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Especial Jorge Ben Jor; confira sete músicas marcantes

por em 22/03/2012
Imagem: Divulgação

Considerado um dos maiores compositores da música brasileira, o carioca Jorge Ben Jor faz aniversário hoje. Sua idade correta ainda é um mistério. Enquanto diversos registros e biografias apontam que sua data de nascimento é 22 de março de 1942, Jorge Ben Jor garante que é de 1945.

O garoto que queria ser jogador de futebol e chegou a fazer parte do time infanto-juvenil do Flamengo viu sua vida mudar quando ganhou um pandeiro de presente, aos 13 anos. Dali pra frente, o contato de Jorge Duílio Lima Meneses com a música só aumentaria.

O jovem participou de coral de igreja e tocou pandeiro em blocos de carnaval. Outro presente deu a guinada necessária para que o garoto de Rio Comprido, bairro na zona norte do Rio de Janeiro, trilhasse seu caminho de sucesso. Aos 18 anos, Jorge ganhou da mãe um violão. Inspirado pela bossa nova de João Gilberto e pelo rockabilly de Ronnie Self, passou a se apresentar em festas e boates da região.

Foi no começo dos anos 60, no Beco das Garrafas, em Copacabana, que a vida de Jorge mudaria. Ali, no reduto de craques da música carioca, o jovem de 18 anos fez um show para uma pequena plateia onde apresentou sua música “Mas Que Nada”. Por sorte, no meio da plateia estava um executivo da gravadora Philips, que percebeu o potencial da música e lançou aquele que se tornaria um dos maiores compositores da música brasileira e criador do estilo batizado como “samba-rock”.

Com o passar dos anos, Jorge Ben virou Jorge Ben Jor e continuou colecionando sucessos e se consolidando como influência duradoura para a música brasileira. 

Para celebrar sua música, a Billboard Brasil separou sete canções deste que é considerado um dos artistas brasileiros mais bem sucedidos do mundo. Confira abaixo em nosso Especial Jorge Ben.


“Mas Que Nada”

O ano era 1963, e Jorge apenas mais um dos artistas de todo o Brasil que tentavam a sorte no Rio de Janeiro. Mas Jorge tinha um trunfo, e quis o destino que ele fosse usado na noite certa. No Beco das Garrafas, o jovem de então 18 anos tocou sua música “Mas Que Nada” e atraiu a atenção de um executivo da gravadora Philips. No mesmo ano, gravou seu primeiro álbum - Samba Esquema Novo – e se consolidou como uma das novas revelações brasileiras.

“Mas Que Nada” se tornou uma das mais famosas canções do Brasil, sendo lançada nos Estados Unidos na versão do pianista Sergio Mendes. A canção atraiu os olhares americanos e ganhou versões de artistas como Ella Fitzgerald, All Jarreau, Trini Lopez e o porto-riqueno José Feliciano. A música atingiu a 4ª posição do ranking Adult Conteporary e a 47ª posição do Pop Singles da Billboard, um marco para uma música brasileira. Hoje, “Mas Que Nada” continua influenciando, dentro e fora do Brasil. Em 2006, Sergio Mendes se uniu ao grupo Black Eyed Peas para relançar uma versão remixada da música.


“Chove, Chuva”

Outra faixa de Samba Esquema Novo, “Chove, Chuva” tem uma letra relativamente simples e a alma do que viria a ficar conhecido como “samba-rock”, com arranjos tipicamente sambistas, mas levada animada típica do rock. A bela música ganhou versões da brasileira Elza Soares, da sul-africana Miriam Makeba, do Biquini Cavadão e do Mundo Livre S/A, que ainda batizou seu álbum Samba Esquema Noise como uma forma de homenagear Jorge Ben.

Até hoje, a música é frequentemente lembrada quando o assunto é chuva. Durante show realizado no Morumbi, em 22 de novembro de 2011, o ex-beatle Paul McCartney citou o título da música em português, em alusão à forte chuva que caia sobre a cidade. A plateia pouco se importava com a água, e vibrou ao saber que o inglês Macca também gosta do brasileiro Jorge Ben Jor.


“País Tropical”

Em 1968, Jorge Ben já havia se consolidado como um dos grandes compositores nacionais e se apresentava em programas de televisão como Divino, Maravilhoso, comandado por Caetano Veloso e Gilberto Gil, O Fino da Bossa, apresentado por Elis Regina, e Jovem Guarda, apresentado por Wanderléa e pela dupla Roberto e Erasmo Carlos.

Entre seus diversos sucessos da época estava “País Tropical”, samba animado e bem-humorado que falava sobre aspectos tipicamente brasileiros e cariocas. Presente em seu álbum homônimo de 1969, “País Tropical” foi regravada por artistas como Wilson Simonal, Gal Costa, Daniela Mercury, Ivete Sangalo e até pela colombiana Shakira. A música virou sinônimo da alegria brasileira e é tocada centenas de vezes durante o carnaval.


