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"Estar solteira de novo é se descobrir", diz Valesca Popozuda

Cantora lançou o single “Tô Solteira De Novo”, com sample de Gaiola das Popozudas, e pretende gravar DVD em 2018

por Rebecca Silva em 14/11/2017

Valesca Popozuda está vivendo uma nova fase de sua carreira. Depois do desafio de dar início a uma carreira solo após deixar o grupo Gaiola das Popozudas, em 2013, e o estouro de “Beijinho No Ombro”, ela agora dá os primeiros passos empresariando a própria carreira.

Independente, Valesca lançou o single “Tô Solteira De Novo”, homenageando o grupo do qual fez parte, e agora foca seus esforços na gravação de um DVD no ano que vem, com participações especiais, olhando para trás e homenageando marcos da carreira.

Além disso, ela apresenta todas as quartas-feiras, na rádio Mix do Rio, o programa The Bate Boca, ao lado de Leo Dias e Bruno Chateaubriand, onde recebe convidados para falar de temas atuais.

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Divulgação/Eduardo Pimenta

A Billboard Brasil encontrou Valesca em um dos dias corridos da sua agenda e, durante um almoço, bateu um papo com a cantora sobre a nova fase da carreira, o cenário atual do funk, empoderamento e relacionamentos.

O clipe de "Tô Solteira De Novo" inicia com um monólogo seu refletindo sobre a nova fase da sua vida. Como surgiu a ideia de incluir esse texto no vídeo? Foi você que escreveu?

A Belinha, que foi a minha diretora, sugeriu que eu dissesse algo e transmitisse não só em imagens o que eu estou passando, como estou me sentindo. Hoje, eu tomo conta da minha carreira, sou minha própria empresária. Até o ano passado não era eu quem decidia tudo. Muitas das coisas que decidiam por mim eu não achava legal, mas eu tinha que fazer, precisava trabalhar. Agora, estou me sentindo livre para ser eu, me descobrindo cada vez mais, até como mulher. Eu escrevi, ela adaptou algumas coisas. Eu gostei muito do resultado. Quando a gente fala que está solteira de novo, as pessoas acham que estamos atrás de pegação, de homem, que estamos na rua para caçar. E não é. Estar solteira de novo é se descobrir porque você esquece muita coisa que deixou para trás quando entra em um relacionamento porque mergulha de cabeça. Estar solteira é se olhar no espelho e falar "primeiro eu, segundo eu, terceiro eu". Viver sem saber o que vão falar e o que deixam de falar.

A faixa tem um sample de "Agora Eu Sou Solteira", da sua época no grupo Gaiola das Popozudas. Como foi essa ideia de trazer de volta algo do seu passado?

Eu estava em estúdio com o DJ Batutinha, que me produz, gravando o Funk Canta Lulu, com vários funkeiros cantando músicas do Lulu Santos [álbum previsto para 2018]. Estava conversando com ele e disse que queria muito trazer o funk da época da Gaiola e retratar de um modo diferente, porque só os homens cantam que estão solteiros, mas as mulheres também têm essa vontade de gritar, de serem bem resolvidas. Fui para casa, fiquei pensando nisso. Quando voltei ao estúdio para fazer outra coisa, ele disse que já tinha a música. Ele leu, achei maneiro, adaptei algumas coisas. Ficou massa, do jeito que eu queria. Retratou o Gaiola, "Tô Solteira De Novo"/"Agora Eu Sou Solteira E Ninguém Vai Me Segurar".

Alguns artistas, quando deixam grupos, tentam apagar o passado. Para você, não é um problema cantar e relembrar a fase de Gaiola das Popozudas?

