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Dado lança livro para ficar por dentro da Legião Urbana

por em 18/06/2015
P
or Rodrigo Amaral da Rocha
“Onze de outubro de 1996, 2h15. Toca o telefone na minha cabeceira. Do outro lado da linha, o doutor Saul me dava a notícia que, infelizmente, eu já esperava: o Renato estava morto. Atordoado, desliguei o telefone, acordei Fernanda e liguei pro Rafael, empresário da banda e grande amigo”. Assim começa Memórias de um Legionário, livro de Dado Villa-Lobos sobre as memórias do guitarrista desde o seu nascimento, em Bruxelas, na Bélgica; passando pela adolescência na capital federal, Brasília, onde conheceu o rock ‘n’ roll e formou a Legião Urbana; até o fim desta, após a morte de Renato Russo. Não se trata de um livro biográfico, mas, sim, de relatos do integrante de uma das bandas mais importantes da história do rock nacional. Com a ajuda dos historiadores Felipe Demier e Romulo Mattos, Dado dá sua versão sobre a Legião e resgata da memória momentos tensos, engraçados e, acima de tudo, únicos sobre tudo o que envolve a banda e um dos compositores mais emblemáticos da música popular brasileira. Por quê a decisão de escrever esse livro agora? Foi uma sugestão de um amigo, o Felipe Demier, que é historiador e escreve o livro junto comigo e o Romulo Mattos. Ele me sugeriu soltar essas memórias. Eu estava esperando passar as questões judiciais envolvendo a banda. Eu fui juntando os cacos, alguns fragmentos. Pra mim foi muito importante.  E foi em um momento certo: já plantei várias árvores, marquei vários gols no Maracanã, e agora tenho o livro. Muitos livros já foram feitos sobre a Legião Urbana e, inclusive, são citados neste. O que Memórias De Um Legionário tem de especial? É o foco interno, o foco de alguém que estava lá dentro. É a minha visão. Mas é claro que é importante ter visões diferentes, como no livro do Dapieve, as entrevistas na revista Bizz... Sobre a liberação do uso do nome do Legião Urbana, está tudo certo? Dá vontade de lançar coisa nova? Está tudo certo, sim, mas a questão da marca continua na mão do menino [Giuliano Manfredini, filho do Renato Russo]. A gente foi autorizado a poder subir no palco e usar o nome da nossa banda. Quando a gente fez aquele tributo com o Wagner Moura na MTV [2012], os herdeiros não deixaram a gente usar o nome ‘Legião Urbana’. Seria importante para o público saber que aquilo era uma homenagem à banda, ao repertório, à obra e marca da Legião. Hoje isso acabou, mas ele ainda é o detentor de uma marca. E essas questões todas me deixam com certa preguiça de mobilizar em função de ver o que existe na gravadora..  E a gravadora agora foi comprada pela Universal, que trabalha com outro formato... Eu não sei. Se depender de mim, eu não faço nada. Com o livro não teve nenhum problema? Não. Quando havia alguma coisa, assim, mais “picante”, aquilo já havia sido dito antes. E a história das biografias. Qual o seu posicionamento? [risos] Acho que agora vai ter um monte de biografia da Legião Urbana. Mas minha posição é a seguinte: quando a biografia é séria e o biógrafo é um cara confiável, que está realmente querendo contar a história, eu apoio. E eu adoro biografia, já li várias sobre artistas e escritores, e aprendi muito, culturalmente, pra entender o que está acontecendo em determinada época, o contexto histórico. Você diz que estava lendo Life, biografia do Keith Richards... Por acaso, no momento em que o Felipe me fez a sugestão eu estava lendo Life. É fascinante. Foi nesse mesmo modelo, de você ter uma visão interna da dinâmica dessa banda. No livro você fala abertamente sobre drogas, principalmente na época em que você estava começando e o rock crescendo em Brasília. Você acha que foi importante de alguma forma para todo esse contexto? Foi um momento de democratização do Brasil. O que estava acontecendo em Brasília acontecia em São Paulo, no Rio, em Porto Alegre, Belo Horizonte; o país inteiro estava nessa mesma energia de querer transformar o país, após uma ditadura de 24 anos. A garotada estava podendo se expressar do jeito