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Erasmo Carlos aposta em repertório alternativo em novo DVD

por em 17/07/2015
P
or Marcos Lauro
Aos 74 anos de idade, Erasmo Carlos resolveu revisitar a sua carreira. Mas não do jeito convencional – com Erasmo poucas coisas são convencionais. No DVD Meus Lados B, gravado em São Paulo, o compositor passeia por um repertório alternativo. Você não ouve “Além Do Horizonte”, “Minha Fama De Mau” ou “Gatinha Manhosa”. No lugar delas, “Gente Aberta”, “Cachaça Mecânica” e “Vou Ficar Nu Pra Chamar Sua Atenção”. A Billboard Brasil conversou com Erasmo sobre o DVD e, claro, a Jovem Guarda: “O próprio público escraviza, ele não deixa você evoluir, não quer. Ele quer você um jovem fake”. Na Jovem Guarda não tinha “lado b”, tudo era sucesso. E o fim do movimento foi decisivo pra muitos artistas definirem o seu caminho. Como foi essa transição pra você? Pra te falar a verdade, pra mim, tudo começou quando eu ouvi “Aquele Abraço” [de Gilberto Gil, 1969]. Me deu uma coisa, eu caí no choro. Algo inexplicável. Uma música tão carioca, tão maravilhosa, que eu pensei: “Minha vida tá toda errada, eu tenho que mudar tudo!”. Eu estava há sete anos em São Paulo e voltei pro Rio de Janeiro, me casei, mudei de gravadora e procurei fazer outras coisas. Aprendi o que estava surgindo com os tropicalistas, pedi música pro Caetano Veloso, me juntei a novos artistas que estavam surgindo. Foi uma mudança total de vida e eu encontrei meu caminho. Eu cresci como pessoa, sabe? Deixei de ser menino, irresponsável, e passei a ser um homem. No DVD tem cinco músicas do disco Carlos, ERASMO (1971), que foi redescoberto há pouco tempo por um público mais jovem. É um disco “lado b”? Teve “De Noite Na Cama” que foi sucesso, mas eu não canto no meu show tradicional. E os jovens têm ido mais ao seu show? O meu público é velho, né? São fiéis, estão sempre no show. Tem jovem também, mas o público mesmo é mais velho. É o povo que me acompanha desde a Jovem Guarda ou a partir dos anos 1970. Esses já são coroas também [risos]! Os jovens que eu vejo vão mais por curiosidade ou pelo que eu faço agora. Por isso que eu continuo fazendo o agora, o hoje. Qual foi a principal motivação pra fazer esse repertório alternativo? O [produtor] André Midani me chamou pra fazer um projeto chamado “Inusitados”, que era uma série de shows diferentes, que não eram os de estrada, e foi um sucesso. O Leo, meu filho, disse pra gente gravar e documentar. Esse DVD é ousado, porque vai na contramão de tudo que tem sido feito. Hoje é tudo grande, super produções... O pop dominou a parte artística e os shows têm de tudo: efeitos, iluminação, milhões de dançarinos... E não é o meu caminho, nunca foi. O show é intimista, gravamos numa casa pequena em São Paulo, o Tom Jazz... Consegui conversar com as pessoas, fazer piadas, teve interação. Mal coube minha banda no palco. Sua banda tem uma média de idade bem jovem. Você prefere? A seleção brasileira devia ser assim [risos]! Eu gosto muito de unir jovens com algumas pessoas mais experientes, pra dar um direcionamento. Mais da metade do DVD é de músicas compostas por Roberto e Erasmo. Vocês pensaram em algum momento não compor mais juntos nessa trajetória de grandes mudanças musicais dos dois? Não, seguimos naturalmente e apostamos na evolução de cada um. Conforme a maturidade vem, isso reflete na música. A não ser que o cara encare a música como um comércio puro. Aí ele segue uma fórmula. E não é o caso de Roberto e Erasmo. Tem muita banda regravando e fazendo versões das suas músicas. Você acompanha isso? Eu acredito na força das músicas. Passam os anos e elas continuam. Porque eu falo de amor, que é o que rege o mundo. Ou pelo menos deveria reger. Agora mesmo o CPM22 regravou “Minha Fama De Mau”. O primeiro foi o Leo Jaime, que regravou “Gatinha Manhosa” ainda nos anos 1980. Todo mundo pensou que era dele. Foi um baita sucesso. Eu gosto muito, porque é assim que a música vira um clássico, imortalizada... As novas gerações deixam a música na boca do povo. No DVD você conta diversas passagens da sua vida, como o casamento com Narinha nos anos 1970. Sua música reflete sua vida ou você escreve mais sobre os outros e o que observa? O processo de amadurecimento reflete no trabalho sim. Você vive várias vidas numa vida só. Até os 18 anos eu tive uma vida, tinha amigos da rua. Aí eu fui pro