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Ouça encontros entre orquestras e música popular

De Elvis Presley a Legião Urbana, ouça quem já teve suas canções orquestradas

por Redação em 21/10/2016

A segunda ópera de The Who, Quadrophenia, foi lançada há mais de 40 anos e, no entanto, continua tão atual quanto na época em que foi lançada. O álbum e filme capturam a essência da cultura mod – o movimento britânico lançado no início dos anos 1960 que envolvia música, moda e scooters, uma extensão da cultura beatnik, da década de 1950 – enquanto tratam da conturbada vida do adolescente Jimmy,  personagem central da história.

“Eu penso sobre a época em que o filme Quadrophenia foi feito e The Who havia praticamente deixado de ser uma banda de fazer apresentações por causa do declínio físico de Keith Moon”, contou Townshend ao site Clash, alguns anos atrás – Moon, baterista da banda, morreu duas semanas após o início das gravações, em 1978. “Então nós vimos o cinema como um novo negócio e compramos uma parte do Shepperton Studios”. O empresário da banda, Bill Curbishley, e o produtor Roy Baird, buscaram o diretor Franc Roddam para transformar Quadrophenia em um roteiro.

“O filme é sobre alguém que tem 18 anos em 1964. Eu tinha 18 anos em 1964, então eu simplesmente expressei as minhas experiências”, contou Roddam. “As experiências vividas por jovens da classe trabalhadora é muito parecida pelo país todo. Se você foi uma criança da classe trabalhadora, há certas expectativas e certas coisas que acontecerão com você, como não ser chamado para a festa da garota de classe média ou ser chamado porque você é bonito, como um dos garotos [do filme] foi. Coisas como experimentar drogas, viver em uma casa pequena – não há espaço, todos querem se meter na sua vida –, a ignorância dos seus pais, detestar o seu chefe, detestar ir ao trabalho… Eu simplesmente coloquei todas essas ideias no roteiro".

A regravação do disco, Classic Quadrophenia, é, assim como a versão original, tão impecável que não há, em momento algum, a vontade de pular uma música sequer. Até quem não está familiarizado com o álbum original e o filme, que retratam a vida de Jimmy, o adolescente rebelde que toma ecstasy como se fosse tic-tac, consegue se identificar com os seus conflitos – que ficaram intactos até mesmo na versão com a Orquestra Filarmônica Real. Além dos instrumentos, há substituição de Roger Daltrey nos vocais do protagonista pelo tenor Alfie Boy e Sting (como Ace Face/Bell  Boy) por Billy Idol. Mas até Phil Daniels, que interpretou Jimmy na versão cinematográfica de Quadrophenia, participa da regravação, desta vez como o pai do seu primeiro personagem.

Ouça aqui Classic Quadrophenia:

Veja abaixo outros momentos em que artistas do rock e da música popular se misturaram à música erudita:

Elvis Presley

Os tributos a Elvis Presley não acabam nunca! Se em 2015, o Rei do Rock ganhou o auxílio do erudito em If I Can Dream: Elvis Presley With The Royal Philharmonic Orchestra, em 2016 o álbum ganha uma continuação. The Wonder Of You: Elvis Presley With The Royal Philharmonic Orchestra traz clássicos como “Suspicious Minds” “Kentucky Rain” e “Always On My Mind”. Os dois álbuns foram gravados no Abbey Road pelos produtores Don Reedman e Nick Patrick.

Legião Urbana

O maestro Amilson Godoy, regente da Orquestra Sinfônica Arte Viva, foi convidado pela organização do Rock in Rio para, na abertura da última edição do festival no Rio de Janeiro, fazer uma homenagem à Legião Urbana. A partir disso, o maestro compôs um medley com músicas como “Que País É Este”, “Faroeste Caboclo” e “Há tempos”.

Alceu Valença

Gravado ao vivo no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, o DVD Valencianas, lançado em 2014, traz alguns dos maiores sucessos do cantor pernambucano com arranjos orquestrais, acompanhado de seu violão, sua voz e da Orquestra Ouro Preto, regida pelo maestro Rodrigo Toffolo.

Genesis

O rock progressivo teve seu auge nos anos 1970, especialmente na Inglaterra, país da banda. A união entre música progressiva e orquestra aconteceu em 1987, com o álbum London Symphony Orchestra Plays The Music Of Genesis, conduzido pelo arranjador David Palmer, ex-Jethro Tull.