que gostariam de se expressar. Em uma passagem do livro, é recuperada uma entrevista sua na década de 1990, onde você diz que o Planet Hemp era uma das poucas bandas politizadas do país. E hoje? Eu não vejo os artistas se envolvendo com política. Acho que política hoje virou um terreno quase maldito, não querem nem chegar perto. O que eu e meus amigos discutíamos é que naquele momento, no começo dos anos 1980, a gente vivia ainda uma ditadura, o cerceamento do Estado, um Estado ainda repressor. E hoje em dia a gente vive um Estado de pleno direito, e tem a rede, a internet, as redes sociais e tudo, mas, paradoxalmente, vivemos um dos momentos mais caretas, reacionário. Talvez falte política. E o rock brasileiro, também está careta? Acho que está tudo muito careta, né. Não sei o que seria o rock brasileiro hoje, não vejo uma cena. Existem canais que você consegue ver alguma coisa de interessante, mas cena mesmo eu não vejo. A indústria fonográfica tem relação com isso? A indústria tem a sua parcela de comprometimento com isso, porque ela está meio dilacerada, não sabemos muito bem o que acontece, o que eles pretendem. Então agora estão fazendo contrato pra levar percentual de show dos artistas, quer dizer, estão tentando ver como fazer dinheiro. O digital agora está tomando uma forma e uma força grande de dividendos para eles; talvez comece a reestruturar o mercado. Está diferente, mas não quer dizer que esteja pior, as pessoas ainda estão tentando achar o caminho. E o Dado hoje, está ativo musicalmente? Tenho feito trilha sonora para filme e televisão, tenho feito shows do Passo do Colapso, tenho o programa de TV no canal Bis com vários artistas convidados diferentes. E a gente está reativando o selo RockIt, em formato digital. Acabamos de lançar o segundo disco solo do Marcelo Callado. E pretendamos também lançar outros discos. E, em breve, o catálogo todo da RockIt. Mas chegar e produzir artistas, não. Minha ideia é o ano que vem gravar um novo disco.
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4
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Amor Da Sua Cama
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Dado lança livro para ficar por dentro da Legião Urbana

por em 18/06/2015
P
or Rodrigo Amaral da Rocha
“Onze de outubro de 1996, 2h15. Toca o telefone na minha cabeceira. Do outro lado da linha, o doutor Saul me dava a notícia que, infelizmente, eu já esperava: o Renato estava morto. Atordoado, desliguei o telefone, acordei Fernanda e liguei pro Rafael, empresário da banda e grande amigo”. Assim começa Memórias de um Legionário, livro de Dado Villa-Lobos sobre as memórias do guitarrista desde o seu nascimento, em Bruxelas, na Bélgica; passando pela adolescência na capital federal, Brasília, onde conheceu o rock ‘n’ roll e formou a Legião Urbana; até o fim desta, após a morte de Renato Russo. Não se trata de um livro biográfico, mas, sim, de relatos do integrante de uma das bandas mais importantes da história do rock nacional. Com a ajuda dos historiadores Felipe Demier e Romulo Mattos, Dado dá sua versão sobre a Legião e resgata da memória momentos tensos, engraçados e, acima de tudo, únicos sobre tudo o que envolve a banda e um dos compositores mais emblemáticos da música popular brasileira. Por quê a decisão de escrever esse livro agora? Foi uma sugestão de um amigo, o Felipe Demier, que é historiador e escreve o livro junto comigo e o Romulo Mattos. Ele me sugeriu soltar essas memórias. Eu estava esperando passar as questões judiciais envolvendo a banda. Eu fui juntando os cacos, alguns fragmentos. Pra mim foi muito importante.  