Não! Eu fui feliz ali, a Gaiola me abriu várias portas. Não me arrependo nunca de ter passado por ali. Para o meu DVD, no ano que vem, quero retratar esse lado, trazer um pouquinho disso porque faz parte da minha história, da minha vida. Foi onde tudo começou, onde apanhei muito, mas cresci e cheguei aqui, com barreiras e obstáculos. Até hoje, "Agora Eu Sou Solteira" é uma música que eu não tiro nunca do meu repertório, não pode faltar. É incrível que o público canta ela, posso dizer? Mais do que uma "Beijinho No Ombro". É muito bom quando você faz um hit que fica na cabeça da galera.

No monólogo, você diz que é sua melhor companhia. Muitas pessoas não sabem ficar bem sozinhas e aproveitar a própria companhia. Isso foi algo mais recente seu, que veio com o amadurecimento?

Sim, foi amadurecimento com a vida. Você vai passando pelas coisas e aprendendo. Tem gente que não gosta de ficar sozinha, mas eu não tenho esse problema. Eu sou muito bem resolvida quanto a isso. Claro que tem momentos e dias que queremos ter alguém do lado, mas acho que tem horas também que você precisa parar, só, e ter o seu momento para refletir na sua vida, o que pode mudar, se o que você está fazendo vale a pena. Se você não parar e se olhar, como vai saber para onde ir? Tem gente que tem esse medo e aí fica no meio de muita gente, achando que vai estar bem acompanhada, que aquelas pessoas vão te trazer algum sentido, mas acaba te atrapalhando porque você não consegue pensar por estar no tumulto. Adoro sentar na praia à noite, olhar, pensar. Você precisa ter o seu momento só com você.

Você completou 39 anos cantando sobre estar solteira, curtindo a vida e aprendendo a ser feliz com sua própria companhia. Muitos diriam que nessa idade você já deveria estar casada, com filhos, uma cobrança sentida muito mais pelas mulheres. Isso é algo que já te incomodou?

Eu nunca liguei para isso de idade e nunca menti, a gente sabe que tem muita gente por aí que mente idade. Sempre fui bem clara até porque idade está na cabeça. Estou vivendo a melhor fase da minha vida entre meus 38 e 39 anos. Estou muito feliz, me realizando. Quero muito aprender, curtir, viver. Não tenho essa coisa de ter que ficar com alguém de certa idade, se eu me identificar com alguém de 23, 24, 25, eu vou ficar. Quero ser feliz. Estou cagando para o que os outros vão pensar. Se você me perguntar até quando eu vou cantar e dançar, eu não sei, não penso. Penso em crescer cada vez mais, buscar outras coisas que gosto de fazer, como atuar, que descobri trabalhando em Suburbanas. Se vier uma novela, eu vou agarrar. Tenho coach, estou estudando tudo direitinho. Não porque eu quero fugir da música, mas porque é algo que eu gostei de fazer, me identifiquei.

Como é a Valesca na fossa, depois de um fim de relacionamento?

Já terminei algumas vezes e fiquei triste, sofri, mas é muito ruim. Eu acho que você não tem que sofrer por amor. Se é uma coisa tão boa, por que a gente sofre? Mas tem esse momento, é sentimento, não tem como fugir. Aí você pensa "tô sofrendo agora, não vou sofrer nunca mais!". Às vezes, mesmo sendo um contatinho, rola um afeto e quando desgruda, você sente. Por isso que hoje prefiro não me machucar. Como dizem, a fila anda. No dia que eu tiver que encontrar uma pessoa para estar ao meu lado, é para permanecer sempre.

No clipe, você traz a questão da sororidade ao aparecer ao lado das suas amigas, curtindo o dia e fazendo tudo que tem direito. Como foi a ideia de trazer esse toque feminino para o vídeo?

