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Entrevista exclusiva: Magic!, a química que deu certo

por em 01/10/2014
Por
Luiza Fernandes No último sábado (27/09), a banda canadense Magic! foi o grande destaque do São Paulo Mix Festival, quando se apresentou para 26 mil pessoas – o maior show da curta carreira, que começou em 2012. Billboard Brasil bateu um papo com os responsáveis por um dos maiores hits do ano, a grudenta “Rude”. Nasri (vocalista e guitarrista), Mark Pellizzer (guitarra), Ben Spivak (baixo) e Alex Tanas (bateria) contaram como é ser a única banda nas paradas a misturar reggae com outros estilos, escolheram os pontos altos da primeira passagem pelo país e revelaram os planos de turnê com o Maroon 5. Há um ano, vocês estavam lançando “Rude”, o primeiro single da banda. Agora, estão em turnê internacional. Foi muito para processar em pouco tempo? Nasri: Sim. Há o lado espiritual disto. É como se seu espírito estivesse lidando com muitos sentimentos: amor, ansiedade, a pressão de conhecer pessoas novas o tempo inteiro, além de lidar com o negócio em si. É muito trabalho e temos muita sorte de ter um grande time que faz com que a gente consiga focar no lado espiritual e artístico. Se não tivéssemos parceiros como a Sony, seria muito difícil lidar com tudo. Quando perceberam que “Rude” se tornou um hit? Houve um momento específico? Nasri: Eu percebi quando fui ao dentista e todos que estavam no consultório tiraram uma foto comigo. A mulher estava limpando meus dentes e perguntei “como estão meus dentes?” Ela respondeu: “eles estão ótimos!” Pensei “não, eles não estão!”. Foi aí que percebi que as coisas estavam mudando. Alex Tanas: A gente não fala muito isso, mas “Rude” ficou no YouTube durante seis meses com apenas 900 visualizações. Depois, pulou para 4 mil! E agora tem cerca de 150 milhões de visualizações. Então, a gente vivenciou a fase de não saber se a música seria um hit ou não. Por muito tempo ficamos “ah, será que alguém vai gostar disso?”. Agora reconhecemos que é um hit. Vocês acham que hoje é mais difícil acontecer uma “mágica” como a de vocês na indústria musical? Nasri: Penso que acontece o tempo todo, mas há menos oportunidades para bandas se mostrarem no mesmo nível de popularidade como o nosso. Temos a sorte de termos construído contatos na indústria da música e muitos deles nos ajudaram. As pessoas não compram música como costumavam fazer antes. As gravadoras não desenvolvem o artista mais. Nós mesmos nos desenvolvemos. Então o Magic! tem muita sorte. A nossa química conseguiu ser promovida. Vocês fazem uma mistura de pop com reggae, além de outros estilos. Não vemos muitas bandas famosas fazendo isso hoje. Acham que estão preenchendo um buraco nos rankings? Mark Pelizzer: Certamente estamos preenchendo um vazio ou um buraco. Nos últimos cinco anos, as músicas de balada têm dominado as paradas. A nossa música é mais orgânica e tem reggae, o que também é diferente porque os grupos mais populares não tocam esse gênero. Chegamos ao nosso som de maneira natural e ficamos felizes por termos agradado tanta gente. Não sabíamos se estávamos preenchendo esse vazio. Agora, por causa do sucesso da música, podemos dizer que estamos fazendo isso de fato. Vocês fizeram parcerias com artistas como Chris Brown e Shakira. De que maneira estas experiências foram importantes para o trabalho do Magic!? Nasri: As parcerias nos fizeram adquirir experiência e aprender a trabalhar com outras pessoas. Alex Tanas: A parceria com Shakira foi muito interessante. Na maioria das vezes, quando um artista faz uma participação na música do outro é algo pequeno, já pré-produzido, o vocalista canta apenas uma parte da canção. Nesse caso, Narsi canta com Shakira e nós tocamos. Isso se diferencia do que eu vejo nos dias de hoje. A música é literalmente uma parceria de Magic! com Shakira. Foi uma experiência única e tenho orgulho disso. Por