“Fio Maravilha”

Apaixonado por futebol e pelo time do Flamengo, Jorge Ben se inspirou em um gol feito pelo atacante João Batista de Sales, o Fio Maravilha, para compor a canção de mesmo nome. Folclórico e querido pela torcida rubro-negra, Fio Maravilha marcou o único tento da vitória do Flamengo sobre o clube português Benfica em janeiro de 1972. Nas arquibancadas do Maracanã estava Jorge Ben, que eternizou a “jogada celestial” em sua marcante música: “Tabelou, driblou dois zagueiros.Deu um toque driblou o goleiro. Só não entrou com bola e tudo porque teve humildade em gol”, cantou em homenagem ao atacante.

A música se tornou um marco e deu a Jorge Ben a vitória no Festival Internacional da Canção de 1972. O músico só não esperava que a canção fosse atrair tantos problemas no futuro. “Fio Maravilha” acabou se tornando motivo de disputa por direitos autorais entre o compositor e o atacante - que alegava que seu nome estava sendo utilizando sem autorização. A disputa obrigou que Jorge Ben passasse a cantar a música como “Filho Maravilha”. Em 2007, a pendência foi resolvida, e o jogador autorizou Jorge a cantar a música em sua versão original. Os fãs de música e de futebol agradecem.


“Os Alquimistas Estão Chegando”

No início dos anos 70, Jorge Ben se tornou um adepto da alquimia e iniciou o que batizou como “alquimia musical”. Dessa fase, surgiu o disco que é considerado por muitos como o melhor de sua carreira. Lançado em 1974, Tábua De Esmeraldas continha trechos de textos alquímicos e efeitos esotéricos que denotavam a nova preferência do cantor.

No álbum, Jorge revisita pensadores como o teólogo italiano São Tomás de Aquino, o faraó egípcio Hermes Trismegisto e o alquimista suíço Paracelso.  Faixa de abertura do disco, “Os Alquimistas Estão Chegando” homenageia a cultura e os grandes expoentes da alquimia. A música se tornou um dos maiores sucessos do cantor em sua fase esotérica, sendo frequentemente relembrada como uma de suas mais importantes canções.


“Taj Mahal”

Considerada uma das músicas de maior sucesso de Jorge Ben, “Taj Mahal” foi lançada em 1972 como parte do álbum Ben. A canção voltaria a aparecer no álbumÁfrica Brasil, de 1976, e seria pivô de mais uma polêmica sobre direitos autorais vivida por Jorge Ben.

A canção conta a história do mausoléu indiano construído entre 1630 e 1652 pelo imperador Shah Jahan como prova de amor a sua esposa Aryumand Banu Begam. Em 1978, Jorge Ben acusou o cantor escocês Rod Stewart de plagiar o marcante refrão da faixa em sua música “Do Ya Think I’m Sexy?”. Em sua defesa, Stewart declarou que a adaptação havia sido feita por seu baterista Carmine Appice, e cedeu os lucros de sua versão para a fundação UNICEF.

Por este motivo, Jorge acabou não recebendo nada dos lucros da versão de Rod Stewart, mas a música continua sendo uma das mais tocadas canções de sua carreira, presença obrigatória em seus shows.


“W/Brasil (Chama o Síndico)”

Em 1990, pouco depois de mudar seu nome para Jorge Ben Jor, o compositor mostraria que, independente do nome, continuaria fazendo sucessos marcantes para a MPB. Uma das teorias sobre sua mudança de nome se apoiava na numerologia, enquanto outra dizia que o cantor – que já acumulava boa fama nos EUA - havia trocado sua alcunha para não ser confundido com o músico americano George Benson.

Teorias à parte, Jorge Ben Jor foi convidado pelo publicitário Washington Olivetto para criar uma música tema para sua agência, a W/Brasil. A encomenda de Olivetto viria ainda melhor do que o esperado. Jorge Ben Jor aproveitou a música para homenagear seu amigo Tim Maia, e marcou o tema como um dos seus grandes sucessos. “W/Brasil (Chama o Síndico)” apresentou Jorge a uma nova geração e recolocou o cantor nas paradas de sucesso.

Hoje, passados mais de vinte anos, Jorge ainda se mantém como músico de forte apelo com os jovens, público que compõe a grande maioria de seus shows. Se o músico chegou aos 67 anos, suas músicas ainda esbanjam corpinho de vinte, mesmo já sendo respeitadas quarentonas.