Quando eu fui escrever o roteiro, queria que tivesse isso das minhas amigas me buscando no trabalho e vamos sair, passear, comprar roupas, sapatos. Quis muito a cachorrinha porque via nos filmes e séries, para levar na bolsa, sabe? Eu tenho uma cachorra, a Celine, mas ela é grande e não ia caber, ela não é ajeitada e é terrível, sem disciplina. Ficou até chateada comigo [risos]! No fim, queria uma grande festa e ela aconteceu mesmo, real. Foram dois dias de gravações. O primeiro, foi no YouTube Space e as cenas da lancha. No segundo, fizemos numa loja e num hotel, com a festa. Depois da gravação, abrimos a pista para os convidados que chamei para viver esse momento comigo. Foi até quase quatro horas da manhã, fiquei descalça, curti muito. Todos os clipes que eu fiz, eu amei. Mas esse eu posso dizer que eu curti de outra maneira.

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Divulgação/Eduardo Pimenta

Essa parte da festa no seu clipe me lembrou o vídeo de "Sorry Not Sorry", da Demi Lovato, que também foi gravado em uma festa. Você já falou várias vezes nas redes sociais sobre cantoras que gosta, em especial o Fifth Harmony. Ainda acompanha o grupo?

Teve o clipe da Ivete também, de "Festa", que ela também fez uma festa para a gravação, também veio daí a ideia. Mas acompanho sim, fico triste de ver integrante saindo, mas não sei o que passa no mundo deles, né? Eu sempre vou aos shows. Elas eu conheci por meio do Twitter porque os fãs falavam, eu acabo conhecendo porque eles me trazem as novidades. Comecei a prestar atenção e a seguir. Sempre marcava a Normani nas publicações. Uma vez, do nada, ela começou a me seguir. Foi uma coisa de louco, eu não acreditava. Alguém da produção delas, em uma dessas vindas para cá há uns dois anos, conhecia amigos meus e eu fui. Cheguei toda quietinha na minha, esperando ansiosa. Quando elas desceram para tirar foto, antes do show, a Normani deu um grito quando me viu e me reconheceu. E eu "Oi? É para mim?". Tremi na base, fiquei doida. Ela falou do "Beijinho No Ombro" para as outras, que conheciam pouco. Dei CD para elas. De lá para cá, sempre acompanho todas elas.

ELEIÇÃO: “FESTA”, DE IVETE SANGALO, É O MELHOR REFRÃO DESSE SÉCULO

Enquanto alguns artistas que iniciaram no funk estão seguindo o caminho do pop, o gênero continua a crescer com novos nomes e você permanece fiel a ele. Como lida com isso?

Cada vez mais! Dando continuidade. O funk sempre vai ser a minha prioridade, mas isso não me impede de fazer parceria com outros cantores, algo que eu quero fazer nesse DVD. Eu não sou pop, sou funk. Por mais que eu misture uma coisa com a outra às vezes, você sempre vai ver o beat do funk.

Mais e mais artistas de São Paulo estão construindo carreira no funk e conquistando espaço...

Sim. Eles encontraram uma forma que já fez parte do funk do Rio, uma mistura deles, que eu acho muito legal. Eu sou fã do Livinho, adoro o jeito que ele canta e as músicas dele. Vou curtindo um pouquinho de cada, coloco as músicas no meu repertório porque a galera curte. O funk de São Paulo cresceu muito. Tem espaço para todos. Tem que ter a união Rio e São Paulo. Estamos lutando pelo funk, como vamos ficar em guerra dentro do movimento?

Além de se posicionar sobre o funk, você também faz questão de falar sobre o feminismo, tanto nas suas músicas, quanto na sua fala como pessoa pública. Você se sente uma representante do movimento?

Sim, me sinto. Faz parte da minha vida e sempre fez. Digo que nasci de um útero feminista porque minha mãe foi uma mulher guerreira que eu sei o quanto suou para me dar educação, para eu ser a mulher, mãe e filha que sou hoje. Nunca procurei entrar no movimento e falar disso porque agora está popularizado. Eu já falava de empoderamento nas minhas músicas. Quero que minhas irmãs se realizem como mulheres. Graças a Deus que eu pude fazer algo pelas mulheres que deixaram de acreditar na vida. Temos que viver e ser feliz, praticar a sororidade. Homens sempre se dão bem, são unidos e as mulheres sempre em desunião, uma sempre metendo a farpa na outra. Se nos unirmos mais ainda, vamos ser mais respeitadas e haverá um bloqueio, não vamos mais ser atingidas facilmente.

