NOTÍCIAS

Erika Ender, aquele 1% brasileiro de "Despacito"

Compositora da faixa ao lado do amigo de longa data Luis Fonsi tem família brasileira

por Rebecca Silva em 04/08/2017

Com riso fácil, sotaque baiano e jeito espontâneo de responder e conversar, fica até difícil acreditar que Erika Ender seja panamenha. Com sangue brasileiro, a compositora já tem anos de carreira e de amizade com Luis Fonsi e não imaginava sua composição, “Despacito”, se tornaria um fenômeno para a música latina.

Integrante mais jovem do Hall da Fama dos Compositores Latinos e vencedora do Grammy Latino em 2016, Erika tem no currículo músicas em espanhol e em português e pretende investir ainda mais nesse intercâmbio do Brasil com o resto da América Latina.

A Billboard Brasil conversou com Erika Ender durante sua visita ao país:

Qual a sua relação com o Brasil? Costuma visitar o país para ver a família?
Sim! Todos os anos visito o Brasil, sempre passava as férias, Natal e Ano Novo. A família da minha mãe é da Bahia. Sempre tive comida brasileira em casa, falava português, além de ouvir os grandes nomes da nossa música como Caetano, Elis, Gal, Gil.

Como você começou a sua carreira como compositora?
Comecei por vocação, aos 9 anos. Tudo que acontecia ao meu redor, eu escrevia. Depois, virou profissão. Vivi até meus 22 anos no Panamá, quando me mudei para os Estados Unidos para investir na música. Sou cidadã do mundo, mas meu coração é brasileiro [risos].

Como surgiu essa parceria com Luis Fonsi?
Já conheço Fonsi há 10 anos, já fizemos outras músicas juntos. Quando ele começou a compor para o disco novo, me chamou. Ele já tinha escrito a letra de "Despacito" até o refrão quando me trouxe a ideia e começamos a construir em volta disso. Cheguei na casa dele às duas da tarde e saí de lá às seis. Fizemos no violão, a melodia e a letra. Isso em setembro de 2015!

Vocês imaginaram, há quase dois anos, que estavam fazendo algo tão especial?
O meu termômetro é a pele. Se a pele fica arrepiada, sabe? Não podemos ter filtro entre a caneta e o coração. Não esperava esse sucesso global, mas esperava na América. A música passou por cima da língua, das barreiras. E sem nenhuma dancinha, né? [risos]. O público gostou da letra, da melodia. Estamos muito gratos. Para mim, o dinheiro é consequência. Cada vez que tenho o presente de traduzir sentimentos em música, de ser a trilha sonora da vida de alguém, vale a pena. Fonsi saiu da zona de conforto dele de fazer música romântica e apostou no reggaeton.

A música, apesar do teor sensual, não tem conotação machista e apelativa como outras faixas do gênero tem. Você, como mulher, ajudou nesse ponto da composição?
A gente queria ter responsabilidade e compromisso. Fonsi respeita muito isso. E eu quero mostrar que mulher tem capacidade. Na América Latina, no meio da música, são 20 homens para uma mulher. Mulher pode sim escrever para homens cantarem. Já aconteceu de eu mandar demo e não ser aceita, mas quando eu enviava exatamente a mesma música, apenas com o meu sobrenome de assinatura, aceitavam. Foi muito difícil. Agora que já me conhecem, pedem para eu compor.

Com esse sucesso de "Despacito" inclusive no Brasil, pretende escrever mais em português para artistas brasileiros?
Sempre quis ter essa ponte. Entendo dos dois mundos, dos dois mercados. Quero servir de ajuda para os dois lados em linguagem natural e digerível. O cantor Leonardo já gravou uma composição minha, "Quero Acender Teu Fogo". Já fiz muitas músicas em português como cantora também. Estou dando passos firmes. "Despacito" está abrindo as portas mais rápido.

Como é para você viver esse momento de valorização da música latina?
Muito emocionante. Quando eu era pequena, não tinha plataforma. Eu assistia TV e via Emilio e Gloria Estefan estourando com a "Conga". Foram uma motivação para mim. Foi Emilio que anunciou meu tributo [Erika entrou no Hall da Fama dos Compositores Latinos em abril deste ano]. Abracei ele tão forte. Quando a gente quer e corre atrás, existem os desafios, mas seguimos nosso objetivo. Não é por fama e dinheiro, mas para marcar a vida das pessoas.