que batizaram o álbum de Don’t Kill The Magic? Nasri: A canção “Don’t Kill The Magic”, que integra o álbum, é realmente a melhor amostra do que queremos trazer como sonoridade: tem pop, reggae, soul, rock, tem tudo. Tem também o nosso nome no meio e nos pareceu interessante o trocadilho “não acabe com a mágica”. A canção é sobre um cara que não está pronto para desistir de uma garota. E nós não estávamos prontos para desistir dos nossos sonhos como músicos. Todos vocês são compositores. Qual a diferença entre escrever uma música para banda e escrever algo para outro artista? Nasri: A diferença é que ninguém te fala o que fazer. Quando você escreve uma música para outro artista, você trabalha para ele. Quando escrevemos para o Magic!, é apenas uma canção. Mark Pellizzer: Quando você trabalha para um artista, você está suprindo as necessidades dele, seja alguém do soul, dance, country, R&B...Você tenta fazer algo que seja bom para eles. Quando escrevemos para banda, apesar de tentamos ficar no mundo do reggae e do pop, estamos fazendo algo em que acreditamos. É para a gente. Como foi tocar no Brasil? Nasri: Tocar no Brasil foi inacreditável! Foi o maior show que já fizemos em nossa carreira! Umas 26 mil pessoas estavam lá. Muitos artistas falam que o país tem uma energia singular. Vocês sentiram isso? Nasri: Sim. E eu sei o que é: é um sentimento de amor pela música. É mais intenso do que em outros países. Todo mundo está se divertindo mais aqui. Alex Tanas: Eu sinto que na América do Norte sempre estamos pensando e analisando tudo. Aqui, as mentes são mais livres e as pessoas querem se divertir mais. Mark Pellizzer: O povo é mais sexy, a apreciação pela música é mais sexy! "This Is Our Time (Agora É A Nossa Hora)”, canção que vocês fizeram para a Copa do Mundo de 2014, ajudou a conhecer a música do país? Nasri: Fizemos uma pequena pesquisa, mas foi uma canção somente. Colocamos um pouco de português e Mark colocou um pouco da pegada brasileira na guitarra. Mas a ideia era fazer uma música global, pois o evento era a Copa do Mundo. Podem destacar dois melhores momentos da viagem ao Brasil? Nasri: A melhor coisa para nós, como banda, é o momento do show. Não há nada melhor do que tocar para 26 mil pessoas. Encontrar os fãs é maravilhoso, ir às rádios, ver o amor que estamos recebendo, ouvir a história de quantas pessoas estão pedindo nossa música... Tudo isso é maravilhoso.Se tudo der certo, conheceremos mais do Brasil na próxima vez. Ficamos aqui cinco dias, mas estávamos trabalhando para promover a banda e mostrar que não somos robôs. Definitivamente, voltaremos ao país ano que vem. O que vocês têm escutado? Nasri: Ultimamente, tenho apreciado músicas mais antigas, como Beatles, Stevie Wonder, Michael Jackson... Ben Spivak: Tenho ouvido Blur e muito do rock britânico dos anos 1990. Alex Tanas: Tenho escutado muito hip hop. Gostam de algum artista brasileiro?   Narsi: Não escuto tanto, mas depois de vir para o Brasil e ouvir alguns dos nomes, como Sergio Mendes e Seu Jorge, eu estou ansioso para ouvir direito. Vocês têm shows agendados até junho do ano que vem. O que vem depois disso? Há planos para um novo álbum? Vamos entrar em turnê com o Maroon 5 no próximo ano. Após junho devem rolar mais datas. Também espero que a gente toque em muitos festivais. Agora, o foco é promover Don’t Kill The Magic. Acabamos de começar, o álbum está nas lojas há apenas três meses, então ainda somos bebês. Precisamos crescer e deixar que todos nos vejam. O álbum terá provavelmente quatro ou cinco singles. Se vocês tivessem que falar o nome de uma música que marcou a passagem pelo Brasil, qual seria? Qualquer música! “Rock With You”, do Michael Jackson. Quando você está na frente dos fãs, você só quer dançar! As pessoas no Brasil, elas simplesmente sabem dançar! “I wanna rock with you all night...”. Queríamos tocar a noite inteira naquele show, não queríamos parar!