No seu livro, você conta uma história de assédio que sofreu quando ainda fazia parte do Gaiola. Estamos passando por um período em que muitos homens famosos estão sendo acusados de assédio e perdendo empregos por isso. Sentiu medo de contar o que aconteceu com você?

Nunca tinha acontecido. Um contratante entrou no camarim enquanto eu estava sozinha me arrumando, todo garanhão. Como eu usava roupa curta, acho que pensavam que eu estava induzindo. A criança que é abusada e nem sabe o que acontece está induzindo também? Isso não existe. Ele me segurou e eu disse que estava me arrumando, que logo ia entrar no palco. Ele tirou o membro para fora da calça e veio para perto de mim. Eu estava fazendo babyliss no cabelo e encostei no pênis dele. Ele começou a me xingar e eu a chorar. Fiquei com medo de falar e não acreditarem em mim, acharem que ele estava certo porque naquele lugar era o "bam bam bam" e eu não era nada, então eu me calei. No meu livro, peguei partes da minha vida, fiz um resumo e contei em forma de autoajuda. Nesse momento, resolvi falar.

Você se apresentou na abertura do Prêmio Multishow deste ano ao lado da Gretchen. Como foi essa experiência?

Eu já conhecia a Gretchen de anos atrás. Ela é um ícone, é sensacional. Quando recebi o convite de fazer a abertura do prêmio, já fiquei feliz. Sempre estou lá, mas fazer uma apresentação assim eu nunca fiz. Quando sugeriram que fosse com a Gretchen, adorei. É muito bom trabalhar com uma pessoa que você gosta. Foi o máximo. Mixaram as nossas músicas e o povo veio abaixo. Falei para ela, sem querer me gabar, que nossa apresentação foi a melhor. Sem querer desfazer dos outros, não teve para ninguém depois [risos].

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por Rebecca Silva em 14/11/2017

Valesca Popozuda está vivendo uma nova fase de sua carreira. Depois do desafio de dar início a uma carreira solo após deixar o grupo Gaiola das Popozudas, em 2013, e o estouro de “Beijinho No Ombro”, ela agora dá os primeiros passos empresariando a própria carreira.

Independente, Valesca lançou o single “Tô Solteira De Novo”, homenageando o grupo do qual fez parte, e agora foca seus esforços na gravação de um DVD no ano que vem, com participações especiais, olhando para trás e homenageando marcos da carreira.

Além disso, ela apresenta todas as quartas-feiras, na rádio Mix do Rio, o programa The Bate Boca, ao lado de Leo Dias e Bruno Chateaubriand, onde recebe convidados para falar de temas atuais.

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Divulgação/Eduardo Pimenta

A Billboard Brasil encontrou Valesca em um dos dias corridos da sua agenda e, durante um almoço, bateu um papo com a cantora sobre a nova fase da carreira, o cenário atual do funk, empoderamento e relacionamentos.

O clipe de "Tô Solteira De Novo" inicia com um monólogo seu refletindo sobre a nova fase da sua vida. Como surgiu a ideia de incluir esse texto no vídeo? Foi você que escreveu?

A Belinha, que foi a minha diretora, sugeriu que eu dissesse algo e transmitisse não só em imagens o que eu estou passando, como estou me sentindo. Hoje, eu tomo conta da minha carreira, sou minha própria empresária. Até o ano passado não era eu quem decidia tudo. Muitas das coisas que decidiam por mim eu não achava legal, mas eu tinha que fazer, precisava trabalhar. Agora, estou me sentindo livre para ser eu, me descobrindo cada vez mais, até como mulher. Eu escrevi, ela adaptou algumas coisas. Eu gostei muito do resultado. Quando a gente fala que está solteira de novo, as pessoas acham que estamos atrás de pegação, de homem, que estamos na rua para caçar. E não é. Estar solteira de novo é se descobrir porque você esquece muita coisa que deixou para trás quando entra em um relacionamento porque mergulha de cabeça. Estar solteira é se olhar no espelho e falar "primeiro eu, segundo eu, terceiro eu". Viver sem saber o que vão falar e o que deixam de falar.

