes capitais brasileiras foi começar o show com meia hora exata de atraso, às 22h30. Assim, com retardo, mas com precisão de reloginho, a produção de Paul McCartney deu chance para que parte dos 15 mil presentes pudessem chegar antes da primeira música, “Eight Days A Week”, e com sorte, fazer um pipizinho básico depois das duas ou três horas gastas no infernal trânsito carioca até a Arena HSBC (ironicamente conhecida como Arena PQP), em Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro. Depois da segunda música, “Save Us” (uma das três do mais recente álbum, New, incluídas no roteiro), o já esperado “E aí? Boa noite, cariocash” de Paul ajudou a esquentar o público. A massa cantou a plenos pulmões “All My Loving” antes de irromper em gritos de “Pou, pou, pou!”. O jogo estava ganho para o jovialíssimo senhor de 72 anos ali no palco. Mas ele fez questão de valorizar a noite de todos os fãs, tocando seis músicas no bis e interagindo calorosamente – como os habituês de seus shows no Brasil já sabem muito bem. Foi a 17ª apresentação do ex-beatle no país (13ª desde 2010). “Beleza? É maravilhoso estar de volta”, acariciou, antes de soltar em inglês “you’re a sensational crowd”, após “Paperback Writer”. Outras gírias da vez: “show de bola” (já passada, poderiam ter avisado) e “tá bombando”. Falar em “intimista”, como foi repetido em vários veículos, é mero marketês surrealista. Qual é a intimidade possível com um artista no palco quando se está em meio a 14.800 pessoas, com seu odorama amplo que inclui flatos, eructações e eventuais fumaças de tabagismo alternativo? Em um lugar com tais dimensões, os aspectos negativos de um estádio são apenas atenuados. Para muita gente, nas arquibancadas, foi mais um show de telão – ainda que um telão mais próximo, que em vários momentos exibia o Paulzão do vídeo em contraste ao Paulzinho real. O velho entertainer de luxo de sempre, capaz de tudo para agradar ao público médio – incluindo aí micagens duvidosas como fazer coraçãozinho com as mãos ao fim de “My Valentine”, dedicada à atual esposa. PAUL A pista vip, com ingressos a 900 reais, bizarramente – ou mui sintomaticamente – não tinha recipientes para lixo e a educação de boa parte deles, como sempre, deixou a desejar. Deveria ser proibido conversar quando se está no mesmo recinto onde Paul canta sozinho ao violão – mas, infelizmente, não foi o que se ouviu na arena carioca durante a execução de “Blackbird”. O repertório não teve surpresas, repetindo as idiossincrasias do homem comum envelopado pelo paletó azul: “Something” começada no ukulele – o que diminui a gigantesca canção -, a homenagem a John que meio que sacaneia (“Here Today” para um compositor daquele quilate?)... Ele claramente tem carinho e orgulho imenso de parte de seu material com o Wings, dando o melhor de si a canções como “Let Me Roll It”, talhada para contagiar arenas. Para “Maybe I’m Amazed”, outra favorita pessoal, escrita para Linda McCartney (1941-1998) e marco inicial de sua carreira solo, reserva arroubos vocais que lembram seus tempos de menino. E o sorriso que mudou pouco desde os 17 anos rasga o rosto na energia pura de “Back In The USSR”, já na enfiada final do show. PAUL 2 Antes do encerramento com “Hey Jude” e o bis duplo (“Day Tripper”, “Hi Hi Hi” e “I Saw Her Standing There”, depois “Yesterday”, “Helter Skelter” e “Golden Slumbers”), ainda houve o momento tiozão: duas adolescentes, apresentadas apenas pelos prenomes, Patrícia e Brenda, foram levadas ao palco para receber autógrafos. “Você pode autografar o meu pescoço para eu fazer uma tatuagem depois?”, pediu a primeira. Paul atendeu ao pedido com um olhar maroto – e, por um único instante nas quase três horas em que esteve no palco, aparentou a idade que tem. O ex-beatle segue depois para Brasília, com show no Estádio Nacional no dia 23 de novembro, e depois vai a São Paulo, para tocar no Allianz Parque nos dias 25 e 26. É um privilégio. Setlist Eight days a week Save us All my loving Listen to what the man said Let me roll it Paperback writer My valentine 1985 Long and winding road Maybe I´m amazed I´ve just seen a face We can work it out Another day And I love her Blackbird Here today New Queenie eye Lady Madonna All together now Lovely Rita Everybody out there Eleanor Rigby Mr Kite Something Obla di Obla da Band on the run Back in the USSR Let it be Live and let die Hey Jude bis 1 Day tripper Hi hi hi I saw her standing there bis 2 Yesterday Helter Skelter Golden Slumbers paul 3 Todas fotos por Marcos Hermes