exército, mudei os amigos, quartel, aquela coisa toda. Aí comecei com música e mudei os amigos de novo. A vida da gente vai mudando e você vai aprendendo coisas, ficando maduro. Se você for um cara espontâneo, reflete sim. É melhor ser independente? Pô, é muito melhor e vai ser cada vez mais! A única coisa ruim é que o público na internet, por maior que seja, está espalhado pelo Brasil. E quando a gente faz show quer o teatro cheio, lógico. Quando todo mundo tiver internet, a economia estiver legal, a coisa melhora. O rádio ainda alcança mais gente e todo mundo ouve. E o rótulo “Jovem Guarda”, incomoda? A Jovem Guarda escraviza, né? O próprio público escraviza, ele não deixa você evoluir, não quer. Ele quer você um jovem fake. Porque ele tem saudade da juventude dele e a Jovem Guarda faz parte disso. Então eu procuro me libertar disso. Mas não é renegar! Nos meus shows sempre tem a parte Jovem Guarda. Mas eu estou em outra, cara. Cê só faz 15 anos uma vez. Passou. Imagina uma pessoa com 74 anos de idade fazendo 15 anos [risos]. E você sempre posta no Twitter. Usa bastante? Uso, mas não interajo com as pessoas não. Eu uso pra mostrar agenda, foto de gravação... mas não respondo perguntas se não eu não faria outra coisa da vida. Até porque tem muita abobrinha, né... muita besteira  [risos]. Tem esse comportamento quase que violento nas redes... mas isso não te atinge, né? Eu acho engraçado. Eu fiz o programa do Danilo Gentili [The Noite com Danilo Gentili, no SBT] e sei que tem muita gente que não gosta dele. E acabaram me citando em várias postagens, algumas pesadas. Mas eu ria das “novidades” que eu lia. Um falou que eu tocava na banda de Jesus Cristo e que Judas era o baterista. Outro disse que eu estou com um pé na cova e outro no sabonete [risos]. Eu acho graça. Eu tenho muito humor na minha vida. E eu sei que não é pela minha música, é pela minha figura, pelo meu físico. Serviço: Erasmo Carlos – lançamento do DVD Meus Lados B Teatro Oi Casa Grande – Rio de Janeiro 17 e 18/7 - 21h30 Mais informações e ingressos: ingresso.com
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Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
2
Saudade
Eduardo Costa
3
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
4
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
5
Aquela Pessoa
Henrique & Juliano
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Erasmo Carlos aposta em repertório alternativo em novo DVD

por em 17/07/2015
P
or Marcos Lauro
Aos 74 anos de idade, Erasmo Carlos resolveu revisitar a sua carreira. Mas não do jeito convencional – com Erasmo poucas coisas são convencionais. No DVD Meus Lados B, gravado em São Paulo, o compositor passeia por um repertório alternativo. Você não ouve “Além Do Horizonte”, “Minha Fama De Mau” ou “Gatinha Manhosa”. No lugar delas, “Gente Aberta”, “Cachaça Mecânica” e “Vou Ficar Nu Pra Chamar Sua Atenção”. A Billboard Brasil conversou com Erasmo sobre o DVD e, claro, a Jovem Guarda: “O próprio público escraviza, ele não deixa você evoluir, não quer. Ele quer você um jovem fake”. Na Jovem Guarda não tinha “lado b”, tudo era sucesso. E o fim do movimento foi decisivo pra muitos artistas definirem o seu caminho. Como foi essa transição pra você? Pra te falar a verdade, pra mim, tudo começou quando eu ouvi “Aquele Abraço” [de Gilberto Gil, 1969]. Me deu uma coisa, eu caí no choro. Algo inexplicável. Uma música tão carioca, tão maravilhosa, que eu pensei: “Minha vida tá toda errada, eu tenho que mudar tudo!”. Eu estava há sete anos em São Paulo e voltei pro Rio de Janeiro, me casei, mudei de gravadora e procurei fazer outras coisas. Aprendi o que estava surgindo com os tropicalistas, pedi música pro Caetano Veloso, me juntei a novos artistas que estavam surgindo. Foi uma mudança total de vida e eu encontrei meu caminho. Eu cresci como pessoa, sabe? Deixei de ser menino, irresponsável, e passei a ser um homem. No DVD tem cinco músicas do disco Carlos, ERASMO (1971), que foi redescoberto há pouco tempo por um público mais jovem. É um disco “lado b”? Teve “De Noite Na Cama” que foi sucesso, mas eu não canto no meu show tradicional. E os jovens têm ido mais ao seu show? O meu público é velho, né? São fiéis, estão sempre no show. Tem jovem também, mas o público mesmo é mais velho. É o povo que me acompanha desde a Jovem Guarda ou a partir dos anos 1970. Esses já são coroas também [risos]! Os jovens que eu vejo vão mais por curiosidade ou pelo que eu faço agora. Por isso que eu continuo fazendo o agora, o hoje. Qual foi a principal motivação pra fazer esse repertório alternativo? O [produtor] André Midani me chamou pra fazer um projeto chamado “Inusitados”, que era uma série de shows diferentes, que não eram os de estrada, e foi um sucesso. O Leo, meu filho, disse pra gente gravar e documentar. Esse DVD é ousado, porque vai na contramão de tudo que tem sido feito. Hoje é tudo grande, super produções... O pop dominou a parte artística e os shows têm de tudo: efeitos, iluminação, milhões de dançarinos... E não é o meu caminho, nunca foi. O show é intimista, gravamos numa casa pequena em São Paulo, o Tom Jazz... Consegui conversar com as pessoas, fazer piadas, teve interação. Mal coube minha banda no palco. Sua banda tem uma média de idade bem jovem. Você prefere? A seleção brasileira devia ser assim [risos]! Eu gosto muito de unir jovens com algumas pessoas mais experientes, pra dar um direcionamento. Mais da metade do DVD é de músicas compostas por Roberto e Erasmo. Vocês pensaram em algum momento não compor mais juntos nessa trajetória de grandes mudanças musicais dos dois? Não, seguimos naturalmente e apostamos na evolução de cada um. Conforme a maturidade vem, isso reflete na música. A não ser que o cara encare a música como um comércio puro. Aí ele segue uma fórmula. E não é o caso de Roberto e Erasmo. Tem muita banda regravando e fazendo versões das suas músicas. Você acompanha isso? Eu acredito na força das músicas. Passam os anos e elas continuam. Porque eu falo de amor, que é o que rege o mundo. Ou pelo menos deveria reger. Agora mesmo o CPM22 regravou “Minha Fama De Mau”. O primeiro foi o Leo Jaime, que regravou “Gatinha Manhosa” ainda nos anos 1980. Todo mundo pensou que era dele. Foi um baita sucesso. Eu gosto muito, porque é assim que a música vira um clássico, imortalizada... As novas gerações deixam a música na boca do povo. No DVD você conta diversas passagens da sua vida, como o casamento com Narinha nos anos 1970. Sua música reflete sua vida ou você escreve mais sobre os outros e o que observa? O processo de amadurecimento reflete no trabalho sim. Você vive várias vidas numa vida só. Até os 18 anos eu tive uma vida, tinha amigos da rua. Aí eu fui pro exército, mudei os amigos, quartel, aquela coisa toda. Aí comecei com música e mudei os amigos de novo. A vida da gente vai mudando e você vai aprendendo coisas, ficando maduro. Se você for um cara espontâneo, reflete sim. É melhor ser independente? Pô, é muito melhor e vai ser cada vez mais! A única coisa ruim é que o público na internet, por maior que seja, está espalhado pelo Brasil. E quando a gente faz show quer o teatro cheio, lógico. Quando todo mundo tiver internet, a economia estiver legal, a coisa melhora. O rádio ainda alcança mais gente e todo mundo ouve. E o rótulo “Jovem Guarda”, incomoda? A Jovem Guarda escraviza, né? O próprio público escraviza, ele não deixa você evoluir, não quer. Ele quer você um jovem fake. Porque ele tem saudade da juventude dele e a Jovem Guarda faz parte disso. Então eu procuro me libertar disso. Mas não é renegar! Nos meus shows sempre tem a parte Jovem Guarda. Mas eu estou em outra, cara. Cê só faz 15 anos uma vez. Passou. Imagina uma pessoa com 74 anos de idade fazendo 15 anos [risos]. E você sempre posta no Twitter. Usa bastante? Uso, mas não interajo com as pessoas não. Eu uso pra mostrar agenda, foto de gravação... mas não respondo perguntas se não eu não faria outra coisa da vida. Até porque tem muita abobrinha, né... muita besteira  [risos]. Tem esse comportamento quase que violento nas redes... mas isso não te atinge, né? Eu acho engraçado. Eu fiz o programa do Danilo Gentili [The Noite com Danilo Gentili, no SBT] e sei que tem muita gente que não gosta dele. E acabaram me citando em várias postagens, algumas pesadas. Mas eu ria das “novidades” que eu lia. Um falou que eu tocava na banda de Jesus Cristo e que Judas era o baterista. Outro disse que eu estou com um pé na cova e outro no sabonete [risos]. Eu acho graça. Eu tenho muito humor na minha vida. E eu sei que não é pela minha música, é pela minha figura, pelo meu físico. Serviço: Erasmo Carlos – lançamento do DVD Meus Lados B Teatro Oi Casa Grande – Rio de Janeiro 17 e 18/7 - 21h30 Mais informações e ingressos: ingresso.com