A faixa tem um sample de "Agora Eu Sou Solteira", da sua época no grupo Gaiola das Popozudas. Como foi essa ideia de trazer de volta algo do seu passado?

Eu estava em estúdio com o DJ Batutinha, que me produz, gravando o Funk Canta Lulu, com vários funkeiros cantando músicas do Lulu Santos [álbum previsto para 2018]. Estava conversando com ele e disse que queria muito trazer o funk da época da Gaiola e retratar de um modo diferente, porque só os homens cantam que estão solteiros, mas as mulheres também têm essa vontade de gritar, de serem bem resolvidas. Fui para casa, fiquei pensando nisso. Quando voltei ao estúdio para fazer outra coisa, ele disse que já tinha a música. Ele leu, achei maneiro, adaptei algumas coisas. Ficou massa, do jeito que eu queria. Retratou o Gaiola, "Tô Solteira De Novo"/"Agora Eu Sou Solteira E Ninguém Vai Me Segurar".

Alguns artistas, quando deixam grupos, tentam apagar o passado. Para você, não é um problema cantar e relembrar a fase de Gaiola das Popozudas?

Não! Eu fui feliz ali, a Gaiola me abriu várias portas. Não me arrependo nunca de ter passado por ali. Para o meu DVD, no ano que vem, quero retratar esse lado, trazer um pouquinho disso porque faz parte da minha história, da minha vida. Foi onde tudo começou, onde apanhei muito, mas cresci e cheguei aqui, com barreiras e obstáculos. Até hoje, "Agora Eu Sou Solteira" é uma música que eu não tiro nunca do meu repertório, não pode faltar. É incrível que o público canta ela, posso dizer? Mais do que uma "Beijinho No Ombro". É muito bom quando você faz um hit que fica na cabeça da galera.

No monólogo, você diz que é sua melhor companhia. Muitas pessoas não sabem ficar bem sozinhas e aproveitar a própria companhia. Isso foi algo mais recente seu, que veio com o amadurecimento?

Sim, foi amadurecimento com a vida. Você vai passando pelas coisas e aprendendo. Tem gente que não gosta de ficar sozinha, mas eu não tenho esse problema. Eu sou muito bem resolvida quanto a isso. Claro que tem momentos e dias que queremos ter alguém do lado, mas acho que tem horas também que você precisa parar, só, e ter o seu momento para refletir na sua vida, o que pode mudar, se o que você está fazendo vale a pena. Se você não parar e se olhar, como vai saber para onde ir? Tem gente que tem esse medo e aí fica no meio de muita gente, achando que vai estar bem acompanhada, que aquelas pessoas vão te trazer algum sentido, mas acaba te atrapalhando porque você não consegue pensar por estar no tumulto. Adoro sentar na praia à noite, olhar, pensar. Você precisa ter o seu momento só com você.

Você completou 39 anos cantando sobre estar solteira, curtindo a vida e aprendendo a ser feliz com sua própria companhia. Muitos diriam que nessa idade você já deveria estar casada, com filhos, uma cobrança sentida muito mais pelas mulheres. Isso é algo que já te incomodou?