  • HOT 100
    BRASIL
  • BILLBOARD
    200
  • HOT 100
    EUA
1
Bengala E Crochê
Maiara & Maraisa
2
Eu Vou Te Buscar (Cha La La La La) (part. Hungria Hip Hop)
Gusttavo LIma
3
Saudade
Eduardo Costa
4
Amor Da Sua Cama
Felipe Araújo
5
De Quem É A Culpa?
Marília Mendonça
RANKING COMPLETO
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Especial Jorge Ben Jor; confira sete músicas marcantes

por em 22/03/2012
Imagem: Divulgação

Considerado um dos maiores compositores da música brasileira, o carioca Jorge Ben Jor faz aniversário hoje. Sua idade correta ainda é um mistério. Enquanto diversos registros e biografias apontam que sua data de nascimento é 22 de março de 1942, Jorge Ben Jor garante que é de 1945.

O garoto que queria ser jogador de futebol e chegou a fazer parte do time infanto-juvenil do Flamengo viu sua vida mudar quando ganhou um pandeiro de presente, aos 13 anos. Dali pra frente, o contato de Jorge Duílio Lima Meneses com a música só aumentaria.

O jovem participou de coral de igreja e tocou pandeiro em blocos de carnaval. Outro presente deu a guinada necessária para que o garoto de Rio Comprido, bairro na zona norte do Rio de Janeiro, trilhasse seu caminho de sucesso. Aos 18 anos, Jorge ganhou da mãe um violão. Inspirado pela bossa nova de João Gilberto e pelo rockabilly de Ronnie Self, passou a se apresentar em festas e boates da região.

Foi no começo dos anos 60, no Beco das Garrafas, em Copacabana, que a vida de Jorge mudaria. Ali, no reduto de craques da música carioca, o jovem de 18 anos fez um show para uma pequena plateia onde apresentou sua música “Mas Que Nada”. Por sorte, no meio da plateia estava um executivo da gravadora Philips, que percebeu o potencial da música e lançou aquele que se tornaria um dos maiores compositores da música brasileira e criador do estilo batizado como “samba-rock”.

Com o passar dos anos, Jorge Ben virou Jorge Ben Jor e continuou colecionando sucessos e se consolidando como influência duradoura para a música brasileira. 

Para celebrar sua música, a Billboard Brasil separou sete canções deste que é considerado um dos artistas brasileiros mais bem sucedidos do mundo. Confira abaixo em nosso Especial Jorge Ben.


“Mas Que Nada”

O ano era 1963, e Jorge apenas mais um dos artistas de todo o Brasil que tentavam a sorte no Rio de Janeiro. Mas Jorge tinha um trunfo, e quis o destino que ele fosse usado na noite certa. No Beco das Garrafas, o jovem de então 18 anos tocou sua música “Mas Que Nada” e atraiu a atenção de um executivo da gravadora Philips. No mesmo ano, gravou seu primeiro álbum - Samba Esquema Novo – e se consolidou como uma das novas revelações brasileiras.

“Mas Que Nada” se tornou uma das mais famosas canções do Brasil, sendo lançada nos Estados Unidos na versão do pianista Sergio Mendes. A canção atraiu os olhares americanos e ganhou versões de artistas como Ella Fitzgerald, All Jarreau, Trini Lopez e o porto-riqueno José Feliciano. A música atingiu a 4ª posição do ranking Adult Conteporary e a 47ª posição do Pop Singles da Billboard, um marco para uma música brasileira. Hoje, “Mas Que Nada” continua influenciando, dentro e fora do Brasil. Em 2006, Sergio Mendes se uniu ao grupo Black Eyed Peas para relançar uma versão remixada da música.


“Chove, Chuva”

Outra faixa de Samba Esquema Novo, “Chove, Chuva” tem uma letra relativamente simples e a alma do que viria a ficar conhecido como “samba-rock”, com arranjos tipicamente sambistas, mas levada animada típica do rock. A bela música ganhou versões da brasileira Elza Soares, da sul-africana Miriam Makeba, do Biquini Cavadão e do Mundo Livre S/A, que ainda batizou seu álbum Samba Esquema Noise como uma forma de homenagear Jorge Ben.

Até hoje, a música é frequentemente lembrada quando o assunto é chuva. Durante show realizado no Morumbi, em 22 de novembro de 2011, o ex-beatle Paul McCartney citou o título da música em português, em alusão à forte chuva que caia sobre a cidade. A plateia pouco se importava com a água, e vibrou ao saber que o inglês Macca também gosta do brasileiro Jorge Ben Jor.


“País Tropical”

Em 1968, Jorge Ben já havia se consolidado como um dos grandes compositores nacionais e se apresentava em programas de televisão como Divino, Maravilhoso, comandado por Caetano Veloso e Gilberto Gil, O Fino da Bossa, apresentado por Elis Regina, e Jovem Guarda, apresentado por Wanderléa e pela dupla Roberto e Erasmo Carlos.