  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
Saudade
Eduardo Costa
3
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
4
Dona Maria (Part. Jorge)
Thiago Brava
5
Não Era Você
João Bosco & Vinicius
RANKING COMPLETO
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Entrevista exclusiva: Magic!, a química que deu certo

por em 01/10/2014
Por
Luiza Fernandes No último sábado (27/09), a banda canadense Magic! foi o grande destaque do São Paulo Mix Festival, quando se apresentou para 26 mil pessoas – o maior show da curta carreira, que começou em 2012. Billboard Brasil bateu um papo com os responsáveis por um dos maiores hits do ano, a grudenta “Rude”. Nasri (vocalista e guitarrista), Mark Pellizzer (guitarra), Ben Spivak (baixo) e Alex Tanas (bateria) contaram como é ser a única banda nas paradas a misturar reggae com outros estilos, escolheram os pontos altos da primeira passagem pelo país e revelaram os planos de turnê com o Maroon 5. Há um ano, vocês estavam lançando “Rude”, o primeiro single da banda. Agora, estão em turnê internacional. Foi muito para processar em pouco tempo? Nasri: Sim. Há o lado espiritual disto. É como se seu espírito estivesse lidando com muitos sentimentos: amor, ansiedade, a pressão de conhecer pessoas novas o tempo inteiro, além de lidar com o negócio em si. É muito trabalho e temos muita sorte de ter um grande time que faz com que a gente consiga focar no lado espiritual e artístico. Se não tivéssemos parceiros como a Sony, seria muito difícil lidar com tudo. Quando perceberam que “Rude” se tornou um hit? Houve um momento específico? Nasri: Eu percebi quando fui ao dentista e todos que estavam no consultório tiraram uma foto comigo. A mulher estava limpando meus dentes e perguntei “como estão meus dentes?” Ela respondeu: “eles estão ótimos!” Pensei “não, eles não estão!”. Foi aí que percebi que as coisas estavam mudando. Alex Tanas: A gente não fala muito isso, mas “Rude” ficou no YouTube durante seis meses com apenas 900 visualizações. Depois, pulou para 4 mil! E agora tem cerca de 150 milhões de visualizações. Então, a gente vivenciou a fase de não saber se a música seria um hit ou não. Por muito tempo ficamos “ah, será que alguém vai gostar disso?”. Agora reconhecemos que é um hit. Vocês acham que hoje é mais difícil acontecer uma “mágica” como a de vocês na indústria musical? Nasri: Penso que acontece o tempo todo, mas há menos oportunidades para bandas se mostrarem no mesmo nível de popularidade como o nosso. Temos a sorte de termos construído contatos na indústria da música e muitos deles nos ajudaram. As pessoas não compram música como costumavam fazer antes. As gravadoras não desenvolvem o artista mais. Nós mesmos nos desenvolvemos. Então o Magic! tem muita sorte. A nossa química conseguiu ser promovida. Vocês fazem uma mistura de pop com reggae, além de outros estilos. Não vemos muitas bandas famosas fazendo isso hoje. Acham que estão preenchendo um buraco nos rankings? Mark Pelizzer: Certamente estamos preenchendo um vazio ou um buraco. Nos últimos cinco anos, as músicas de balada têm dominado as paradas. A nossa música é mais orgânica e tem reggae, o que também é diferente porque os grupos mais populares não tocam esse gênero. Chegamos ao nosso som de maneira natural e ficamos felizes por termos agradado tanta gente. Não sabíamos se estávamos preenchendo esse vazio. Agora, por causa do sucesso da música, podemos dizer que estamos fazendo isso de fato. Vocês fizeram parcerias com artistas como Chris Brown e Shakira. De que maneira estas experiências foram importantes para o trabalho do Magic!? Nasri: As parcerias nos fizeram adquirir experiência e aprender a trabalhar com outras pessoas. Alex Tanas: A parceria com Shakira foi muito interessante. Na maioria das vezes, quando um artista faz uma participação na música do outro é algo pequeno, já pré-produzido, o vocalista canta apenas uma parte da canção. Nesse caso, Narsi canta com Shakira e nós tocamos. Isso se diferencia do que eu vejo nos dias de hoje. A