Scorpions

A banda alemã de hard rock gravou o álbum Moment Of Glory com a Filarmônica de Berlim, em 2000.

George Michael

Entre 2011 e 2012, o cantor fez a turnê Symphonica, que teve as participações da polonesa Orquestra Filarmônica de Breslávia e da Orquestra Sinfônica Nacional Checa.

Oasis

Em 1997, foi a vez dos irmãos marrentos. Clássicos da década, como "Live Forever", "Wonderwall" e "Don't Look Back In Anger", foram regravados em Royal Philharmonic Orchestra Plays The Music Of Oasis.

Iron Maiden

Em 2006, o projeto Hand of Doom Orchestra lançou Plays Iron Maiden's Piece Of Mind, baseado no clássico álbum de 1983 do Iron Maiden.

Metallica

Em 1999, o grupo de heavy metal resolveu gravar um álbum sinfônico ao vivo com os músicos da Sinfônica de São Francisco. S&M (abreviação para “Symphony & Metallica”) foi gravado no Teatro da Berkeley sob a regência do maestro Michael Kamen e vendeu mais de 2,5 milhões de cópias.

Deep Purple

O tecladista Jon Lord compôs o “Concerto Para Banda e Orquestra” em 1969. A gravação aconteceu no Royal Albert Hall, na Inglaterra e contou com uma orquestra completa, regida por Malcolm Arnold.

Elton John

Em 1987, Sir Elton John convidou a Orquestra Sinfônica de Melbourne para um show na Austrália. O cantor surgiu fantasiado de Mozart e, em uma entrevista, declarou que aquele foi um dos shows em que ele mais sentiu a adrenalina tomando conta de seu corpo.

KISS

Os shows do KISS são conhecidos por conterem muita pirotecnia, efeitos especiais e cenários megalomaníacos. Mas a banda se superou ao convidar a Orquestra de Melbourne para a apresentação KISS: Symphony Alive IV e ainda emprestou a maquiagem costumeira da banda para todos os membros do grupo sinfônico.

Jethro Tull

Em 1985, o Jethro Tull  gravou o álbum sinfônico A Classic Case em parceria com a Orquestra Sinfônica de Londres.

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A segunda ópera de The Who, Quadrophenia, foi lançada há mais de 40 anos e, no entanto, continua tão atual quanto na época em que foi lançada. O álbum e filme capturam a essência da cultura mod – o movimento britânico lançado no início dos anos 1960 que envolvia música, moda e scooters, uma extensão da cultura beatnik, da década de 1950 – enquanto tratam da conturbada vida do adolescente Jimmy,  personagem central da história.

“Eu penso sobre a época em que o filme Quadrophenia foi feito e The Who havia praticamente deixado de ser uma banda de fazer apresentações por causa do declínio físico de Keith Moon”, contou Townshend ao site Clash, alguns anos atrás – Moon, baterista da banda, morreu duas semanas após o início das gravações, em 1978. “Então nós vimos o cinema como um novo negócio e compramos uma parte do Shepperton Studios”. O empresário da banda, Bill Curbishley, e o produtor Roy Baird, buscaram o diretor Franc Roddam para transformar Quadrophenia em um roteiro.

“O filme é sobre alguém que tem 18 anos em 1964. Eu tinha 18 anos em 1964, então eu simplesmente expressei as minhas experiências”, contou Roddam. “As experiências vividas por jovens da classe trabalhadora é muito parecida pelo país todo. Se você foi uma criança da classe trabalhadora, há certas expectativas e certas coisas que acontecerão com você, como não ser chamado para a festa da garota de classe média ou ser chamado porque você é bonito, como um dos garotos [do filme] foi. Coisas como experimentar drogas, viver em uma casa pequena – não há espaço, todos querem se meter na sua vida –, a ignorância dos seus pais, detestar o seu chefe, detestar ir ao trabalho… Eu simplesmente coloquei todas essas ideias no roteiro".