Eu nunca liguei para isso de idade e nunca menti, a gente sabe que tem muita gente por aí que mente idade. Sempre fui bem clara até porque idade está na cabeça. Estou vivendo a melhor fase da minha vida entre meus 38 e 39 anos. Estou muito feliz, me realizando. Quero muito aprender, curtir, viver. Não tenho essa coisa de ter que ficar com alguém de certa idade, se eu me identificar com alguém de 23, 24, 25, eu vou ficar. Quero ser feliz. Estou cagando para o que os outros vão pensar. Se você me perguntar até quando eu vou cantar e dançar, eu não sei, não penso. Penso em crescer cada vez mais, buscar outras coisas que gosto de fazer, como atuar, que descobri trabalhando em Suburbanas. Se vier uma novela, eu vou agarrar. Tenho coach, estou estudando tudo direitinho. Não porque eu quero fugir da música, mas porque é algo que eu gostei de fazer, me identifiquei.

Como é a Valesca na fossa, depois de um fim de relacionamento?

Já terminei algumas vezes e fiquei triste, sofri, mas é muito ruim. Eu acho que você não tem que sofrer por amor. Se é uma coisa tão boa, por que a gente sofre? Mas tem esse momento, é sentimento, não tem como fugir. Aí você pensa "tô sofrendo agora, não vou sofrer nunca mais!". Às vezes, mesmo sendo um contatinho, rola um afeto e quando desgruda, você sente. Por isso que hoje prefiro não me machucar. Como dizem, a fila anda. No dia que eu tiver que encontrar uma pessoa para estar ao meu lado, é para permanecer sempre.

No clipe, você traz a questão da sororidade ao aparecer ao lado das suas amigas, curtindo o dia e fazendo tudo que tem direito. Como foi a ideia de trazer esse toque feminino para o vídeo?

Quando eu fui escrever o roteiro, queria que tivesse isso das minhas amigas me buscando no trabalho e vamos sair, passear, comprar roupas, sapatos. Quis muito a cachorrinha porque via nos filmes e séries, para levar na bolsa, sabe? Eu tenho uma cachorra, a Celine, mas ela é grande e não ia caber, ela não é ajeitada e é terrível, sem disciplina. Ficou até chateada comigo [risos]! No fim, queria uma grande festa e ela aconteceu mesmo, real. Foram dois dias de gravações. O primeiro, foi no YouTube Space e as cenas da lancha. No segundo, fizemos numa loja e num hotel, com a festa. Depois da gravação, abrimos a pista para os convidados que chamei para viver esse momento comigo. Foi até quase quatro horas da manhã, fiquei descalça, curti muito. Todos os clipes que eu fiz, eu amei. Mas esse eu posso dizer que eu curti de outra maneira.

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Divulgação/Eduardo Pimenta

Essa parte da festa no seu clipe me lembrou o vídeo de "Sorry Not Sorry", da Demi Lovato, que também foi gravado em uma festa. Você já falou várias vezes nas redes sociais sobre cantoras que gosta, em especial o Fifth Harmony. Ainda acompanha o grupo?

Teve o clipe da Ivete também, de "Festa", que ela também fez uma festa para a gravação, também veio daí a ideia. Mas acompanho sim, fico triste de ver integrante saindo, mas não sei o que passa no mundo deles, né? Eu sempre vou aos shows. Elas eu conheci por meio do Twitter porque os fãs falavam, eu acabo conhecendo porque eles me trazem as novidades. Comecei a prestar atenção e a seguir. Sempre marcava a Normani nas publicações. Uma vez, do nada, ela começou a me seguir. Foi uma coisa de louco, eu não acreditava. Alguém da produção delas, em uma dessas vindas para cá há uns dois anos, conhecia amigos meus e eu fui. Cheguei toda quietinha na minha, esperando ansiosa. Quando elas desceram para tirar foto, antes do show, a Normani deu um grito quando me viu e me reconheceu. E eu "Oi? É para mim?". Tremi na base, fiquei doida. Ela falou do "Beijinho No Ombro" para as outras, que conheciam pouco. Dei CD para elas. De lá para cá, sempre acompanho todas elas.