música é literalmente uma parceria de Magic! com Shakira. Foi uma experiência única e tenho orgulho disso. Por que batizaram o álbum de Don’t Kill The Magic? Nasri: A canção “Don’t Kill The Magic”, que integra o álbum, é realmente a melhor amostra do que queremos trazer como sonoridade: tem pop, reggae, soul, rock, tem tudo. Tem também o nosso nome no meio e nos pareceu interessante o trocadilho “não acabe com a mágica”. A canção é sobre um cara que não está pronto para desistir de uma garota. E nós não estávamos prontos para desistir dos nossos sonhos como músicos. Todos vocês são compositores. Qual a diferença entre escrever uma música para banda e escrever algo para outro artista? Nasri: A diferença é que ninguém te fala o que fazer. Quando você escreve uma música para outro artista, você trabalha para ele. Quando escrevemos para o Magic!, é apenas uma canção. Mark Pellizzer: Quando você trabalha para um artista, você está suprindo as necessidades dele, seja alguém do soul, dance, country, R&B...Você tenta fazer algo que seja bom para eles. Quando escrevemos para banda, apesar de tentamos ficar no mundo do reggae e do pop, estamos fazendo algo em que acreditamos. É para a gente. Como foi tocar no Brasil? Nasri: Tocar no Brasil foi inacreditável! Foi o maior show que já fizemos em nossa carreira! Umas 26 mil pessoas estavam lá. Muitos artistas falam que o país tem uma energia singular. Vocês sentiram isso? Nasri: Sim. E eu sei o que é: é um sentimento de amor pela música. É mais intenso do que em outros países. Todo mundo está se divertindo mais aqui. Alex Tanas: Eu sinto que na América do Norte sempre estamos pensando e analisando tudo. Aqui, as mentes são mais livres e as pessoas querem se divertir mais. Mark Pellizzer: O povo é mais sexy, a apreciação pela música é mais sexy! "This Is Our Time (Agora É A Nossa Hora)”, canção que vocês fizeram para a Copa do Mundo de 2014, ajudou a conhecer a música do país? Nasri: Fizemos uma pequena pesquisa, mas foi uma canção somente. Colocamos um pouco de português e Mark colocou um pouco da pegada brasileira na guitarra. Mas a ideia era fazer uma música global, pois o evento era a Copa do Mundo. Podem destacar dois melhores momentos da viagem ao Brasil? Nasri: A melhor coisa para nós, como banda, é o momento do show. Não há nada melhor do que tocar para 26 mil pessoas. Encontrar os fãs é maravilhoso, ir às rádios, ver o amor que estamos recebendo, ouvir a história de quantas pessoas estão pedindo nossa música... Tudo isso é maravilhoso.Se tudo der certo, conheceremos mais do Brasil na próxima vez. Ficamos aqui cinco dias, mas estávamos trabalhando para promover a banda e mostrar que não somos robôs. Definitivamente, voltaremos ao país ano que vem. O que vocês têm escutado? Nasri: Ultimamente, tenho apreciado músicas mais antigas, como Beatles, Stevie Wonder, Michael Jackson... Ben Spivak: Tenho ouvido Blur e muito do rock britânico dos anos 1990. Alex Tanas: Tenho escutado muito hip hop. Gostam de algum artista brasileiro?   Narsi: Não escuto tanto, mas depois de vir para o Brasil e ouvir alguns dos nomes, como Sergio Mendes e Seu Jorge, eu estou ansioso para ouvir direito. Vocês têm shows agendados até junho do ano que vem. O que vem depois disso? Há planos para um novo álbum? Vamos entrar em turnê com o Maroon 5 no próximo ano. Após junho devem rolar mais datas. Também espero que a gente toque em muitos festivais. Agora, o foco é promover Don’t Kill The Magic. Acabamos de começar, o álbum está nas lojas há apenas três meses, então ainda somos bebês. Precisamos crescer e deixar que todos nos vejam. O álbum terá provavelmente quatro ou cinco singles. Se vocês tivessem que falar o nome de uma música que marcou a passagem pelo Brasil, qual seria? Qualquer música! “Rock With You”, do Michael Jackson. Quando você está na frente dos fãs, você só quer dançar! As pessoas no Brasil, elas simplesmente sabem dançar! “I wanna rock with you all night...”. Queríamos tocar a noite inteira naquele show, não queríamos parar!