A regravação do disco, Classic Quadrophenia, é, assim como a versão original, tão impecável que não há, em momento algum, a vontade de pular uma música sequer. Até quem não está familiarizado com o álbum original e o filme, que retratam a vida de Jimmy, o adolescente rebelde que toma ecstasy como se fosse tic-tac, consegue se identificar com os seus conflitos – que ficaram intactos até mesmo na versão com a Orquestra Filarmônica Real. Além dos instrumentos, há substituição de Roger Daltrey nos vocais do protagonista pelo tenor Alfie Boy e Sting (como Ace Face/Bell  Boy) por Billy Idol. Mas até Phil Daniels, que interpretou Jimmy na versão cinematográfica de Quadrophenia, participa da regravação, desta vez como o pai do seu primeiro personagem.

Ouça aqui Classic Quadrophenia:

Veja abaixo outros momentos em que artistas do rock e da música popular se misturaram à música erudita:

Elvis Presley

Os tributos a Elvis Presley não acabam nunca! Se em 2015, o Rei do Rock ganhou o auxílio do erudito em If I Can Dream: Elvis Presley With The Royal Philharmonic Orchestra, em 2016 o álbum ganha uma continuação. The Wonder Of You: Elvis Presley With The Royal Philharmonic Orchestra traz clássicos como “Suspicious Minds” “Kentucky Rain” e “Always On My Mind”. Os dois álbuns foram gravados no Abbey Road pelos produtores Don Reedman e Nick Patrick.

Legião Urbana

O maestro Amilson Godoy, regente da Orquestra Sinfônica Arte Viva, foi convidado pela organização do Rock in Rio para, na abertura da última edição do festival no Rio de Janeiro, fazer uma homenagem à Legião Urbana. A partir disso, o maestro compôs um medley com músicas como “Que País É Este”, “Faroeste Caboclo” e “Há tempos”.

Alceu Valença

Gravado ao vivo no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, o DVD Valencianas, lançado em 2014, traz alguns dos maiores sucessos do cantor pernambucano com arranjos orquestrais, acompanhado de seu violão, sua voz e da Orquestra Ouro Preto, regida pelo maestro Rodrigo Toffolo.

Genesis

O rock progressivo teve seu auge nos anos 1970, especialmente na Inglaterra, país da banda. A união entre música progressiva e orquestra aconteceu em 1987, com o álbum London Symphony Orchestra Plays The Music Of Genesis, conduzido pelo arranjador David Palmer, ex-Jethro Tull.

Scorpions

A banda alemã de hard rock gravou o álbum Moment Of Glory com a Filarmônica de Berlim, em 2000.

George Michael

Entre 2011 e 2012, o cantor fez a turnê Symphonica, que teve as participações da polonesa Orquestra Filarmônica de Breslávia e da Orquestra Sinfônica Nacional Checa.

Oasis

Em 1997, foi a vez dos irmãos marrentos. Clássicos da década, como "Live Forever", "Wonderwall" e "Don't Look Back In Anger", foram regravados em Royal Philharmonic Orchestra Plays The Music Of Oasis.

Iron Maiden

Em 2006, o projeto Hand of Doom Orchestra lançou Plays Iron Maiden's Piece Of Mind, baseado no clássico álbum de 1983 do Iron Maiden.

Metallica

Em 1999, o grupo de heavy metal resolveu gravar um álbum sinfônico ao vivo com os músicos da Sinfônica de São Francisco. S&M (abreviação para “Symphony & Metallica”) foi gravado no Teatro da Berkeley sob a regência do maestro Michael Kamen e vendeu mais de 2,5 milhões de cópias.

Deep Purple

O tecladista Jon Lord compôs o “Concerto Para Banda e Orquestra” em 1969. A gravação aconteceu no Royal Albert Hall, na Inglaterra e contou com uma orquestra completa, regida por Malcolm Arnold.

Elton John

Em 1987, Sir Elton John convidou a Orquestra Sinfônica de Melbourne para um show na Austrália. O cantor surgiu fantasiado de Mozart e, em uma entrevista, declarou que aquele foi um dos shows em que ele mais sentiu a adrenalina tomando conta de seu corpo.

KISS

Os shows do KISS são conhecidos por conterem muita pirotecnia, efeitos especiais e cenários megalomaníacos. Mas a banda se superou ao convidar a Orquestra de Melbourne para a apresentação KISS: Symphony Alive IV e ainda emprestou a maquiagem costumeira da banda para todos os membros do grupo sinfônico.

Jethro Tull

Em 1985, o Jethro Tull  gravou o álbum sinfônico A Classic Case em parceria com a Orquestra Sinfônica de Londres.