ELEIÇÃO: “FESTA”, DE IVETE SANGALO, É O MELHOR REFRÃO DESSE SÉCULO

Enquanto alguns artistas que iniciaram no funk estão seguindo o caminho do pop, o gênero continua a crescer com novos nomes e você permanece fiel a ele. Como lida com isso?

Cada vez mais! Dando continuidade. O funk sempre vai ser a minha prioridade, mas isso não me impede de fazer parceria com outros cantores, algo que eu quero fazer nesse DVD. Eu não sou pop, sou funk. Por mais que eu misture uma coisa com a outra às vezes, você sempre vai ver o beat do funk.

Mais e mais artistas de São Paulo estão construindo carreira no funk e conquistando espaço...

Sim. Eles encontraram uma forma que já fez parte do funk do Rio, uma mistura deles, que eu acho muito legal. Eu sou fã do Livinho, adoro o jeito que ele canta e as músicas dele. Vou curtindo um pouquinho de cada, coloco as músicas no meu repertório porque a galera curte. O funk de São Paulo cresceu muito. Tem espaço para todos. Tem que ter a união Rio e São Paulo. Estamos lutando pelo funk, como vamos ficar em guerra dentro do movimento?

Além de se posicionar sobre o funk, você também faz questão de falar sobre o feminismo, tanto nas suas músicas, quanto na sua fala como pessoa pública. Você se sente uma representante do movimento?

Sim, me sinto. Faz parte da minha vida e sempre fez. Digo que nasci de um útero feminista porque minha mãe foi uma mulher guerreira que eu sei o quanto suou para me dar educação, para eu ser a mulher, mãe e filha que sou hoje. Nunca procurei entrar no movimento e falar disso porque agora está popularizado. Eu já falava de empoderamento nas minhas músicas. Quero que minhas irmãs se realizem como mulheres. Graças a Deus que eu pude fazer algo pelas mulheres que deixaram de acreditar na vida. Temos que viver e ser feliz, praticar a sororidade. Homens sempre se dão bem, são unidos e as mulheres sempre em desunião, uma sempre metendo a farpa na outra. Se nos unirmos mais ainda, vamos ser mais respeitadas e haverá um bloqueio, não vamos mais ser atingidas facilmente.

No seu livro, você conta uma história de assédio que sofreu quando ainda fazia parte do Gaiola. Estamos passando por um período em que muitos homens famosos estão sendo acusados de assédio e perdendo empregos por isso. Sentiu medo de contar o que aconteceu com você?

Nunca tinha acontecido. Um contratante entrou no camarim enquanto eu estava sozinha me arrumando, todo garanhão. Como eu usava roupa curta, acho que pensavam que eu estava induzindo. A criança que é abusada e nem sabe o que acontece está induzindo também? Isso não existe. Ele me segurou e eu disse que estava me arrumando, que logo ia entrar no palco. Ele tirou o membro para fora da calça e veio para perto de mim. Eu estava fazendo babyliss no cabelo e encostei no pênis dele. Ele começou a me xingar e eu a chorar. Fiquei com medo de falar e não acreditarem em mim, acharem que ele estava certo porque naquele lugar era o "bam bam bam" e eu não era nada, então eu me calei. No meu livro, peguei partes da minha vida, fiz um resumo e contei em forma de autoajuda. Nesse momento, resolvi falar.

Você se apresentou na abertura do Prêmio Multishow deste ano ao lado da Gretchen. Como foi essa experiência?

Eu já conhecia a Gretchen de anos atrás. Ela é um ícone, é sensacional. Quando recebi o convite de fazer a abertura do prêmio, já fiquei feliz. Sempre estou lá, mas fazer uma apresentação assim eu nunca fiz. Quando sugeriram que fosse com a Gretchen, adorei. É muito bom trabalhar com uma pessoa que você gosta. Foi o máximo. Mixaram as nossas músicas e o povo veio abaixo. Falei para ela, sem querer me gabar, que nossa apresentação foi a melhor. Sem querer desfazer dos outros, não teve para ninguém depois [risos].