 

  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
2
Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
RANKING COMPLETO
NOTÍCIAS

Erika Ender, aquele 1% brasileiro de "Despacito"

Compositora da faixa ao lado do amigo de longa data Luis Fonsi tem família brasileira

por Rebecca Silva em 04/08/2017

Com riso fácil, sotaque baiano e jeito espontâneo de responder e conversar, fica até difícil acreditar que Erika Ender seja panamenha. Com sangue brasileiro, a compositora já tem anos de carreira e de amizade com Luis Fonsi e não imaginava sua composição, “Despacito”, se tornaria um fenômeno para a música latina.

Integrante mais jovem do Hall da Fama dos Compositores Latinos e vencedora do Grammy Latino em 2016, Erika tem no currículo músicas em espanhol e em português e pretende investir ainda mais nesse intercâmbio do Brasil com o resto da América Latina.

A Billboard Brasil conversou com Erika Ender durante sua visita ao país:

Qual a sua relação com o Brasil? Costuma visitar o país para ver a família?
Sim! Todos os anos visito o Brasil, sempre passava as férias, Natal e Ano Novo. A família da minha mãe é da Bahia. Sempre tive comida brasileira em casa, falava português, além de ouvir os grandes nomes da nossa música como Caetano, Elis, Gal, Gil.

Como você começou a sua carreira como compositora?
Comecei por vocação, aos 9 anos. Tudo que acontecia ao meu redor, eu escrevia. Depois, virou profissão. Vivi até meus 22 anos no Panamá, quando me mudei para os Estados Unidos para investir na música. Sou cidadã do mundo, mas meu coração é brasileiro [risos].

Como surgiu essa parceria com Luis Fonsi?
Já conheço Fonsi há 10 anos, já fizemos outras músicas juntos. Quando ele começou a compor para o disco novo, me chamou. Ele já tinha escrito a letra de "Despacito" até o refrão quando me trouxe a ideia e começamos a construir em volta disso. Cheguei na casa dele às duas da tarde e saí de lá às seis. Fizemos no violão, a melodia e a letra. Isso em setembro de 2015!

Vocês imaginaram, há quase dois anos, que estavam fazendo algo tão especial?
O meu termômetro é a pele. Se a pele fica arrepiada, sabe? Não podemos ter filtro entre a caneta e o coração. Não esperava esse sucesso global, mas esperava na América. A música passou por cima da língua, das barreiras. E sem nenhuma dancinha, né? [risos]. O público gostou da letra, da melodia. Estamos muito gratos. Para mim, o dinheiro é consequência. Cada vez que tenho o presente de traduzir sentimentos em música, de ser a trilha sonora da vida de alguém, vale a pena. Fonsi saiu da zona de conforto dele de fazer música romântica e apostou no reggaeton.

A música, apesar do teor sensual, não tem conotação machista e apelativa como outras faixas do gênero tem. Você, como mulher, ajudou nesse ponto da composição?
A gente queria ter responsabilidade e compromisso. Fonsi respeita muito isso. E eu quero mostrar que mulher tem capacidade. Na América Latina, no meio da música, são 20 homens para uma mulher. Mulher pode sim escrever para homens cantarem. Já aconteceu de eu mandar demo e não ser aceita, mas quando eu enviava exatamente a mesma música, apenas com o meu sobrenome de assinatura, aceitavam. Foi muito difícil. Agora que já me conhecem, pedem para eu compor.

Com esse sucesso de "Despacito" inclusive no Brasil, pretende escrever mais em português para artistas brasileiros?
Sempre quis ter essa ponte. Entendo dos dois mundos, dos dois mercados. Quero servir de ajuda para os dois lados em linguagem natural e digerível. O cantor Leonardo já gravou uma composição minha, "Quero Acender Teu Fogo". Já fiz muitas músicas em português como cantora também. Estou dando passos firmes. "Despacito" está abrindo as portas mais rápido.

Como é para você viver esse momento de valorização da música latina?
Muito emocionante. Quando eu era pequena, não tinha plataforma. Eu assistia TV e via Emilio e Gloria Estefan estourando com a "Conga". Foram uma motivação para mim. Foi Emilio que anunciou meu tributo [Erika entrou no Hall da Fama dos Compositores Latinos em abril deste ano]. Abracei ele tão forte. Quando a gente quer e corre atrás, existem os desafios, mas seguimos nosso objetivo. Não é por fama e dinheiro, mas para marcar a vida das pessoas.