Entre seus diversos sucessos da época estava “País Tropical”, samba animado e bem-humorado que falava sobre aspectos tipicamente brasileiros e cariocas. Presente em seu álbum homônimo de 1969, “País Tropical” foi regravada por artistas como Wilson Simonal, Gal Costa, Daniela Mercury, Ivete Sangalo e até pela colombiana Shakira. A música virou sinônimo da alegria brasileira e é tocada centenas de vezes durante o carnaval.


“Fio Maravilha”

Apaixonado por futebol e pelo time do Flamengo, Jorge Ben se inspirou em um gol feito pelo atacante João Batista de Sales, o Fio Maravilha, para compor a canção de mesmo nome. Folclórico e querido pela torcida rubro-negra, Fio Maravilha marcou o único tento da vitória do Flamengo sobre o clube português Benfica em janeiro de 1972. Nas arquibancadas do Maracanã estava Jorge Ben, que eternizou a “jogada celestial” em sua marcante música: “Tabelou, driblou dois zagueiros.Deu um toque driblou o goleiro. Só não entrou com bola e tudo porque teve humildade em gol”, cantou em homenagem ao atacante.

A música se tornou um marco e deu a Jorge Ben a vitória no Festival Internacional da Canção de 1972. O músico só não esperava que a canção fosse atrair tantos problemas no futuro. “Fio Maravilha” acabou se tornando motivo de disputa por direitos autorais entre o compositor e o atacante - que alegava que seu nome estava sendo utilizando sem autorização. A disputa obrigou que Jorge Ben passasse a cantar a música como “Filho Maravilha”. Em 2007, a pendência foi resolvida, e o jogador autorizou Jorge a cantar a música em sua versão original. Os fãs de música e de futebol agradecem.


“Os Alquimistas Estão Chegando”

No início dos anos 70, Jorge Ben se tornou um adepto da alquimia e iniciou o que batizou como “alquimia musical”. Dessa fase, surgiu o disco que é considerado por muitos como o melhor de sua carreira. Lançado em 1974, Tábua De Esmeraldas continha trechos de textos alquímicos e efeitos esotéricos que denotavam a nova preferência do cantor.

No álbum, Jorge revisita pensadores como o teólogo italiano São Tomás de Aquino, o faraó egípcio Hermes Trismegisto e o alquimista suíço Paracelso.  Faixa de abertura do disco, “Os Alquimistas Estão Chegando” homenageia a cultura e os grandes expoentes da alquimia. A música se tornou um dos maiores sucessos do cantor em sua fase esotérica, sendo frequentemente relembrada como uma de suas mais importantes canções.


“Taj Mahal”

Considerada uma das músicas de maior sucesso de Jorge Ben, “Taj Mahal” foi lançada em 1972 como parte do álbum Ben. A canção voltaria a aparecer no álbumÁfrica Brasil, de 1976, e seria pivô de mais uma polêmica sobre direitos autorais vivida por Jorge Ben.

A canção conta a história do mausoléu indiano construído entre 1630 e 1652 pelo imperador Shah Jahan como prova de amor a sua esposa Aryumand Banu Begam. Em 1978, Jorge Ben acusou o cantor escocês Rod Stewart de plagiar o marcante refrão da faixa em sua música “Do Ya Think I’m Sexy?”. Em sua defesa, Stewart declarou que a adaptação havia sido feita por seu baterista Carmine Appice, e cedeu os lucros de sua versão para a fundação UNICEF.

Por este motivo, Jorge acabou não recebendo nada dos lucros da versão de Rod Stewart, mas a música continua sendo uma das mais tocadas canções de sua carreira, presença obrigatória em seus shows.


“W/Brasil (Chama o Síndico)”

Em 1990, pouco depois de mudar seu nome para Jorge Ben Jor, o compositor mostraria que, independente do nome, continuaria fazendo sucessos marcantes para a MPB. Uma das teorias sobre sua mudança de nome se apoiava na numerologia, enquanto outra dizia que o cantor – que já acumulava boa fama nos EUA - havia trocado sua alcunha para não ser confundido com o músico americano George Benson.

Teorias à parte, Jorge Ben Jor foi convidado pelo publicitário Washington Olivetto para criar uma música tema para sua agência, a W/Brasil. A encomenda de Olivetto viria ainda melhor do que o esperado. Jorge Ben Jor aproveitou a música para homenagear seu amigo Tim Maia, e marcou o tema como um dos seus grandes sucessos. “W/Brasil (Chama o Síndico)” apresentou Jorge a uma nova geração e recolocou o cantor nas paradas de sucesso.

Hoje, passados mais de vinte anos, Jorge ainda se mantém como músico de forte apelo com os jovens, público que compõe a grande maioria de seus shows. Se o músico chegou aos 67 anos, suas músicas ainda esbanjam corpinho de vinte, mesmo já sendo respeitadas quarentonas.