E foi em um momento certo: já plantei várias árvores, marquei vários gols no Maracanã, e agora tenho o livro. Muitos livros já foram feitos sobre a Legião Urbana e, inclusive, são citados neste. O que Memórias De Um Legionário tem de especial? É o foco interno, o foco de alguém que estava lá dentro. É a minha visão. Mas é claro que é importante ter visões diferentes, como no livro do Dapieve, as entrevistas na revista Bizz... Sobre a liberação do uso do nome do Legião Urbana, está tudo certo? Dá vontade de lançar coisa nova? Está tudo certo, sim, mas a questão da marca continua na mão do menino [Giuliano Manfredini, filho do Renato Russo]. A gente foi autorizado a poder subir no palco e usar o nome da nossa banda. Quando a gente fez aquele tributo com o Wagner Moura na MTV [2012], os herdeiros não deixaram a gente usar o nome ‘Legião Urbana’. Seria importante para o público saber que aquilo era uma homenagem à banda, ao repertório, à obra e marca da Legião. Hoje isso acabou, mas ele ainda é o detentor de uma marca. E essas questões todas me deixam com certa preguiça de mobilizar em função de ver o que existe na gravadora..  E a gravadora agora foi comprada pela Universal, que trabalha com outro formato... Eu não sei. Se depender de mim, eu não faço nada. Com o livro não teve nenhum problema? Não. Quando havia alguma coisa, assim, mais “picante”, aquilo já havia sido dito antes. E a história das biografias. Qual o seu posicionamento? [risos] Acho que agora vai ter um monte de biografia da Legião Urbana. Mas minha posição é a seguinte: quando a biografia é séria e o biógrafo é um cara confiável, que está realmente querendo contar a história, eu apoio. E eu adoro biografia, já li várias sobre artistas e escritores, e aprendi muito, culturalmente, pra entender o que está acontecendo em determinada época, o contexto histórico. Você diz que estava lendo Life, biografia do Keith Richards... Por acaso, no momento em que o Felipe me fez a sugestão eu estava lendo Life. É fascinante. Foi nesse mesmo modelo, de você ter uma visão interna da dinâmica dessa banda. No livro você fala abertamente sobre drogas, principalmente na época em que você estava começando e o rock crescendo em Brasília. Você acha que foi importante de alguma forma para todo esse contexto? Foi um momento de democratização do Brasil. O que estava acontecendo em Brasília acontecia em São Paulo, no Rio, em Porto Alegre, Belo Horizonte; o país inteiro estava nessa mesma energia de querer transformar o país, após uma ditadura de 24 anos. A garotada estava podendo se expressar do jeito que gostariam de se expressar. Em uma passagem do livro, é recuperada uma entrevista sua na década de 1990, onde você diz que o Planet Hemp era uma das poucas bandas politizadas do país. E hoje? Eu não vejo os artistas se envolvendo com política. Acho que política hoje virou um terreno quase maldito, não querem nem chegar perto. O que eu e meus amigos discutíamos é que naquele momento, no começo dos anos 1980, a gente vivia ainda uma ditadura, o cerceamento do Estado, um Estado ainda repressor. E hoje em dia a gente vive um Estado de pleno direito, e tem a rede, a internet, as redes sociais e tudo, mas, paradoxalmente, vivemos um dos momentos mais caretas, reacionário. Talvez falte política. E o rock brasileiro, também está careta? Acho que está tudo muito careta, né. Não sei o que seria o rock brasileiro hoje, não vejo uma cena. Existem canais que você consegue ver alguma coisa de interessante, mas cena mesmo eu não vejo. A indústria fonográfica tem relação com isso? A indústria tem a sua parcela de comprometimento com isso, porque ela está meio dilacerada, não sabemos muito bem o que acontece, o que eles pretendem. Então agora estão fazendo contrato pra levar percentual de show dos artistas, quer dizer, estão tentando ver como fazer dinheiro. O digital agora está tomando uma forma e uma força grande de dividendos para eles; talvez comece a reestruturar o mercado. Está diferente, mas não quer dizer que esteja pior, as pessoas ainda estão tentando achar o caminho. E o Dado hoje, está ativo musicalmente? Tenho feito trilha sonora para filme e televisão, tenho feito shows do Passo do Colapso, tenho o programa de TV no canal Bis com vários artistas convidados diferentes. E a gente está reativando o selo RockIt, em formato digital. Acabamos de lançar o segundo disco solo do Marcelo Callado. E pretendamos também lançar outros discos. E, em breve, o catálogo todo da RockIt. Mas chegar e produzir artistas, não. Minha ideia é o ano que vem gravar um novo disco.